terça-feira, 8 de outubro de 2013

Há viagens em que desejamos ver alguém correr e dizer «é meo!»...

Sejam bem vindos ao caos lisboeta! Assim poderia começar este texto de hoje em que o Metro de Lisboa voltou a fechar portas devido a Greve. Mas o certo é que apesar de muito trânsito, a manhã até acabou por se fazer com algum atraso nas viagens mas ainda assim, sem as confusões de outros tempos, porque cada vez mais as pessoas vão planeando com antecedência as alternativas que mais se adequam às suas deslocações. Contudo a tarde estaria para causar dores de cabeça num desejado regresso a casa. 

Se durante o dia não parei num chega e vai de turistas a quererem descobrir Lisboa, já na última volta tudo parecia estar reservado para a minha passagem. E a primeira paragem prolongada foi na Rua do Limoeiro, paredes meias com o bairro do Castelo. Uma carrinha da "Meo" com as luzes de emergência ligadas impedia a passagem do eléctrico. Toquei a campainha para ver se o técnico aparecia a fim de remover a carrinha, mas de imediato chegava a informação que o senhor tinha sido avistado algures para os lados das Portas do Sol. Passavam 5 minutos... 10 minutos até que lá apareceu um polícia - ali de serviço numa obra próxima - e um agente da EMEL. Aparecia toda a gente menos quem nós queríamos ouvir dizer «é meo

E ali estivemos 35 minutos à espera, já depois de solicitado o reboque que não chegou a ser necessário, porque o técnico lá apareceu e a interrogar-se se era por ele que estava tudo parado, como se fosse nossa vontade estar parado a olhar para uma carrinha que apenas dizia MEO, sem 4G, televisão, Internet ou até um telefone que fosse atendido perante as tentativas da minha parte e do agente da autoridade presente no lugar. 

Mas lá prosseguimos, rumo à Rua da Conceição, onde permanecemos mais 25 minutos quase parados num contínuo mas lento pára-arranca até à rua que dá acesso ao Cais do Sodré, já bem próximo da Rua Duques de Bragança. Os turistas - persistentes - lá iam perguntando se era normal o trânsito ser assim em Lisboa e iam aproveitando para fotografar detalhes que noutra ocasião não seriam possíveis ser fotografados.

Com custo lá passámos mais uma interrupção, mas apenas até à Lapa, onde nos deparámos perante um autocarro da 713 que de maneira nenhuma, conseguia seguir a sua trajectória numa curva apertada à direita para entrar na Rua da Lapa e tudo claro está, porque alguém só contou com o seu umbigo, deixando o carro, em plena curva, numa travessia de peões e afastado do passeio. E ali permanecemos então já com a PSP também a solicitar o reboque, durante alguns minutos, até que a Central de Comando de Tráfego, decidiu então mandar o 713 via carreira 25E, desimpedindo assim a circulação dos eléctricos que já por ali estavam em número considerável. 

Parecia que finalmente poderia terminar a viagem sem mais situações, mas as aparências iludem e a chegada ao Corpo Santo ditava-nos isso mesmo. Trânsito, trânsito e mais trânsito, tudo parado, com tempo para tudo e mais alguma coisa, até para ouvir uma desfolhada de Simone de Oliveira, caso a cantora estivesse para aí virada. Simone não cantava, mas era centro das atenções enquanto por ali era fotografada para uma revista, a propósito do lançamento do seu livro. Os turistas brasileiros que seguiam no eléctrico, questionavam-me se era alguém importante, e lá lhes desfiz o mistério. "-É cantora e actriz". E logo se soltou um «uauuuuuu».

Terminava então depois um longo dia onde não posso deixar de estranhar a quantidade de autocarros extraordinários que andavam nas ruas, numa altura em que se fala diariamente da falta de tripulantes. Do fim da viagem até à recolha lá foram mais uns largos minutos parado entre a Praça do Comércio e o Cais do Sodré, e com tudo isto o serviço que era para ter terminado ás 18h20 terminou às 19h55. Apenas um pormenor para conhecimento daqueles que dizem que o nosso trabalho é um "mar de rosas"...

2 comentários:

CR 35 disse...

O tipo da MEO não deve ter lido a reportagem do jornal o "Público" porque se a tivesse lido a comissão dele não ia pró Maneta!

http://www.publico.pt/local-porto/jornal/estacionamento-ilegal-para-autocarros-de-lisboa-duas-horas-e-meia-por-dia-27198732

Boas viagens a bordo dos amarelinhos da carris

Orquidia do Jardim disse...

E desses 75.000 euros será que cai qualquer coisita para os motoristas e guardas-freios?? Nem que seja para comprar uns ansioliticos...

Mas isto sempre foi assim. Já há muitos anos quando andava no colégio e andava muito de eléctrico havia destas peripécias.

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