domingo, 25 de agosto de 2013

[Off Topic]: Muito mudou em 25 anos após o incêndio do Chiado



Neste mesmo dia, há 25 anos atrás, o meu dia começava como tantos outros. Com os meus cinco anos de idade, ocupava as manhãs brincando sobre um tapete no chão da casa onde vivia, com os carrinhos, sinais e bonecos que juntos criavam uma cidade no meu imaginário e que era percorrida pelos carros que as minhas próprias mãos conduziam, passando horas e horas entretido naquele vai e vem de carros sobre a barra de um tapete que era a estrada. As manhãs eram igualmente acompanhadas pela televisão onde passavam os desenhos animados que mais gostava, “As aventuras de Tom Sawyer”.


Mas a manhã do dia 25 de Agosto de 1988 acabaria por ser diferente. Ao mesmo tempo que brincava com o meu autocarro de dois pisos da Carris, feito em metal da conhecida marca Metosul, ligava a televisão e em vez dos desenhos animados, era a jornalista Dina Aguiar que preenchia o ecrã num “especial notícias” que logo cedo nos dava a conhecer que o coração de Lisboa estava em chamas. Recordo-me de parar o “trânsito” pelo chão lá de casa e ficar a observar durante largos minutos a reportagem da RTP pela voz do Mário Crespo que na Rua Garrett nos dava conta dos desenvolvimentos deste incêndio que destruiu os armazéns do Grandella e toda a zona envolvente, tornando-se na maior catástrofe na cidade após o terramoto de 1755.


E viriam a ser precisos mais de 10 anos para a reconstrução do Chiado a cargo do arquitecto Siza Vieira. Hoje completam-se 25 anos após essa manhã devastadora que quem a viveu jamais esquecerá. Lisboa acordava com um manto de fumo e lavaredas destruindo em cinco horas o que Marquês de Pombal fez em vários anos e hoje muito mudou. Lisboa acorda com um novo Chiado. Para uns mais bonito, para outros nem tanto. Mas quer se goste ou não este é o Chiado que temos e muito mudou ao longo destes 25 anos não só no Chiado mas na cidade de Lisboa.



Os autocarros deixaram de ser laranjas e adoptaram o amarelo dos eléctricos e do dia do incêndio parece permanecer o elevador de Santa Justa, porque o resto em seu redor foi reconstruido. Onde antes se compravam tachos e panelas, compra-se agora roupas e livros, e onde começava a carreira 24 restam agora os carris. Hoje temos um Chiado renascido que continua a ter o 28E como seu principal amigo no vai e vem de turistas que o procuram, mas a seus pés está também o metropolitano que surgiu em 1998, juntando as linhas verde e azul, constituindo por si só também uma das principais alterações da zona após o incêndio de 1988.


A zona continua no entanto caracterizada pelo boémio estilo onde se cruzam todas as classes e onde as grandes marcas se juntam às tradicionais casas de comércio que vão resistindo aos tempos difíceis que se atravessam. O Chiado continua a ser sem dúvida um bilhete postal de uma cidade que tem vindo a modernizar-se de ano para ano.

E ao longo destes 25 anos, cresci e estudei, cheguei a concretizar o sonho de fazer reportagem através da imagem, que quem sabe, poderá ter nascido também neste dia com a cobertura televisiva deste grande incêndio. Mas as voltas da vida levaram-me a conduzir os autocarros amarelos, no aproximar de uma paixão que vem de infância, a quando das deslocações de casa para a escola. Na prateleira ficaram os carrinhos de brincar e o autocarro de dois pisos da Carris que ainda hoje estimo e passei a ter nas mãos os autocarros à escala real. Mais tarde a possibilidade de exercer uma profissão também ela com história, com a mudança para Santo Amaro onde permaneço ainda hoje, na condução dos eléctricos "amarelos" de Lisboa, que continuam a percorrer o bairro do Chiado, na encantadora carreira 28E , num constante sobe e desce pela cidade de Lisboa. 

Eis então, o recuperar da emissão televisiva da manhã de 25 de Agosto de 1988...













2 comentários:

CR 35 disse...

Lisboa continua a ser caótica nos bairros mais antigos ,não existem planos nem acessos para o caso de haver novamente uma tragédia.Reduzem-se ruas, alteram-se sentidos, sem haver concordância com a protecção civil e os bombeiros,prédios em ruínas por causa de burocracias,lixo, falta de bocas de incêndio fiscalizadas, ou tapadas por carros mal estacionados.

Anónimo disse...

lol

o pior nem é isso, sabendo o que sabe, todos os lisboetas deviam ser informados com uma carta geográfica actualizada da cidade com todos os perigos assinalados ou mesmo um livro sobre o que fazer ou para onde ir em caso da terra sentir cócegas. Todas as freguesias deviam ter pontos de fuga obrigatórios. Enfim...

é a minha opinião...

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