sábado, 27 de abril de 2013

Todos rendidos a Lisboa e ao "eléctrico chamado desejo"...

Não sei se Lisboa é um destino em saldos, ou se o facto de ter sido um dos melhores destinos europeus, tenha levado a que nos últimos fins-de-semana, tenha havido pelas ruas da cidade uma invasão oriunda de todos os cantos do Mundo. As ruas repletas de gente, obrigam a uma gincana para que se consiga chegar a um lugar e as paragens com filas fora do normal, fazem com que se tornem cada vez mais normais por estes dias, sobretudo por onde passa o eléctrico 15 e 28. Se um vai para a monumental zona de Belém, o outro percorre os bairros históricos sempre a subir e a descer, o que faz delirar os turistas que chegam em grande número mas que querem viajar sentados.

Assim acontece no Martim Moniz, como mostra a foto que podia ser de arquivo, mas que é de hoje no ponto de partida da carreira 28E, por onde andei este Sábado. A fila chega mesmo a atravessar a rua, mas quando o eléctrico chega à paragem e abre a porta, entram pouco mais de 20 pessoas, e assim que ficam preenchidos os lugares, os restantes preferem aguardar pelo próximo. Do lado de fora perguntam-me se «há lugar para mais 3 pessoas?» -Há para mais 3, 5, 10, 15, é até atingir a lotação. Mas «ok, mas não há para sentar, vamos no próximo». Começa então mais uma viagem pelas colinas de Lisboa. Na Graça já o eléctrico enche para logo nas Portas do Sol voltar a vazar. É um entra e sai, quando é, porque há muitas viagens que parecem um verdadeiro expresso das colinas, porque atingida a lotação, poucos são os que pretendem sair.

Chegamos aos Prazeres e quando anuncio o final da viagem muitos desatam-se a rir, num acto que ainda não consegui perceber o porquê, mesmo depois de andar há 3 anos a conduzir eléctricos, e outros há que dizem que querem voltar. Esta tarde lá surgiu um casal português, para contrariar a estatística e perguntar como faziam para voltar. «Temos bilhete de ida e volta, como fazemos para voltar?» Explico-lhes que têm de sair e aguardar na paragem nova partida de regresso. Mas algo intrigava o senhor que não tardou em ripostar «então e se não tiver lugar para me sentar?» Ora cá está uma das tais perguntas que não pedem outra resposta se não, terá de viajar de pé

Óbvio que poderia ter sugerido que aguardassem pelo próximo, mas em dias como o de hoje em que poucos eram os eléctricos que andavam a horas, poderiam ter de aguardar muito tempo pelo próximo. O certo é que o senhor não terá gostado da ideia de ter de viajar de pé e lá ficou na paragem à espera do próximo.

O dia não estava de facto a ser fácil, porque a procura era em muito superior à oferta e se em dias de feira da Ladra já é complicado, se juntar-mos uma feira na Graça, mais complicado fica com as constantes entradas e saídas que acabam por atrasar os eléctricos que já têm ao fim-de-semana um horário bastante apertado. Pelo meio há ainda os turistas receosos de um fim do mundo antecipado que querem a todo o custo andar no "eléctrico do desejo", nem que para tal entrem pela porta de trás. Mas quando o fazem igualmente com o intuito de viajar à conta dos que pagaram, o melhor mesmo é convidá-los a entrar pela porta da frente, onde tiveram de adquirir o bilhete que lhes permitia fazer uma viagem na casinha amarela, como não há em mais parte nenhuma do mundo, e que fez a revista de LE FIGARO ficar rendida à Vida Portuguesa e ao "eléctrico chamado desejo" que é Lisboa.

n.d.r.: Imagem revista LE FIGARO, do blogue de Cataria Portas.

sábado, 20 de abril de 2013

Até os turistas gostavam de ser guarda-freios... ou de provar a boa azeitona portuguesa



Mais um fim-de-semana na capital portuguesa e repleto de turistas, a comprovar pelo que se viu este sábado pelas ruas da Baixa. No Martim Moniz, a fila para o eléctrico 28E chegava à entrada do Poço do Borratém e a procura era também elevada na Praça do Comércio em busca do eléctrico para Belém ou para um passeio mais tranquilo pelas colinas de Lisboa. A presença dos navios de cruzeiro em Lisboa trazem sempre muitos turistas que pretendem em pouco tempo, ver o máximo possível da cidade de Lisboa. Os que trazem a lição já previamente estudada, acabam por comprar o bilhete combinado para todas as rotas turísticas, mas outros ficam-se apenas por um dos trajectos, deixando o resto do tempo em terra para passear ou fazer compras.

Com as esplanadas da baixa cheias e com muita cerveja à mistura, animação é algo que não tem faltado por estes dias e quando os clientes estão bem dispostos até o serviço acaba por correr melhor. Entusiasmados com a viagem pela Graça, São Vicente e pelas ruas estreitas de Alfama em direcção ao Castelo, os turistas que cruzavam a Baixa em direcção ao Chiado, a bordo do eléctrico das colinas nem ficaram chateados, como é habitual, por causa de uma interrupção que impedia por momentos a continuação do trajecto devido a uma mini-explosão numa das lojas próximas da Bica. Se muitos aproveitaram para almoçar pelo Chiado, outros acabaram por tomar outro rumo em direcção à monumental zona de Belém.


Com o sol a convidar ao passeio pelas ruas, não é de estranhar também que muitos tenham igualmente escolhido o 28E para uma tarde diferente, com o ar a correr pelas janelas em busca do melhor local para se obter uma boa vista sobre a cidade, ou uma esplanada para matar a sede. E miradouros e esplanadas é do que há mais pela cidade. Um casal de turistas brasileiro, dizia-me durante a interrupção que «estamos amando a vossa cidade. Lisboa tem carisma e é tudo gente boa, muito legal», diziam com um brilho nos olhos ao mesmo tempo que eu escutava com agrado e com um arrepio simpático daqueles que nos deixam quase sem reacção quando assim se referem à nossa cidade.

A pausa no trajecto dava portanto para troca de ideias entre turistas e um guarda-freio apaixonado por Lisboa. De França, um casal aparentemente, já muito viajado, questionava-me sobre alguns detalhes mais técnicos do eléctrico. Fazia-lhes alguma confusão o porquê da grelha que decora a frente e a traseira do eléctrico afecto ao turismo. Após uma breve explicação sobre a dita grelha, a resposta foi um arranhado «Superrrrr!» e não abandonaram o eléctrico sem dizer que «vous avez la profession plus intéressant de Lisbonne, sûrsement».

Se é a profissão mais interessante de Lisboa não o poderei dizer, mas certo é que são dias como os de hoje e clientes como estes que fazem com que cada vez mais, goste de fazer aquilo que faço. Conduzir pessoas numa cidade maravilhosa, mas nem sempre bem aproveitada, que tem do nascer e do pôr do Sol mais bonito, porque afinal de contas Lisboa é uma cidade com uma luz especial. E certo é também que sou um privilegiado por poder dizer que faço o que realmente gosto. 

E se nos eléctricos foi mais ou menos assim o dia de hoje, já no regresso a casa e a bordo de um dos autocarros da companhia, constatei uma vez mais que, nem sempre se trata de um veículo de transporte de passageiros. De bicicletas a televisores já vi um pouco de tudo. Mas um barril de azeitonas é que nunca tinha visto e este senhor, deve ter apanhado uma boa promoção ali para os lados da Ribeira porque comprou ou teve a sorte de alguém lhe oferecer este barril que abriu o apetite pelo menos a mim, porque cheirava muito bem a azeitonas. Davam certamente para um excelente petisco para o final desta tarde de sábado, com umas boas iguarias à mistura.

Hoje foi assim, amanhã espero que assim continue, a ter e a proporcionar boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Noite de Transbordo num regresso à borracha na 15E

Já sem chuva tal como apontavam as previsões, e com o Sol a dar ares de sua graça, assim começou o o meu dia de trabalho nesta quinta-feira, horas antes das luzes dos candeeiros substituírem os raios de um Sol que tem teimado em não aparecer. A realização do Rally de Portugal, com a prova especial em Lisboa, que tem lugar esta sexta-feira, levaria-me de novo a sair dos carris com mais um regresso à borracha, ao volante de um MAN.  Coube-me então o serviço de transbordo na carreira 15E, entre S.Amaro e Algés, devido ao corte de trânsito na zona do Mosteiro dos Jerónimos, que obrigava ao desvio da carreira pelo Restelo, via carreira 751 até à Avenida da Torre de Belém, onde depois de percorrida, retomaria o trajecto da carreira 15E já no Largo da Princesa.

Mas se para muitos passageiros, a presença de autocarros na carreira que é feita por eléctricos, é uma surpresa, para outros já não é novidade nenhuma. Os mais atentos às notícias sabiam o motivo do transbordo, outros perguntavam o porquê e houve ainda quem tentasse adivinhar o porquê, com os mais variados motivos, e a maioria sem sentido de ser.

E se por um lado este tipo de serviço é excelente para variar e quebrar a rotina diária, há também a parte chata de ter de estar a repetir sempre a mesma informação, porque a maioria dos passageiros limita-se a olhar para o número da carreira e quando olha, deixando para trás o destino ou outro tipo de informação. Desculpa-se portanto à partida, os estrangeiros que terão chegado por exemplo a Belém, de eléctrico e esperavam certamente o regresso ao centro da cidade no mesmo meio de transporte. 

No entanto não me deixa igualmente de causar alguma incompreensão para com os senhores passageiros que ao chegarem a Belém, e ao verem a estrada cortada, através de grades e de um aparato policial, questionem o desvio do autocarro rumo ao Restelo, como que fosse vontade do motorista alterar o trajecto. Isto depois da maioria perguntar se «vai mesmo para Algés?» Ora se pretendem ir para o CCB, porque não perguntam antes se passa no CCB? 

Mas desvios à parte, a noite acabaria por ficar marcada pela questão "TRANSBORDO" e aqui os turistas acabaram por vencer os portugueses, a nível de compreensão. Se na paragem da Universidade Lusíada, um estudante me perguntava o que era um Transbordo, deixando-me a pensar se estaria a falar a sério ou a brincar. O certo é que não sabia mesmo e lá lhe tive de explicar. Mas atrás não ficariam também os passageiros que ao chegarem a Santo Amaro e ao receberem informações para fazer o transbordo para o eléctrico, se dirigiam a mim num tom exaltado dizendo que a bandeira do autocarro dizia "PÇ. FIGUEIRA". Confirmava-lhes que de facto tinha la escrito, mas que convinha lerem tudo, porque também lá tinha a inscrição "Transbordo". 

«Mas afinal quando sai a camineta?», perguntava-me um jovem já desesperado na paragem de Santo Amaro. Expliquei-lhe que não seria camineta nenhuma mas sim um eléctrico e que estava apenas a inverter a marcha para prosseguir rumo à Praça da Figueira. Confusões à parte no que diz respeito ao Transbordo, o certo é que foi sem dúvida um serviço diferente do habitual, que acabou por originar viagens diferentes também para quem se transportou na carreira 15E, para uns com apenas um pequeno desvio, para outros com uma grande chatice e para um, até com direito a alteração de trajecto devido ao "Rally Dakar", imagine. Havia portanto alterações e motivos para todos os gostos, e tudo devido ao Rally de Portugal e não do Dakar. Esta sexta-feira será igual. Para Sábado está já marcado o regresso aos carris e ao 28E. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Mas não havia mais nada para acontecer hoje?

Nem sempre os passageiros são as personagens principais das histórias aqui relatadas. Hoje quero aproveitar este espaço, para "agradecer" ainda que de forma irónica, ao senhor presidente da Câmara Municipal de Lisboa ou aos seus vereadores, que decidiram esta semana fazer obras de repavimentação da R.Madalena em plena luz do dia. Ora estando no centro da cidade, era de prever que o caos se instalasse, sobretudo quando se fecham duas ruas bastante movimentadas, canalizando o trânsito para a R.Conceição. Não era portanto de admirar, que a cada viagem os eléctricos ali ficassem parados entre 15 a 20 minutos, com destino ao Martim Moniz.

Ora se Lisboa ficou no 2º lugar como melhor destino europeu, no que a buracos e obras diz respeito, terá mesmo ficado em 1.º lugar. Se é esta a imagem que gostam de passar a quem nos visita, os meus parabéns ficam aqui vincados publicamente porque conseguiram. Os turistas não deixam de referir isso mesmo quando andam a bordo dos eléctricos da Carris.

Mas o dia não começava mesmo da melhor maneira e foi mesmo necessária a ajuda «médica» dos amarelinhos que após diagnosticarem a avaria lá a conseguiram reparar e assim pude continuar o serviço, mas até onde pude, porque um carro haveria de impedir a minha passagem sem causar danos. Seguiu-se depois a hora de almoço e no regresso de novo o caos da Baixa que agora agravava-se com o aproximar da hora do jogo entre o Benfica e o Newcastle, com os adeptos ingleses a obrigarem ao corte de trânsito em algumas vias da Baixa.

E se pensa o leitor que o dia ficava por aqui, engana-se porque além da incompreensão de alguns passageiros perante os atrasos causados por todas as situações já referidas, ainda havia lugar para uma avaria num dos eléctricos que acabaria por impedir a circulação dos restantes e logo num dos piores sítios desta tarde. Precisamente na R.Conceição. O agente da PSP metia já as mãos na cabeça perante tanta confusão e outros faziam já contas à vida ora para chegar a casa, ora para chegar a tempo à Luz onde se jogava mais um jogo da Liga Europa.

Quanto a nós, restou-nos aguardar uma vez mais pela ajuda da equipa da manutenção das "casinhas amarelas" que diariamente carregam milhares de pessoas pelas colinas à descoberta da capital, conhecida agora, pelos buracos ou obras, e dar alternativas aos turistas que se viam assim bloqueados num passeio pela cidade que tantos apregoam mas que poucos se preocupam, nomeadamente com situações como as verificadas esta semana em pleno centro da cidade.

Uma senhora não compreendia mesmo o porquê dos eléctricos avariarem e se quando entrou me tinha dito que «há uma hora que estou à espera do eléctrico», nesta fase já não tinha pressa nem preocupação com o tempo perdido, porque ali permanecia a questionar-me o porquê do eléctrico da frente ter avariado e porque «é uma grande chatice ter de ir a pé, que disparate..», como se quando uma pessoa tem de recorrer ao hospital também seja um disparate. Sinceramente não entendo qual a dificuldade de se perceber que um carro também avaria quando menos se espera.

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