quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

2013 arranca ao volante de um autocarro pelos carris dos eléctricos

E cá estamos nós em 2013. O Mundo não acabou e o primeiro dia de trabalho deste novo ano começou fora da linha, para variar um pouco. Se o regresso ao trabalho estava previsto ser pelas colinas de Lisboa, um imprevisto de última hora levou-me até Miraflores, de onde saí com o autocarro para a carreira 15E. Quanto aos passageiros, a surpresa de uns perante a chegada do autocarro à paragem, contrastava com a indignação de outros e ouve mesmo quem preferisse esperar pelo eléctrico da chapa seguinte. Não sei se por grande afinidade ao eléctrico articulado, ou se por sair mais barato apesar do bilhete a bordo no eléctrico ser muito mais caro. O certo é que ao longo da manhã foram várias as reacções de desalento por quem talvez pensasse fazer mais uma viagem de forma ilegal num eléctrico onde não há contacto com o condutor. 

Mas o contacto com os passageiros, proporcionado pelo autocarro com que desempenhei o serviço entre Algés e a P.Figueira, acabou por trazer a bordo algumas recordações de quem andou 33 anos ao serviço da Carris. Já reformado, o colega exibia com orgulho o cartão de funcionário da empresa e dizia-me. «Foram 33 anos amigo, uma vida. Mas não me arrependo. A malta fala que isto não presta e que está mau, mas se for-mos ver por aí fora ainda está pior», rematava. 

A chegada a Belém levou-o a sentar-se porque os turistas que se preparavam para entrar eram muitos e todos confusos com o “15E” ser um autocarro e não um “tramway”. Bom para uns, pior para outros, o certo é que é difícil agradar a todos, mesmo quando a empresa faz esforços para que os tempos de espera não sejam superiores devido a imprevistos.

E a prova disso, foi quando já reparada a avaria no eléctrico articulado, deixou de ser necessária a presença do autocarro na carreira 15E, fazendo então falta na 25E, onde habitualmente, são os autocarros minis que substituem os eléctricos sempre que necessário. Para se evitar perca de tempo e de combustível na troca de autocarros em Miraflroes, dado que me encontrava em S.Amaro, surgiu então, a hipótese de fazer o resto do serviço na 25E com o standard.

E aqui as reacções dos passageiros foram mais vincadas. Se uns mostravam-se satisfeitos por finalmente porem ali um autocarro em condições «porque aqueles pequeninos que cá metem, deixam uma pessoa feita num oito, ora porque abana ora porque vai cheio que mal se pode respirar», dizia uma das senhoras, passageira habitual da carreira 25E, que teve de imediato o apoio de grande parte de quem seguia viagem.

Na paragem seguinte, uma senhora pergunta-me de forma indignada se tinham «acabado os eléctricos nesta zona de C.Ourique?» Depois de lhe explicar o motivo da substituição do eléctrico pelo autocarro naquele horário concreto, retorquiu que «até parece mentira, tanta consideração pelas pessoas. Mas acho muito bem, já que aumentam o passe. Ainda para mais, obrigam-me a pagar um metro que não uso sequer meio metro», ironizava.

Já na lapa a chegada do autocarro junto da paragem da companhia de seguros ali residente, fazia com que os funcionários acabados de sair atravessassem em direcção à paragem ascendente, mas ao verem o “25E Prazeres”, inscrito na bandeira de destino, fez com que ficassem de imediato intactos no passeio. Uma das senhoras chega mesmo a dizer que «enganou-nos bem hoje. Nós queremos o 713 e não o 25E...», tendo um dos seus colegas acrescentado que «não tens 713 mas tens um 25 Expandido, aproveita!»

E assim foi o primeiro dia de trabalho do ano, que começou de forma diferente, com um inesperado, mas saudável regresso à borracha mas sempre sem deixar de vista os carris por onde circulo diariamente.  

1 comentário:

CR 35 disse...

De facto o povo é demasiado ignorante! que interessa se o veículo é de ferro ou de borracha? se tem bandeiras de destino ainda por cima diferenciadas com E !IRRA

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