sexta-feira, 30 de novembro de 2012

[Off Topic]: Solidariedade que marca a diferença na Carris

Com o objectivo de proporcionar um Natal melhor aos trabalhadores da transportadora de Lisboa que passam actualmente por dificuldades, a Comissão de Trabalhadores da Carris, iniciou esta sexta-feira uma recolha alimentar que se estende até às 12h00 deste dia 1 de Dezembro de 2012. O repto foi lançado nas diversas estações da empresa de autocarros e eléctricos da cidade de Lisboa e convidava colaboradores a contribuírem com bens alimentares, de preferência de longa duração.

Sem subsídios de Férias e de Natal, e sem alguns dos prémios que compunham o vencimento, os trabalhadores da Carris sofreram em média um corte mensal de 350 a 400 euros, valor este que pode-se multiplicar no caso de se tratar de um casal que trabalhe na companhia, e são vários.
Uma das contribuições que chegaram esta tarde à CT da Carris
A iniciativa da Comissão de Trabalhadores foi inédita, mas teme-se já que não será a única, dado o avançar da situação económica no país que tem vindo a cair de dia para dia. Já ontem em declarações à Lusa, o coordenador da CT disse estar "surpreendido com o facto de haver tantos colegas a precisar de ajuda" e admitiu que o número pode ser maior, mas lembrou que o "factor vergonha" impede as pessoas de exporem a sua situação.

Ao pedido, acorreram vários colaboradores e até alguns reformados da Carris que não quiseram deixar de contribuir para esta causa, mostrando igualmente solidariedade e companheirismo. A oferta foi diversificada e chegará em breve aos mais necessitados. Quem também lá esteve foi a equipa de reportagem da SIC que transmitiu uma reportagem no Primeiro Jornal desta sexta-feira, e que pode ser na janela seguinte após o minuto 2:18.



Sem dúvida um gesto de solidariedade a marcar a diferença e que o Diário do Tripulante aplaude!


quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Eléctrico e comboio de Natal arrancam a 3 de Dezembro

Depois de alguns contactos recebidos no "Diário do tripulante" no sentido de se questionar o regresso ou não do Eléctrico de Natal, pode-se agora avançar que o mesmo irá voltar às linhas de Lisboa já a partir de segunda-feira, 3 de Dezembro e não vem sozinho. Segundo a edição on-line da Transportes em Revista a Carris, o Metropolitano de Lisboa e a Yoco uniram-se numa acção de solidariedade que pretende animar o Natal de todas as crianças. 

Assim sendo, até ao dia 17 do mesmo mês, o famoso Eléctrico de Natal volta a dar cor e alegria à cidade de Lisboa e consigo vem uma estreia. É o Comboio de Natal, que vai percorrer toda a Linha Azul do Metropolitano, desde Carnide até Santa Apolónia, passando pelas diferentes estações que compõem o percurso. Segundo a mesma fonte, as viagens são dedicadas a algumas das Instituições Particulares de Solidariedade Social da cidade e decorrem nos dias 5 e 12 de Dezembro.

Ao sábado (dias 8 e 15 de Dezembro) o Eléctrico de Natal fica à disposição dos lisboetas em geral, especialmente dos mais pequenos. As viagens têm partidas marcadas para as 10 e as 11 horas na Praça da Figueira e são limitadas aos lugares disponíveis. “A CARRIS, o Metropolitano de Lisboa e a YOCO esperam, desta forma, proporcionar um Natal diferente e feliz a mais de 5 mil crianças”, revelam as empresas em comunicado.

domingo, 25 de novembro de 2012

[Off Topic]: Como nuestros hermanos nos ven

Diariamente milhares de turistas são transportados nos veículos da Carris, e em grande parte os autocarros e eléctricos são a ajuda preciosa para conhecerem a capital portuguesa e o ponto de partida para um leque de memórias que tão rápido não se apagarão daqueles que escolheram Lisboa como destino das suas férias. Com o rio a seus pés, a cidade das sete colinas é fácil de se amar, uma cidade com romantismo e encantadora quer pelas suas ruas estreitas nos bairros mais pitorescos, quer pelos seus monumentos e centralidade.

Não admira portanto que os comentários a bordo dos eléctricos, nomeadamente na carreira 28E, sejam de surpresa a cada curva, a cada subida e até mesmo a cada paragem. Entre os turistas que nos visitam aqueles que não conseguem esconder a forma como se surpreendem com a beleza de Lisboa são nuestros hermanos espanhóis que ao verem por exemplo a vista que se obtém do miradouro das Portas do Sol, não deixam de comentar «que chulo!!!» 

Já do outro lado do Oceano o povo irmão que chega do Brasil, também está na frente desta corrida por amores a Lisboa. Dão mais valor à comida portuguesa, ficam encantados com Alfama, o berço do Fado a paredes meias com a Mouraria. Não querem voltar para o outro lado do mar sem andar no bondinho e no final acaba sempre por ser uma viagem «muito legal!!!»

Importa portanto saber e conhecer o que estes turistas guardam nas suas recordações, cumprida que está, a nossa missão de lhes dar a conhecer a cidade com a amabilidade que nos caracteriza como povo. Diversas pesquisas no YouTube chegam para ver os vídeos pessoais que têm prazer em partilhar, as fotos que tiram e também o que dizem nas televisões dos seus países. E como é bom saber como somos vistos e amados lá fora, convido agora a ocupar um pouco do seu tempo com uma "viagem" até ao país vizinho, onde através de um programa televisivo, os castilhanos que por cá habitam mostram a cidade das sete colinas. Dos monumentos ao pastel de Belém, passando pelas grandes avenidas e pelos eléctricos e elevadores, o programa mostra Lisboa vista por quem escolheu Lisboa para viver.


Ora digam lá que não é fácil amar esta cidade!

 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Um olhar passageiro sobre uma manhã nos transportes em Lisboa

Está frio, passam 5 minutos das 10h00 e estou a gozar o segundo dia de umas mini-férias em Lisboa, porque a Troika não me deixa ir para longe. Tenho assuntos a tratar na cidade mas deixo o carro à porta e estou na paragem à espera do 706 que me vai deixar junto da Estação de Santa Apolónia. «Vai partir dentro de momentos na linha número 6 o comboio com destino a Tomar», anunciam as colunas da estação. Vejo pessoas a correr em direcção ao comboio, outras saem do supermercado carregadas de sacos e por centímetros não choco de frente com um senhor que de repente decide pegar num jornal gratuito que se encontra no suporte à esquerda.

A azáfama matinal mostra que longe vão os tempos em que a correria para o trabalho era apenas entre as 7h e as 9h. Os táxis enchem a praça porque o negócio também não está famoso para eles. A paragem do 735 tem uma fila considerável, que reduz de tamanho com a chegada de mais um autocarro da carreira 794. Daqui sigo para o outro ponto da cidade onde tinha combinado tratar de outro assunto.

Para lá, sigo de metro não só porque não tinha autocarro directo, mas porque o metro iria certamente ser mais rápido. Desço as escadas até ao cais terminal da linha azul. Cruzo-me com alguns turistas em busca de Alfama, com pessoas que vão a caminho de mais uma jornada laboral e de outros que vão a caminho da escola. O silêncio é interrompido pelo chegar da carruagem do metropolitano, como dizem os idosos. Em redor vejo olhares debruçados nos jornais gratuitos, nos livros, nos ipad’s, nos telemóveis e outros no abstracto escuro do túnel. «Próxima estação... Baixa-Chiado, há correspondência com a linha verde», ouve-se no metro. Agitam-se os bancos, mexem-se os sacos e as malas. Uns saem e outros entram. O sonoro das portas toca avisando o fecho. Seguimos novamente viagem com outros protagonistas a bordo.

Chego então ao meu destino: Sete Rios. Um regresso a um local por onde passei inúmeras vezes quando prestava ainda serviço na estação da Musgueira. Local de rendição de várias carreiras, avisto de imediato um grupo de colegas prontos para dar folga aos que chegariam. Em redor um vazio imenso que contrasta com os tempos em que ali passava com o 701 ou com o 755. O quiosque dos jornais tem a grade corrida, mantendo-nos longe da actualidade das manchetes e o único café que ali restava está já fechado.

Cruzam-se autocarros, táxis e peões em busca da paragem que os sirva. Café só lá em baixo no metro ou dentro do Jardim Zoológico. Como está diferente aquele local de rendição. Zona por si fria no inverno, está agora mais isolada sem um espaço onde abrigar do frio. Ao meu lado estão dois casais de idosos. Um dos casais comenta a falta que faz o 716 que agora só funciona nas horas de ponta. A zona de Sete Rios hoje está diferente de Sete Rios de há dois anos. Está mais pobre, talvez afectada com a crise que obrigou a reformulação no sector dos transportes, nem sempre feita como devia.

De regresso, decido voltar a bordo dos veículos da Carris e entrei a bordo do 726. Na fila do lado direito, segue uma jovem ao telemóvel. Todo o autocarro fica a conhecer o teor da conversa. Em vésperas de apresentar uma tese, a jovem procura recolher opinião de vários colegas e amigos e escusado será dizer que perdeu a noção do que é viajar num transporte público. De Sete Rios ao Técnico várias foram as chamadas efectuadas, várias foram as trocas de ideias. Uma viagem que podia ser tranquila para uns, tornou-se numa angústia ao ver a paragem de destino. A passageira que viajava no lugar de trás mostrava-se já farta de tanta conversa. O da frente fechava o livro que lia, talvez por não conseguir concentrar-se e o sossego imperou depois da saída da jovem.

E assim vão as manhãs no quotidiano da cidade de Lisboa, com um olhar passageiro de quem por norma vai aos comandos não a ser transportado mas a transportar milhares de pessoas por dia.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Aqui há gato... na 18E

Último dia da semana com o já esperado regresso à 18E. Há mais de 11 meses que não era escalado nesta carreira, mas saudades também não eram muitas, sobretudo depois de esta ter sido encurtada ao Cais do Sodré. Creio que tinha lá ido um dia após a alteração e a ideia com que tinha ficado não foi outra se não que terá sido uma morte anunciada. Hoje voltei aos carris da Ajuda e fiquei ainda mais convicto que após a alteração da carreira 760 que passou a circular via 24 de Julho, a 18E pouco sentido faz. Com uma frequência baixa e poucos pagantes, lá andam três eléctricos a subir e a descer o bairro que continua a ter características que o distinguem de outros. A Ajuda ou se ama ou se odeia, mas eu prefiro abster-me até porque a quantidade de serviços que tive por lá na 742 quando ainda era motorista, fizeram com que me cansasse daquelas ruas. 

Quanto ao eléctrico, continua a ser amado e defendido por muitos que ali moram, mas o certo é que o 760 «rouba» inúmeros passageiros ao 18E, que raramente consegue fazer terminal no Cais do Sodré porque o 15E quer seguir viagem até Algés. Mas opiniões à parte, a tarde passou-se de forma tranquila, diria até demais, para quem está já habituado à rotina do 28E e aos percalços da 15E ou da 25E. No terminal da Ajuda lá aparece uma senhora bastante simpática que troca umas palavras comigo tal como os pássaros que ali pairavam nas árvores que davam alguma sombra a uma tarde onde o sol voltou a dar um ar de sua graça. 

Um grupo de turistas surge inesperadamente num local pouco frequentado por gentes de outros lados. Tiram inúmeras fotografias e decidem entrar a bordo do 567 rumo ao Cais do Sodré... Mas a monotonia era tanta que a tarde custava a passar até que ao final da tarde, já com a noite instalada nas ruas da Ajuda, deparo-me com uma carrinha dos bombeiros na paragem da Calçada da Ajuda. Com a auto-escada num movimento ascendente, algo me dizia que a interrupção era para durar, mas um dos bombeiros, decidiu prontamente dar justificações e pedir paciência a quem seguia viagem. Eram apenas dois passageiros, que optaram por ir a pé. Previa-se que  após 5 a 10 minutos estivesse desimpedida a linha, mas também como só faltavam duas paragens para terminar a viagem, nenhum quis aguardar no eléctrico.

O certo é que a interrupção acabou por marcar este regresso à 18E, não pelo tempo que demorou, que acabou por ser mais de 5 e de 10 minutos, mas porque deu para perceber várias coisas durante aquele tempo que ali estive causado por um resgate de um gato que há duas noites não aparecia em casa. A suspeição da vizinhança dizia que estaria entre os dois prédios num buraco, porque o miar constante tinha já tirado o sono na noite anterior. 

Primeiro apercebi-me da importância que aquele gato tinha para a sua dona, que contrastava em tudo com o desespero dos vizinhos pelo descanso em paz e sem o miar constante do pobre coitado que se meteu onde não devia. Segundo, verifiquei uma vez mais que o trânsito em Lisboa é cada vez mais selvagem, onde cada um pensa única e exclusivamente no seu umbigo. Com o eléctrico impedido de circular, acabei por ocupar a via ascendente e os que seguiam no sentido contrário teimavam em não ceder passagem a quem pretendia ultrapassar o obstáculo. A polícia não apareceu e como a fila chegava já à R. Bica do Marquês e como aquilo já estava a mexer com o meu sistema nervoso e provavelmente com o dos colegas da 729 e 732, lá dei uma mãozinha na gestão do tráfego, que acabou por ajudar a passar o tempo. 

Uns agradecem outros não, e ainda paravam para ver o que se passava. Curiosos não faltam nestas situações e curiosidade é algo que não terei no que a um regresso à 18E diz respeito. No final lá acabou por surgir o gato já nas mãos do bombeiro que descia as escadas. Quem estava à janela voltou para dentro. Quem tinha parado para ver seguiu caminho e eu lá consegui finalmente seguir viagem até ao terminal. Agora segue-se uma pausa para recuperar energias, com umas mini-férias. Boas viagens!

domingo, 18 de novembro de 2012

«The place of the strike!” by tram...

Depois dos turistas veraneantes, chegam diariamente a Lisboa aqueles que preferem visitar Portugal sem calor e sem a azáfama que, uma cidade como Lisboa está sujeita em pleno Verão. Chegam de avião, mas muitos chegam também de barco. O Porto de Lisboa tem registado ocupações quase diárias por parte de grandes navios de cruzeiro que têm sido uma preciosa ajuda para o turismo português.

São sobretudo holandeses, alemães, italianos e brasileiros e tem sido com eles o contacto directo no circuito das colinas. Com o cheiro a castanha assada que sai dos assadores por onde vai passando o eléctrico, e com os senhores de azul que vão decorando as ruas anunciando que o Natal está à porta, lá se passou mais uma semana e com uma greve geral pelo meio, que tem sido tema de conversa em todos os jornais, pelos confrontos que se registaram já após a manifestação.

As marcas ficaram visíveis nas ruas por onde passou a avalanche de manifestantes e polícias. Vidros partidos, ecopontos queimados, ruas fechadas e lixo no chão foram registos fotográficos de uma passagem por Lisboa, de quem nos visitou esta semana. Não admira portanto que ao passar pela Assembleia da República os comentários surjam no interior do eléctrico, por muito que o áudio-guia continue a explicar a história do Parlamento. «The place of the strike!” comentava hoje um turista para a esposa.

Já pela carreira 28E os comentários não fogem da manifestação, mas incidem mais sobre a crise. As pessoas transportam-se cada vez mais sem título de transporte e estão cada vez menos receptivas à compreensão, seja ela necessária por causa de uma interrupção ou porque alguém mais necessitado precisa de um lugar para se sentar. Em instantes de segundos, uma caixa de madeira com 20 lugares sentados, parece tornar-se num autêntico barril de pólvora, o que não afasta ainda assim, as enchentes habituais a que estes eléctricos estão sujeitos, porque o que interessa é a andar pelas colinas na mais emblemática das carreiras de eléctrico.

Com os eléctricos cheios, muitos são os que vão ficando nas paragens, e mesmo vendo que o eléctrico vai cheio, custa-lhes entender porque é que afinal de contas o guarda-freio não obedece ao pedido de paragem. O aproximar do eléctrico à paragem é feito a uma velocidade mais reduzida para que todos percebam que não é possível parar porque está cheio, mas ao mesmo tempo que me vou aproximando da paragem, os braços das pessoas que estão na paragem vão abrindo e em segundos tenho inúmeras visões do Cristo-Rei. Outros há que chegam mesmo a insultar por não parar, mas o certo é que ainda não há lugares ao colo.

E com tudo isto lá se passou mais uma semana que termina com um regresso à Ajuda em vésperas de uma pausa para umas merecidas e necessárias férias. O regresso aos carris está depois agendado para o início de Dezembro, talvez já com as ruas iluminadas, com o eléctrico de natal a circular e com os habituais votos de boas festas que tantas reclamações causam nos autocarros amarelos. É tudo por agora!

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Carris 140 Anos: Responsabilidade Social

Há 140 anos consigo e com Responsabilidade Social no desenvolvimento da cidade de Lisboa, a cidade das sete colinas e claro está, dos «amarelos»...


Uma empresa feita pelas pessoas e para as pessoas!

domingo, 4 de novembro de 2012

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Com 2.25€ não dá para ir...

Um regresso à 25E sem nada para contar seria algo inédito neste blogue. Pois pelos lados da Madragoa podem passar dias, meses e até anos que há sempre algo que acaba por caracterizar a carreira 25E, uma carreira que se ama ou que se odeia. Eu estou prestes a atingir a segunda hipótese e já não é apenas pelo caos da Rua de São Paulo com o constante pára-arranca.

Se o dia não está muito soalheiro, também os passageiros da carreira não estão de bom humor e como por estes lados apesar de já aparecerem alguns turistas, eles ainda estão em número reduzido, acabamos por transportar mais o típico lisboeta que acaba de sair de casa mal disposto porque tem de ir trabalhar, ou o que vem mal disposto porque o dia no trabalho não lhe correu bem. Tudo isto se torna pior se tiverem de comprar bilhete e não terem dinheiro que chegue, ou se começar a chover e o eléctrico tardar em aparecer. 

Não queira portanto o caro leitor imaginar, se depois de algum tempo de espera o eléctrico trouxer bandeiras de "Estrela". Não cai o Carmo nem a Trindade porque esses ficam mais para os lados do 28E, mas é certamente necessária paciência de Santos porque os passageiros acabam por pensar sempre que a culpa é do tripulante. 

A hora de ponta da tarde na 25E assemelha-se a qualquer hora do dia na 28E com os eléctricos cheios e quem está do lado de fora sempre vai incentivando os que já lá estão dentro... «cheguem um bocadinho atrás nem que tenham de ir ao colo, é que estamos à chuva!»

Já no sentido inverso o destaque basta ser dado a uma das viagens onde na Rua de São Paulo, entra um jovem de fato e gravata tendo-me solicitado um bilhete. 

- «São 2.85€ se faz favor...», disse-lhe. Ele entrega-me 2€ e eu volto a repetir ao mesmo tempo que aponto para o autocolante com o preço da tarifa de bordo... «São 2.85€...E não sei se reparou, mas este termina na Estrela, serve?» De imediato responde: "Sim reparei e serve perfeitamente, obrigado" (pausa) " 2.85€? Epá... Agora é que não estava à espera, deixe-me ver aqui neste bolso..."

Já outros bufavam com o tempo de espera quando ele me questiona, "tenho só 2.25€, não dá não é?" Não sei se a matemática do senhor será diferente da minha, mas esperei para ver se estava mesmo a falar a sério. Até que lhe tive de dizer «O bilhete é 2.85€...» e ele insistia... "mas só tenho 2.25€, dá para ir?" Obviamente que tive de o esclarecer de uma vez por todas porque já era tempo perdido a mais naquela conversa... «O bilhete custa 2.85€ e se você só tem 2.25€ parece-me que há uma ligeira diferença, a suficiente para não dar para ir...» E lá seguiu a pé.

Na mesma viagem, mas já na Rua de São Domingos, uma senhora não deixa sequer a porta acabar de abrir para dar origem a um diálogo tipo de cliente daquele bairro da Lapa...

Passageira: "Não há eléctricos para os Prazeres?" 
Tripulante: «Sim há, mas este vai só até à Estrela».
Passageira: "Estou aqui há tanto tempo e só vai até à Estrela! A Carreira é para os Prazeres."
Tripulante: «Pois, mas as ordens que tenho são para terminar viagem na Estrela, precisamente pelo facto de estar atrasado»
Passageira: "Mas a carreira é para os Prazeres, já lhe disse!"
Tripulante: «Mas terá então de dizer à companhia e não a mim, porque eu cumpro ordens apenas.»
Passageira: "Mas a única pessoa da companhia que conheço é você...É a si que tenho de dizer."

E entretanto chegava finalmente à Estrela. Fim da viagem... fim do diálogo. Na viagem seguinte chegava também o fim da semana de trabalho já com bastante chuva e com o fim-de-semana à porta!
 

Translate