terça-feira, 30 de outubro de 2012

"Está verde! Avance se faz favor..."

Chuva de manhã, sol pela tarde. Assim foi o dia de hoje em Lisboa, onde já não se nota sequer que o verão acabou. Milhares de turistas percorrem as ruas e enchem os eléctricos e se a estes juntar-mos a quantidade de pessoas que se viram nos últimos tempos, obrigados a deixar o carro à porta e irem de transportes para o trabalho e escolas, o caos é ainda maior. Sobretudo porque também os transportes foram alvos de cortes e são cada vez menos os autocarros e eléctricos a circular. Uma bola de neve que não deixa ninguém de bom humor.

Também de mau humor estava eu logo pela manhã porque enfrentar um horário de 8h45 de condução com 2h00 de almoço, é no mínimo aquilo a que na escola se chamaria um verdadeiro castigo. Na verdade ninguém merece tamanha carga horária e de castigo devia ficar quem fez tal horário, nomeadamente numa carreira tão trabalhosa e desgastante como a 28E, com o seu percurso sinuoso, trânsito, turistas, perguntas de toda a espécie e até amigos do alheio. Posso desde já adiantar que após este dia de trabalho, parece mesmo que já trabalhei uma semana inteira. Mas deixemos de lamentações...

Pela manhã, no Martim Moniz a fila já era grande e pelo meio, numa língua estranha a arranhar no inglês, um grupo de 4 amigas/os pedem-me um bilhete um por um. Para facilitar os trocos perguntei se podia pagar os 4 juntos e depois fariam contas entre eles, mas eles mostraram-se pouco receptivos à minha sugestão, já para não dizer que ficaram bastante desconfiados. Uma das raparigas fica ao meu lado esquerdo de máquina fotográfica pronta a disparar a cada esquina. Os restantes procuram de imediato um lugar para se sentarem, mas pelo meio já eram duas ao meu lado com a segunda a querer fazer concorrência à primeira com o seu Iphone.

A certa altura e depois de muitos clicks, perguntam-me se ia para o jardim. Calculando que fosse o da Estrela, disse-lhes que sim. Atrás dessa pergunta vieram outras, até que acabaram por me dizer que estavam encantadas com Lisboa. Vinham de Istambul, na Turquia e queriam levar muitas fotos para aconselharem mais amigos a virem até cá. No final, acabaram por sair nos Prazeres e fizeram questão de tirarem os 4 uma fotografia comigo para mais tarde recordar. 

Mas se até aqui a paciência ainda ia sendo compensada com a boa disposição dos turistas e troca de ideias sobre a cidade, já da parte da tarde e com o cansaço a apoderar-se da minha paciência perante a algazarra que os putos fazem quando saem das escolas, eis que na paragem do Canas, com destino ao Martim Moniz, um senhor com alguma idade e dificuldade na sua locução, pergunta-me se poderia pedir-me um favor. Queria que lhe alterasse o toque do telemóvel, mas apesar da vontade em ajudá-lo, o facto de não conhecer o menu do telemóvel, poderia levar algum tempo até que chegasse ao pretendido, o que não era viável sobretudo para quem estava a conduzir. Disse-lhe portanto que não poderia ajudá-lo. 

Entretanto o semáforo tinha acabado de mudar para o verde, e uma senhora talvez incomodada por não lhe dar a atenção que estava a dar ao senhor idoso, ou talvez zangada com o patrão porque o dia não lhe terá corrido bem, também quis ela, não mudar o toque, mas dar o toque aqui ao senhor guarda-freio... «Está verde! Avance se faz favor...» Confesso que é das piores coisas que me podem fazer. Pois se eu não em meto no trabalho de ninguém porque é que se querem meter no meu? Olhei sobre o espelho e vi que não estava com cara de muitos amigos para comigo. Mas como por esta altura a paciência já estava esgotada depois de tanta hora, lá lhe perguntei se pretendia trocar de posição comigo, passando ela a levar o eléctrico. Lá me disse que «era bom, para ver se não perdia o 713...»

Do meio do eléctrico, alguém incrédulo com a situação diz-lhe de imediato «vai a pé ou vem mais cedo para a próxima pá. O sinal ainda agora abriu...» E o rosto da senhora corria todas as cores do arco-íris, porque tinha acabado de perder uma oportunidade para ter ficado calada, até porque não teve por exemplo tanta pressa em validar o título de transporte ou de chegar à porta da traseira para sair na paragem pretendida a poucos metros à frente. 

Na verdade o que acho mesmo é que muita gente adorava conduzir um eléctrico ou um autocarro, porque esta situação, fez-me também lembrar situações idênticas que vivi antes da minha mudança para Santo Amaro, quando quem ia sentado no primeiro lugar dava toques com os pés, mal o sinal mudava para o verde, como se estivessem a acelerar o carro. Um stress que é cada vez maior, porque as pessoas acabam por estar cada vez mais impacientes, para com as viagens após os tempos de espera também eles serem maiores e depois tudo recai naturalmente sobre o tripulante que é, digamos assim, o "pai da criança".

 

 

domingo, 28 de outubro de 2012

[Off Topic]: A minha "Lotaria eléctrica"

Habituado a desafios ao longo dos últimos anos, não podia ficar indiferente à participação no mais recente desafio que os Jogos Santa Casa e a Lotaria Clássica trouxeram a público. Decidi portanto participar neste concurso para o desenho da "Lotaria à Portuguesa", com o tema "Portugalidade". Esta era portanto, uma boa oportunidade para expor não só algumas das minhas fotografias em público, como também juntar duas grandes histórias, a da Lotaria e a dos Eléctricos e Ascensores, sendo eles símbolos de Portugalidade.

Intitulada «Lisboa Eléctrica», a proposta que apresentei, debruça-se sobre um dos símbolos de Lisboa - o Eléctrico, desde o seu modelo mais tradicional ao mais moderno, não esquecendo o Ascensor da Bica, considerado Monumento Nacional desde 2002. Presentes no quotidiano de Lisboa, são símbolos que correm o mundo, através de fotografias, vídeos e recordações de quem visita o nosso país e mais concretamente a cidade de Lisboa. 

Optei por destacar os eléctricos pela sua história e importância, e por essa mesma razão, decidi destacá-los nas fotografias da minha autoria com o fundo a preto e branco, onde o amarelo se destaca. Mas optei também por esta proposta, por serem a minha ferramenta de trabalho diário e por saber o quanto são admirados por quem neles se transporta. Por fim e como não menos importante, ao valor do prémio atribui igualmente a cor amarela para estar também em destaque na minha Lotaria à Portuguesa.

Espero que seja do vosso agrado e que possa contar com o vosso voto, através deste link




Ou votar através de QR CODE:


Enquanto autor do «Diário do Tripulante», agradeço desde já a vossa colaboração nesta votação. Boas Viagens!
 

sábado, 27 de outubro de 2012

Com o 28E até à Feira da Ladra porque hoje é dia de feira!

A caminho dos Prazeres ou do Martim Moniz, a paragem do 28E no Largo de São Vicente é a mais procurada às terças e sábados, por realização da Feira da Ladra. Procurada não só por turistas afoites, mas também por portugueses em busca de uma bucha, torneira ou serrote, na Feira da Ladra encontra-se de tudo um pouco. Encontros inesperados com peças de outros tempos ou com peças de roupa por estrear. Artigos de colecção ou militares. Móveis ou equipamentos eléctricos. Discos de vinil ou cds. Jogos de mesa ou para consolas, louças, enfim uma quantidade infinita de artigos aos mais variados preços, basta ter arte e engenho para regatear com o vendedor. 

Com origem na Idade Média, século XIII, a Feira da Ladra é o mais antigo mercado de Lisboa que ainda tem lugar nos dias de hoje. Situada no Campo de Santa Clara, na freguesia de São Vicente de Fora desde 1882, a Feira percorreu anteriormente muitos outros locais históricos da cidade, como o Castelo de São Jorge e o Campo Santana.

Todas as terças feiras e sábados, do nascer ao pôr-do-sol, por tendas, bancas ou mesmo por panos espalhados no chão, a Feira da Ladra expõe os seus produtos, sobretudo velharias e material usado e não há melhor forma para lá chegar, se não a bordo do 28E.










Carreiras da Carris próximas da Feira da Ladra: 28E, 712, 734 (Apenas às Terças-feiras até ao Largo da Graça) e 735.

sábado, 20 de outubro de 2012

A Rua dos Douradinhos e as castanhas da Tia Lila

Há perguntas que acabam por marcar o nosso dia de trabalho, mesmo que não sejam feitas a bordo do autocarro ou eléctrico. Na verdade, os lisboetas continuam a defender aquela máxima de que os tripulantes da Carris além de conduzirem, são roteiros de ruas, farmácias, cafés, lojas, serviços, etc...

Esta tarde quando aguardava a hora da rendição, porque quando temos mais que duas horas de pausa, dá para tudo e mais alguma coisa, encontrava-me então à conversa com um colega, na Praça da Figueira, ali bem junto à Rua dos Douradores, que fica por trás da paragem terminal da carreira 15E.

Com o cheiro das castanhas assadas, que vinha do assador da "Tia Lila", que bastante admiro assim como as suas castanhas que são na minha opinião as melhores da Baixa lisboeta, eis que surge uma transeunte que nos questiona: «Por acaso, sabem-me dizer onde fica a Rua dos Douradinhos?»

Ora diga lá o leitor que não dava vontade de telefonar ao "Capitão Iglo", a perguntar afinal onde ficava a rua dos ditos Douradinhos que tanto publicita. Mas lá acabámos por dizer que era Douradores e ficava mesmo ali ao virar da esquina, mas não desperdiçando uma valente gargalhada após a senhora ter entrado na Rua dos Douradores e não Douradinhos.

Mas fritos à parte, o certo é que já sabem bem umas castanhinhas assadas para aquecer as tardes frias deste Outono que continuam a ter as ruas cheias de turistas à semelhança do 28E que continua cheio para cima e cheio para baixo. 

Fotos: Rafael Santos e Mami Pereira (A Arqueolojista)

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Dia impróprio para cardíacos...

A ausência de navios de cruzeiro nos portos de Lisboa, fazia prever que o dia de hoje poderia ser calmo a bordo dos circuitos turísticos, mas o desenrolar da manhã com o sol a convidar ao passeio, acabaria por contrariar as previsões e a resposta chegava pelos autocarros de dois pisos que circulavam bem compostos e com a lotação do eléctrico turístico esgotada em todas as viagens. Cenário semelhante tinham os eléctricos da 12 e da 28 e na primeira viagem que tive com partida da Praça do Comércio, a confusão gerou-se de imediato na Praça da Figueira, quando abri a porta e tive de dizer que já não tinha lugares disponíveis.

Se uns compreendem e acabam por optar por outras linhas, outros há que preferem aguardar o próximo, mesmo que esse seja 40 minutos depois. No Martim Moniz, um casal de turistas corria na minha direcção. Digo-lhes gestualmente que não tenho ali paragem e desatam aos gritos: «Stop the tram! Stop the tram!». Parei, não pelos gritos, mas receando que se colocassem à frente do eléctrico, dado que já acompanhavam o eléctrico de forma bem chegada. Abro a porta e digo-lhes que além de estar completo, não efectuo ali paragem, mas sim na Praça da Figueira. Ainda que descontentes com a explicação, acabam por aceitar.

Chego entretanto às Escolas Gerais onde encontro uma carrinha do Continente a descarregar. Espero uns minutos e como não se decidem a tirar a carrinha da frente, toco a campainha. Chateados dizem «só tens é que esperar porque nós estamos a trabalhar...»

Ao que parece eu ando a brincar! (...)

Mas o pior estaria ainda para vir. Ao chegar ao final da volta, já na Praça do Comércio, vejo um aparato de policia, bombeiros, Inem e um articulado parado na Praça. A chapa da minha frente que já devia ter partido também lá estava. O meu primeiro pensamento foi o de grande parte que ali chegava, ou seja que teria sido um atropelamento, mas na verdade não era. 

No centro daquele amontoado de gente estava um senhor estendido no chão, com os médicos do Inem a tentarem reanimá-lo. De origem alemã, o senhor desfrutava com os seus amigos de uma visita a Lisboa e não se sabe se terá tido alguma tontura, ou se terá tropeçado numa das muitas pedras que embora lisas, estão mal colocadas, tendo diversas fissuras desniveladas. O certo é que caiu junto ao lancil onde terá batido com a cabeça. Durante cerca de 40 minutos foi alvo de massagem respiratória, mas sem sucesso. Coube-lhe o destino de deixar este mundo em Lisboa.

A prova de que não vale a pena tanta preocupação, tanta guerra, tanta inveja, tanta injustiça, estava ali aos olhos de todos, através de um corpo humano que em minutos, ficou dentro de um saco, tal e qual um saco de batatas. O desalento dos amigos, contrastava apenas com a insensibilidade de quem queria a todo o custo seguir viagem no eléctrico das colinas. Turistas que a todo o instante perguntavam, «mas afinal quando vamos partir?» 

Aguardava-se então a autorização da embaixada para remoção do corpo e da chegada do delegado de saúde. Algo que para aqueles turistas que ignoraram aquela morte em público era uma perda de tempo. Previa-se entretanto que demorasse algum tempo a chegar a referida autorização, mas até acabou por ser rápido, acabando assim com o cenário ali instalado em redor de um saco que impedia naturalmente a circulação dos eléctricos. 

mas o dia não ficaria por aqui. Ainda estaria para chegar no final do serviço, após a última viagem um espanhol, também na Praça do Comércio, a reclamar comigo, porque estava desde as 17h00 na Praça da Figueira à espera do eléctrico que não tinha passado. Digo-lhe de imediato que não poderia ser, dado que tinha lá passado perto das 17h35. Criou-se então um diálogo de malucos...

Guarda-freio: Passei lá perto das 17h35...
Espanhol: No passaste!
Guarda-freio: Desculpe, mas não me pode desmentir, pois até aqui tenho a hora de partida da P.Comércio (mostrando-lhe a folha de viagem)
Espanhol: No passaste! Estava aguardando desde las 17h00
Guarda-freio: pode perguntar a estes senhores que acabaram de sair....
Espanhol: No passaste!
Guarda-freio: Já lhe disse que passei e estive inclusive parado atrás de um 15
Espanhol: No passaste!
Guarda-freio: então leva lá a bicicleta que eu fico com os pedais!

Estava custoso chegar ao fim este dia!!!!!!

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Visite o Museu da Carris!

Visite o Museu da Carris e viaje no tempo e na história a bordo do eléctrico São Luís, que ostenta uma rica decoração interior em veludo e brocados, desde 1965 ano em que foi alvo de profundos trabalhos de adaptação para o serviço turístico.


Museu da Carris
Morada
Rua 1º de Maio, 101 - 103
1300-472 Lisboa 

Tel: 213 613 087
Site: http://museu.carris.pt
E-mail: museu@carris.pt

domingo, 7 de outubro de 2012

Não passou de um susto, perante a insensibilidade de alguns

Quando se está no sitio errado à hora errada, pouco há a fazer e isso mesmo foi o que aconteceu esta manhã, durante o meu serviço de reforço à carreira 15E. Depois de diariamente tentarmos evitar acidentes, nomeadamente quando circulamos em ruas onde poucos são os que respeitam os veículos sobre carris, eis que surge um incidente, imaginem só, estando parado. Com tanta procura a justificar o reforço da carreira, nomeadamente com destino a Belém, lá andei a fazer a ligação entre o centro de Lisboa e a zona dos pastéis, do museu dos coches e do mosteiro São Jerónimo, como muitos fazem questão de dizer. 

Mas na segunda viagem para Belém a viagem acabaria por terminar em Alcântara, apesar da lotação estar quase esgotada a bordo do 555. Inesperadamente e após efectuar a paragem, onde entravam e saiam passageiros, eis que do fundo ouço alguns gritos de aflição. Tento aperceber-me do que se passava e eis que o retrovisor mostra-me uma senhora estendida no chão, já no exterior do eléctrico. Dirigi-me então à porta traseira para me inteirar da situação e segundo a mesma, apesar de bastante queixosa, terá tropeçado num outro cliente que estava junto à porta de saída. 

Com alguma idade e queixas significativas, solicitei de imediato a ajuda médica através do INEM que apesar de parecer ter demorado eternidades, o certo é que demorou 6 a 7 minutos a chegar ao local, afinal de contas para quem espera nestas situações, cada minuto parece uma hora. De uma simpatia extrema o esposo da senhora, confessava-me que iriam celebrar num almoço os 50 anos de casados e que a queda não estava certamente nos planos. 

Em redor muitos foram os curiosos - como sempre acontece -  que tentaram cercar o local, mas sugeri então que seguissem viagem no 714, que passa no Largo do Calvário, alguns metros à frente. Sugestão aceite por uns, recusada por outros, que decidiam aguardar o desfecho da situação. Já perante o INEM e enquanto ajudava os tripulantes da ambulância, a imobilizar a lesada, o eléctrico enchia-se com os passageiros que entretanto tinham chegado no articulado que circulava atrás do meu. Encheu como se de um bar aberto se tratasse. Continuo sem perceber o porquê de quem está de férias, ter tanta pressa e falta de respeito, entrando num transporte público sem a presença do tripulante.

A senhora seguiu para o hospital - felizmente sem nada de grave, após conversa posterior que tive com o esposo, o qual não se cansou de agradecer o apoio dado - e pedi ordens à Central de Comando de Tráfego, que me encaminhou para S.Amaro para os procedimentos internos habituais nestas situações. Ao chegar ao eléctrico nem eu conseguia entrar. Pedi então que todos abandonassem o eléctrico, até porque não deveriam ter entrado sem ninguém aos comandos do mesmo. E lá surge uma passageira insessível, desculpem-me a expressão, que lá reclamou: «devem andar a brincar com as pessoas. Ainda agora entrámos, agora saímos...»

A vontade de lhe responder era muita, mas seria escusado tentar explicar algo. Logo de seguida, um espanhol dizia-me: «mas a porta estava aberta, porque não podemos entrar?» E agora pergunto eu: mas será que lá na casa do senhor, se a porta estiver aberta, sem ele por lá, também devo entrar à grande e à francesa?

Resolvida a situação e feito o transbordo, segui para S.Amaro e depois de preenchida a papelada, lá estava de volta ao reforço num dia que teve de tudo: Começou com um belo dia de sol, com gente simpática a querer desfrutar da cidade, passou a um dia cinzento, com nevoeiro e até mesmo algum frio, junto ao rio e terminaria com um incidente que apesar de não ter algum tipo de culpa, me deixou com alguma pena da senhora que seguia para a comemoração dos seus 50 anos de casamento com o seu esposo. Um casal humilde e que apesar da situação, deu gosto conhecer. Que tenha as rápidas melhoras.

Afinal de contas e felizmente foi só mais um susto, a juntar a tantos outros a que nós tripulantes e nomeadamente guarda-freios estamos sujeitos, muito por causa das características do veículo que muitos ainda teimam não respeitar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Os bastidores dos eléctricos: Quando o dia acaba e a noite começa...

O dia acaba, a noite começa. Os turistas recolhem aos hotéis e os lisboetas retornam a casa para recuperar forças para o dia seguinte. Mas para que tudo funcione no dia seguinte, há quem saia de casa quando outros entram. Há quem passe frio enquanto outros estão no quente do lar. Há uma cidade que não dorme, mesmo perante o silêncio da noite. Os candeeiros acesos iluminam as ruas agora vazias, livres finalmente do intenso trânsito, das buzinas, do movimento de pessoas de um lado para o outro. Pelas ruas de Lisboa, circulam agora os veículos da recolha do lixo, alguns táxis e autocarros, carrinhas de pão, e de jornais. 

Os eléctricos descansam em Santo Amaro as poucas horas que têm disponíveis ao longo das 24. Os carris onde circulam durante o dia, são então vigiados durante a noite e lá está o pessoal afecto às vias e obras da Carris, a lubrificar agulhas, a rectificar curvas, a limpar os carris, a montar e substituir as linhas que no dia seguinte vão originar um chiar ao passar das rodas dos eléctricos, que voltam às ruas após as 4H50. O tempo para os reparos é pouco e tudo tem de ser feito longe da confusão diária do trânsito lisboeta. Um trabalho por vezes esquecido, mas precioso e que o «Diário do Tripulante», não quis deixar cair em esquecimento, através de um vídeo gravado pelo entusiasta David Gourlay. 

Trabalhos que terminam quando outros começam o dia, quando no bar da estação, os pratos de moelas e as bifanas se juntam ao copo de leite com a sandes de queijo, onde por instantes, se cruzam mecânicos, soldadores, limpa-vias, tripulantes e por vezes inspectores.


O «Diário do Tripulante» agradece ao entusiasta David Gourlay, a partilha deste vídeo, que mostra o outro lado dos eléctricos de Lisboa.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Em entrevista ao Menosumcarro: “O eléctrico nem sempre é respeitado como devia”

Depois da passagem por alguns jornais, revistas, blocos noticiosos, quer pelo aparecimento do blogue, quer mais recentemente pela edição do Livro, o "Diário do Tripulante", marca agora presença no movimento MenosUmCarro.pt, promovido pela Carris e pelo Metropolitano de Lisboa, com diversos parceiros associados, através de uma entrevista onde foram abordados temas relacionados com  a profissão de quem conduz milhares de pessoas diariamente, as dificuldades por que passam, mas também a edição do livro que agora está nas livrarias.

A falta de respeito pelo eléctrico surge em destaque, assim como a ideia base que levou à criação desta página que agora está a ler no seu browser. Ainda assim, não foi esquecida a passagem pela televisão e as situações mais caricatas vividas ao longo dos 5 anos de Carris, que formam um balanço positivo para o tripulante. A entrevista pode ser lida na íntegra em www.menosumcarro.pt, ou clicando aqui .

 

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