segunda-feira, 30 de abril de 2012

"Sugestão do Tripulante": Convite à leitura com a 82ª Feira do Livro de Lisboa

Diz a Apel que até 13 de Maio «há mais vida no Parque» e tudo porque ali decorre a 82ª Edição da Feira do Livro de Lisboa. Incentivando uma vez mais à leitura, a Feira do Livro oferece preços mais apetecíveis em tempos de crise. Promove apresentações, debates, sessões de autógrafos, concertos musicais e muito mais. Em vésperas de se comemorar mais um 1º de Maio, o Diário do Tripulante sugere então uma tarde diferente para quem quer estar longe das manifestações, que todos os anos decorrem nesta data, ou para quem simplesmente pretende sair de casa para desfrutar de uma tarde num local pouco procurado pelos lisboetas.

E para chegar até à Feira do Livro de Lisboa são quatorze as carreiras da Carris que pode utilizar, para que não chegue ao recinto já martirizado pelos cortes de trânsito na cidade ou pela simples, mas sempre demorada procura de um lugar para estacionar. E este ano a falta de tempo ou o jantar com os amigos também não vão ser desculpa, até porque instalados na feira estão também alguns restaurantes, assim como as roulotes das bifanas e das farturas.

Esta é portanto a "Sugestão do Tripulante" para a primeira semana de Maio, mês em que será igualmente publicado o livro com as melhores histórias e aventuras que por aqui passaram ao longo dos últimos quatro anos. 

Tal como o ano transacto aqui vos deixo algumas sugestões de compras na feira, para os amantes de Lisboa e dos transportes públicos, ou não fossem esse os temas tratados neste blogue.

A ler com os transportes...

No pavilhão B52/54 da «INCM», poderá encontrar "A beleza de Lisboa - Eléctrico 28, uma viagem na história", um livro de Nysse Arruda com recurso a fotografias de Clara Azevedo. Uma obra de referência para os habitantes locais e turistas que visitam a cidade e que, a bordo do eléctrico 28, percorrem uma rota com grande significado histórico na capital. Encontra-se na feira com 20% de desconto sobre o preço de capa.

No pavilhão A43 da «Assírio e Alvim» , o livro "Cem anos a ranger nas calhas" de Eduardo Cintra Torres e a menos de metade do preço.

Ainda sobre os transportes públicos destaque para o pavilhão A19 dos «CTT», onde poderá encontrar "Transportes públicos urbanos em Portugal", de Gilberto Gomes. Um livro que conta mais de meio século de história dos transportes, com destaque aos grandes acontecimentos e paragem terminal no presente. 

A ler Lisboa...

Mas muitos mais há sobre a temática dos transportes nos pavilhões da feira. Já sobre Lisboa, são inúmeras as publicações. No pavilhão A61 da «Editorial Presença», a mais recente publicação sobre a capital aos olhos de Philip Graham. «Do lado de cá do Mar - Crónicas de um americano em Lisboa», leva-nos na melhor das viagens, revelando-nos a fascinante cidade de Lisboa.

Fascinante é também a «Lisboa Misteriosa», uma obra onde muitos mistérios são desvendados por Marina Tavares Dias (jornalista, fotógrafa, escritora e olisipógrafa). «Lisboa Misteriosa» é um magnífico álbum, com fotografias raras que ilustram o texto pautado pelo mistério e pelas lendas e está disponível no pavilhão B37 da «Editora Objectiva».

Nesse mesmo pavilhão e da mesma autora está também «Lisboa nos passos de Pessoa», uma viagem única através de textos e de imagens inéditas da época. Este passeio pela Lisboa pessoana remete-nos para uma Baixa Pombalina alegre e animada, muito diferente da actual, e para uma cidade em que bairros residenciais, como Campo de Ourique, eram ainda considerados pitorescos e muito longínquos do centro.   

Como vê, razões não faltam para ir até à Feira do Livro...

Como chegar à feira do Livro com a Carris?

A Feira do livro localiza-se no Parque Eduardo VII, virada para o Marquês Pombal, mas se vem da zona mais a norte tem o 713 e o 742. Já do lado sul da feira, a rotunda do Marquês Pombal é ponto de encontro de várias carreiras e entre elas estão as 22, 36, 44, 83, 702, 712, 727, 732, 738, 745, 746 e 748 e os seus horários e percursos podem ser consultados no site da Carris em www.carris.pt

Boas leituras e boas viagens!





 

domingo, 29 de abril de 2012

Domingo em fila indiana atrás do 28E...

E como há imagens que valem sempre mais que mil palavras, aqui partilho com os leitores deste blogue três imagens que retratam a afluência de turistas nesta manhã de domingo no eléctrico 28E. Mais eléctricos houvessem e mais gente se transportava pelas colinas de Lisboa...


Logo cedo, quando cheguei ao Martim Moniz, vindo da estação de Santo Amaro, tudo fazia prever que as «casinhas amarelas» da Carris iam andar como sardinhas em lata... O que acaba sempre por originar alguma aventura nos turistas que se vêm perante um transporte invulgar ao qual assemelham à montanha russa.





Ainda poderia pensar, que no Martim Moniz estariam a dar rebuçados, mas a fila era mesmo para os dois eléctricos que acabavam de terminar mais uma viagem e se preparavam já para iniciar outra...


E já que falei anteriormente na «montanha russa», creio que nem a antiga e já extinta Feira Popular de Lisboa, chegou a ter filas com este comprimento, apesar de ser na época dos poucos e mais desejados divertimentos dos habitantes de Lisboa, nomeadamente nas noites de verão. Afinal de contas, a fila para o 28E acabou por criar um separador entre a linha 12E e 28E. 

Ora digam lá se este transporte que até é aposta principal em grandes cidades da Europa, não era de ter mais carreiras pelas ruas de Lisboa. O turismo agradecia e o 28E também.

sábado, 28 de abril de 2012

Assim se fala em bom Françuguês: «Então o tramway apagou-se?»

E hoje foi assim! Eléctrico vermelho e de serviço no circuito eléctrico das colinas, da CarrisTur. Se o tempo não convidava a andar na rua, então nada melhor que desfrutar do que a cidade tem para se ver a bordo de um tradicional eléctrico que vai continuando a fazer parte das preferências de quem visita a capital. Japoneses, italianos, franceses, espanhóis, brasileiros, ingleses e até americanos, acabam por preencher os lugares disponíveis e em muitos dos casos partilhando-os com portugueses que estão de visita a Lisboa ou de regresso a Portugal para umas férias junto dos seus familiares. 
 
O verão parece estar ainda a retardar a sua chegada mas já se vêem por cá alguns emigrantes. Encantados com o regresso, um casal perguntava-me esta tarde de que ano era o eléctrico e que era «um prazer poder viajar numa peça de museu como estas. Os vossos eléctricos são uma maravilha da Europa», e dizia-me tudo isto ao mesmo tempo que ia traduzindo para francês a fim da esposa poder entender do que se falava. 
 
A verdade é que os turistas também nos originam situações bastante engraçadas, quer seja pelas expressões que utilizam ou simplesmente por após esclarecidos, permanecerem estáticos a olhar para nós como se não entendessem nada do que acabámos de dizer. Ainda pela manhã, chegava junto do eléctrico em plena Praça do Comércio, ou se preferirem... em pleno estaleiro de obras, um senhor francês que mais parecia ter acabado de cortar a meta numa qualquer maratona. «Vous avez 8 places?», perguntava, enquanto tirava do bolso o seu cartão "Viva Viagem"
 
Ora tanto eu como o promotor, não só dissemos que já não haviam 8 lugares disponíveis como alertámos ainda, que o cartão que possuía, não lhe permitia viajar naquele eléctrico, por se tratar de um circuito turístico. E se a nossa ideia era ajudar o senhor, eis que parece que o baralhámos ainda mais. «Mais nous voulons faire une tournée avec cette carte!», rematava já sem o ar de contentamento com que ali tinha chegado. E lá lhe explicámos em francês que, haviam várias carreiras e que dependendo de onde queriam ir, teriam de optar por determinada carreira, até que ao fim de alguns 5 minutos compreenderam a diferença entre o 28 que era o que pretendiam e o eléctrico turístico.

Mas se já tinham dito ter entendido que era na 3ª rua acima que apanhavam o 28E, acabavam por aguardar ali mesmo... talvez a passagem do 28E. É caso para se dizer... "c'est pas possible!". Entretanto do lado de dentro do eléctrico uma turista inglesa pedia-me que lhe tirasse uma fotografia. Não queria certamente deixar de relembrar no futuro esta sua passagem por Lisboa e pelo transporte que é também ele símbolo da cidade.

Até ao final do serviço houve ainda um grupo de italianas que desfrutaram ao máximo da viagem. Fotos, gargalhadas e até lanche com um bolo de chocolate que fez crescer água na boca a quem estava naquele eléctrico. Mas o dia não poderia acabar sem uma pergunta curiosa do emigrante que já mal falava o seu português, quando na Estrela tive de fazer subir o pantógrafo, depois de ter baixado o trolley. Perguntava-me ele já meio aflito... «Então o tramway apagou-se?... Veja lá que nous temos que ainda ir na linha blue.» E por instantes lembrei-me da rubrica da RTP intitulada «Bom Português», mas que aqui teria uma conclusão diferente: "E assim se fala em bom françuguês..."
 
O eléctrico não se apagou e prosseguiu viagem até ao final do circuito onde metade dos passageiros pareciam ter gostado tanto de andar de eléctrico, que permaneciam sentados com os auriculares nos ouvidos, à espera de mais informação turística do áudio-guia... 


segunda-feira, 23 de abril de 2012

Como passageiro, numa irrequieta...viagem no 706

Em vésperas de voltar ao trabalho depois de uma semana de pausa, decidi esta tarde ir até ao centro de Lisboa e dar uma espreitadela por algumas livrarias, com o objectivo de ver alguns títulos que possa vir a encontrar na Feira do Livro de Lisboa que arranca já quarta-feira. Decidi portanto que iria de Carris até à Baixa, deixando assim à porta o carro e a preocupação com o estacionamento que além de difícil, não é nada barato na zona em questão. 

O tempo não estava agradável, como aliás não tem estado nos últimos dias. Ora cinzento, ora soalheiro, ora chuvoso ou ventoso, o certo é que consegui andar pelas ruas de Lisboa sem recurso ao chapéu de chuva. Pela viagem e na pele de passageiro, constatei que as pessoas continuam a pensar que se deslocam num transporte público como se fossem as únicas a serem conduzidas por um motorista, que até tem uma farda bonita de se ver e que conduz não um carro qualquer, mas sim um autocarro. 

Se para ir até à Baixa optei pelo 735, já na viagem de regresso ao meu ponto de partida acabei por optar pelo 706. Depois de percorridas algumas ruas, lojas e com uma pausa para um café na sempre agradável «Padaria Portuguesa», acabei por subir a Avenida da Liberdade que tantas vezes subi e desci ao volante das carreiras 36, 44 e 745. Aguardei então a chegada do 706 que segundo o "painel ao minuto" faltavam 3 minutos para a sua chegada. Os 3 minutos bateram certo e depois de entrar e validar o meu título de transporte, algo que entre os 8 passageiros que entraram só 6 o fizeram, cumprimentei o colega e sentei-me na segunda fila após a porta da saída.

Andar de autocarro tem algumas vantagens como a realização de uma viagem despreocupada e descansada, mas nem sempre isto é possível, por muito boas que sejam as condições que a própria Carris tem vindo a oferecer, quer seja pelo conforto dos seus autocarros, quer seja por iniciativas como o "Carris NetBus", ou até mesmo pela prestação do serviço da maioria dos seus tripulantes. E tudo porque basta viajar no mesmo autocarro quem olhe só para o seu umbigo.

Na verdade nunca uma viagem entre a R. Alexandre Herculano e a Pç. Paiva Couceiro, me custou tanto e tudo graças a um casal que teimava em querer dar atenção à filha, que provavelmente nem em casa tem tanta atenção dos pais. A criança era irrequieta e aparentava regressar do infantário com toda a energia. O pai, parecia ainda mais criança que a própria filha e a mãe, essa puxava cada vez mais pelo irrequietismo da pequena que se via obrigada a responder a mil e uma perguntas. «O que é que papaste?...Leitinho? Pãozinho? Sopinha? Iogurte?...» 

A criança respondia como as da sua idade na maioria respondem, ou seja, «xim...» De repente o interesse na alimentação da rapariga passava para as cores que compunham o tecido que forra as cadeiras do autocarro. «Que cor é esta?...» perguntava insistentemente a mãe em alto e bom som. Se eu, sentado atrás do referido casal já não os podia ouvir, certamente que lá à frente o motorista, também estaria desejoso de ouvir tanta pergunta, mas... longe daquele autocarro. Atrás de mim uma senhora bufava e ao meu lado, um senhor acabava por fechar o jornal.  

A menina parecia a certa altura estar vencida pelo cansaço e quando a calma parecia estar de volta à viagem, na fila da direita um telemóvel toca. A criança acha graça ao toque, diria eu, pré-histórico da era dos telemóveis e quem atendia parecia ter vontade de competir com a mãe da criança. «Estoue? Sim Lisete...já estoue a caminho! (pausa...) Ela não estava lá, mas eu deixei recado na recepção que tinha lá passado para lhe mostrar o exame à próstata que o meu marido fez na semana passada!», gritava a senhora ao telemóvel como se a Lisete estivesse do outro lado do planeta. Ficou a saber a Lisete e todo autocarro que não tinha tido êxito a tentativa de mostrar à médica o exame à próstata do seu esposo.

Mas havia alguma necessidade de toda a gente ficar a saber o que comeu a criança ou que o marido daquela senhora foi fazer um exame à próstata? Certamente que não, mas enquanto houver pessoas que se esquecem ou ignoram completamente o espaço público, vamos continuar a saber o problema de Fulano e Sicrano, e vamos continuar por vezes a viajar sem nos conseguir-mos abstrair das conversas que nos "obrigam" a escutar. Hoje foi assim no 706 como pode também ter sido assim ontem no 44 ou como será amanhã na 723. São situações vividas e presenciadas durante minutos que mais parecem horas, em viagens curtas que parecem longas, num transporte que embora muitos possam pensar ser particular, é público.    

domingo, 15 de abril de 2012

De olho na net... e na forma como Lisboa é apresentada lá fora

Há já algum tempo que não trazia até aqui o meu olhar indiscreto pelos vídeos publicados na Internet. Nas mais diversas plataformas, encontra-se de tudo um pouco e quando caminhamos a passos largos para o Verão, nada melhor que ver como Lisboa convida quem vem de fora, a uma visita pela cidade de contrastes. Cidade onde o histórico se mistura com o moderno e onde os "amarelos" continuam a ter destaque e a sobreviver para dar oportunidade a quem nos visita, de conhecer uma cidade de forma diferente.

A Travel and Tour World, mostra-nos Lisboa de vários pontos de vista e como não podia deixar de ser, no seu vídeo promocional os eléctricos são o despertar para a descoberta da capital portuguesa...

 

Agora que já lhe foi apresentada Lisboa como se de um turista se tratasse, nada melhor que calçar algo confortável, e pôr-se a caminho nas ruas de Lisboa, percorrer locais nunca antes caminhados e de preferência com recurso aos transportes públicos, porque como se sabe nem sempre é fácil arranjar um lugar para se estacionar em Lisboa. No final verá que por vezes também é bom ser turista, ainda que da própria cidade.

Boas viagens pela net e pela bonita e maravilhosa cidade de Lisboa, a bordo dos veículos da CCFL.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Sugestão do Tripulante(12): 12E: A rota do Castelo

A Carris decidiu recentemente promover a carreira 12E como uma alternativa cómoda para conhecer a zona histórica de Lisboa. O Diário do Tripulante deixa então a sugestão para uma viagem pela história da cidade.

Sabia que...

Com o seu percurso circular desde 20 de Novembro de 1997 a carreira 12E que antes desta data era conhecida pelo «sobe e desce» ou pelo eléctrico de São Tomé, tem agora apenas um terminal - a Praça da Figueira. Desta praça o 12 segue até ao Martim Moniz onde percorre o percurso que fazia desde 1947 altura em que a carreira era equipada com carros bidireccionais, os carros 700.
 
A cidade através da carreira...
Passando por alguns pontos de interesse da história de Lisboa, como o bairro da Mouraria, o largo das Portas do Sol que dá acesso ao Castelo de São Jorge, a Sé e a malha urbana da Baixa Pombalina, esta carreira é sem dúvida o ponto de encontro de quem da Praça da Figueira pretende ir até ao monumento que dessa mesma praça se consegue avistar, ou seja o Castelo de São Jorge. 



Vamos ao Castelo!

E se a Carris já lhe deu uma alternativa agradável para ir até ao Castelo, o "Diário do Tripulante", dá-lhe agora a conhecer algumas das imagens que se podem obter daquele que é considerado o monumento mais emblemático da cidade de Lisboa, o Castelo de S. Jorge que é um testemunho relevante de momentos ímpares da história de Lisboa e de Portugal.

Mas para além das bonitas imagens que se podem obter da cidade através das muralhas do Castelo de São Jorge, muitos mais motivos de interesse há para lá das portas do monumento. Eventos durante todo o ano, feiras, exposições, restaurantes e um bairro pitoresco no coração de Lisboa...


O Castelo de São Jorge funciona das 9h00 às 18h00 de1 Nov a 28 Fev, e das 9h00 às 21h00 de 1 Mar a 31 Out. Os residentes do concelho de Lisboa não pagam a entrada que custa 7.50 € e os passageiros dos circuitos da CarrisTur têm desconto, à semelhança do que acontece com outras parcerias e que podem ser consultadas no site do Castelo de São Jorge em castelodesaojorge.pt

Agora é altura de ir até à Praça da Figueira, entrar no 12E e subir à colina do Castelo, conhecer a história de Lisboa e partilhar com os seus amigos uma tarde diferente com muita história à mistura. 

Partilhe a visita no Facebook...

E porque não partilhar a sua visita? Mostre aos leitores do "Diário do Tripulante" a sua visita que teve como base esta sugestão. Capte as imagens de Lisboa, do Castelo e do 12E e partilhe-as em www.facebook.com/diariodotripulante

Boas Vistas e boas viagens a bordo dos veículos da CCFL pelas colinas de Lisboa.  

Fonte: A minha página Carris de Luís Cruz-Filipe; Site Carris.pt; Castelosaojorge.pt

Eles estacionam mal e eu é que não tenho respeito?!

Se há muito não ficava preso numa interrupção, fazendo crer que tinha subido uns pontos o respeito pelos transportes públicos, e a consciência de quem estaciona de qualquer forma e feitio, não era de todo desejável que tal acontecesse na última volta do último dia de trabalho da semana. O dia já custava a passar com o serviço atribuído que esgota as energias a quem tem de andar quase todo o dia a fazer rodar uma manivela, a quem já um dia chamaram de pass-vite, e como se não bastasse além da interrupção ainda me chamaram maluco por não abrir a porta fora da paragem.

Com a chapa que faz a última partida do Martim Moniz e dos Prazeres, acabei por sair na hora certa daquela praça que de dia tem um movimento "infernal" de povos orientais e que à noite mais parece um deserto africano, onde os "amarelos" da 28E parecem rasgar a monotonia deixando um rasto das luzes que iluminam os seus interiores. Por incrível que pareça o eléctrico percorre toda a rua da Palma, a Almirante Reis, sobre à Graça e só aqui apanha o primeiro passageiro. Mas a viagem foi curta.

Na Rua Voz do Operário, o eléctrico da frente anunciava através das luzes de emergência (os conhecidos quatro piscas), uma interrupção. Lá estava um automóvel com as rodas a impedirem a passagem do estribo do eléctrico. Cerca de 30 a 40 minutos parados, para desespero dos que decidiram esperar pela chegada da Polícia e para alegria dos turistas que a todo o custo tentaram afastar o carro para o interior do passeio, mas sem êxito. 

As janelas dos prédios abriam-se mas delas não surgia o proprietário do automóvel em questão. Restava-nos aguardar a chegada do reboque. Ou talvez não. Porque a certa altura, já com apenas dois passageiros resistentes à espera, surgiu um jovem rapaz que dizia conhecer o dono da viatura que impedia a passagem dos eléctricos. Esperámos mais cinco minutos e lá voltava ele, não com o dono, mas como a chave do carro. Afinal de contas, dizia-nos que o carro era de «uma senhora de idade que tem dificuldades em andar», mas que trazia consigo a chave para estacionar melhor a viatura.

A interrupção ficava livre precisamente à hora que eu devia estar a partir dos Prazeres. E se o eléctrico da frente iria dar a volta no Largo do Camões por indicação da Central de Comando de Tráfego, já eu tive de ir mesmo até aos Prazeres fazendo prever que aquela viagem não iria ser nada fácil até porque nas paragens deveria estar muita gente à espera daqueles eléctricos que estavam até então parados por alguém que só se lembrou de si mesmo.

Nas Portas do Sol, a paragem tinha gente como se de uma tarde se tratasse. Afinal de contas já há 40 minutos que não passavam eléctricos. Enquanto aguardo a saída da paragem do carro da frente, uma senhora bate à porta. Indico-lhe que apenas abriria na paragem, pois estavam lá mais passageiros a aguardar aquele eléctrico para os Prazeres. Mas do lado de fora a senhora partiu de imediato para os insultos...

«Mas você está parvo? Abra lá essa m****. Estamos aqui ao frio há uma hora...», gritava enquanto segurava o braço do seu filho. Volto a repetir que «só abro a porta na paragem porque estão lá mais pessoas e não sei quem está primeiro...» A criança, talvez mais inteligente e condescendente que a mãe, diz que é ali que se entra, ao mesmo tempo que apontava para a paragem. Mas a mãe, querendo continuar a mostrar sinais de uma educação, que não era certamente a mais indicada para a criança diz «o homem é maluco filho. Pagamos o passe para estar uma hora à espera ao frio e dizer que só abre na paragem...»

Chegava então à paragem e o caldo parecia estar entornado. «Você não tem respeito pelas pessoas que estão aqui ao frio há uma hora...», dizia-me num tom elevado enquanto validava o título de transporte. Esclareci-lhe uma vez mais, que só abri a porta na paragem porque havia lá mais gente e é na paragem que se faz entrar e sair passageiros de um transporte público. Mas tudo o que eu dizia, parecia entrar a 100 e sair a 200 nos ouvidos da senhora que insistia em dizer que nós não tinha-mos respeito por quem pagava o passe. E terminei dizendo-lhe que isso teria ela de dizer ao individuo que estacionou o carro mal, impedindo a passagem do eléctrico. E ela responde já sem argumentos, mas algo nervosa... «Eu estaciono é consigo não é com o carro!»

E lá seguiu viagem calada, depois de ter desabafado tudo, para admiração dos turistas que tinham assistido a tudo e que não entendiam o porquê de tanta gritaria...

E assim terminou a semana pela montanha russa de Lisboa. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL


terça-feira, 10 de abril de 2012

Do verde ao maduro, com Engraçadinho Moreira da Silva a bordo da 735...

E porque não é só de eléctricos e guarda-freios que aqui se escreve, aqui vos deixo um episódio que se passou recentemente a bordo de um autocarro na nossa cidade de Lisboa. Tudo graças a uma passageira que decidiu alertar o motorista do 735, de que o sinal já estaria verde e que poderia avançar. Por se saber fica, se a senhora estaria com pressa ou se era um sonho seu, ser polícia de trânsito.
O motorista estava parado no semáforo junto da paragem "Sul e Sueste" quando uma cliente que devia estar um pouco apressada eleva a voz... "Está verde!..." Um senhor que parecia estar meio 'tocado' responde-lhe sem hesitar... "Daqui a bocado está ...maduro!". "Engraçadinho!" responde a senhora. O senhor não querendo deixar por ali a troca de ideias, devolveu nova resposta... "Engraçadinho Moreira da Silva ao seu dispor!" E a gargalhada foi geral. 
Apercebendo-se talvez que se algo mais dissesse levaria nova resposta, a passageira em questão olhou para ele e como se costuma dizer, enfiou a "viola" no saco e deixou-o a divagar até ao Cais do Sodré. Afinal de contas o Engraçadinho Moreira da Silva estaria ao seu dispor a bordo da 735...
Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.
[n.d.r.]: Este episódio vivido a bordo da 735, foi relatada pelo tripulante Rogério Dias a quem agradeço a colaboração.

sábado, 7 de abril de 2012

É assim a Páscoa em Lisboa, no eléctrico 28E...

Palavras para quê? As imagens falam por si...

A elevada procura por parte de turistas espanhóis leva a que as filas saiam dos passeios...

Para cima e para baixo. Em São Vicente, e em dia de feira os eléctricos foram poucos para tanta gente...

A zona da Sé foi das mais concorridas esta tarde a par do Castelo

O eléctrico da frente acabou de sair da paragem e como se vê na foto, muitos foram os que tiveram de aguardar pelo próximo.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Diário do Tripulante vai chegar em Livro!

Depois de na Internet, este espaço ter atingido as 150.000 visitas, e ter chegado à rede social com o Facebook onde conta já com mais de 300 "passageiros" frequentes, agora o Diário do Tripulante chegará às livrarias com o lançamento de um livro editado pela Fonte da Palavra e que está previsto para a primeira quinzena de Maio de 2012... 

A todos os leitores e amigos, obrigado pelo apoio e por fazerem com que este blogue continue a viajar pelo quotidiano dos transportes públicos. Boas Viagens!


Fique atento à data de lançamento!

terça-feira, 3 de abril de 2012

O dia-a-dia dos eléctricos no estaleiro da Praça do Comércio

Atenção redobrada dos guarda-freios sobre os carris e sobre as máquinas que andam em constantes manobras. Cuidados especiais por parte do pessoal da obra para quem a todo o custo transforma a Praça do Comércio... Têm sido assim as últimas semanas numa das principais praças da cidade, e assim será nos próximos meses. Completamente cercado por grades está também o ponto de partida do circuito eléctrico de turismo da Carristur que também com algum custo tenta acolher da melhor forma possível os seus clientes. 

Da melhor forma possível, porque os acessos são limitados e com muito lamaçal à mistura. Há mesmo quem já tivesse dito que quando visitou Lisboa há quatro anos, a praça estava em obras e agora que volta, vê de novo o estaleiro montado. Mas afinal como têm sido os dias dos amarelos da Carris e dos vermelhos da Carristur na Praça do Comércio? 

A resposta está neste interessante vídeo disponibilizado pela Webrails.tv, uma plataforma on-line dedicada ao mundo ferroviário.


O Diário do Tripulante agradece ao webrails.tv a forma simples e divertida com que nos mostra o dia-a-dia de quem por ali tem andado nas últimas semanas.

 

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Invasão espanhola na 28E e com o rendimento mínimo à mistura

A Páscoa parece já ter chegado ao eléctrico 28E. Com o aproximar da data, nuestros hermanos invadiram uma vez mais Lisboa e claro está, os tranvias voltam a andar cheios para cima e para baixo. E se de repente no meio de franceses e sobretudo espanhóis lá se ouvir alguém perguntar «were is the stop for de Castle?» então poder-se-á dizer que foi alguém que se infiltrou na invasão espanhola a Lisboa e suas colinas. Sejam bem-vindos ao universo da carreira 28E.

Perante um tempo que prometia muita chuva pela manhã cinzenta, que fazia lembrar o provérbio popular que diz que «em Abril, águas mil», o certo é que a chuva acabou por não aparecer, deixando espaço para o Sol dar um ar de sua graça. E se muitos eram os que passeavam entre os Prazeres e o Martim Moniz, outros haviam que tentavam a todo o custo entrar no eléctrico para regressarem a casa após mais um dia de trabalho num ano que já por si não é fácil para quem trabalha.

Na minha última viagem do dia, com destino ao Martim Moniz preparava-me para sair da paragem do Largo da Graça, quando avisto uma senhora a correr em direcção ao eléctrico com ar cansado e de quem já não conseguia dar mais um passo. Quase sem fôlego, agradece-me o facto de ter esperado por ela. E já dentro do eléctrico e com a porta fechada para seguir viagem, lá foi desabafando...

«Obrigada filhote. Deus te dê saúde que é o que peço também para mim. Venho tão cansada do trabalho...», dizia enquanto lá do meio alguém dizia que «hoje não há fados rapariga», dando a ideia que nos tempos livres a senhora gosta de cantar fado. Ela não se conteve e continuou... «Ai vais aí também? Epah, venho do trabalho tão cansada. Fartinha de esfregar escadas. Anda uma pessoa a trabalhar para essas p**** do rendimento mínimo. Dizem que não têm trabalho. É mentira! Não há é empregos...» dizia quando já tinha mais alguns passageiros a darem-lhe razão.

Entre a Graça e a Rua da Palma não faltaram temas de conversa naquele eléctrico e quando chegou ao seu destino, não deixou de voltar a agradecer ter esperado por ela. Assim vão as viagens pelo eléctrico mais emblemático da cidade de Lisboa!

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