quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

[Off Topic]: Segurança Rodoviária vs Respeito

Em Dezembro de 2011 uma jovem de 17 anos perdeu a vida ao atravessar a Av. 24 de Julho, depois de ter sido surpreendida com um eléctrico da carreira 15E com destino a Algés. Um mês e meio depois um jovem de 24 anos sofre também um atropelamento nesta via e também por um eléctrico, que o deixa amputado. Mas afinal de contas, quantos mais acidentes serão necessários para se tomarem medidas?

Quando este tipo de acidentes surgem, o alvo mais fácil de ser atingido é o guarda-freio, que para quem ainda não sabe é a pessoa que conduz o eléctrico, veículo este com características próprias e que circula sobre carris, não tendo qualquer hipótese de se desviar de eventuais obstáculos que possam surgir de repente. Muitos são também os que ao longo deste corredor reservado a transportes públicos, agem como se estivessem a andar num espaço reservado a peões.

Poderia portanto admirar-me pelo facto de não ocorrerem mais acidentes, mas rapidamente chego a uma conclusão. Aqueles a que todos apontam as “espadas”, acusando-os de criminosos, são de facto grandes profissionais que chegam a evitar vários acidentes ao longo de um dia de trabalho. E chego rapidamente a esta conclusão, porque também eu lá ando todos os dias a conduzir e vejo situações que me deixam incrédulo.

Ao avistar uma pessoa, o guarda-freio abranda a marcha e toca a campainha alertando da presença/aproximação do eléctrico, porque o habitual é as pessoas circularem na beira do passeio. A resposta é quase sempre a mesma: Insultos verbais, gestuais e gozo!

O respeito já nem parece fazer parte da língua portuguesa com o novo acordo ortográfico e quando não há respeito, deixa de haver segurança rodoviária, porque tudo se torna num reino sem rei ou num salve-se quem puder.

Custa-me portanto ver vidas a serem perdidas, pessoas a ficarem com marcas que durarão para sempre, mas custa-me igualmente ver uma classe como a que represento, ser-lhe constantemente apontado o dedo, como que se fosse o culpado de toda a situação. Na verdade as pessoas andam de cabeça no ar, com phones nas orelhas e em muitos dos casos confiam demasiado num veículo que tem uma distância de travagem superior a qualquer carro, pelo facto da aderência ser ferro com ferro!

Não posso no entanto deixar de referir uma vez mais que os eléctricos não circulam nos passeios e que não vão certamente ao encontro dos peões, pelo que se os peões vão ao encontro dos veículos sejam eléctricos, autocarros ou apenas um automóvel ligeiro, sendo que para estes dois últimos ainda há a hipótese de desvio do peão, o melhor mesmo é serem tomadas medidas de forma a educar ou re-educar os peões.

Termino então, sugerindo ás entidades competentes, que sejam vedados os atravessamentos neste corredor, através da colocação de gradeamento ao longo da sua extensão, deixando apenas abertas as travessias e paragens. E uma palavra de apoio também para os colegas envolvidos em ambos os acidentes, porque todos estamos sujeitos. Não tenho dúvidas que como profissionais que são, fizeram tudo o que estava ao alcance para que o acidente fosse evitado. Força!

9 comentários:

Flor disse...

Olá Rafael, há tempos que não passava por aqui.

Tudo o que dizes é bem triste e preocupante. Vai ser muito dificil re-educar os peões, especialmente os da 24 de Julho, fora de horas e embriagados.

A grelha frontal que os electricos antigos teem não serve também para repelir algo que apareça na linha?

Um beijo
Flor

Rafael Santos disse...

Olá Flor, de facto há muito que não a via por aqui.

O acidente de ontem foi com um eléctrico articulado que não dispõe da referida grelha, mas se tivesse seria o mesmo, porque ao que parece o rapaz terá atravessado de repente e próximo do eléctrico sendo apanhado pela frente e não pela base do mesmo.

Cumprimentos!

CR 35 disse...

Enquanto não houver uma campanha de sensibilização e educação dos peões ,surgirão mais situações acima descritas.Nota-se um conflito diário entre peões e automóveis ajudados por uma lei que na prática não é eficaz para o lado dos peões(coimas por infrigir as regras de trânsito,insistência errada de como usar o atravessamento nas passadeiras sem ligar ás regras de segurança.

Flor disse...

Eu tenho na ideia que os electricos dos anos 40/50 cuja grelha era muito grande que quando o electrico tinha que fazer travagens bruscas essa grelha descaía imediatamente. Parece-me que me lembro qualquer coisa do estilo.

Tens conhecimento disso?

Os electricos novos já vi que não teem grelha mas também são muito baixos.

Anónimo disse...

O comportamento do peão no espaço público reflete o estado de espirito que o mesmo se encontra de momento.
Assim como os tripulantes tem que fazer testes psicótecnicos para executar a sua profissão para estarem aptos no exercicio da sua função.
A sorte ou azar na hora errada no local errado o facto é que os acidentes acontecem.

Rafael Santos disse...

Exactamente Flor! Chamava-se a essa grelha "Salva Vidas"

Flor disse...

Obrigada Rafael.

JP Emidio disse...

Olá Rafael. Sou peão (aliás todos somos) e já assisti a esses "improprérios" por parte de outros peões.
Falta de civismo, cuidado e algum planeamento a andar nos passeios, falta a muitas boas pessoas.
Deixo aqui um aviso aos peões: - Tenham em atenção tambem aos retrovisores dos autocarros e respeitem a profissão de tripulante (motorista ou guarda-freio), a CCFL é uma das empresas que mais aposta na segurança e numa melhor qualidade de vida para os habitantes de Lisboa e toda a população que nela transita

Luís S Howell disse...

É mais reeducar as pessoas. O Eléctrico atravessa a 24 de Julho há mais de 100 anos e só nos últimos anos estas coisas acontecem. Curiosamente com jovens, porquê? Porque se calhar não cresceram "cercados" de eléctricos (haviam umas 30 carreiras quando eu era miúdo) e não aprenderam a viver com eles.
A solução do gradeamento parce-me impensável, para além de custar dinheiro não resolve o problema pois as pessoas ficam por reeducar, e a ferida está aí.

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