sábado, 31 de dezembro de 2011

O ano em revista. Um dia em vídeo


Hoje chega ao fim mais um ano. 2011 não foi um ano propriamente favorável no sector dos transportes, com as consequências da pedida de ajuda externa por parte do governo. Várias medidas foram implementadas e outras anunciadas que entrarão em vigor no ano de 2012 que está já à porta. Mas no que ao «Diário do Tripulante» diz respeito, 2011 fica marcado pela chegada do blogue ao Facebook ainda em Janeiro. No mês seguinte o salto foi da Internet para a televisão, com a reportagem da RTP a bordo do eléctrico 28, para o programa "Portugal em Directo".
O terceiro mês do calendário, não foi nada favorável aos utilizadores dos transportes públicos, muito graças aos ajustamentos da rede da Carris, facto esse que não pôde ficar de lado, porque foi motivo de lamentação por parte dos nossos queridos passageiros. Em Março tive o meu regresso à borracha, com a frequência do curso de formação para Qualificação de Motoristas, com vista à obtenção do CAM.

Abril chegava com interrupções, ora na 25E, ora na 28E, mas sempre com as histórias caricatas que cada uma delas acabam por causar. Uma passagem pela 12E dá direito a pequeno almoço, em troca de companhia ao longo do dia. É assim na carreira de circulação, onde dão voltas quem não tem mais volta a dar à solidão.
Colina acima, colina abaixo, chegámos a Maio, mês este marcado pelo lançamento do primeiro álbum musical d'Os Lábios, a banda portuguesa, que escolheu um eléctrico para fazer o seu lançamento, num concerto único pelos carris da cidade, e que se tornou num dia de trabalho inesquecível para quem os conduziu. 

Junho é mês das festas em Lisboa, e festa foi o que não faltou nos eléctricos que voltaram a ter uma vez mais, o Fado - agora Património da Humanidade. Mas Julho logo chegou com o "Diário do Tripulante" a dar algumas sugestões para quem se transporta diariamente nos veículos da Carris, porque afinal, validar verde não custa!

Em Agosto as merecidas férias, e o no regresso a estreia no serviço turístico da Carristur, com o Circuito Eléctrico das Colinas. Um serviço que também ele tem originado histórias únicas e hilariantes que em muitos dos casos, são originadas pelos simpáticos turistas que ficam encantados com os nossos eléctricos. 
A 18 de Setembro de 2011 a Carris completa 139 Anos de existência, o que tem tornado esta empresa, uma imagem de marca no sector dos transportes. Talvez por essa mesma razão, várias são as pessoas que gostariam de a representar, e antes de tentar a sua sorte, acabam por contactar o tripulante deste diário. Vários foram os emails recebidos, com perguntas de todo o género. 

Umas mais técnicas que outras, e pelo meio, alguns pedidos para que se explique afinal como funciona o eléctrico e como é um dia de um tripulante. Mas nem sempre o tempo e a disponibilidade permitem todos os esclarecimentos. Outubro ficou marcado pelas diversas cheias e em Novembro foram as gravações do anúncio de Natal da operadora móvel Optimus, onde estive presente com o eléctrico 564. 

Várias foram as viagens relatadas ao longo do ano, porque como dizia Fernando Pessoa, «para viajar basta existir», e por isso mesmo a Rede Globo, também esteve em Lisboa no mês de Novembro, mês este marcado por manifestações que originaram cortes e cortes anunciados que geraram manifestações, como é o caso da população da ajuda que se tem manifestado contra o anunciado fim do eléctrico 18E.

Com Dezembro chegou o eléctrico de Natal e mais uma série de reportagens televisivas sobre os eléctricos de Lisboa e sobre a colaboração da Carris com a Central do Rio de Janeiro, com vista à recuperação dos bondes de Santa Teresa. Ao longo do ano, muitos foram os dias em que os eléctricos foram saído para as ruas, sem saber com o que iriam contar, tal como acontece com os autocarros.

Numa profissão como esta em que tudo parece ser chato, a verdade é que tudo é diferente a cada dia que passa. Por essa mesma razão e pelos diversos pedidos que fui recebendo ao longo do ano, decidi terminar 2011, com uma lembrança para os leitores do "Diário do Tripulante", leitores esses que espero continuar a transportar através deste endereço em 2012. Veja então, uma pequena amostra do que é feito antes do eléctrico sair para a rua e estar pronto a receber passageiros. No caso concreto calhou em escala um serviço no circuito turístico, mas tudo o resto é basicamente o mesmo...

"Chegar à expedição, levantar a chapa e saber o carro atribuído. Ligar o carro, deixar carregar o depósito do ar, verificar os areeiros, fazer subir o Pantógrafo, baixar o trolley, testar a campainha, os travões e o sistema da areia, e esperar que tudo corra bem ao longo do dia".

Feliz Ano Novo 2012!


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Feliz Ano Novo 2012!

O "Diário do Tripulante", deseja a todos os seus leitores e amigos, um Feliz Ano Novo. Que 2012 seja melhor que 2011, apesar de todas as dificuldades que se avizinham.


Boas Festas e Boas viagens... na nossa companhia!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

[Off Topic]: O dia de um passageiro que é tripulante, por Lisboa

Várias são as ocasiões em que, para me deslocar de um lugar a outro na cidade de Lisboa, opto por usar os transportes públicos. Não só por ser mais económico e amigo do ambiente, mas também para poder avaliar o serviço prestado pelas empresas de transporte, onde incluo, claro está, a Carris. Além de tudo isso, o transporte público, permite-me no caso dos autocarros, desfrutar da viagem sem preocupações com o trânsito e no caso do metro, obter uma rapidez na deslocação.

Esta opção é sem dúvida uma excelente oportunidade, para me colocar no lugar do passageiro e poder dar-lhe ou não razão quando o mesmo se dirige para reclamar, seja do atraso, do percurso, de uma interrupção, etc...

Mas nestas ocasiões, acabo também por avaliar comportamentos e situações por parte de quem transporto diariamente quando não estou no lugar do passageiro, mas sim no de tripulante, conduzindo milhares de vidas pelo confuso trânsito de Lisboa, ao qual se junta estados de humor variáveis, e todo o tipo de pessoas.

Hoje por exemplo, deparei-me com autocarros cheios e em carreiras que já trabalhei, onde a meio da tarde raramente a lotação era atingida na sua totalidade. Mas a minha chegada ao autocarro, deveu-se a uma inesperada interrupção da circulação do metropolitano na linha vermelha. Deslocava-me até à Estação do Oriente, mas quis alguém que a minha viagem pelo Metro ficasse por “centímetros”.

Mais de 15 minutos parado na estação da Bela Vista! O Silêncio apoderava-se das carruagens à medida que os minutos iam passando e só era interrompido por um ou outro sussurrar entre passageiros que tentavam perceber qual o motivo da paragem. Por parte do Metro de Lisboa, nenhuma informação era dada para o interior das carruagens. Valeram portanto, as portas abertas para que o acesso ao cais permitisse ler o que os painéis informativos transmitiam.

“Por motivos de incidente com passageiro, a circulação na linha vermelha encontra-se interrompida. Não prevemos o tempo da interrupção. Pedimos desculpa pelo incómodo”, lia-se nos mesmos. Aos poucos, os passageiros que já tinham abandonado as carruagens, abandonavam agora o cais, tal como eu, que de imediato procurei outras alternativas, não sem antes observar um pouco do comportamento das pessoas.

Deparo-me então a pensar que não havia melhor exemplo para comparar o comportamento das pessoas, no caso concreto, dos passageiros, consoante o tipo de transporte que utilizam. Pois se fosse num autocarro ou num eléctrico, contestação não faltaria e certamente que o posto do tripulante era o mais procurado naquele instante. Mas naquela estação, o bilheteiro permaneceu no seu posto como se nada tivesse passado, observando todos os passageiros a saírem rumo ás paragens dos autocarros. O maquinista, esse nem saiu do seu posto. Pergunto: «Custava muito informar os clientes do que se passava?»

Chego então à paragem, onde aguardei pela chegada do 794. Tal como eu, a maioria dos passageiros que saíram do metro optaram por esta alternativa. Na fila da paragem, tinham já passado 5 minutos e já se ouvia um burburinho... «O autocarro nunca mais chega!» ou «agora vai cheio!», era o que se ouvia.

Mal o autocarro chegou, parecia que o mundo ia terminar no minuto seguinte e durante o tempo que teve a tomar passageiros, o tripulante da Carris, cansou-se de ouvir reclamações quanto ao facto do autocarro estar cheio e não haver metro. Mas afinal que culpa tinha aquele meu colega?!

A viagem até à Estação do Oriente lá prosseguiu na 794 e com a maioria das paragens por fazer porque a lotação, essa já ia esgotada desde a Bela Vista.

Cheguei finalmente ao terminal. Fiz o que tinha a fazer e quando ia regressar a casa, o metro mantinha-se interrompido. Decidi então recorrer ao 705 rumo ao Areeiro. O autocarro saiu bem composto do Oriente e em Moscavide já levava passageiros de pé. Afinal aqui o problema não era o metro, mas sim os horários de verão que estão em vigor durante esta semana, sem razão de ser no meu ver.

Autocarros cheios, gente impaciente por tanto esperar e um tripulante a ser uma vez mais o muro de todas as lamentações. Será que se fosse no metro, os mesmos passageiros iriam reclamar? A pergunta fica no ar.

Chego finalmente a casa. O regresso ao trabalho esse é só dia 31 de Dezembro para a despedida de 2011. Até lá gozo as folgas, na esperança que 2012 chegue para ser melhor que 2011, algo que se prevê difícil, dada a conjuntura actual e as incertezas com que nos deparamos no sector dos transportes, sector esse onde ainda me dá gozo trabalhar.

Boas Festas!

De olho na net: A cooperação da Carris com a Central

Vários são os vídeos publicados na Internet, referentes a transportes públicos e nomeadamente à Carris, a empresa portuguesa que está a cooperar com a Central do Rio de Janeiro, com vista à revitalização dos Bondes de Santa Teresa.  Na hora de pedir ajuda, o Governo brasileiro não teve dúvidas e viu na Carris e nos seus eléctricos a alternativa certa. 

As conversas com o governo português iniciaram-se no decorrer do ano que agora termina e a Carris já avaliou todo o trabalho a desenvolver no Brasil. Este vai ser sem dúvida um enorme desafio para a Carris, e por isso mesmo, não poderia deixar 2011 chegar ao fim, sem trazer até aqui um vídeo que recentemente foi disponibilizado no Youtube e que nos dá a conhecer mais pormenores desta cooperação onde o eléctrico é Rei.

Afinal ainda há - e bem - quem aposte neste modo de transporte!


Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL!

sábado, 24 de dezembro de 2011

O Natal dos tripulantes!

E hoje quando milhares de pessoas estiverem junto das suas famílias, haverá sempre alguém na rua sem família, assim como outros há que estarão a trabalhar, não podendo estar com as suas famílias. Profissões que não deixam de trabalhar neste dia. Dos tripulantes aos padeiros, não esquecendo os seguranças, portageiros, jornalistas, médicos, entre outros.

Esta semana a colega Ana Cristina Oliveira, esteve no Boa tarde, a representar uma dessas profissões: Guarda-Freio, através de uma excelente reportagem da SIC, no programa "Boa Tarde":

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Feliz Natal 2011!

O Diário do Tripulante deseja a todos os seus leitores e amigos um Feliz Natal.


Boas festas!


sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

O "grande Elias da 25" é o maior!

O regresso à 25E começou com uma piada que não teve piada nenhuma. Na primeira deslocação para a Rua de Alfândega, cruzo-me com um eléctrico articulado na paragem da Praça do Comércio, a 25 metros da passagem de peões, mas como é hábito, as pessoas saem do transporte e atravessam em direcção ao centro da praça sem olhar a meios. Cauteloso, abrando a marcha, adivinhando que algo iria surgir daquela traseira do eléctrico 501 e bem dito, bem certo, como diz o outro.

Da parte de trás surge um senhor completamente distraído. Toco a campainha para o alertar da minha presença e o mesmo, da um passo atrás e desata-se a rir para mim. Incrédula, tal como eu, a passageira que viajava sentada no primeiro banco do lado direito repudia o comportamento do senhor dizendo que «ainda tem coragem para se rir! Há com cada um...», parecendo estar a ler o meu pensamento naquele instante. 

Prossigo viagem e segundos depois um outro passageiro dos que prosseguiam para o terminal fez questão de esclarecer de forma irónica que «ele ainda se riu, porque assim ainda vai passar este Natal a casa e não no hospital...»

E se o leitor pensava até então que a maioria das vezes que aqui referi a carreira 25E, se deveu a interrupções, devo desde já adiantar que hoje, nem uma interrupção tive devido aos artistas do mau estacionamento em Lisboa. Ou estão mais atentos, ou temem ver a foto dos seus carros aqui publicada.
Mas como num conjunto de viagens muita coisa acontece, lá tinha de aparecer alguém a "marcar" este dia de trabalho. Por vezes a forma como as pessoas nos dirigem a palavra, a forma como se vestem ou as expressões que utilizam, fazem-nos criar - sobretudo em pessoas observadoras como eu - imagens. Imagens essas que podem ser personagens, situações, ou o quer que seja.

E foi na minha última viagem dos Prazeres para a Rua de Alfândega, que na paragem do Canas, ali na congestionada Rua Saraiva Carvalho, um indivíduo franzino, de bochechas vincadas e rosadas, com óculos arredondados e um pouco enervado me pergunta ao entrar, com uma voz em que os agudos estavam certamente mais afinados que os graves, «o que é que se passou, para estar aqui há uma hora à espera?!».

Em fracções de segundos, recuei alguns 15 ou 20 anos no tempo, como se estivesse sentado no sofá lá de casa a ver um dos clássicos do cinema português. Ora nem mais, o «Grande Elias», porque na verdade a fala do senhor e a forma como se apresentava, só me criava a imagem do boneco dessa comédia portuguesa de outras gerações que passou anos a fio na RTP. 

Mas tentava então explicar ao senhor que o atraso se devia a um automóvel que estava mal estacionado e que os eléctricos estavam a manobrar na raquete dos Prazeres. Mas queria lá ele saber do que eu lhe dizia, até porque ele fazia questão de me interromper com a sua voz fina que «houve impedimento!? Que eu saiba não. Pois liguei para a linha informativa de trânsito da Antena 1 a perguntar se havia impedimento nesta linha, ou nesta zona e disseram-me que estava tudo normal...»

Se um dos passageiros optou por rir, o mesmo não pude fazer por respeito ao passageiro em causa, mas confesso perante os meus leitores assíduos que vontade não me faltou, e de rir como eu ria há muitos anos quando via o tal boneco do grande Elias. Por estas e outras razões, cada vez gosto mais daquilo que faço e divirto-me com o trabalho que tenho.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

"Retratos" de um dia de trabalho em Lisboa...

O Natal aproxima-se a passos largos e talvez por isso, a simpatia dos nossos queridos passageiros, esteja também ela, mais próxima da relação passageiro/tripulante, quer seja a bordo de um eléctrico ou de um autocarro, porque acredito que neste mês a percentagem de quem nos cumprimente, aumenta substancialmente.

Com muito frio à mistura, muitos procuram no transporte público forma de se "aquecer", nem que seja com uma simpática troca de palavras com o passageiro do lado ou com o condutor, em quem vêem um amigo. Diariamente entram pela porta do eléctrico pessoas que, se não fosse aquela viagem, não teriam com quem desabafar os problemas com que se deparam diariamente, não podendo deixar de referir os “reumáticos”, as “artroses” ou os “bicos de papagaio”.

Viagem para cima, viagem para baixo, vejo ainda assim, rostos que tentam resistir a uma crise que também não é esquecida nos dias que correm. Numa das paragens, em frente a uma pastelaria, vejo as mesas vazias à frente de um empregado que parece contar o pouco dinheiro facturado ao longo do dia. Ao meu lado direito entra uma senhora que me pede um bilhete.

“- São 2.85€, por favor...”, digo-lhe.

Apanhada de surpresa, diz-me que «o melhor mesmo é ir a pé, até porque é só uma paragem». Na verdade os tempos não tão para estes comodismos, em que para se andar 50 metros, se apanha um eléctrico. As ruas também elas estão com menos luz e só as montras fazem-nos lembrar que estamos na época do Natal.

Mas se a crise afecta uns, outros nem dão por ela. As ruas da Baixa estão cheias de carros, em filas intermináveis que tiram a paciência a qualquer santo. Na zona do Chiado, os “piscas” dos automóveis indicam mudança de direcção à direita, mas os carros esses permanecem parados. Na Rua da Conceição, um conjunto de buzinas parecem querer fazer concorrência ao coro de Santo Amaro de Oeiras. Toco também eu na campainha porque tenho um horário que tento, sempre que possível, cumprir.

À esquerda passa um agente da Polícia Municipal, passa um minuto depois um carro da PSP, mas ambos parecem ter mais com que se preocupar... Afinal é só um pesado de mercadorias que não consegue subir a rua Nova do Almada porque alguém só pensou no seu umbigo. O eléctrico atrasa. O suficiente para no chiado alguém dizer que «há uma hora que estou aqui à espera!» É sempre uma hora! Porque para quem espera parece sempre uma eternidade.

«Na próxima paragem dá-me um jeitinho aqui na porta da frente?», pergunta uma senhora já na paragem da Estrela, e numa fracção de segundos, dou comigo a pensar na quantidade de jeitinhos que tenho de dar na porta da frente ao longo de um dia de trabalho.

A noite cai em Lisboa e com ela vem o final do serviço e de mais uma semana de trabalho. Chego ao Martim Moniz e no destino da bandeira procuro a inscrição “Sto. Amaro”. O eléctrico fica quase vazio. Quase porque restam três turistas que não percebem o porquê de todos terem saído. Explico-lhes que é o final da viagem. «Oooooooohhhh», dizem em conjunto e eu com uma vontade enorme de dizer “yeeeeeeeeehhhh”, mas só mesmo vontade, claro. Explico-lhes que para regressarem ao local inicial, têm de se dirigir à paragem no lado oposto da praça. Agradecem-me efusivamente e felicitam-me pela viagem que lhes proporcionei.. «Is Fantastic this tram! Nice driving!»

E não havia certamente melhor forma para terminar este dia, e claro está, esta semana. Agora vou ter a recompensa – as folgas. Estou de volta na quinta! Boas viagens.

sábado, 10 de dezembro de 2011

[Off Topic] : 28 - Uma viagem imperdível

"E você já andou no 28?" A pergunta poderia ser colocada a qualquer turista ou até mesmo lisboeta. "E porquê?"... pergunta por esta altura o leitor. Porque na verdade, se os eléctricos são imagens de marca da cidade das Sete Colinas, as mesmas que podem ser visitadas com a ajuda das «casinhas amrelas», a carreira 28 é a mais emblemática da cidade. É sem dúvida uma viagem imperdível como diz o Turismo de Lisboa que através deste vídeo sugere uma visita à nossa cidade com recurso ao eléctrico que tem um percurso, ao qual muitos apelidam de montanha russa, num sobe e desce constante, rasgando ruas e vielas de Alfama a Campo de Ourique. 

Fica aqui então mais uma sugestão para este fim-de-semana, na cidade de Lisboa.

domingo, 4 de dezembro de 2011

"28 On-line" - A interrupção à distância de um click!

E de repente, quando os ânimos pareciam acalmar pelas "casinhas amarelas" da carreira 28E, eis que uma - diria eu- invasão espanhola, aparece de rompante em todas as paragens ao longo do seu trajecto, provocando filas enormes, e todos eles com algo em comum, ou seja, a pergunta: «Vás al Castillo San Jorge?». Mas se uns nos entendem facilmente outros há que  não dizem outra coisa se não... «No lo entiendo!»

Espanholada à parte, até porque nuestros hermanos causam-nos também situações muito divertidas durante as viagens de eléctrico, a confusão acaba por ser normal se aos feriados se juntar o facto de Dezembro ser por norma um mês caótico, sobretudo na zona da Baixa, devido às compras de Natal, que muitos dizem ser de crise, mas a constatar pelo volume de sacos que entram já pelo eléctrico dentro, deixa-me algumas dúvidas.

Mas se muitos andam ás compras, outros há que preferem delegar essa tarefa a terceiros, e os hipermercados até facilitam a vida com recurso às novas tecnologias. Os serviços de compras on-line, vieram assim facilitar a vida de uns... mas também complicar a de outros. E para que as compras cheguem comodamente a casa de quem as encomenda, há todo um processo de entrega, que passa claro está pelas cargas e descargas por parte de quem faz chegar todos os sacos, nem que para isso tenha de esquecer que há mais utentes na via.

E quando assim é, poder-se-á dizer que se trata de uma interrupção à distância de um click. O destino da minha viagem era Martim Moniz, mas o senhor do Continente On-line, decidiu deixar a carrinha, não só em cima do passeio, como também a impedir a passagem do 28E, no Largo de Santa Luzia. Um estacionamento que teria dado pano para mangas, até porque dificilmente o reboque da PSP iria solucionar o problema. Valeu portanto a linha de apoio do Continente, por irónico que possa parecer. 
Foi através desta linha que a Carris conseguiu desbloquear a interrupção passados 25 minutos, porque o motorista da carrinha em questão estava com um colega a fazer uma entrega no Campo de Santa Clara, onde às Terças e Sábados se realiza a Feira da Ladra. Mas enquanto o senhor do Continente não chegou, lá teria de haver - como sempre há - alguém a tirar medidas, para se certificar se de facto o eléctrico passava ou se seria má vontade do guarda-freio, porque na verdade para o povo... «o eléctrico até passa!»

E embora a foto prove que de facto o eléctrico não passava, ainda antes da paragem, não poderia deixar de aparecer, uma jovem, que ao jeito do anuncio da verdadeira popota, me pede insistentemente para entrar, mesmo vendo que o eléctrico não ia prosseguir viagem tão de pressa. Foi necessário fazer quase um desenho, porque para aquela jovem, o eléctrico estava ali de propósito à sua espera, e como tal fez mesmo questão de entrar.

Mas se hoje andou a Carris à procura do senhor do Continente, já ontem, alguém andava à procura de uma senhora e pediu ajuda à Carris. O dia estava confuso e não admira que no meio de tanta gente, alguém se perca, com a euforia de andar no eléctrico amarelo. Pior mesmo é quando, quem se perde, é uma pessoa idosa com doença de Alzheimer. O resultado é uma preocupação generalizada da família, que acaba por solicitar ajuda à Carris, que através da consola tentou localizar a senhora idosa. Resta saber se com ou sem êxito, porque no meu eléctrico não se encontrava.

Seguem-se agora as merecidas folgas, porque quarta-feira há mais! Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Diário do Tripulante dá as boas vindas ao mês do Natal

O "Diário do Tripulante", entrou hoje na época de Natal com o logótipo alusivo à quadra que se avizinha e que dará as boas-vindas a quem aqui chegar até 6 de Janeiro de 2012. Mas quem também está de volta é o projecto «Carris Presente» e com ele... 

O Pai Natal da Carris está de volta às ruas de Lisboa. Uma vez mais troca as renas e os trenós pelos tradicionais eléctricos e começa a espalhar alegria e sorrisos pelas crianças que não dispensam o passeio que se realiza entre a Estação de Santo Amaro e a Praça da Figueira, já a partir desta sexta-feira. Decorados propositadamente para o efeito, os dois eléctricos são conduzidos por guarda-freios que, também eles se vestem a rigor ajudando ao êxito desta iniciativa que a Carris leva pelo 30º ano.

É a magia do Natal de volta às ruas de Lisboa. Os circuitos do Eléctrico de Natal começam às 9 da manhã e incluem uma visita ao Museu Carris e os parceiros envolvidos “garantem a animação natalícia e a viagem, na qual as diferentes escolas da capital se podem inscrever gratuitamente”. Nos sábados, nomeadamente, 3, 10 e 17 de Dezembro, a viagem “está reservada para o público em geral”, com partidas marcadas para as 10 e as 11 horas na Praça da Figueira, e limitadas aos lugares disponíveis. Traga as suas crianças para um passeio inesquecível integrando uma visita ao Museu da Carris.

Para mais informações e para reservar lugar contacte as relações públicas através dos contactos disponíveis no site da Carris.

Translate