domingo, 30 de outubro de 2011

Elevadores de Lisboa... no canal História

Classificados como monumentos nacionais, os elevadores de Lisboa continuam a ajudar a vencer as subidas íngremes das colinas lisboetas e ser alvo dos turistas que não deixam de os usar a cada visita que fazem à cidade. Esta semana fui surpreendido pelo Canal História, com um documentário muito bem produzido sobre os referidos elevadores. Da glória à Bica, não esquecendo o Lavra e o de Santa Justa, conduzidos por guarda-freios em ligações, que em alguns não chegam a atingir um minuto, eles foram o alvo principal dos comentários de ilustres como Carlos do Carmo, entre outros.

Um Documentário realizado pela Sete Sentidos para o Canal História. Uma viagem pelos elevadores que sobreviveram ao tempo e que ainda hoje circulam pelas artérias mais características de Lisboa. Lavra, Glória, Bica e Santa Justa são portanto os pontos de paragem deste novo documentário. Um trabalho que revela a história e os segredos destes elementos marcantes da cultura e do turismo de Lisboa. Para ver, basta estar atento à grelha da programação do Canal História.

Como não está disponível na internet, aqui vos deixo a apresentação:

sábado, 29 de outubro de 2011

Nunca senti tanta falta de umas barbatanas como hoje na 28E

Antes da Páscoa ainda virá o Natal, mas pela quantidade de passageiros que hoje procuraram o eléctrico 28, hoje bem que se podia dizer que estava pior que por altura da Páscoa. Ora carregado de gente para os Prazeres, ora para o Martim Moniz, o que todos queriam era mesmo andar no 28 nem que para isso fosse preciso esperar que chegasse um eléctrico que pudesse parar para fazer entrar passageiros, missão difícil, sobretudo entre a Estrela e o Castelo.

Parecia mesmo que a tempestade que varreu o país recentemente, fez descarregar todos os turistas em redor da baixa lisboeta. As filas nas paragens chegavam mesmo a atravessar a rua, como aconteceu no Martim Moniz e na Praça Luís de Camões. Já o interior do eléctrico, o ruído provocado pelas inúmeras troca de opiniões, conversas e reclamações quanto ao tempo de espera, mais parecia ser um galinheiro repleto de galinhas onde todos tentavam fazer-se ouvir. 

"-Feira da Ladra!! Free Market!", grito na esperança que o eléctrico se esvazie. Tal não acontece, mas ajuda a ganhar espaço para levar mais turistas em busca da alucinante viagem que tanto leram nos guias turísticos. Aos poucos ia prosseguindo a viagem porque a cada paragem efectuada eram mais de 5 minutos parado porque por muito que vejam que o eléctrico excedeu a capacidade, tentam sempre forçar mais um bocado.
O dia parecia não ter fim, e assim seria se não tivesse rebentado uma conduta de água na Estrela. Ia com destino ao Largo do Camões quando de repente vejo pedras por todo o lado e água em quantidades que só tinha mesmo visto na televisão, a quando das diversas cheias. A linha deixou de estar visível devido à terra, água e pedras.

Sem condições de segurança para prosseguir viagem, não houve outro remédio se não parar os eléctricos e aguardar que o problema fosse resolvido e a linha limpa. Foram cerca de duas horas parado na Estrela perante um cenário que provava bem a força da água.

Aos olhos de todos, ou quase todos, a Calçada da Estrela virou cascata e nem assim fez com que surgissem os chamados "engenheiros das obras feitas". Passageiro habitual das carreiras 25 e 28, lá surgiu perante o cenário que era visível, para chatear claro está, o Rafael Santos. Gostava ainda de saber se tenho algo inscrito na testa para que estes artistas venham sempre ter comigo. Dizia-me então: «Isto é incrível. Há anos que ando de eléctrico, já choveu muito mais água que esta que aqui está e os eléctricos nunca pararam por causa da água!»

Primeiro deixei-o falar, desabafar, o quer que seja. Mas caí uma vez mais na asneira de querer ser simpático e explicar-lhe o porquê dos eléctricos estarem parados. Disse-lhe então que "além da linha estar cheia de terra e de em alguns casos não ser sequer visível, correndo-se o risco de descarrilar graças às pedras que saltaram com o rebentamento da conduta, ainda se podia dar o caso dos eléctricos ficarem isolados por não fechar o circuito", no que diz respeito ao contacto das rodas com o carril.

Mas a resposta do senhor não poderia ser melhor. Diria mesmo que foi a melhor para o poder classificar como «engenheiro das obras feitas». Responde-me ele então que: "Isso não faz sentido nenhuma amigo, porque a electricidade vem de cima. Está a querer dar-me música?... Nunca vi em tantos anos uma coisa assim. É incrível..."
Nada mais poderia acrescentar, pelo que decidi terminar ali a minha tentativa de ser simpático com alguém que não foi certamente nem minimamente simpático, logo pelo simples facto de não ter dito 'boa noite' e por estar a presenciar toda aquela situação em que só se conseguia atravessar a rua de galochas, provando-me uma vez mais que a única missão dele era desconversar e chatear o guarda-freio. E logo tinha de me sair na rifa a mim.
Condescendentes e compreensivos foram os turistas que mesmo tendo comprado bilhete na paragem imediatamente antes da interrupção, compreenderam tudo o que se estava a passar. 

E assim foi um sábado em tudo diferente e em tudo igual na carreira 28E.
 

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Madrugada alucinante na 28E para fechar a semana.

"A caminho do M.Moniz cruzei-me com a 36M - C.Sodré (Via P.Chile)"
4H40 - Segunda-Feira - 24 de Outubro de 2011

O despertador toca, estrategicamente colocado longe da cama para me obrigar a levantar porque na verdade não estou habituado a estes horários, pelos quais tantos colegas "lutam". Serviço de madrugada na carreira 28E. Confesso que normalmente não me custa sair da cama. Custa sim, enfrentar o frio quando saio para a rua quase à mesma hora que o padeiro. É em serviços como o desta segunda-feira que volto a lembrar das noites que trabalhei quando ainda estava atrás das câmaras de televisão ou dos primeiros dias de Carris naquele que foi para mim o ano da grande mudança - 2007.

Mas teorias à parte, o frio até não era muito. Lisboa estava como a roupa, quando sai da máquina de lavar. Molhada e amarrotada, do temporal que derrubou árvores e provocou cheias. Não queria sequer pensar como estariam os carris que iria ter de percorrer nas primeiras horas de trabalho. É sempre assim nas primeiras chuvas. A gordura, as folhas das árvores e a água criam uma espécie de pasta que faz o eléctrico patinar como se de uma pista de gelo se tratasse.

Toca de meter areia no carril para vencer a subida da Calçada da Estrela, ou a Domingos Sequeira. A primeira viagem faz-se como se diz na gíria, a "apalpar terreno" e um pouco com o coração nas mãos, e com pouca gente para poder partilhar esta adrenalina, porque para muitos ainda o despertador não tinha tocado. 

Manhã cedo, longe da confusão, o encontro de irmãos na 28E
Mas se o contra destes serviços é acordar cedo, a seu favor têm o facto das horas passarem mais rápido porque sabe sempre bem ouvir um «Bom dia sr.guarda-freio» e ver o nascer do sol, do Largo das Portas do Sol, com o casario de Alfama a testemunhar tamanha satisfação, ao som do chiar das rodas nos carris. Num instante são quase 8h00. Parece que se abrem portas ao mundo. Vê-se a cada minuto mais pessoas, a caminho do trabalho, da escola, de casa, para onde quer que seja. 

E nessas pessoas lá aparece alguém que nos mostra como estar pronto para uma discussão logo ao amanhecer. O pano de fundo foi a paragem do Chiado com destino aos Prazeres e perante um eléctrico quase vazio, uma senhora não perdoou a sua vez e ao ver uma jovem a alçar a perna para entrar para o eléctrico, dá-lhe um encontrão e diz: «Pxxééé, Pxéééé, calminha que eu já cá estava!!! E a tua colega viu bem que eu já cá estava quando chegaram! Respeitinho é bonito!»

«Olha!!! Que abusada...», responde de imediato a jovem de nacionalidade brasileira e que tinha pela frente mais um dia de escola. Começava então uma discussão acesa que só acalmou graças à ,presença de um agente da Polícia Municipal que se transportava no eléctrico...

«Abusada és tu! Não sei que andas a fazer a na escola. Não tens educação!», argumentava a senhora.
«Cala-te sua velha jarreta!», provocava a jovem.
«Olha que não tás a falar com a tua mãe!», avisava a senhora perante um eléctrico quase todo ele a pensar o mesmo que eu..."Como é possível esta gente ter tanta energia logo a estas horas!"
«Vai.. Vai... Arranjar um homem!», desabafava a jovem, fazendo com que a senhora em questão se levantasse em sua direcção e de dedo indicador apontado lhe perguntasse três vezes: «Quem é que vai arranjar um homem? Quem é? Cuidadinho comigo!!!»

Ânimos mais calmos, até porque afinal a senhora também queria ser a primeira a entrar para sair logo duas paragens após o Chiado, lá se ficou a discussão apenas pelas palavras,  perante a estranheza de um casal turista e um olhar repugnante dos restantes passageiros.

Serão estes, efeitos da crise que o país atravessa e das medidas de austeridade apresentadas?
15H53 - Segunda-Feira - 24 de Outubro de 2011

O dia de trabalho chega finalmente ao fim, e por esta hora custa cada vez mais manter os olhos abertos, mas não adianta dormir porque ainda há coisas a fazer aproveitando o resto da tarde que terminou em C.Ruivo com o início da segunda semana de formação para obtenção do CAP. E tudo isto num dia, que como disse anteriormente, deixou Lisboa amarrotada depois do temporal que se fez sentir durante a noite, chegando a provocar danos num dos poucos eléctricos que resistem, com a queda de uma árvore, como pode ser constatado na reportagem da SIC Notícias:



Agora é desfrutar das folgas, porque o regresso ao trabalho, está agendado para quinta-feira, numa carreira perto de si.

domingo, 23 de outubro de 2011

"Elas não matam, mas moém..."

Se há semanas em que o cansaço nos vence esta é sem dúvida uma dessas semanas. Marcada pelo regresso às madrugadas para poder frequentar o curso de Transporte Colectivo de Crianças, no qual decidi inscrever-me, através da CarrisTur, e pelo regresso aos serões, como foi o caso deste sábado, na tão conhecida entre os guarda-freios, "altura 122". Resumindo: O descanso tem sido mínimo para que os resultados sejam máximos, digamos assim.

Cada vez me convenço mais que as madrugadas é dos melhores serviços que podem haver por passar rápido o dia, mas também fico cada vez mais esclarecido que para mim, não é nem de longe nem de perto a minha preferência. A noite para mim é mesmo para dormir. 

Semana marcada por manifestações contra o OE2012, que prevê o fim da Carris com a sua junção ao Metro, terminando assim uma marca com 139 anos de vida, o que me deixa profundamente triste, e que muito provavelmente deixará contente alguns dos "papagaios" que têm surgido nos últimos tempos nas televisões, querendo passar a mensagem de que os tripulantes da Carris é que são parte da dívida que o país acarreta.

Apanhei portanto ao longo da semana algumas dessas manifestações, o que causou alguns embaraços na prestação do serviço, ao contrário do dia de hoje em que regressei aos serões, na carreira 28E. No total... 8h15 de serviço com 1h32 de pausa para jantar, que na verdade foi só 1h00 devido a uma interrupção causada por uma ambulância do INEM.

Mas para certos "papagaios", os tripulantes da carris só trabalham 4 horas por dia...
 
Mas o dia não se ficaria sem mais uma interrupção e como não podia deixar de ser, tinha de acontecer na última viagem para o Martim Moniz, ou seja, naquela em que se deseja que nada aconteça para se proceder à recolha e ao merecido regresso a casa.
Contudo nem sempre é assim e hoje foi uma carrinha Skoda que impediu a passagem do eléctrico na Rua de São Tomé. 35 minutos à espera da Policia, que acabou por não aparecer antes da chegada do proprietário que se livrou assim de uma pesada multa, não só por impedir a passagem do eléctrico como dos peões, já que estava em cima da passadeira.
 
Pelo meio, ainda me calhou na rifa um daqueles indivíduos que se confundem com esponjas e que quando abrem a boca, quase alcoolizam quem os escuta. Só dizia: «Vais p'ós comandos que isto passa, mas de vagarinho. vai lá, vá...»
 
Como se eu tivesse vontade de ficar parado na última viagem antes da recolha. É caso para dizer que "Elas não matam, mas moém..." 

terça-feira, 18 de outubro de 2011

[Off Topic] : Imagens de uma cidade - Lisboa

E porque às vezes também é bom ser turista, ainda que da própria cidade...
Basílica da Estrela - Carreira 25E


Largo do Chiado - Carreira 28E

Descubra a cidade a bordo dos «amarelos» da Carris. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

«Um dia estaciono à grande e impeço a passagem do eléctrico. Hoje é o dia!»

Há já alguns dias que não tinha interrupções durante o serviço, facto que já me tinha causado alguma estranheza. Mas depois de tantas medidas de austeridade apresentadas pelo actual governo, seja por ordem da Troika, seja por iniciativa própria, pensei que as pessoas estivessem a andar menos de automóvel, facto que até seria possível, dado que os transportes têm andado mais cheios, ou que estivessem a estacionar melhor os seus veículos, com receio da pesada multa, que por muito leve que possa ser, nos dias que correm começa a fazer moça em qualquer orçamento familiar.
Estas foram à partida as suposições que fiz, porque não me queria parecer que houvesse mais respeito pelo transporte público. E engana-se o leitor, que por esta altura já está a pensar que sou demasiado pessimista. Porque na verdade, bastou um regresso à carreira 25E, carreira esta perita em interrupções, nomeadamente na Rua de São Paulo.

Ora foi precisamente nesta rua, em frente ao número 136, que esta tarde fiquei parado, porque a artista em questão decidiu fazer um estacionamento digno de dar origem a uma daquelas frases dos pacotes de açúcar. Terá ou não pensado a senhora em questão na frase... «Um dia estaciono à grande e impeço a passagem do eléctrico. Hoje é o dia!»

Na verdade a campainha do eléctrico ainda tocou durante algum tempo, mas como ninguém apareceu, informei a central de comando de tráfego, que ainda me questionou se  a proprietária não estaria no Mini Preço. Há dias que de facto tudo nos acontece. Como se já não bastassem os passageiros a perguntar pelas pastelarias, drogarias e farmácias, agora também tinha de adivinhar onde estava a senhora do carro mal estacionado. Só me leva a crer que o colega nem sequer pensou no que me perguntou, e por isso mesmo desculpei.

Mas a superar tudo isto já relatado, surge a pergunta do dia. E por quem?, pergunta o leitor do "Diário do Tripulante". Pela proprietária do referido automóvel que impedia a passagem do eléctrico, que apareceu 20 minutos depois. «Desculpe, mas não anda por causa de mim?»

Confesso que num primeiro instante só me apeteceu nem lhe responder, mas lá lhe fiz ver que embora se diga por ai que trabalhamos pouco e recebemos muito, era óbvio que o eléctrico não circulava não por ela, mas pela viatura dela. «Ai, peço imensa desculpa. tem toda a razão...»

Palavras para quê?! 25E no seu melhor...


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Interrupção 5 de Outubro: Comemorações dos 101 anos da República

Hoje não foi o chamado estacionamento "chico-espertice" a interromper a circulação dos eléctricos. O motivo do corte matinal na carreira 15E e no circuito turístico da CarrisTur , onde estive escalado esta quarta-feira, deveu-se às comemorações dos 101 anos da Implantação da República Portuguesa, a terem lugar como é habitual, na Praça do Município. Estas comemorações provocaram igualmente alguns desvios em algumas das carreiras de autocarros da Carris.

Ora, tratando-se de uma das praças por onde passa o circuito das colinas e não tendo hipóteses de desvios, não tivemos outra alternativa se não aguardar o encerramento das comemorações, o que pela primeira vez, uma interrupção tornou-se em algo interessante, não só pelo conjunto de carros de alta cilindrada e até mesmo gabarito que vi passar, mas também pelo desfecho com a passagem na Praça do Comércio do desfile da GNR, que actuou em plena Praça para encanto dos muitos turistas que por ali aguardavam a normal reposição dos transportes públicos e turísticos para darem inicio à sua descoberta pela cidade das sete colinas.

E como não podia deixar de ser aqui partilho agora, com os leitores do blogue este momento do encerramento das comemorações dos 101 anos da República Portuguesa.


Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.


segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Não pense só no seu umbigo!

Em 2010 «...verificou-se um aumento do número de quilómetros perdidos por engarrafamentos, em particular, na Rede de Eléctricos, que registou um agravamento de 40%. Na Rede de Autocarros, o valor foi idêntico ao do ano anterior».

Na próxima vez que estacionar o seu veículo, não pense só no seu umbigo e lembre-se que há quem use o transporte público.


Fonte: Relatório de Sustentabilidade 2010 Carris.

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