A Carris tem sido tema de capas de jornais nos últimos tempos. Fala-se de privatizações, prejuízos, por vezes de acidentes e até de aumentos. Mas pior do que se falar no nome da empresa que recentemente completou 139 anos de existência, é a não comprovação de factos e por consequência, a publicação de artigos que acabam por juntar uma série de falsidades num conjunto de parágrafos.
Num país do “bota-abaixo” o que importa é realçar os pontos negativos porque são esses que fazem manchetes e são esses que fazem vender jornais. A classe trabalhadora acaba por ser a mais visada, sendo os tripulantes o alvo principal dos artigos até então publicados. Primeiro surgiram nas capas dos jornais e nas rádios, a 5 de Maio de 2011, as declarações de Eduardo Catroga que, afirmava que «os senhores maquinistas da CP trabalham quatro horas por dia (tempo de trabalho efectivo), o senhores motoristas da Carris quatro horas por dia. Há convenções colectivas do tempo do PREC, negociadas no séc. XX e que agora se têm de adaptar às necessidades do séc. XXI», adiantou.
Surgiam mais tarde, notícias da frota administrativa da Carris e mais recentemente, em Julho, o Correio da Manhã publicava a notícia de que um autocarro da Carris tinha ardido sem causar vítimas. Escreveu o referido jornal que «Um autocarro de passageiros da Carris incendiou-se, neste domingo à tarde, na zona de Santa Apolónia, em Lisboa, não havendo registo de feridos, adiantou fonte dos Sapadores Bombeiros.» Na verdade o autocarro não era da Carris mas sim da Gray Line – Grupo Barraqueiro.
Mas que grande barraca senhores jornalistas! Veio depois a troika e as suas medidas de austeridade. Aumentaram-se as tarifas que não foram tendo as devidas actualizações ao longo dos anos e uma vez mais os títulos diziam que a «Carris aumenta tarifas», e muitos esqueceram-se de referir que foi uma das imposições do acordo com a troika.
Entre muitas outras notícias que têm vindo a público, poucas ou nenhumas têm sido para referir o que de bom tem sido feito nestes últimos anos, como prova o relatório de contas de 2010, que caso os senhores jornalistas não saibam ainda, encontra-se disponível na internet através do link no site da Carris(http://www.carris.pt/fotos/editor2/relatorio_contas_carris_2010_reduzido_ptg.pdf).
Se gostam tanto os senhores jornalistas escreverem o nome da empresa que nós tripulantes representamos, pois já nós tripulantes, gostaríamos mais de verem ser publicadas notícias com aquilo que de bom tem sido feito. E como tal creio que o melhor mesmo é explicar a estes senhores o que por vezes é esquecido de referir.
E nesse sentido, aproveito um excerto de um comentário do colega Pedro Macedo que de forma breve e clara, aponta alguns dos pontos essenciais, num dos seus comentários ao artigo que hoje o diário “I” noticiou (http://www.ionline.pt/portugal/empresas-publicas-se-buraco-gigante-regalias-tambem ), dando conta que, se nas empresas públicas como a Carris, «o buraco é gigante, as regalias também», falando de barbearias já desactivadas, assim como subsídios de valores a rondar os 230 euros que em 5 anos de Carris nunca os vi no meu recibo de vencimento.
Fica então uma breve chamada de atenção por parte de Pedro Macedo, tripulante na Carris... «As barbearias estão fechadas! Barbeiro é uma profissão que já foi extinta na Carris.Para os complementos de reforma, os trabalhadores no activo descontam mensalmente uma pequena parte do seu próprio salário, tal como fizeram desde sempre os que hoje recebem esse complemento. Os passes gratuitos são verdade para cônjuges e descendentes (estes últimos, desde que estudem!). Mas fará isso muita diferença, quando mais de 75% dos colaboradores vivem e fazem a sua vida fora de Lisboa? ou seja, mal utilizam a Carris!fará isso muita diferença quando a ocupação média de um veículo da Carris é inferior a 25%?», acrescentando que tais notícias não falam da «velocidade comercial penalizada por medidas anti-transporte público por parte da CML, não fala da fraude, não fala dos apedrejamentos e actos de vandalismo a que a empresa está sujeita, não fala dos organismos estatais e ministérios que utilizam gratuitamente os TP, só dos colaboradores! Parabéns... Agora que descobrimos os malfeitores vai acabar o défice e a crise!»
Convém também alertar os senhores jornalistas que «30 dias de férias todos têm, mesmo os que não trabalham na Carris. É que os 30 dias de férias englobam também as folgas semanais, logo se um trabalhador tirar 14 dias de férias, apenas 12 são realmente férias, porque os outros dois são folgas! Fique também a saber, que alguns dos horários da Carris, já contemplam o chamado banco de horas, com 8h50 de serviço numa semana e 7h10 noutra semana, ou seja uma média de 8h diárias. no fundo, é fazer uma hora extra, sem a receber! E não é por causa disso, que vê greves na Carris...»
Esperando que agora fiquem mais esclarecidos, resta-me apenas exigir, em nome de todos os tripulantes, maior profissionalismo e veracidade na publicação de notícias, para que diariamente quando abrir a porta, seja ela do eléctrico ou do autocarro, não tenha de ouvir que «aumentam os bilhetes para depois terem barbeiros e subsídios», bem ao jeito do passageiro que gosta de aproveitar para lembrar que só trabalhamos 4 horas, quando na verdade temos dias em que trabalhamos 8h59, não pegando depois da hora marcada, nem nos ausentando para beber um café ou trocar um dedo de conversa com a secretária do lado, tendo que juntar a tudo isto, o contacto com o público, o trânsito e os horários a cumprir sempre que possível.
Chega de calúnias e mentiras! Sejam profissionais... Nós agradecemos e os vossos leitores também.




















