quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Especial 110 anos dos eléctricos em Lisboa


Fundada em 1872 no Brasil, a Carris – Companhia de Carris de Ferro de Lisboa, trouxe para a capital portuguesa no ano seguinte, o transporte «americano» com carros puxados por animais, que vieram assim substituir as carroças até então muito utilizadas. A primeira linha foi entre a Estação da linha Férrea Norte e Leste (Stª. Apolónia) e o então extremo Oeste do Aterro da Boa Vista (Santos).

Os alfacinhas acotovelavam-se para ver aqueles «32 carros elegantes, sólidos, de boa construção», que prometiam alívios a muitos pés e rapidez nas deslocações. E se o sucesso foi enorme, logo no primeiro domingo de serviço, com 6000 passageiros transportados em 7 carros, maior seria o sucesso dos eléctricos que vieram substituir «os americanos» a 31 de Agosto de 1901.

No princípio foi o susto, mas depressa os lisboetas acalmaram. Renderam-se aos encantos práticos dos amarelos que entraram assim na história da cidade, que viria a crescer em redor das novas linhas de eléctricos.

Dia e noite, os operários trabalharam nas ruas da cidade, abrindo valas, desviando canalizações e instalando carris, abrindo assim caminho a uma nova era do transporte público em Lisboa, com a chegada dos eléctricos que já tinham chegado ás instalações da Carris em Junho. Ao todo eram 80 carros abertos, com uma lotação de 36 passageiros sentados e 5 de pé, e de 75 carros fechados,que levavam 24 passageiros sentados e 14 de pé.

“Os guarda-freios, de fato azul-escuro, calças com lista vermelha e galões dourados no boné de pala direita, e os condutores aperaltados com uniforme idêntico, mas com listas douradas nas calças e galões prateados no chapéu, estavam prontos para levarem os eléctricos no seu primeiro passeio oficial. Às 6 da manhã do dia 31 de Agosto de 1901 foi inaugurado o serviço de eléctricos, na linha entre o Cais do Sodré e Algés. Ao longo do caminho, juntou-se gente para admirar os carros, comentar as modernices do letreiro luminoso que indicava o destino do veículo, o fender, designado como salva-vidas na versão portuguesa, encurvado na dianteira do eléctrico como protecção contra atropelamentos, a campainha estridente que avisava os distraídos para se afastarem do meio da rua.”, lê-se no livro «Aventuras sobre Carris».

Rapidamente foram esquecidos os americanos e os medos respeitantes aos choques eléctricos que dizia-se que estes iam causar, mas ainda assim havia quem “aconselhasse a formação de uma Associação dos Fluminados dos Carros Eléctricos, não fosse o Diabo tecê-las...”

Mas a frota da Carris foi crescendo à semelhança das carreiras e com o passar dos anos já ninguém dispensava os eléctricos que em 1910 tinham já uma extensão de 114 Kms. Vinte anos mais tarde foram atingidos os 147 Kms, mas actualmente são apenas 48Kms divididos pelas 5 carreiras actuais. Muitos foram os modelos que compuseram a frota ao longo dos anos e muitos foram também as alcunhas que os eléctricos foram tendo. Do «São luís» aos «Caixotes», não esquecendo o «Afonso Costa» ou os «Almaranjas», eles foram os antecessores dos actuais «Remodelados» e «Articulados» que efectuam o serviço público regular de passageiros 110 anos depois da inauguração da tracção eléctrica em Lisboa. Hoje os eléctricos “lutam” tenazmente pela sua sobrevivência!

E se na época poucos foram os que ficaram indiferentes ao aparecimento dos eléctricos, hoje ainda muitos são os que dão preferência  a este transporte típico da cidade de Lisboa, mesmo que hajam carreiras de autocarros sobrepostas nos percursos dos carris. Hoje como há 110 anos, os eléctricos fazem parte do quotidiano da capital portuguesa e é o delírio para muitos dos turistas que nos visitam. A importância desta data, não deixou também indiferente o site do Google em Português que hoje dedica um logótipo exclusivo que assinala o início da tracção eléctrica em Lisboa com a primeira carreira entre o Cais do Sodré e Algés.

[n.d.r.]: Imagens de arquivo, obtidas na internet.

4 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns por um excelente blog. Por aqui http://pam-patrimonioartesemuseus.com/forum/topics/no-110o-aniversario-da-inauguracao-da-primeira-linha-de-carros-el também celebramos os 110 anos. Gostaria de ter a sua permissão para juntar um link para o seu Blog.

Cordialmente,

J.Pedro Henriques

ZéBonéOaparvalhado disse...

Li por acaso a mensagem que deixas-te num blog de referência sobre a nossa querida Lisboa do meu nascimento...dizes outra coisa para mim deveras importante...És Benfiquista, e pertences-te a um blog de Benfiquista...ando na Blogesfera na defesa do nosso clube.

Saudações Olissiponenses e Benfiquistas

Andre Bravo Ferreira disse...

É pena restarem tão poucos. Parabéns pelos 110 anos.

Abraço.

Higor Fabrício de Oliveira disse...

Olá Rafael, acho que seria o caso de parabenizá-los a todos da Carris pela manutenção dos históricos bondes de Lisboa... E isso justamente quando o nosso famoso bonde de Santa Tereza no Rio de Janeiro descarrilou catastroficamente matando quatro passageiros por falta de manutenção! Veja se tem cabimento? Quando vejo os vossos "electricos" fico contente pela boa conservação e sobrevivência!
Abraços e até logo mais quando eu voltar à Lisboa, creio que logo!

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