domingo, 29 de maio de 2011

No 28E: «Queria um bilhete p'ra Guimarães s.f.f...»

Ao longo destes anos ao serviço na Carris, já me perguntaram de tudo e mais alguma coisa, desde farmácias, ruas e cafés, não esquecendo das papelarias e retrosarias. Já me pediram igualmente bilhetes para vários locais, desde o Aeroporto, Gare do Oriente, Castelo de São Jorge e até o de "São Jerónimo"... Mas hoje pediram-me um bilhete para Guimarães! Confesso que não sabia se havia de rir ou chorar. Não sabia se a pessoa estava a brincar ou a falar a sério, mas ainda assim decidi tirar as dúvidas... "Quer 1 bilhete para Guimarães?"

Ao que a senhora, oriunda de um dos países africanos me responde que queria mesmo «um bilheti p'ra Guimarães...», e desta feita até tinha sido bastante explícita, pelo que optei por lhe explicar que, ou estaria a fazer confusão, ou se queria mesmo ir para Guimarães teria de ser de Autocarro ou Comboio e não de eléctrico. E para meu espanto ela diz-me «mas disseram-me que apanhava aqui 28 p'ra Guimarães!»

E eu já sem controlar o riso, lá lhe disse que então, tinham estado na brincadeira com ela, porque tal facto era impossível. «Mas não passa em Intendente?» Passar passa, mas daí até Guimarães ainda faltam uns quilómetros, pensei eu. Até que ainda sem recorrer ao intérprete lá percebi que afinal ela queria mesmo era ir até à paragem da Almirante Reis que fica junto à loja do Calçado Guimarães, mas quando soube que o preço do bilhete era 2.50€, optou por ir a pé fazendo-me lembrar o slogan da respectiva loja... "A diferença no andar, e no gastar!"

E como se não bastasse, num dia como este cheio de gente em todas as paragens, ainda tive de ficar parado em Santa Luzia porque um dos artistas do volante decidiu deixar o carro com a traseira a impedir a passagem do eléctrico. O automobilista deve ter ido ver as vistas do Castelo e na volta terá certamente visto outras vistas quando chegou e não viu lá o seu carro que foi rebocado pela PSP.  

Venha mas é a folga que bem preciso!!!!



 

sexta-feira, 27 de maio de 2011

«ohh lá lá... le Sable!»... dans le Service Occasionnel

Hoje dedico a página deste post aos serviços ocasionais, mais conhecidos como "alugueres", e que tanta revolta deixam nos passageiros que anseiam a chegada do eléctrico nas paragens por onde vai passando o eléctrico com a inscrição na bandeira "Aluguer", ou "Reservado - Serviço Ocasional". Com partida habitual da Estrela, estes serviços alugados por particulares ou agências turísticas, acabam por dar a conhecer a quem vem de fora e com a comodidade de um lugar sentado, a beleza arquitectónica de Lisboa, aliando monumentos, igrejas, ruas e ruelas, cheiros e uma luminosidade que só Lisboa tem.

Seleccionado como uma das mil experiências de viagem mais importantes do mundo, já não se estranha, que o percurso mais desejado seja o do famoso eléctrico 28 que ao longo do seu trajecto vai espreitando zonas nobres e bairros históricos, e por vezes ao som do fado vadio que sai da «Tasca do Jaime» ali na Rua da graça, ou do cheiro a Sardinha assada do «carvoeiro», na Calçada de São Vicente.

Por vezes acompanhados do tradicional Pastel de Belém e vinho do Porto, servido por simpáticas senhoras envergando o tradicional traje minhoto, o serviço decorre habitualmente com a presença do guia que ao longo do trajecto vai referindo os principais pontos de interesse como a casa do Primeiro Ministro que está ligada ao Parlamento através de um jardim - the Prime Minister's house that is linked to the Parliament through a garden - ou o Ascensor da Bica que ajuda a vencer a inclinada subida da colina - Bica Funicolare per aiutarvi a superare la ripida salita della collina - não esquecendo claro está, a estátua de Camões, um grande poeta e autor de obras como Os Lusíadas - la statue de Camões, le grand poète et auteur d'œuvre littéraire tel que Os Lusiadas - entre outras coisas mais.

Os  «Alugueres» dão-nos também a vantagem de aprendermos um pouco mais de estrangeirismos, digamos assim. Através dos guias - uns mais simpáticos que outros, como aliás acontece com todas as profissões - conseguimos captar novos termos para determinadas coisas que não só dizem respeito à cidade em si como ao próprio eléctrico, no caso dos guias que fazem questão de explicar como funciona o eléctrico - strassenbahn, tramway, tram, tranvia, etc... - desde o freio manual à manivela passando pela famosa Sable.  

Hoje o dia, foi dedicado ao francês, com um aluguer da parte da manhã da Estrela para o Martim Moniz e outro da parte da tarde, da Estrela para a Praça do Comércio, ambos via carreira 28E e ambos com turistas franceses. Uns em passeio, outros em deslocação empresarial, todos ouviram falar na Sable que é, nada mais nada menos, que a areia que ajuda a obter a aderência necessária entre os rodados e o carril, permitindo melhor travagem e melhor arranque, no caso de subidas mais íngremes. 

«Alors bienvenue au tramway de Lisbonne Votre conducteur - en portugais s'appele Guarda-Freio - s'appele Raphael, et nous guidera tout au long de l' emblématique 28...», estava dada as boas-vindas a bordo com autorização de seguida para a partida rumo à Praça do Comércio. Abrindo a caixa da areia sobre o primeiro banco do lado esquerdo do eléctrico e pegando em grãos de areia o guia que seguia a bordo do meu eléctrico explicava que a areia servia para ajudar na aderência do eléctrico aos carris, causando o espanto e admiração por todos os passageiros que em coro entoaram um caloroso «Ohh lá lá... le Sable!»

Da Sable à chave de agulhas foi só descer um degrau e explicar-lhes que servia para comandar as agulhas de direcção para seleccionar a via consoante o percurso. Com tanta pormenorização sobre o eléctrico, num instante chegámos ao topo da Calçada de São Francisco de onde se obtém uma vista fantástica sobre «le château São Jorge, que nous visiterons demain...», dizia o guia. 

Dali ao Castelo e desta feita, sem terem direito a pastel e vinho, foi rápido e num instante cruzávamos as ruas estreitas de Alfama onde se pode até cumprimentar directamente do eléctrico, quem esteja à janela. O fumo no virar da esquina anuncia o cheiro a sardinha assada e é-lhes explicado que o Santo das Festas de Lisboa é Santo António, e que na noite de 12 para 13 de Junho as ruas enchem-se de gente para os tradicionais arraiais populares. Passamos entretanto a fachada do mosteiro de São Vicente de Fora - o padroeiro da cidade -  e subindo a Voz do Operário, atingimos a outra colina da cidade, a Graça.

O trânsito de uma sexta-feira, fazia-se também sentir na Rua da Graça e em slow motion lá íamos cruzando as lojas do comércio tradicional que ainda vão resistindo neste bairro de Lisboa, com o guia de serviço a desafiar-me para cantar o fado, dizendo em voz alta que «notre conductor me dit qu'il va chanter un peu du fado, desafio este não superado como é óbvio, apesar do «Brravoooo» que se ouvia de alguém curioso por ouvir fado, mas não certamente com a minha voz. 

A animação estava portanto garantida com um grupo bem animado à semelhança do que apanhei no dia anterior e em contraste absoluto com outros que por vezes nos surgem. Sem efectuar-se paragens ou ouvir-se queixas sobre o preço do bilhete, um serviço ocasional acaba sempre por ser menos cansativo, que um serviço em carreira regular, mas há também guias que para gerirem o seu tempo, querem que façamos milagres como o de demorar 15 minutos da Rua da Conceição à Estrela, dando a volta na Graça... milagres estes que creio, nem em Fátima serem possíveis de se realizar.

Contudo, este é sem dúvida dos serviços que mais gosto de fazer, pelo contacto com novas línguas, culturas e claro está com uma recordação que ficará para sempre na memória de quem nos visita.  
 

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Será que este automobilista sabe o que são eléctricos?... Aqueles veículos que circulam sobre carris.

Mais uma viagem... mais uma interrupção. É assim em Lisboa, como em poucos lados. Pode parecer cómico, mas o indivíduo que teve a proeza de aqui deixar este automóvel a impedir a passagem do eléctrico, estranhou que ali tivessem já dois eléctricos a querer seguir viagem quando minutos antes tinha ultrapassado o primeiro eléctrico e inclusive um sinal encarnado.

Se isto não é uma república das bananas pouco faltará, até porque o tempo que ali tivemos parados - primeiro a tocar à campainha e depois à espera da polícia - era o suficiente para comer um bife como o que é apresentado no anúncio do eléctrico. E não era sequer necessário chegar ao Cais do Sodré porque a Av. Almirante Reis, tem por lá alguns restaurantes. Na duvida fiquei, se o automobilista autor desta proeza, terá mesmo ido almoçar ou comprar alguma das últimas novidades daqueles armazéns que decoram toda esta avenida antes de entrarmos na Rua da Palma que nos dá as boas vindas ao «mercado asiático».

A calma com que chegou perto da viatura contrastava com a fúria dos passageiros que resistiam  no interior do primeiro eléctrico, talvez tentados a ver o carro ser rebocado, ainda que sem êxito. Já no meu, nenhum tinha ficado. Apenas trazia um grupo de franceses que de imediato seguiram a pé até ao Martim Moniz, mas não sem antes fotografarem o insólito estacionamento, quando havia até espaço para se estacionarem dois carros, sem que se impedisse a passagem do eléctrico.
Ou será que o senhor automobilista que depois de ter chegado nem sequer pediu desculpa, saberá o que é um eléctrico?! Saberá ele o que significa uma luz vermelha no semáforo? Será que faria o mesmo junto da linha do comboio? Tanta pergunta que se pode colocar a um senhor que acabou por prejudicar a vida de tantos outros senhores e senhoras que optaram por se deslocar num transporte público, não empatando a vida a ninguém.

Por estas e por outras, resta-me desejar-lhe uma boa viagem a bordo dos veículos da CCFL.

 

domingo, 22 de maio de 2011

Crónica de um dia diferente e com recurso a métodos mais tradicionais

O sábado não podia ter começado da melhor forma. Um casal de turistas brasileiros, originários de São Paulo, diz-se fascinado pelos «bondinhos» de Lisboa. Era o segundo dia em Lisboa e fizeram questão de não perder a oportunidade de visitarem a Feira da Ladra, recorrendo ao eléctrico 28E que nestes dias de feira anda ainda mais cheio que nos restantes. Contudo começa já a ser difícil distinguir os dias de feira, dada a procura daquele que é considerado por muitos como a «montanha russa» da cidade.

Entraram na paragem de São Vicente, mas a lotação já quase completa impedia-os de seguir para a retaguarda, ficando ali na plataforma número um, observado em primeiro plano o "rasgar" pelas ruas de Alfama que já começam a transmitir um cheiro a sardinha assada ou a um refogado mais apurado anunciando que a folia da cidade está mesmo a chegar. «No Brasil, os bondinhos que Lisboa ofereceu para lá, continuam iguaisinhos. Menos sofisticados, mas foi criada uma linha para turistas e é muito engraçado», diziam-me acrescentando de seguida que «é com muita pena que não tenho aqui um dos chaveiros que fiz com o eléctrico. Não é como vocês chamam aqui? É que eu trabalho com metais e fiz uma série de Bondinhos com a réplica desse vosso modelo....»

A chegada ao Castelo, abriu espaço no corredor e lá seguiram para a retaguarda, dando lugar a outros turistas que aguardavam a chegada do eléctrico 28E onde cada vez mais se ouve falar mais outras línguas que não o português. A viagem terminava pouco mais tarde nos Prazeres, no preciso instante em que um autocarro de turismo largava 58 passageiros belgas que ali iam entrar na aventura que é percorrer a cidade numa das "casinhas amarelas", como algum dia alguém apelidou.

A guia informa-me à partida que todos tinham cartão "Sete Colinas" e que iam descer nas Portas do Sol. O carro ficou "Completo", o que só permitiu mesmo fazer uma paragem nas Portas do Sol, consequências de uma crise europeia que se arrasta a quem nos visita e que os leva a recorrer a uma carreira regular ao invés de alugarem um eléctrico para a referida deslocação. A guia - muito simpática - dizia-lhes que iam «embarcar dentro de uma "lata de sardinhas", e que eles eram as sardinhas, faltando apenas o azeite para a conserva.» A risota instalou-se e animada, seguiu a viagem até à paragem de onde se obtém uma vista magnífica sobre o então chamado Mar da Palha - o Tejo.

Mas se a manhã tinha corrido bem, já da parte da tarde uma avaria no eléctrico impossibilitou-me de realizar parte do serviço, tendo de recorrer à equipa de manutenção - sempre pronta a ajudar - que passado algum tempo detectou a avaria, de forma a que pudesse recolher à estação e com recurso aos métodos mais tradicionais do tradicional eléctrico de Lisboa. Sem compressor, o recurso ao freio manual fez-se entre o Largo do Camões e Santo Amaro, obrigando a pôr em prática o que havia sido estudado durante a formação que parece ter sido ontem mas que já foi há mais de um ano. O tempo passa...

E assim foi um dia em tudo diferente do habitual. Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL. 

[n.d.r.]: Foto gentilmente cedida por Bernardo Rafael

 

sexta-feira, 20 de maio de 2011

E se o transporte público fosse uma caderneta de cromos....

Quem anda de transporte público, arrisca-se por vezes a perder o passe, a mala ou a carteira (custa-me a crer nos tempos de crise como é que alguém perde a carteira), telemóveis, próteses dentárias, enfim, tudo e mais alguma coisa, que se por acaso ficasse esquecida no nosso carro, mais fácil seria encontrar. Contudo há sempre aqueles que não perdem mas ficam também sem o passe, a carteira entre outras coisas mais.

Mas quem anda de transporte público estará também já habituado a ver um pouco de tudo, e por vezes até,a  pensar que já viu de tudo. Mas cada dia que passa essa ideia passa a não fazer sentido, porque aparece o tal «velho do rádio» que talvez se tenha fartado da alcunha e agora ande com um banco ás costas, para no caso de ter de esperar pelo autocarro ou eléctrico numa das paragens sem banco. Ou porque alguém vem de fora com a bela da meia branca com a respectiva sandália  e porque não, alguém que sai do eléctrico com os sapatos presos ao cinto, para não correr mesmo o risco de sair de lá descalça?

Hoje quando vi, tal situação nem queria acreditar e não perdi tempo para registar tal artimanha de se prender os sapatos ao cinto, o que só me leva a crer ser mais uma estrangeirice de turista de pé descalço.

Na verdade se o transporte público fosse uma caderneta de cromos, teria daqueles cromos difíceis de sair e que dificultam o fim da colecção, e na 28E alguns andam  lá todos os dias como o que entra no Calhariz da Bica e talvez tenha o sonho de um dia ser guia turístico, ou o gago que entra no Martim Moniz e vai até Sapadores a querer dizer «Olhem que esta hein?...» mesmo sem haver motivo para tal.

Não esquecendo claro está da senhora da Lapa que diz sempre «Já lá mora», quando o validador dá luz verde ao seu título de transporte, ou dos turistas que avisamos que têm de sair na próxima paragem e ficam sentados como se nada se passasse e depois ainda perguntam, «é nesta que temos de sair?» Com muita dose de paciência e alguma memória lá se vai memorizando as paragens onde entram e onde saem habitualmente e para que lhe ajude a completar essa suposta caderneta aqui ficam dois dos cromos difíceis. O «velho do banco» e a senhora que não quer perder os sapatos por nada deste mundo.

Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL

quarta-feira, 18 de maio de 2011

«Desculpe mas eu estava primeiro!»

Depois de assistir a muitas «guerras» por causa do lugar na paragem ou pela cedência do lugar a inválidos, só me surge na memória um dos episódios daquele que considero um dos maiores comediantes de sempre, na pele de Mr.Bean. Como tal aqui vos deixo um momento de descontracção com «A paragem»...


Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL

sábado, 14 de maio de 2011

"Splash"!!! Já está!

Esta semana ficou marcada pelo meu primeiro toque, aquele cujo qual, assumo responsabilidade e que poderia ter sido evitado, não fossem as perguntas insistentes de um passageiro à cerca de uma morada ali para os lados da Lapa. Um simples desviar do olhar para lhe responder, foi o suficiente para partir um espelho e começar a preencher a papelada inerente à participação amigável. Passados estes anos de serviço na Carris, lá tinha de chegar o dia, e foi na passada quarta-feira. Mas espelhos partidos à parte, essa quarta-feira não ficaria por aí. O serviço era daqueles que nem ao nosso inimigo desejamos e muito menos se ficarmos "presos" na viagem da recolha como me aconteceu no Largo de São Martinho com um BMW estacionado mesmo à patrão.
Fora de mão, traseira a impedir a passagem do eléctrico e 1 hora e 20 minutos à espera do reboque. O resultado foi nada mais nada menos que, ter chegado À estação já perto da 1h30 quando devia lá ter chegado às 00h24. O resto da semana foi igualmente passada nos serões da carreira 28E, com direito no entanto a alguns alugueres, serviço este que gosto bastante de efectuar, embora nunca se saiba a hora certa de saída.
Agora gozo três dais de folga e para a semana há mais...

Boas Viagens a bordo dos veículos da CCFL

terça-feira, 10 de maio de 2011

Para a próxima tenho de ver a que horas fecha o supermercado, para os mais distraidos...

Foto jornal «Económico»
Como se não bastasse ter que tomar atenção aos horários aos quais somos "convidados" a cumprir, e digo "convidados", porque quem anda em Lisboa e nomeadamente de eléctrico, sabe que nem sempre é possível, devido à falta de civismo dos outros utentes da via, hoje uma senhora queria que eu soubesse a que horas fechava o «MiniPreço». 

Mas pior que isso foi o facto de primeiro nem uma «boa noite» ter desejado, e não ter encontrado o passe à primeira, porque a preocupação da senhora era ver se de facto valia  a pena sair na paragem para ir às compras à boa maneira do "tuga". Ou seja, à última da hora. É assim nas finanças, é assim nas eleições com os votos ao fecho das urnas, é assim em tudo.

E para se despedir em grande, o «MiniPreço» até estava aberto, saiu e nem obrigado disse, limitando-se a soltar algo do género... «Passa aqui tantas vezes podia saber a hora do fecho...» , digam lá então se não dá só vontade de nem resposta levar... Foi o que aconteceu. 

Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Depois da música... uns sofás num eléctrico "especial" para as crianças

O leitor mais assíduo deste blogue, já reparou certamente, que adoro crianças e a sua espontaneidade, nomeadamente quando os pais nos pedem um bilhete, perguntamos a idade e a criança logo responde que tem uma idade qualquer superior aos quatro anos, embora os pais tentem dizer uma inferior aos quatro.

Eles são dos seres mais sinceros que transportamos e são também os que por vezes nos fazem rir mais. Esta semana uma dessas crianças, talvez mais habituada a transportar-se num dos eléctricos da carreira 15E, ficou admirada ao entrar no meu eléctrico, na carreira 28E. «Boa tarde senhor...» disse-me a rapariga que certamente não devia ter mais do que seis anos.

Já sentada num dos bancos laterais do eléctrico e apreciado com um sorriso rasgado de orelha a orelha, todo aquele conjunto de madeiras que formam um dos eléctricos tradicionais de Lisboa, la ia comentando com o pai a alegria que estava a ser aquela viagem pelas ruas estreitas de São Bento, tendo mesmo soltado que «este eléctrico é mesmo fixe pai. Até tem sofás em vez de bancos...»
Ora digam lá que não é muito bom ser guarda-freio? Até conduzimos eléctricos especiais e tudo...

 

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Com «Os Lábios» a bordo num dia inesquecível....

Se há dias que não dão para esquecer, esta segunda-feira foi um desses dias. Serviço atribuído para um aluguer para filmagens e um regresso a um meio bastante conhecido de outras andanças. Mas na verdade o aluguer não era apenas para filmagens, mas para o lançamento do primeiro álbum d`Os Lábios, «Morde-me a Alma». A bordo de um eléctrico da Carris, os quatro elementos da banda juntaram Miguel Ângelo, amigos e jornalistas para dar a conhecer o trabalho final deste novo álbum ao longo dos percursos das carreiras 15E, 28E e por fim 25E.

Se o trabalho por vezes não nos deixa ir a concertos, vão os concertos ao trabalho e nada melhor que trabalhar ao som da música. A "aventura" começou em Belém de onde partimos em direcção à Estrela, e pelas ruas da capital, centenas de transeuntes moviam os seus lábios com sorrisos de uma inesperada surpresa ao verem um eléctrico cheio de gente a vibrar com um som que se ouvia à distância provando que também é possível dar-se um concerto a bordo de um transporte público.

Sempre animados, os músicos acabaram mesmo por fazer a vontade dos que assistiam, quando pediam «só mais uma!». Muitos foram também os que queriam entrar a bordo deste concerto móvel, mas a lotação estava já esgotada, com grande parte dos lugares ocupados pela comunicação social. 

E este acabou portanto, por ser dos melhores serviços que me calharam em 4 anos de Carris. "Vou ficar de olho em ti" foi dos temas mais ouvidos durante a tarde a par de "Está tudo Ligado". É caso para se dizer que é impossível não se ficar ligado a esta banda a quem digo «vou ficar de olho em ti». 

No final houve ainda tempo para a surpresa final e desta feita para o guarda-freio, com uma oferta de um "cd" autografado pelos músicos, "cd" este que já está à venda a partir de hoje. Aos elementos d'«os Lábios», aqui deixo o meu agradecimento pela lembrança e votos de sucesso pela carreira que agora se inicia.  

Para quem ainda não ouviu falar n'«os lábios» aqui fica um vídeo com um dos temas e a respectiva promo do lançamento.


 

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