domingo, 20 de fevereiro de 2011

Contado talvez não acredite: Uma interrupção à beira de uma agressão...

Pensava que a falta de educação tinha limites, mas hoje tive a certeza que não. Depois de quase 4 anos de serviço na Carris, pela primeira vez um passageiro teve em mente a agressão física porque a verbal já acontece no dia-a-dia com alguma frequência. E porquê? Por causa de uma interrupção e por causa do preço do bilhete ser agora de 2.50 €. 

Mas afinal de contas que culpa tenho eu que o bilhete custe dois euros e cinquenta? Nenhuma claro. A história contada nem dá para acreditar, porque nem eu estava a querer acreditar que tal situação estava a acontecer comigo e tudo começou no Largo do Chiado naquela que era para ser a última viagem do dia, mas que se tornou na antepenúltima. Um casal já «maduro» entra com destino ao Martim Moniz e a senhora tinha cartão sete colinas, ao contrário do senhor que me pediu um bilhete para a Graça. Digo-lhe: «São dois euros e cinquenta por favor...»

«Dois euros e cinquenta? Até à Graça?... Mais vale ir de táxi!», diz prontamente o senhor, ao que lhe respondi: «O preço do bilhete é único quando comprado a bordo», mas o senhor fazia questão de insistir... «É que mais vale ir de táxi. E é o que vou fazer mesmo...», isto ao mesmo tempo que descia do eléctrico. Contudo a senhora dizia ainda do lado de dentro, «mas eu já passei o meu, anda lá que eu ajudo-te a pagar»
 
Até que tive então de pedir que se decidissem rápido, porque estávamos ali a perder bastante tempo com a incerteza, até que se decidiu a viajar com a Carris até à Graça. Lá seguimos então viagem, mas ao chegar ao Largo da Graça, o rádio toca com uma chamada da central de comando de tráfego, dando conhecimento da impossibilidade de prosseguir viagem pela rua da Graça, tendo de inverter a marcha no Largo da Graça e ir até à P.Figueira, chegando depois ao M.Moniz que era o meu destino.

A senhora levanta-se e diz: «Esse seu colega está a falar tão alto que está a incomodar os passageiros todos, sem necessidade....», pois está, «mas é para me informar que não podemos passar do Largo da Graça, devido a uma interrupção». O que eu fui dizer....

Passageira: «Então quero que me devolva o dinheiro do bilhete...»
Tripulante: «Queira-me desculpar, mas isso não posso fazer.»
Passageira: «Isto é um roubo. Quer que eu também o assalte?»
Tripulante: «Queira-me desculpar, mas para reclamar o preço do bilhete terá de ser nas lojas da Carris. Eu não lhe posso devolver o dinheiro.»
Passageira (num tom já elevado e em estado alterado): «Tá a brincar comigo? Tenho idade para ser sua mãe...»
Tripulante: «Não estou a brincar. Estou a falar a sério e a trabalhar que é para isso que me pagam...»
Passageira: «Quer que eu lhe dê um murro? (ao mesmo tempo que fecha o punho e puxa o braço atrás)
Tripulante: «Então dê lá o murro. Não se esqueça é que isto tem câmaras e que depois não sai daqui sem justificar perante as autoridades o porquê de me ter agredido, até porque não lhe faltei ainda ao respeito como a senhora já fez comigo...»
Passageira: «É que dou-lhe mesmo!»

Mas não deu, porque entretanto o marido, o amigo, ou seja lá o que for... aquele que tinha pedido um bilhete para a Graça, mas que afinal até queria continuar para além da Graça, puxou-a para fora do eléctrico, perante a indignação de todos os turistas e restantes passageiros, pela falta de respeito de uma senhora que já tinha mais que idade não só para ser minha mãe como dizia, mas sobretudo para ter mais juízo e respeito por quem não lhe faltou ao respeito.

Tudo isto num dia para esquecer ou talvez não, até porque começou com a boa disposição de um grupo de francesas quando ainda antes de pegar ao serviço, me dirigia para o local de rendição, na carreira 28E respondendo em francês ás perguntas que me iam fazendo sobre como chegar ao Elevador de Santa Justa. Lá lhes disse, brincando no final que explicando em francês era mais caro. Em resposta a malandrice falou mais alto e uma delas chegou mesmo a perguntar se podiam pagar com o corpo, o que gerou uma enorme risota ao grupo das amigas e ao meu colega. 

Afinal os velhotes têm razão... Hoje em dia, elas são piores que eles. E esta hein?!
 

11 comentários:

Xico205 disse...

Transportes publicos em áreas de elevada densidade populacional tem destas coisas...o que acontece em Lisboa acontece um pouco por todo o Mundo, o chamado contacto com o publico tem de tudo mesmo.

Hoje por volta das 17:45 passaste nas Escolas Gerais com destino aos Prazeres no 545 não foi?
Só não te fui comprimentar porque estava com a minha irmã e mais dois amigos e estavamos com alguma pressa.

Fica para a próxima. Abraço

Angelo disse...

Quando os velhos dizem que os jovens não têm respeito esquecem-se olhar para si mesmos!
Esta situação é uma vergonha, sem sombra de dúvidas

Haja grupos de francesas para alegrar o dia!

Pingos de Chuva disse...

Realmente, há gente muito mal educada. E depois são os primeiros a dizer que a juventude é que é malcriada. Há que ter paciência porque, quem lida com o público, sabe que há de tudo. :)

Anónimo disse...

Infelizmente a má criaçãoi e falta de respeito por quem trabalha não tem limites, seja onde for. Impera o desrespeito e analfabetismo dos que não sabem que o preço é imposto pela instituição onde o funcionário trabalha . Essa sujeita aposto que vinha com uma coxa de frango na mão e pensou que estava no seu habitat natural... Estou já a imaginar a cena como se a reviver um filme intitulado ''a guerra do fogo''...Se tivesses dito apenas ''uga buga'' ela teria saido aos pulos com o amigo debaixo do braço pulando de galho em galho....

nuno disse...

Vai na volta a senhora pertencia à juveleo!

Abraço e tem paciência.

Nuno-Pontinha

Sandro Castro disse...

Meu amigo Rafael, não podia deixar de te dar os parabéns pela maneira como geriste a situação, o que essa senhora queria era "Lulas"... Mais uma vez se confirma que os tripulantes da CARRIS têm de ter uma "grande" bagagem para lidarem com situações como esta. Desejo-te continuação de boas viagens no 28E, e se essa senhora voltar-se a encontrar contigo, agradece-lhe pela situação vivida, foi mais uma história "nada boa" que partilhas-te com todos nós. Aquele abraço.

nuno disse...

Pois é preciso bagagem para aguentar isto, porém no final do mês teremos menos dinheiro na "bagagem" para levar para casa!

é a paga!

Anónimo disse...

este mês pelos vistos vai ser mais tarde.

jp disse...

Tem razão . Nós somos piores que eles. Acho que também não conseguia manter-me calma se me pedissem 2,5 euros por um bilhete de eléctrico.
Um murro não digo, mas do chapéu de chuva não se livrava...

nuno disse...

jp...podia ter sempre ter uma resposta à altura! e ir parar a esquadra ou ao hospital!

Pereira disse...

Isto é algo que nós na Carris estamos a ficar habituados! Situações destas inevitavelmente irão ser mais ferquentes devidos aos tempos que se avizinham no futuro.
Se já havia muito pouco civismo mais se vai ver ainda, infelizmente.

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