segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Quando um serviço curto se torna demasiado longo...

É sinal que algo imprevisto acontece. O certo é que para este domingo na carreira 28E já se esperava "pano para mangas" quando se soube que o percurso ia estar interrompido entre o Largo Camões e os Prazeres, devido a uma empreitada na Calçada do Combro, sendo o transbordo assegurado neste percurso através de autocarros minis. E de quem é a culpa? «É da Carris», diz o povo, claro. Mesmo não tendo nada relacionado com a obra, a culpa é sempre da transportadora que até faz todos os esforços para minimizar o "estrago".

Depois há os que compreendem e colaboram e há os que não querem compreender e que dificultam. Ah, e não nos podemos esquecer dos estrangeiros que, de guia na mão pensam fazer todo um percurso num dos eléctricos históricos e se vêem de um momento para o outro obrigados a trocar o eléctrico pelo autocarro. Uns prosseguem viagem, outros preferem regressar de eléctrico ao local de origem.  

Pelo meio há um rol de queixas e na maioria, vinda daqueles que aparentemente pouco têm para fazer, se não chatear o guarda-freio. Nada a que não esteja já habituado, mas afinal porque é que o dia se tornou tão longo?


Porque se na escala o serviço indicava sair ás 22.30, o mesmo só aconteceu já perto da meia noite, num dia que começou com a rendição no Largo Camões, onde alguém na viagem imediatamente antes, decidiu seguir à regra o conselho do conhecido anúncio da operadora móvel que tem como cor principal o azul celeste, deitando cá para fora tudo o que havia ingerido. Lá teve de ser limpo o eléctrico para prosseguir o serviço numa tarde que já por si não prometia ser calma apesar do sol que deu ares de sua graça. 


Mas o dia não ficaria completo sem uma outra passageira deitar também ela cá para fora, o seu descontentamento pelo aumento do preço da tarifa de bordo. Depois de, a todo o custo pagar 2.50 € quando entrou no Largo da Graça, lá foi dizendo que era «um roubo. Isto é preço de turista! É inadmissível um aumento de 1.05€...» Tentei explicar-lhe o porquê do aumento e como poderia fazer para pagar menos por viagem, optando por ter um cartão "7Colinas" ou "VivaViagem", mas a senhora insistia em dizer que «é um roubo, desculpe. Não me compensa esses cartões porque só ando de metro!»


Estava tudo dito. Ou melhor, pensava eu estar tudo dito, pelo facto da passageira ter dito que só andava habitualmente de metro, não tendo com quem reclamar e/ou falar, aproveitando então, aquela preciosa oportunidade de ter um tripulante "à mão de semear" para poder desabafar. Contudo o pior estava ainda para vir...


Bastaram três paragens para chegar-mos  às Escolas Gerais onde uma fila de eléctricos com os intermitentes ligados fazia prever algo de anormal. Um pequeno descarrilamento na traiçoeira agulha de São Tomé, impedia-nos a passagem. Expliquei o que se passava aos passageiros, porque estava prevista ser demorada, a reposição da normalidade no percurso. Os turistas compreenderam a situação e aceitaram a recomendação para que seguissem até à próxima paragem, onde com o mesmo bilhete poderia prosseguir viagem na carreira 12E, mas a tal senhora que havia pago 2.50 € no Largo da Graça e que tinha desde então deitado cá para fora todo o seu descontentamento, decidiu insultar-me e "explodir"...


«Paguei 2.50€ para ir até ao Largo Camões. Não foi para vir até às Escolas Gerais. Tem de me devolver o dinheiro do bilhete...» dizia já num tom bastante aceso. Mas ainda calmo lá lhe expliquei que não poderia devolver o dinheiro do bilhete. Tratava-se de um imprevisto porque ninguém, prevê os acidentes. Mas mesmo vendo o que ali se passava, continuava a dizer que era inadmissível e que alguém tinha de lhe dar uma justificação.


Pacientemente (admiro-me ter tido tanta paciência) lá lhe disse que já lhe estava a dar uma justificação e que a mesma poderia ser comprovada no próprio local. Tratava-se de um imprevisto e que teria opções para seguir até ao seu destino com o mesmo bilhete. Posteriormente poderia reclamar na Carris, se assim entendesse. «Deve estar a brincar comigo. Pensa que não tenho mais nada que fazer durante a semana? Tenho uma agenda bastante preenchida e acabo de ser roubada em 2.50€ e não me quer devolver o dinheiro», insistia, ao ponto de quem ouvia aquele descontentamento lhe ter dito que não era «com o guarda-freio que tem de reclamar senhora!», até porque ele não tem de saber da sua vida...


Para não bastar já depois de toda esta história ainda teria de tocar o rádio da Central de Comando de Tráfego a pedir a colaboração da minha parte para mais duas viagens, dada a reposição do percurso da carreira 28E. Lá cedi uma vez mais e, uma vez mais fiquei "preso" na Rua dos Fanqueiros devido a uma carrinha mal estacionada que impedia a passagem dos eléctricos, cujo proprietário depois de ter aparecido uma hora depois, dizia desconhecer a sua existência.


Palavras para quê? Lisboa no seu melhor! Agora sim, vou descansar...

16 comentários:

Flor disse...

Ah! mas é mais engraçado ser guarda-freio do que ser maquinista de um comboio. Deve ser muito maçador.
Eu também acho que 2.50€ é caro.
Realmente no metro as pessoas não teem com quem reclamar já no aeroporto é um Deus nos acuda rsrsrsrs.

Desejo tenhas uma boa semana.

Flor

Rafael Santos disse...

Obrigado Flor,

Uma boa semana também para si.

Cumprimentos,

Rafael Santos

Sónia e MI disse...

Haja paciência primo!

Anónimo disse...

deste muita conversa a essa passageira eu simplesmente "desligava", ficava a falar para o boneco até se cansar.tens de aprender essa tecnica, para mim resulta quase sempre, já quando trabalhava nos correios resultava, tens de pensar que estas pessoas só querem chatear e depois vão para casa descansadinhas e tu é que ficas stressado e vais para casa a pensar nisso, se lhe responderes só o que deves uma vez e não disseres mais nada quem vai ficar fula é ela.
Marques.

Armando disse...

Rafa, como é calmo um dia a conduzir...autocarros. Volta para 'nós' amigo! LOL

maria monteiro disse...

para se tornar um bocadinho mais longo ... uma passeata pelos amigos do Facebook

Angelo disse...

Eu dava em doido. Porque muitas pessoas não sabem separar as coisas! Enfim...

Joao Baptista disse...

Rafael, tem de admitir que este aumento para 2,50 euros é um roubo descarado.
Claro que os funcionários da Carris não tem culpa, mas isto é para acabar com eles (pelo menos com 0 18)

Paulo Ribeiro disse...

Antes de mais, parabéns pelo blog, que acompanho já há algum tempo.

Em relação ao aumento do preço do bilhete do eléctrico, devo dizer que ouvi as razões mas não fiquei convencido. E ficou a dúvida se não seria razão para mais tarde reduzir o número de carreiras, caso haja uma diminuição de passageiros nos eléctricos.

Mas numa situação destas, claro que o mais fácil é reclamar com o "representante" mais visível dos responsáveis pelo aumento do preço, que neste caso é o guarda-freio.
Claro que reclamar com o guarda-freio sobre o preço do bilhete parece-me pouco lógico, mas pelo menos que seja feito com educação.

Em relação a esta história, eu tinha uma dúvida... Nesta situação, é realmente possível utilizar o mesmo bilhete no autocarro, correcto? Tal como refere no post?

Aproveito para deixar uma história que assisti de manhã. Uma senhora entrou no 15 com os dois filhos e dirigiu-se à máquina para comprar os 3 bilhetes. 7.5€!!
Assim que viu o preço, saiu na paragem seguinte e apanhou o 714 que seguia atrás de nós, e que a partir de Belém, efectua o mesmo percurso do 15.

Parabéns pelo blog e continuação do bom trabalho.

Filipe disse...

A senhora tem toda a razão. É uma estupidez e é um roubo pagar-se mais por um transporte e depois a viagem não ser garantida.
Ninguém tem culpa de ter as suas obrigações em zonas servidas pelos eléctricos que, como comprova o artigo, estão sujeitos a estas demoras.

Nestas condições e enquanto serviço público, os eléctricos deviam acabar.

CR 35 disse...

Eu adorava que um dia,por qualquer razão tivesse que ir ao local de trabalho de pessoas assim e confronta-las também com palavras e gestos utilizados para verem a sua reacção e depois avivar-lhes a memória aos factos passados .

Rafael Santos disse...

Boas noites caros leitores,

Caro João Baptista,

Eu nunca disse que era barato! Agora que não tenho culpa alguma do aumento, isso não tenho. Na verdade afasta alguns passageiros e esperemos que não vão por essa via da exclusão de carreiras.

Caro Paulo Ribeiro,

Agradeço o seu contacto e respectivas visitas. Quanto á questão, informo que sempre que há uma interrupção da carreira, o bilhete adquirido é válido no transbordo até ao seu destino final. Quanto à história que assistiu na 15E é de facto triste mas tem-se verificado regularmente essa situação.

Caro Filipe,

O seu comentário não faz qualquer sentido, na medida em que se tratou de um acidente e que eu saiba, os acidentes são imprevistos que acontecem. Além do mais, a senhora em questão tinha a carreira 12E como alternativa.

CR35,

Já sabes como eu e até melhor que esta gente não aprende. Abraço.

Filipe disse...

Eu não ponho em causa a existência de acidentes!
Acho que é uma falta de respeito pedirem aos clientes que paguem mais caro e depois a probabilidade de não finalizarem viagem ser bastante elevada.
No dia em que não tiver passe/bilhete eu jamais utilizarei o eléctrico para a minha deslocação. Recuso-me a ter de pagar 2,50 EUR e estar sujeito a ficar parado sei lá onde, sei lá quanto tempo e sei lá com que alternativas. Mais vale pagar um pouco mais e apanhar um taxi, com a garantia que chego ao destino e até chego mais rápido.

Rafael Santos disse...

Filipe,

Recordo uma vez mais que para viajar de eléctrico poderá apenas dispensar 0.90 cêntimos se comprar antecipadamente o cartão 7colinas ou viva viagem.

Cumprimentos
Rafael Santos

Filipe disse...

Chegamos ao ponto da discussão em que está comprovada a inutilidade das tarifas de bordo. Se, de facto, é mais barato proceder à compra de um 7 colinas carregado com uma viagem, a tarifa de bordo é totalmente inútil.

Assim, a solução seria optar por não se vender tarifa de bordo e os eléctricos (e aqui entra a maior cretinice, porque alegadamente os autocarros não padecem desse mal) não perdiam tempo na venda dos bilhetes.

Lamento estar contra as suas ideias e as da sua empresa, mas esta medida da Carris é absolutamente hipócrita e cínica, pois uma deslocação de Odivelas ao Rossio no 36 custa 1,50 de tarifa de bordo e 1,80 com pré-comprados.

Para não falar que a diferença entre um pré-comprado e uma tarifa e bordo em 2010 era de 64 cêntimos e agora é de 60 cêntimos. A tarifa de bordo nos eléctricos aumentou 72%, nos autocarros 3,5% mas os pré-comprados sofreram um aumento de 11%!

Que não se negue que passa a haver uma discriminação.
Em igualdade de circunstâncias, uma pessoa paga mais para ir para Pedrouços do que para ir para o Aeroporto. E não é para Pedrouços que os turistas vão...ainda por cima num eléctrico articulado onde o guarda-freio não precisa de perder tempo com os trocos.

Rafael Santos disse...

Filipe,

Compreendo o seu ponto de vista, mas lembro-lhe que a ideia não foi minha. Apenas tento dentro das minhas competências minimizar o custo de uma viagem sugerindo alternativas aos passageiros.

Apresente esse descontentamento à Carris.

Cumprimentos,

Rafael Santos

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