quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

«Antes e Agora» (VII) : 1980-2010 - 30 anos de evolução

Imagem de «Trams Aux Files» (C.Barão)
Depois de algumas tentativas e de alguns textos publicados nesta rubrica que criei no "Diário do Tripulante", e que pretende dar a conhecer o passado e o presente da Carris, eis que finalmente tem lugar neste espaço, um vídeo que editei em Julho de 2010 e que por razões alheias ao blogue, só agora é possível estar on-line. Através das imagens gentilmente cedidas por Andy Wood referentes a 1980, de "LisboaTram" no YouTube referentes a 1991 e das minhas próprias imagens de 2010, decidi mostrar através deste vídeo, como foi a evolução dos autocarros e eléctricos da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, com a ajuda do áudio que consta no site da Carris, nos últimos 30 anos.

Entre 1980 e 2010 muitos foram os acontecimentos marcantes da Carris. A inauguração da Estação da Musgueira em 1981 abre o leque de alterações que em 1987 via uma profunda reestruturação  do serviço nocturno nas redes de autocarros e eléctricos. Já em 1990 novos autocarros vieram compor a frota, nomeadamente os chamados «médios» e um ano mais tarde chegavam 20 novos autocarros articulados equipados com motor «turbo alimentado» e com «intercooler».

E se em 1993 chegaram os mini-autocarros, já em 1995 entraram em exploração os primeiros 10 eléctricos rápidos de grande capacidade, na carreira 15E, na linha marginal de Belém. No ano seguinte, deu-se a remodelação de 45 eléctricos tradicionais que ainda hoje circulam pelas 5 carreiras existentes. Isto no mesmo ano em que a Carris renovava a sua própria imagem, adoptado o «amarelo» como cor dominante em todas as viaturas da sua frota.

A 12 de Janeiro de 1999 inaugura-se em Santo Amaro o Museu da Carris, lugar de memórias e de afectos, mas também onde se conta uma história longa e rica de uma empresa que conta já 138 anos de existência. Já no princípio do século XXI surgem os avanços tecnológicos, com o aparecimento do Sistema de Ajuda à Exploração e Informação ao Passageiro, com informação do tempo de espera nas paragens e localização dos veículos em tempo real.

Em 2001 entram ao serviço os primeiros autocarros movidos a gás natural, mostrando desde então a preocupação da empresa com a melhoria da qualidade ambiental. No ano seguinte os ascensores do Lavra, da Glória da Bica e o Elevador de Santa Justa são classificados como Monumentos Nacionais.

2004 marca o arranque da bilhética sem contacto com a adopção do «Lisboa Viva» para os passes e do «7colinas» para os bilhetes. Mas foi também em 2004 que a Carris deu início a um ambicioso processo de renovação da frota que se tem assistido até aos dias de hoje, sendo que as últimas aquisições foram novos autocarros articulados com internet a bordo e autocarros "standart" movidos a gás natural.

O certo é que dos verdes de dois pisos aos amarelos movidos a gás, muita coisa mudou, acompanhando as mudanças de uma cidade em constante crescimento. Para verificar essas mesmas mudanças sugiro então que apanhe a boleia das imagens que fazem parte deste vídeo e que recue no tempo 30 anos para ver como era a Carris em 1980, mas com a certeza de que não quererá deixar de ver como está a Carris em 2010.



Boas Viagens  a bordo dos veículos da CCFL

[n.d.r]: Este vídeo só foi possível ser realizado com a colaboração de Andy Wood e «LisboaTram», e com o recurso ao áudio do site da Carris.

11 comentários:

Xico205 disse...

Excelente montagem. =)
Adoro ver virar os volantes dos AEC assim como ver o comportamento da suspensão na passagem de nível de Campolide. Ou será na Picheleira? Não me farto de ver essa imagem. =)

Uma pergunta, aos 7:40 mins consegues identificar em que rua está o eléctrico? Aquele muro deixa-me na duvida se será a Rua Maria Pia, a Cç da Cruz da Pedra ou nenhuma delas.

Nas referencias que fizeste aos anos 80 e 90 podes acrescentar tambem, que a estação da Pontinha tambem foi inaugurada em 1981 e penso que a estação de Miraflores tambem foi por essa época.

Em 1992 a Carris adquiriu mais 10 Volvo B10M a juntar ao lote de 1991, em 1995 mais 30, estes já mais sufisticados e em 1997 outros 30 e tambem 55 Mercedes O405N2, em 1998 outros 55 Mercedes O405N2.

Cumps

Rafael Santos disse...

Boas XICO205,

Com tanta evolução nos últimos 30 anos tive de resumir para não se tornar demasiado maçador o texto, mas ainda bem que aqui puseste outros factos da história deste periodo.

Já quanto à imagem do min 7.40 é a calçada Cruz da Pedra, junto a S.Apolónia onde actualmente passa a 706 e 794.

Cumprimentos,

Rafael Santos

CR 35 disse...

É bom reviver este período da história da cidade de Lisboa através da CCFL,com os seus autocarros e eléctricos decorados com publicidade da época a transitarem em vários locais que hoje não diferem muito do passado.Continuem a circular nestes actuais amarelos, com viagens sem percalços por essa cidade de Lisboa com ,ou, sem publicidade conduzida por gente elegante.

Ricardo Moreira disse...

Excelente vídeo (e que recordações aquilo me trouxe, principalmente aquele minuto 7:40...)!
Agora os esclarecimentos para o Xico205.
Aquela PN é (era) em Campolide e situava-se mais ou menos onde fica agora o viaduto por onde passa a 702 (não sei ao certo, pois na altura não passava nunca por esta zona, além de que isto mudou tanto com as obras do Eixo N/S e o comboio da ponte que se perdeu por completo as referências ao que havia na altura).
Quanto às estações, penso que em 1980 já estava a funcionar a Pontinha (creio que é de 1979), a seguir veio a Musgueira (1981, como diz o Rafael) e em 1983 veio Miraflores, coincidindo com o fecho das Amoreira (que desde nos últimos anos já só servia a rede de autocarros).
Aquele virar dos volantes do AEC eram de facto uma coisa digna de se ver (e de se registar para a posteridade como aqui ficou demonstrado), mas não me parece que fosse a coisa mais agradável de se fazer para quem os conduzia! :D
Lembro-me da volta para entrar da Rua da Manutenção para a Infante D. Henrique (a mesma que hoje é feita pelo 39, 759-Diurno e 28-Nocturno): quando apanhavam o sinal verde os motoristas quase que se levantavam para girar a direcção! Acontecia o mesmo no sentido inverso (na época ainda se podia virar à esquerda nesse cruzamento).

Bem, este comentário já vai longo, por isso só deixo aqui mais uma coisa: aquele vídeo da Cç Cruz da Pedra não tem continuação?

BRUXA disse...

Obrigada pelas boas recordacoes!

Flor disse...

Gostei bastante do video e tudo me levou a recordar nos meus tempos de estudante que apanhava os autocarros 18 ou 22 de dois andares.
Também o electrico para o Bom Sucesso.
E os electricos sem portas, já devem estar no museu. Creio que nunca cheguei a andar em nenhum. Acho que lhe chamavam o electrico operario.
Lembro-me também que era "moda" sair do electrico ainda em andamento quando estava a chegar à paragem rsrsrsrsrsrs. Já não deves ser desse tempo.

Convido-te a visitar os meus blogues, eu escrevo em espanhol, mas para ti não deve ser problema, com tantos turistas que apanhas pelo teu caminho.

Um beijinho e bom fim de semana.

Flor

Angelo disse...

Seria tão bom que os autocarros de 2 andares regressassem a Lisboa!
Saberás, porventura, porque a Carris não opta por eles?

Xico205 disse...

Ouvi dizer que a Carris já ponderou adquirir novamente autocarros de dois pisos, e muita falta faziam nas carreiras 758 e 767, mas a ideia passou.

Com as medidas de austeridade, nos próximos anos não vem material novo.
Os veiculos de dois pisos são pouco cómodos para entradas e saidas constantes de passageiros, e depois há maior perigo de incidentes com os passageiros a cairem das escadas com o veiculo em andamento.

Se os passageiros com autocarros de um piso e duas portas, não se chegam para a traseira do veiculo e prejudicam quem quer entrar, quanto mais com dois pisos. A maioria deve-se inibir de subir excepto quem anda em passeio.

Anónimo disse...

se certos passageiros já fazem porcaria nestes em que o motorista consegue ver, agora imaginem se fosse num de dois pisos a rebaldaria que não ia ser lá por cima

Flor disse...

Anonimo sabes porque dantes não faziam tanta rebaldaria? Para já havia mais respeito e para além do motorista tinha um cobrador presente e que não era para graças.
Agora com tanto desemprego que há vão retirando pessoal donde fazia falta.
Qualquer dia nem motoristas irão haver, vai ser tudo manobrado com control remoto e nós transformados em robots. Já somos um bocado.

Joao Baptista disse...

Ui tantas recordações, tantas viagens. Gostei de recordar

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