terça-feira, 14 de setembro de 2010

O peso da farda... depois do serviço

«You have a nice job! It's Crazy...», disse um inglês esta tarde depois de ter terminado a viagem no Martim Moniz. O calor que se fazia sentir naquela praça era tanto, quantos os passageiros que ali teimavam em não querer sair, porque como dizem os espanhóis, «queremos hacer un recorrido». Seguem-se as explicações habituais que se tornam repetitivas ao longo do dia para lhes dizer que têm de descer e apanhar o 28E para regressar, mas na paragem onde a carreira inicia viagem.

Na realidade e num primeiro olhar sobre este primeiro parágrafo, até parece ter razão o senhor inglês que me tinha dito, que eu tinha um bom trabalho e que até era divertido. De facto gosto do que faço e isso já é meio caminho andado para que tudo corra bem. Contudo um simples regresso a casa e já depois de ter terminado o serviço pode deitar tudo por terra, mesmo que o dia de trabalho tenha corrido bem, embora com muita gente e tudo no "estilo salve-se quem puder", porque o que assisto, é que os anos passam, mas os hábitos mantêm-se no que ao regresso às aulas diz respeito.

Terminei o serviço na Estrela e apanhei o 28E para regressar a casa, porque é uma carreira que serve a minha zona de residência e se até aqui tudo parece normal, digo-vos que basta estar fardado para deixar de o ser. Mal entro no eléctrico, valido o meu título de transporte, cumprimento o colega e sou de imediato abordado por um italiano que me pergunta por uma paragem próxima do metro. Indico-lhe a do Chiado.

Na paragem seguinte já a chegar a São Bento, pergunta-me novamente se é na próxima. Decido então dizer-lhe que o avisava quando fosse, porque já sabia que me iria perguntar a cada paragem se era o Chiado. Até aqui tudo bem, porque já é hábito e como português que sou, trago comigo também a minha veia de prestabilidade, como só o nosso povo consegue ser.

Com destino ao Martim Moniz lá seguia o eléctrico não tão cheio como durante a tarde até porque já estava a jogar o Benfica. Mas quando o rádio toca da Central Comando de Tráfego a chamar pelo guarda-freio, ou são boas ou más notícias. Do outro lado ouve-se o colega a pedir ao guarda-freio que «não passe a Graça sem falar comigo». Mau presságio, até porque o meu destino era além da Graça.

Uma interrupção acabaria mesmo por obrigar o eléctrico a terminar viagem na Graça, e foi precisamente neste momento que o meu dia perdeu a graça toda, quando uma senhora me diz, já depois de saber que o eléctrico ia ficar por ali que, «Se termina aqui não têm de por lá Martim Moniz!» . Num tom mais baixo e calmo em relação ao da passageira quando se dirigiu a mim, lá lhe informei que só durante a viagem tinham avisado o guarda-freio, pelo que se tratava de um imprevisto, conforme tinha ouvido a comunicação via rádio. Mas falar para esta gente é o mesmo que falar com a manivela do eléctrico ou com o espelho retrovisor.

Na verdade se eu não tivesse fardado naquele momento, não me tinha chateado e não teria perdido o meu latim que é tão necessário para o dia-a-dia. E para não bastar, à saída ainda disse que o nosso «dever, é informar...» E agora pergunto: "Mas então o que foi feito?"

Resta-me então desejar boas viagens a bordo dos veículos CCFL.

5 comentários:

Anónimo disse...

tu é que és burro, se já tinhas acabado o serviço não havia cá informações para ninguem.
quando estou fardado mas fora de serviço e me vêm perguntar se trabalho na carris a resposta é: não, gosto muito do carnaval, podes tambem optar por: não! acha! isto foi o meu pai que me emprestou a farda.

Angelo disse...

Como te entendo! Hoje também tive que informar um tipo de uma coisa à qual era alheio! E ele queria ouvir-me!? Nem por isso...

CR 35 disse...

Rafael ,compra ou pede a alguém vários pins ,tipo telepiza ,meo ,CTT,Galp,benfica ,sporting ,e quando te abordarem dizes que a tua empresa é aquela e é uma coincidência a farda ser do mesmo tom ,e se te chatearem muito manda-os ter com o Sócrates para ele lhes dar um Magalhães,ou uma inscrição nas Novas Oportunidades para ver se o Povo evolui mais um bocadinho.Boas viagens a bordo dos empatas amarelos da CCFL

nuno disse...

Ou então caro Rafael respondes apenas isto: "desculpe agora não posso, estou a ouvir o Benfica..."

vais ver que eles entendem!

abraço

nuno disse...

Ou então caro Rafael respondes apenas isto: "desculpe agora não posso, estou a ouvir o Benfica..."

vais ver que eles entendem!

abraço

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