quinta-feira, 30 de setembro de 2010

[Off Topic] Sabia que... Há história no eléctrico da P.Comércio?

Depois de ter lido o título deste post [Off Topic], o leitor pode estar já a pensar que lhe vou falar da história da série de eléctricos composta por carros tipo Salão, mas engana-se, não porque não fosse tema para ser abordado, mas porque estamos em comemorações do Centenário da República e porque esse mesmo eléctrico que está em permanência na Praça do Comércio, entrou para a história da própria República, após ter sido o «palco» de um dos episódios mais marcantes da primeira República.

Na verdade, quem passa pela Praça do Comércio, pode ver de imediato o eléctrico vermelho, tipo salão da série 300, assim como o imponente Arco da Rua Augusta, ou as simétricas arcadas que ladeiam uma das maiores praças europeias. Contudo, muitos não sabem que esse mesmo eléctrico que hoje serve de posto de venda e informação da Carristur, é apelidado de «Afonso Costa» e que durante o serviço regular de passageiros, e quando ainda era amarelo, ostentava o número 355.

Foi precisamente neste Eléctrico, que a 3 de Julho de 1915, «o conhecido político, temeroso dos frequentes atentados que então se multiplicavam pelas ruas da cidade, protagonizou uma cena hilariante a bordo deste carro», lê-se na "História do Eléctrico da Carris", de Marina Tavares Dias. «Ouvindo o sonoro disparo do disjuntor a saltar do cabo [aquilo a que na gíria os guarda-freios apelidam de «saltar a breca»], Afonso Costa julgou estar perante um tiroteio e atirou-se pela janela do eléctrico, partindo o braço na queda», cita ainda o mesmo livro.

Outros testemunhos, relatam que Afonso Costa teve um traumatismo craniano após a queda. Ainda assim este não é o único eléctrico a fazer parte da história do Centenário da República, mas é o único que diariamente está sob o olhar de todos os transeuntes que passam pela Praça do Comércio.

Ainda sobre as comemorações do Centenário da República, referir que a partir do próximo dia 4 de Outubro estará patente no Museu da Carris a Exposição «A República de Eléctrico», que em breve será aqui referida. Fique atento.

Fonte: «A História do Eléctrico da Carris», de Marina Tavares Dias.
Fotos: Rafael Santos e Arquivo Municipal de Lisboa

terça-feira, 28 de setembro de 2010

[Off Topic]: Goze mais a cidade. Utilize os transportes públicos!

E porque nunca é de mais incentivar o uso do transporte público em detrimento do automóvel particular, por uma cidade cada vez mais sustentável, aqui vos deixo o vídeo que está na plataforma YouTube e que mostra o que passam milhares de pessoas dos 700 mil carros que entram diariamente na cidade, e o que poderá mudar se todos optarem pelo transporte público. Uma iniciativa do projecto menosumcarro.pt



Menos um carro, e goze mais a cidade!

sábado, 25 de setembro de 2010

Na minha biblioteca... «A beleza de Lisboa - Eléctrico 28, uma viagem na História»

Chegou este mês às livrarias o livro que lhe dá a conhecer a beleza de Lisboa com uma viagem na história. Uma viagem ao passado, no presente com a ajuda do eléctrico 28. Um livro editado pela Imprensa Nacional Casa da Moeda e que resulta de uma associação da autora Nysse Arruda, ao "atelier" de "design" de Henrique Cayatte, e à fotógrafa Clara Azevedo. Uma obra de referência para os habitantes locais e turistas que visitam a cidade e que, a bordo do eléctrico 28, percorrem uma rota com grande significado histórico na capital. 

"A ideia foi produzir um livro com um "design" contemporâneo e arrojado, muito bem ilustrado e com tiragens em versões em português e inglês. A autora pretende (...) ampliar a divulgação do turismo histórico e cultural da cidade de Lisboa, detalhando cada um dos monumentos que pontuam a rota do "28", datados desde o século XII até o século XIX, bem como os museus, os teatros, os miradouros e os jardins que se encontram no percurso e todos os factos históricos relevantes que tiveram lugar em um ou outro ponto do percurso, somando assim cerca de 2.500 anos de História da cidade de Lisboa. 

Pretende-se ainda transmitir as vivências quotidianas da cidade e as manifestações culturais e sociais como, por exemplo, a tradicional Feira da Ladra e as festas de Santo António, sem esquecer de referenciar as personalidades culturais, como o poeta Fernando Pessoa, ou mesmo a evocação da Lisboa Queirosiana", diz o site da livraria Bertrand


Sabia por exemplo, que a Sé de Lisboa é «...o único edifício românico-gótico da capital portuguesa»? (pág.32), ou que Lisboa é «uma das cidades mais antigas da Europa, habitada e visitada há mais de três milénios...» (pág.12). A completar o conteúdo editorial do livro, inclui-se um capítulo com a História e os detalhes técnicos sobre o próprio eléctrico 28 como também dados sobre a criação da rede de eléctricos da Carris no início do século passado e um historial da própria empresa. A finalizar também fazem parte um mapa do percurso, a lista das paragens e ainda uma lista com todas as moradas, contactos e horários de funcionamento dos monumentos e sítios citados no texto.

Refiro ainda que a edição deste livro por parte da INCM «marca o início de um projecto que visa dar a conhecer aos portugueses e cidadãos de outros países alguns dos locais mais emblemáticos de Portugal...», refere Estêvão de Moura, presidente do Cons. Admin. da Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Já José Manuel Silva Rodrigues, presidente do Cons.Admin. da Carris, lembra que «a publicação de uma obra sobre o Eléctrico 28 reveste-se, sem dúvida, de grande interesse, não apenas nacional, mas também internacional, porque o "28" faz parte integrante da imagem e da vida de Lisboa».

A jornalista Nysse Arruda é a autora do livro que já faz parte da minha biblioteca e em declarações à TVI24, disse que «as pessoas que lerem o livro vão-se aperceber que podem conhecer a história e as belezas de Lisboa, só com um bilhete de eléctrico na mão. É a bordo do 28 que se descobrem muitos dos segredos de Lisboa e muita da sua monumentalidade», explicou a autora do livro, que tem uma capa 3D da autoria do designer Henrique Cayatte.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Pergunta do dia na carreira 36: "Excuse me, which bus goes to Alcatraz?"

Ao fundo a Prisão de Alcatraz
Continuo de férias, mas como estou por Lisboa, não deixo de ter contacto com os autocarros e eléctricos da Carris, até porque em semana da mobilidade, tenho optado, como quase sempre diga-se, pelo transporte público nas minhas deslocações do dia-a-dia, poupando combustível, paciência a procurar lugares e ganhando tempo. 
Tenho utilizado mais o autocarro e tenho visto coisas que me fazem recordar um passado recente. A insatisfação constante de quem se transporta continua igual sem tirar nem por, e não admira portanto que se entre numa rede social como o facebook e se leia comentários ao «net bus carris», do estilo.... "para quê gastar dinheiro nisto se podemos ser assatados?!", interrogava de forma indignada uma utilizadora da rede social.

Na verdade, o público nunca está satisfeito, porque para ser assaltado não precisa estar ligado à Internet. Sempre se correu esse risco em cidades como a nossa. Uma cidade que recebe diariamente milhares de turistas, que se transportam na Carris e que querem a todo o custo saber qual o autocarro a tomar para chegar ao destino.

Mas nem só os comentários no facebook geram gargalhadas. Basta imaginar-se no lugar do motorista da carreira 36, numa tarde de Outono, tal como aconteceu hoje ao meu colega Armando Aldegalega, e imaginar que lhe entra uma turista e lhe pergunta... "Excuse me, which bus goes to Alcatraz?"

Ora a turista queria certamente saber qual o autocarro que a levava a Alcântara, até porque Alcatraz é o nome de uma famosa prisão numa ilha ao largo de S Francisco, na Califórnia (USA). E se calhar o melhor era mesmo apanhar o cable car de San Francisco e depois ir de barco. Fica dada a sugestão.

Mas se pensar-mos que a turista possa ter lido o tal comentário dos assaltos por se andar de computador ou telemóvel no «net bus Carris», então se calhar já faça sentido o destino Alcatraz. Na verdade estas e outras situações acabam por gerar uma gargalhada a quem está do outro lado, tal como nós também podemos gerar aos outros quando vamos ao estrangeiro. 
E é por estas e por outras que a nossa profissão é diferente de todas. Aqui fica o meu agradecimento ao Armando, pela partilha deste episódio vivido esta tarde na carreira 36, que era daquelas que menos gostava de fazer, enquanto estive na estação da Musgueira.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

De olho na net: A Lisboa do 28

Criticados por uns e amados por muitos, os eléctricos de Lisboa, assumem-se cada vez mais como símbolo da cidade das sete colinas. Actualmente são apenas 5 as carreiras existentes, entre as quais se destaca, claro está, a carreira 28 que é a preferida dos turistas que visitam Lisboa. Não se estranha portanto que as pesquisas efectuadas na plataforma on-line YouTube, nos dê vários resultados em torno desta carreira que liga o Martim Moniz aos Prazeres, passando pela Graça, Alfama, Castelo, Baixa, Chiado, Bica, S.Bento e Estrela.


Hoje deixo-vos aqui um trabalho da autoria do utilizador do YouTube «trainstrain1», um vídeo que convida a um passeio nos tradicionais amarelos de Lisboa.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

[Off Topic]: Carris apresenta 30 novos autocarros com acesso à Internet

A partir de hoje já há mais uma razão para optar pelo transporte público em Lisboa. A Carris apresentou esta manhã na Estação do Oriente os 30 novos autocarros, que já circulam nas carreiras 36 e 745 e que estão dotados de acesso à Internet. “Nestes 30 autocarros Carris Net Bus, a utilização e o livre acesso à Internet é gratuita para os clientes”, salienta Luís Vale, director de comunicação da Carris. Para tal, basta ter um aparelho wi-fi e seleccionar a rede “Carris-TMN”.

Mas a Internet a bordo não é a única novidade destes autocarros que foram apresentados hoje pelo Sr. Presidente da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, na presença do Sr. Secretário de Estado dos Transportes. Com um investimento na ordem dos 11 milhões de euros, estes novos autocarros oferecem aos clientes elevados padrões de conforto - ar condicionado, piso rebaixado, rampa de acesso para cadeira de rodas, indicadores de destino electrónicos, mas também elevados níveis de segurança decorrentes do facto de todos estarem equipados com sistemas de vídeo-vigilância.

Carlos Correia da Fonseca, Secretário de Estado dos Transportes, destacou "o investimento da Carris na renovação da Frota e na evolução do seu pessoal tripulante ao longo destes 138 anos que a Companhia Carris de Ferro de Lisboa, agora celebra".

Já o Presidente da Carris, José Silva Rodrigues lembrou que a Carris é uma empresa certificada e como tal "a chegada destes novos autocarros ajudarão certamente a prestar um melhor serviço ao passageiro que opta diariamente pelos transportes públicos".


Presentes na apresentação estiveram os representantes de todas as estações de recolha da Carris, assim como a orquestra ligeira da Banda de Empregados da Carris. Mas como as imagens valem sempre mais do que mil palavras aqui deixo disponível, a foto-reportagem mais completa da apresentação dos novos autocarros.



Reportagem de Rafael Santos

terça-feira, 21 de setembro de 2010

«Antes e Agora» (V): O Rossio 40 anos depois...

A última vez que peguei nesta rubrica foi em Julho de 2009 e passado mais de um ano, creio que está na altura de aproveitar esta pausa no trabalho para voltar a trazer até aqui recordações de outros tempos através do recurso à fotografia. Como era Lisboa de outros tempos? Como é a Lisboa actual? As respostas estão numa comparação que é feita entre uma fotografia da época e uma da actualidade.

E este regresso ao “Antes e Agora” incide sobre uma das praças mais bonitas de Lisboa, a Praça Dom Pedro IV – Rossio, onde até anos 60 circulavam eléctricos que davam uma beleza ainda maior a esta praça. Por aqui passava, por exemplo, o eléctrico que ia para a Graça e que agora parte do Martim Moniz.

Actualmente o Rossio é apenas servido pelos autocarros que ligam o centro da cidade aos mais variados cantos da cidade. Aqui passam grande parte das carreiras da rede da Carris.

A norte da praça ergue-se o teatro no antigo local do Paço dos Estaus. O teatro foi construído entre 1842-46 segundo a iniciativa de Almeida Garrett. A sua inauguração ocorreu a 13 de Abril de 1846. O arquitecto foi Fortunato Lodi.


Fotos do arquivo municipal de Lisboa e de Rafael Santos

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

[Off Topic]: Não queira fazer parte da estatística, respeite os transportes publicos!

Em 2009 os veículos da Carris fizeram 1.359 paragens devido a carros mal estacionados e foram passadas mais de nove mil multas a veículos em transgressão e 350 pedidos de reboque. Contudo este ano e até ao final do mês de Agosto os números atingiram já cinco mil autuações e 220 pedidos de reboque. Estes números podem no final do ano indicar que há cada vez mais desrespeito pelo transporte público e muitas das situações que levam às autuações e aos pedidos de reboque já aqui foram referidas neste blog, como retrata a imagem já publicada.

Na realidade todos estes casos saem caro à Carris porque cada paragem custa 400 euros. A estatística conta apenas as paragens que levam mais de 10 minutos e indica que o prejuízo ascende aos 500 mil euros, como dá a conhecer o Engº. José Maia (Dir.UCOP - Unidade de Controlo Operacional) em entrevista à SIC, numa reportagem que vos apresento de seguida.



Na próxima vez que estacionar, lembre-se de ver, se o seu carro não impede a passagem do autocarro ou do eléctrico, para que não faça parte desta estatística que custa mais de 500 mil euros, e que foi também notícia na TSF.

Boa viagens a bordo dos veículos da CCFL.

De férias, mas atento às mudanças...

Estou oficialmente de férias, pelo que nos próximos dias, não haverão aqui histórias ou situações do meu dia-a-dia como tripulante. Esta é a altura do ano em que passo a ser passageiro. Como tal nos próximos posts poderão surgir temas diversos, sugestões, reportagens, etc...

E por falar em reportagens, hoje peguei na máquina fotográfica e vesti a "pele" de repórter para vos dar a conhecer o novo corredor Bus de Lisboa e os novos «Spider Maps».




701 e 738 ganham tempo com novo corredor Bus


Em "Semana da Mobilidade" muitas são, as iniciativas que visam incentivar o uso do transporte público. Hoje por exemplo, entrou em funcionamento o novo corredor BUS das "Galhardas" na Quinta dos Barros. Esta situação traduz-se numa alteração do percurso das carreiras 701 e 738, com a supressão da paragem "Rua Abranches Ferrão". Com esta alteração as Carreiras 701 e 738, deixam de cruzar a parte inferior do Eixo Norte-Sul, assim como, deixam de entrar na Av. Lusíada. Além do corredor Bus, esta mudança incluiu também a implementação de um sistema semafórico que dá prioridade ao corredor Bus agora criado. Estas duas carreiras passam assim, a ter o percurso entre a Quinta dos Barros e o Hospital de Santa Maria, mais facilitado e mais rápido, facilitando as deslocações dos passageiros.

«Spider Maps» para que chegue mais rápido onde quer...

Começaram hoje a ser introduzidos os novos «Spider Maps», em algumas paragens da Carris. Para já, a fase inicial deste projecto incide sobre as zonas do Marquês de Pombal, Belém, Rossio e Pç. Figueira. Desta forma será possível aos clientes que se encontram nestas zonas saberem através dos novos mapas, quais as carreiras que aí prestam serviço, assim como o seu percurso e destino. Para facilitar foram introduzidas letras que identificam as paragens das respectivas zonas, permitindo uma melhor leitura do mapa.



sábado, 18 de setembro de 2010

A comemorar 138 Anos (IV): Hoje todos nós estamos de Parabéns!

A Carris está de parabéns! Hoje completa 138 anos de existência. Uma longa história que só é possível ser contada graças a si que é passageiro/a da Carris e graças aos trabalhadores, quer sejam tripulantes ou não. Todos juntos fazemos a história de uma empresa que em 18 de Setembro de 1872 foi fundada no Rio de Janeiro. A Companhia Carris de Ferro de Lisboa, dotou a cidade de Lisboa de uma rede de transportes públicos colectivos utilizando, na época, o chamado sistema americano: carruagens movidas por tracção animal deslocando-se sobre carris.

Mas só no ano seguinte, mais precisamente a 23 de Janeiro de 1873, o escritor Luciano Cordeiro de Sousa e seu irmão Francisco Cordeiro de Sousa, diplomata, obtêm os direitos para a implantação na cidade de Lisboa, de um sistema de transporte do tipo americano denominado Viação CarrilVicinal e Urbana a Força Animal. Em 14 de Fevereiro, a Câmara Municipal de Lisboa aprova o trespasse daquela concessão para a Empresa Companhia Carris de Ferro de Lisboa. Em 17 de Novembro é inaugurada a primeira linha de "Americanos". O troço então aberto ao público estendia-se entre a Estação da Linha Férrea do Norte e Leste (Sta Apolónia) e o extremo Oeste do aterro da Boa Vista (Santos).

Depois dos Americanos vieram os Eléctricos a 31 de Agosto de 1901 e seguiram-se depois os autocarros nos anos 60 com os primeiros a serem adquiridos para serviço á Exposição Mundial que se realizou em Belém. Ao longo dos anos, construiram-se novas estações, e apostou-se fortamente na renovação da frota o que fez com que a Carris obtesse certificação em 2006.

Nos últimos anos a Carris tem continuado a apostar na melhoria do serviço, com a vinda de novos autocarros, mas eu gostava também de ver uma maior aposta nos eléctricos, porque na verdade são eles o ponto de partida da Carris.

Contudo, hoje que passam 138 anos desde a sua criação, a Carris que é de todos nós, está de parabéns e por isso também nós estamos de parabéns. Sugiro portanto que fique a conhecer melhor a empresa e as pessoas que o transportam diariamente, no autocarro que apanha para chegar ao trabalho ou no eléctrico que o faz chegar à escola.







sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Um dia que contado ninguém acredita!

Há dias que por muito que se tente, não conseguimos cumprir o horário. E de quem é a culpa?... A resposta vai depender de quem a responder, porque se foi o passageiro a ter direito de resposta é em grande parte dada culpa ao Tripulante. Na verdade as pessoas descarregam sobre as nossas costas, as culpas do atraso ou do tempo de espera, mesmo que saibam que não temos culpa. Mas na verdade somos nós o primeiro alvo que lhes aparece à frente.

O pior acontece quando alguém se lembra de desmontar uma grua em plena hora de ponta na Calçada da Estrela. Tinha acabado de cumprir a pausa diária do meu serviço desta sexta-feira e logo ali perdi 10 minutos, porque como sabem o eléctrico não se desvia e esta é uma das grandes diferenças para o autocarro.

Como era de esperar cheguei atrasado ao Martim Moniz e já com a chapa de trás colada a mim. Da central recebo a informação, para ir reservado entrar ao Largo das Portas do Sol, via carreira 12E, com o objectivo do eléctrico ficar na hora. Mas como ainda não temos capacidade de adivinhar o que pode acontecer, eis que chegado à Rua dos Cavaleiros me deparo com uma ambulância do INEM.

«Deve demorar porque é um senhor que está a ser reanimado...» dizia-me um indiano de um daqueles armazéns que decoram aquela rua. 5...10...15...20... Minutos e tudo na mesma. A ambulância continuava a obstruir a passagem dos eléctricos e dos carros, até que chegava a informação que o senhor não tinha respondido ao disfibrilhador e tinha falecido. Aguardava-se então a chegada do delegado de Saúde. Mas porque não tirarem a ambulância do meio da linha? Pois o senhor havia falecido em casa e não na ambulância. O mesmo questionava o controlador da carreira que a todo o custo me tinha tentado por na hora.

Ao todo foram 55 minutos parado por causa do falecido e teve de ser a senhora do carro da frente a ir à esquadra chamar a polícia para que fosse retirada a ambulância. Restou-me então ir fazer a saída ao Camões novamente com destino ao Martim Moniz.

E para verem como hoje era o meu dia de sorte... ou azar... na ultima viagem já depois de ter chegado ao Martim Moniz, eis que outra ambulância - desta feita no centro comercial da Mouraria - impedia a minha passagem e logo na viagem em que ia ser rendido. Sorte que hoje o trânsito na baixa estava pacífico, o que não deverá acontecer daqui para a frente quando for alterado o tráfego na Rua da Conceição.

Ainda assim, a carreira 28 continua a ser a minha eleita!!!!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Aprendendo portochinês na 28E: «You go Castélô Jérounimu?»

E tirando a chuva que fez com que o carril parecesse que tinha manteiga, destaco neste dia cinzento o meu diálogo com uma chinesa, na Rua da Conceição. A paragem estava cheia de turistas e a senhora lá de terras orientais, vem em ritmo de marcha atlética passando toda a gente da fila e mal vê a porta da frente a abrir pergunta-me: «You go Castélô Jérounimu?...»

Não me ri porque consegui conter-me mas tive de lhe perguntar se queria ir para o Castelo ou para os Jerónimos, mas ela insistia e voltava a perguntar....
«You go Castélô Jérounimu?...», digo-lhe que não, porque o 28E só passa no Castelo de São Jorge, e quando penso que estava terminado aquele episódio, que mais parecia de uma cena de apanhados, a senhora entra pelo eléctrico dentro e pergunta à plateia, fazendo lembrar o "quem quer ser milionário", pedindo a ajuda do público... «This tram go to Castélô Jérounimu?!»

E uma senhora daquelas mesmo bairristas responde: «Pr'o jérounimuuu vais ali e apanhas o 15E! Pá o homem já te explicou!». Mas na verdade a senhora que queria ir para esse local que não vem mencionado em nenhum dos mapas da cidade que conheço, de inglês só sabia mesmo o «You Go...» porque até o Castelo e os Jerónimos era uma mistura de Português com Chinês e como ninguém lhe respondeu em portochinês, lá ficou novamente na paragem sorridente, à espera de um eléctrico que a levasse ao "Castélô Jérounimu", mesmo que eu e todos os restantes já lhe tivéssemos dito que ia-mos sim, mas ao Castelo de São Jorge e que era o único na cidade!

28E no seu melhor...

terça-feira, 14 de setembro de 2010

O peso da farda... depois do serviço

«You have a nice job! It's Crazy...», disse um inglês esta tarde depois de ter terminado a viagem no Martim Moniz. O calor que se fazia sentir naquela praça era tanto, quantos os passageiros que ali teimavam em não querer sair, porque como dizem os espanhóis, «queremos hacer un recorrido». Seguem-se as explicações habituais que se tornam repetitivas ao longo do dia para lhes dizer que têm de descer e apanhar o 28E para regressar, mas na paragem onde a carreira inicia viagem.

Na realidade e num primeiro olhar sobre este primeiro parágrafo, até parece ter razão o senhor inglês que me tinha dito, que eu tinha um bom trabalho e que até era divertido. De facto gosto do que faço e isso já é meio caminho andado para que tudo corra bem. Contudo um simples regresso a casa e já depois de ter terminado o serviço pode deitar tudo por terra, mesmo que o dia de trabalho tenha corrido bem, embora com muita gente e tudo no "estilo salve-se quem puder", porque o que assisto, é que os anos passam, mas os hábitos mantêm-se no que ao regresso às aulas diz respeito.

Terminei o serviço na Estrela e apanhei o 28E para regressar a casa, porque é uma carreira que serve a minha zona de residência e se até aqui tudo parece normal, digo-vos que basta estar fardado para deixar de o ser. Mal entro no eléctrico, valido o meu título de transporte, cumprimento o colega e sou de imediato abordado por um italiano que me pergunta por uma paragem próxima do metro. Indico-lhe a do Chiado.

Na paragem seguinte já a chegar a São Bento, pergunta-me novamente se é na próxima. Decido então dizer-lhe que o avisava quando fosse, porque já sabia que me iria perguntar a cada paragem se era o Chiado. Até aqui tudo bem, porque já é hábito e como português que sou, trago comigo também a minha veia de prestabilidade, como só o nosso povo consegue ser.

Com destino ao Martim Moniz lá seguia o eléctrico não tão cheio como durante a tarde até porque já estava a jogar o Benfica. Mas quando o rádio toca da Central Comando de Tráfego a chamar pelo guarda-freio, ou são boas ou más notícias. Do outro lado ouve-se o colega a pedir ao guarda-freio que «não passe a Graça sem falar comigo». Mau presságio, até porque o meu destino era além da Graça.

Uma interrupção acabaria mesmo por obrigar o eléctrico a terminar viagem na Graça, e foi precisamente neste momento que o meu dia perdeu a graça toda, quando uma senhora me diz, já depois de saber que o eléctrico ia ficar por ali que, «Se termina aqui não têm de por lá Martim Moniz!» . Num tom mais baixo e calmo em relação ao da passageira quando se dirigiu a mim, lá lhe informei que só durante a viagem tinham avisado o guarda-freio, pelo que se tratava de um imprevisto, conforme tinha ouvido a comunicação via rádio. Mas falar para esta gente é o mesmo que falar com a manivela do eléctrico ou com o espelho retrovisor.

Na verdade se eu não tivesse fardado naquele momento, não me tinha chateado e não teria perdido o meu latim que é tão necessário para o dia-a-dia. E para não bastar, à saída ainda disse que o nosso «dever, é informar...» E agora pergunto: "Mas então o que foi feito?"

Resta-me então desejar boas viagens a bordo dos veículos CCFL.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

A comemorar 138 Anos (III) : Factos que marcam uma história

Continuando esta minha referência aos 138 Anos que a Carris comemora no próximo dia 18 de Setembro, dou-vos hoje a conhecer alguns dos factos que têm marcado a história da Carris, através de um pequeno vídeo com recurso a fotografias do presente, a relatarem factos de um glorioso passado.




A criação deste vídeo teve como base a informação disponibilizada no relatório de sustentabilidade de 2009 e apresentam apenas alguns dos momentos importantes da Carris ao longo dos seus 138 Anos de vida, acompanhados de fotografias que tirei recentemente.

domingo, 12 de setembro de 2010

A comemorar 138 Anos (II): De forma sustentável

A Carris continua a apostar na divulgação da sua marca e dos seus serviços, com a participação em diversos eventos. No mês que comemora 138 anos de existência, iniciativas como «Lisboando» pretendem ligar a marca Carris à cidade e às pessoas, aproveitando para relembrar que a empresa dispõe de carreiras «Bike Bus», e para chamar novos clientes para os autocarros e eléctricos que circulam diariamente na cidade.

A iniciativa «Lisboando» decorreu este domingo em Belém num espaço que a Carris reservou para a prática de diversos desportos, incluindo um Peddy Paper. Várias famílias participaram no evento que trouxe para as ruas da cidade as pessoas, aproveitando os espaços verdes e fomentando a prática do exercício físico, aliado ao divertimento.

Mas nem só em Lisboa a Carris pretende reforçar a sua imagem, até porque diariamente
milhares de passageiros que transportamos, vêm da periferia trazendo consigo carros que congestionam a cidade e que aumentam os níveis de poluição ambiental. Assim sendo, a Carris marcou presença no GreenFest 2010, o maior evento de sustentabilidade do país, celebrando o que de melhor já se faz nas três vertentes: social, ambiental e económica.

Um stand amarelo publicitando o movimento menos um carro, acompanhado de um dos novos autocarros movidos a Gás Natural, dão portanto, as boas vindas aos visitantes que até dia 17 visitam a feira, que se realiza no centro de congressos do Estoril. No interior, um stand da Carristur convida à partilha de automóveis com o serviço «MobCar Sharing» - o aluguer inteligente de automóveis.

Aos visitantes a Carris disponibiliza algumas ofertas entre as quais, mapas da rede de transportes, lápis, packs sustentabilidade com sementes de salsa e mini relatórios de contas e sustentabilidade 2009 acompanhados de um cd interactivo com a versão digital dos mesmos. O movimento menosumcarro.pt convida o uso do transporte público com cartões «7colinas» com uma viagem e a Carristur oferece informação diversificada sobre os seus produtos MobCar Sharing.


sábado, 11 de setembro de 2010

De olho na net... E no tributo aos Eléctricos

Quando os tributos são merecidos e bem feitos, há que os destacar. Pois é isso mesmo que pretendo fazer com o vídeo que em seguida vos publico, e que encontrei na plataforma YouTube, onde por sinal há vários vídeos interessantes de Lisboa, eléctricos e do quer que seja.

Remeto-vos então para 2002 e para um vídeo da autoria do britânico que se apresenta como «claretsarecool» e que na sua visita a Lisboa, achou por bem dedicar um vídeo, não só à cidade em si mas também, aos eléctricos e o resultado ficou perfeito.



Se conhece mais vídeos deste género e que acha que devem ser aqui mostrados, não deixe de enviar o seu comentário. Boas Viagens!

A comemorar 138 Anos: Vá para fora cá dentro...

No mês em que completa 138 anos, a Carris apresenta algumas novidades aos seus passageiros...


[Off Topic]: Imagens de uma Cidade - Lisboa

E porque às vezes também é bom ser turista, ainda que da própria cidade...

"A Torre de Belém é um dos monumentos mais expressivos da cidade de Lisboa. Localiza-se na margem direita do rio Tejo, onde existiu outrora a praia de Belém. Inicialmente cercada pelas águas em todo o seu perímetro, progressivamente foi envolvida pela praia, até se incorporar hoje à terra firme.

O monumento se destaca pelo nacionalismo implícito, visto que é todo rodeado por decorações do Brasão de armas de Portugal, incluindo inscrições de cruzes da Ordem de Cristo nas janelas de baluarte; tais características remetem principalmente à arquitetura típica de uma época em que o país era uma potência global (a do início da Idade Moderna).

Classificada como Património Mundial pela UNESCO, em 7 de Julho de 2007 foi eleita como uma das Sete maravilhas de Portugal", In Wikipédia.

E é precisamente nos jardins da Torre de Belém que a Carris promete este domingo criar muita animação num espaço reservado especialmente para si, onde pode realizar peddy paper's, andar de patins, bicicleta ou skate. Divirta-se.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Já cheira a borracha!

Os últimos dias de trabalho não me deram sequer tempo para escrever o quer que fosse. Depois de uma tarde na 28E a fazer lembrar aquelas tardes de Agosto, não pelo calor claro, mas pela quantidade de turistas que deram novamente à costa, seguiu-se uma tarde na 25E daquelas para esquecer até porque a maioria das escolas na Lapa já recomeçaram actividade, assim como os escritórios, e o 25E manteve-se não de férias porque já lhe bastam os fins-de-semana, mas com horários de «Verão e Agosto», algo impraticável para a sua procura.

O resultado só poderia ser um. Sucessivos atrasos e um dia de trabalho mais desgastante do que qualquer semana inteira na 28E. Para compensar hoje regressei também à 18E, o que no geral se pode dizer que, o dia de ontem e o de hoje, é como que um regresso às origens. Perante um serviço mais calmo do que tem sido então hábito, deu para perceber que voltou o cheiro da borracha.

Claro que o eléctrico não passou a andar com pneus, porque era algo impossível. Refiro-me claro está, às mochilas novas, aos cadernos, aos afias, aos lápis, aos estojos e não esquecendo claro está, o cheiro dos livros novos prontos a estrear. Fez-me recordar o entusiasmo com que via cada início de ano lectivo, quando estudava. Sempre muito cuidadoso, adorava conservar os livros como novos e nem um risco poderiam ter. Gostava de abrir e sentir o cheiro. Hoje voltei a senti-lo quando um rapaz vinha com o seu avô da papelaria.

Tinha acabado de comprar a maioria dos livros que este ano vai usar na escola. Entusiasmado lá ia durante a viagem e logo no primeiro banco da frente, a comentar com o avô, o que observava folha a folha. Chegamos à Boa Hora e com a Ajuda ali tão perto, entra um amigo dele que pelo que parece ficou este ano na mesma turma, o suficiente para até ao destino deles irem mostrando um ao outro a mochila que tinham comprado, os cadernos do spider man ou os lápis de cor da Viarco. O brilho nos olhos dos rapazes contrastava com as lamentações dos custos por parte do avô de um e da mãe do outro.

«É tudo muito bonito enquanto é novo», dizia a mãe e com razão, porque depois o cheiro já não é o mesmo e o estado muito menos. «O pior é que está tudo caríssimo», respondia o avô. E lá iam falando sobre os elevados euros gastos no material que ainda não estava todo comprado.

Mas com as escolas vem também o trânsito. O Cais do Sodré de Setembro de 2010 promete ser ainda pior que o de 2009 e se for-mos até à Baixa então é melhor esperar para ver porque vem aí uma alteração de trânsito que pelo que me parece vem beneficiar os ligeiros e prejudicar os eléctricos, nomeadamente quem neles se transporta.

É portanto natural que ao cheiro da borracha e do afia lápis se junte o das embraiagens no pára-arranca. E segunda-feira voltam os horários de Inverno o que nos faz também lembrar o regresso da chuva. Tudo boas notícias para aqueles que adoram o Inverno...

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

28E - Uma carreira de emoções fortes!

Quando as coisas não correm bem há diversas reacções que o anunciam. Se o eléctrico não passa para baixo e passam dois para cima, é ver os passageiros do sentido contrário bracejarem connosco, que até vamos para cima na calçada da Estrela, como se fossemos nós os culpados. Se nos esquecemos por alguma razão de efectuar uma paragem, chamam-nos logo palhaço ou somos de imediato promovidos com o «ó chefe então não parou?»

Mas muitas das vezes os problemas vêm de fora para dentro do eléctrico e até pode não ter nada haver com o serviço que a Carris presta ao passageiro. Os casos são dos mais diversos. A reunião do trabalho que não correu bem, ou a conversa com o patrão que chamou a funcionária à atenção e ela não gostou, enfim, há uma série de situações que são abordadas dentro do eléctrico. E quando se juntam colegas de trabalho no mesmo eléctrico, é um lavar de roupa suja mesmo que trabalhem numa estação de correios ou no supermercado.

Depois há o chumbo no exame que deixa qualquer um em franjas ou a relação com o/a namorado/a que não está a correr bem e pronto é vê-los entrar agarrados ao telemóvel com uma vontade imensa de o por a voar pela janela fora. Hoje o que foi não sei, mas a jovem que entrou no Largo do Camões, pareceu-me bastante em baixo e decidiu ficar em pé logo ali na frente junto ao meu posto de condução, talvez para refrescar um pouco as ideias com o ar que ia entrando pela janela.

Uma chamada... duas e de repente ouvem-se desabafos de quem não quer dar nas vistas, e caiem as primeiras lágrimas de quem tenta por os óculos de sol mesmo que sejam já 20h30. Do outro lado desligam a chamada e do lado de cá o desespero é ainda maior. Chegamos à Igreja de Santo Condestável em Campo de Ourique, e até eu quase que já partilhava o desgosto da rapariga que simpaticamente me pede para sair pela porta da frente, desejando-me boa noite, numa noite que para si não terá sido certamente uma boa noite.

E depois disto... a chuva! Miudinha daquela que parece manteiga. Abranda a marcha porque o que interessa é chegar com o carro tal como nos deram e sem problemas. Amanha há mais! Boas viagens!


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Eléctrico é a estrela da Carris que este mês completa 138 anos

A Carris completa este mês de Setembro 138 anos. Para assinalar o aniversário que se assinala a 18 de Setembro, estão agendadas várias iniciativas e algumas novidades, que se juntam às comemorações da Semana Europeia da Mobilidade. A primeira está marcada para dia 12 intitulada de «Lisboando», que convida os lisboetas, sejam eles ou não clientes da empresa, para participarem nesta iniciativa, que decorrerá numa área reservada na zona de Belém.

Com esta iniciativa, a Carris pretende promover os “meios suaves“ de transporte, designadamente a bicicleta, patins e “skates”. Reserve então este dia na sua agenda para participar nas aulas de ginástica ao ar livre, no circuito de bicicleta pela cidade ou nas restantes actividades serão disponibilizadas.

Mas como o regresso às aulas está habitualmente agendado para este mês de Setembro, a Carris não deixou de pensar nos que carregam diariamente livros e cadernos e oferece
entre os dias 13 e 26 uma versátil mochila a quem adquirir o passe anual, denominado “Pague 10, Passe 12”, com o qual os clientes pagam apenas 10 meses, mas podem utilizar o passe o ano inteiro.

A 18 de Setembro
comemora-se então os 138 anos da Carris, empresa fundada no Brasil em 1872 e que acompanhou ao longo dos anos, o desenvolvimento de Lisboa, uma cidade que ganhou novos espaços e novos bairros, onde circulam mais pessoas que percorrem maiores distâncias. Inicialmente com carros puxados por animais, a Carris inaugurou em 1901 o serviço de Eléctricos e trouxe mais tarde os autocarros, tornando-se na principal empresa de transportes da região de Lisboa.

Depois a 22 de Setembro, na Gare do Oriente a Carris irá apresentar publicamente, a sua nova frota de 30 autocarros articulados, recepcionados durante o ano de 2010, sessão esta que será presidida por S. Exa. o Secretário de Estado dos Transportes. Segundo o site da Carris, «os 30 novos autocarros estão preparados para o transporte de passageiros de mobilidade reduzida, disponibilizando um espaço para cadeira de rodas, espaldares e rampa de acesso. Estes autocarros, para além de possuírem características técnicas inovadoras, que se traduzem numa maior comodidade, conforto e segurança para os Clientes, estarão, também equipados com sistema Internet Wi-fi Grátis da TMN.»

Também com início
no dia 22 e prolongando-se até ao dia 26 está a presença da Carris na FIL, com a Feira Portugal Tecnológico, repetindo assim a presença do ano anterior. Esta presença da Carris na FIL é um dos pontos que destaco nestas iniciativas, porque a empresa apresentará aos visitantes as mais recentes iniciativas em prol da inovação e tecnologia e de que forma estas podem funcionar aplicadas no seu serviço, beneficiando os seus Clientes. A sua presença estará concretizada em dois moldes: num stand de sustentabilidade & competitividade e num espaço de experimentação onde teremos presente um posto da central de comando de tráfego, com um controlador.Visite-nos neste espaço e descubra porque "andamos a pensar na tecnologia".

Mas se gosta de História não vai mesmo poder perder a exposição que será inaugurada no Museu da Carris a 23 de Setembro e que estará patente até 23 de Dezembro, em colaboração com a Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República, que propõem-lhe que visite esta exposição no Núcleo 2 do Museu, que retrata a importância do transporte público durante o período da primeira república.

Além destas iniciativas, a transportadora irá ainda proceder à aplicação nas paragens dos autocarros de uma placa com leitura em braille e com caracteres em relevo para cidadãos invisuais, permitindo-lhes consultar os tempos de espera dos veículos através do telemóvel.

“Serão, ainda, disponibilizados Cd’s com a descrição áudio do percurso de carreiras acessíveis, preparadas para o transporte de passageiros de mobilidade reduzida, dando a indicação das paragens e respectivos interfaces”, revela a empresa em comunicado.

Paralelamente a estas acções, a Carris irá também participar nas iniciativas desenvolvidas pela Câmara Municipal de Lisboa e pela Autoridade Metropolitana de Transportes de Lisboa, para Semana Europeia da Mobilidade. Destas acções destacam-se a reactivação do corredor BUS intermitente na Cidade Universitária, que decorrerá no dia 21 de Setembro, e a assinatura de um Protocolo Park & Ride entre os operadores de transportes públicos de Lisboa e a EMEL .

Foto: Rafael Santos / Logotipo: Site Carris / Fonte: Carris.pt ; Menosumcarro.pt

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Edição Especial «Ídolocarris»

Hoje desloquei-me para o trabalho de autocarro. Mas antes de sair de casa, para aquele que foi um regresso às origens com um serviço na carreira 25E, depois de um mês pelos lados da 28E, naveguei pela internet em busca de novidades no que toca a fotografias e vídeos. Duas áreas que, como já perceberam, me chamam bastante a atenção.

Ora por falar em “chamar a atenção”, nada melhor que recordar os tempos de motorista, quando assentei praça na estação da Musgueira, percorrendo toda a cidade de Lisboa nas mais diversas carreiras. Do centro da cidade à periferia, durante as viagens apanhava um pouco de tudo como o leitor assíduo do blog já pôde constatar.


Contudo há aqueles que fazem do autocarro a sua casa. Uns mais asseados que outros. Mas há também os que fazem do autocarro o local indicado para chamar a atenção. Há os que metem facilmente conversa com o passageiro do lado e os que procuram junto do motorista uma voz amiga.


Mas não posso esquecer também aqueles que pensam estarem num estúdio de televisão onde se fazem castings para escolherem novos talentos da música, mesmo estando sentados num dos bancos do autocarro. E digo autocarro porque ainda não apanhei nenhum destes nos eléctricos.


Pois num instante parece que o interior do autocarro se transforma em azul com um logótipo de fundo de letras brancas com a inscrição de “Ídolos”, tal e qual uma ídolomania, mas numa versão mais virada para a música em movimento à qual poderíamos chamar de ídolocarris. Na verdade não há apresentadores mas há público, que são os restantes passageiros do autocarro, que num instante deixam de estar distraídos a olhar para o exterior, para escutarem com atenção o som de quem pensa que sabe cantar, acompanhado de coreografias que só é possível com a ajuda dos balaústres do autocarro.


Como as imagens valem sempre mais do que mil palavras, nada melhor que vos deixar o mais recente êxito do universo de passageiros concorrentes a um lugar no pódio, e tudo graças ao autor ou à autora do vídeo, que esta tarde encontrei na internet na plataforma YouTub, do user «costalson». Sem dúvida um grande momento, que este utilizador do YouTube registou e decidiu partilhar com a comunidade cybernautica.




A dúvida é se esta prestação deste senhor, era alguma dedicatória a alguém que se transportava no autocarro, ou se o senhor em questão se terá mesmo enganado no local do casting... Uma coisa é certa, naquela viagem e naquele instante o senhor teve o seu momento de fama.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

As incertezas mais certas que pode haver...

Depois dos turistas, eis que os destaques voltam aos cromos que fazem da 28E uma carreira diferente. Esta tarde preparava-me para descer uma vez mais a calçada da estrela quando ouço uma voz vinda do primeiro banco lateral, por norma destinado aos idosos, grávidas e pessoas com crianças ao colo. Pede-me «que pare na próxima paragem por favor.»

Na verdade a senhora queria mesmo sair na paragem seguinte, mas ao parar o eléctrico na paragem ainda fiquei com dúvidas. Virei-me para trás e perguntei se não tinha pedido para sair. Responde-me que sim e acrescenta que «é para ir ali à papelaria de baixo comprar... como é que aquilo se chama?.... Aquelas coisas muito engraçadas que há, sabe?! Credo, como é que me esqueci do nome daquilo...» e permanece na porta do eléctrico, como que se estivesse indecisa se sairia ou não.

Começo interiormente a contar até cinco ao mesmo tempo que já os restantes passageiros bufavam pelo tempo ali perdido, até que já do lado de fora me diz «olhe não interessa o nome, mas são umas coisas que lá vendem muito engraçadinhas para o meu neto levar para a escola....» Mas afinal o que a senhora queria mesmo, era sair pela frente, no meio de tanta conversa.

Ora quem com menos conversa, faz prever o que se vai passar depois de entrar é o já aqui referenciado, e ao qual apelidei de "sr.poliglota". Mal entra é certo ter conversa para a tarde toda e em todas as línguas.
Depois há aqueles que estão incertos no destino. Se o eléctrico leva bandeiras de destino de "Martim Moniz", mandam parar e ao abrir da porta dizem... «desculpe, mas pensei que ia para a Graça!» Chega então altura de tentar perceber se a pessoa está mesmo perdida, ou se está simplesmente a gozar, porque já não foi uma nem duas as vezes que tal me aconteceu. Digo então que «Vai para o Martim Moniz, mas passa primeiro pela Graça...» e claro está que a pessoa duvida sempre do tripulante. «Passa na Graça mesmo? Não tem de dizer Graça?»

Conto até 3 com os botões da consola e digo que não é minha missão enganar os clientes! Até porque se estou a dizer que passa na Graça é porque passa. Mas pronto, lá se vai dando o benefício da dúvida até porque a pessoa pode mesmo não ser de cá embora tudo o faça crer que sim.


Depois há as incertezas nos destinos de quem anda por andar ou se não o faz parece. «Boa tarde, passa em Sapadores?», pergunta-me uma jovem na paragem dos Anjos. Digo-lhe que sim. Solicita-me um bilhete e senta-se no único lugar disponível à janela. O eléctrico começa a subir em direcção a Sapadores e alguém solicita a paragem, mas a jovem que havia perguntado por Sapadores permanece impávida e serenamente sentada.
Pensando que estava distraída, pergunto-lhe se não iria querer sair em Sapadores, dado que já lá estávamos. «Não, obrigado mas vou continuar até ao Chiado.» Será que mudou de planos ou perguntou por Sapadores só por perguntar?!

E para terminar há sempre aqueles passageiros que mal avistamos ao longe depois de uns bons dias seguidos na mesma carreira, já sabemos que nos vão trazer chatices, ou pelo cheiro, ou pelo feitio. Na 25E é a conhecida por "velha dos gatos", que deixa um perfume indesejável assim como um mau estar unânime, mas a qual há muito não apanho (ainda bem) ou o senhor que habitualmente entra nos Poços Negros
na carreira 28E.

De colete na cervical e muleta na mão entra sempre no eléctrico cumprimentando o guarda-freio com um «boa tarde jovem!» e um aperto do braço com bastante força, deixando mesmo marcas da sua passagem. Espero que se sente, mas se ninguém lhe cede o lugar... temos pano para mangas. A revolta do senhor consegue-se mesmo ouvir na Estrela mesmo que estejamos já no Camões e por muito que se tente acalmar, é escusado e o melhor mesmo é chegar o mais de pressa possível ao Chiado, onde costuma sair.

Com este senhor perde-se sempre no mínimo 4 minutos para subir e outros 4 para descer e não é que esteja incerto no destino, mas porque tem muita certeza em querer desabafar os seus males e a sua revolta enquanto se transporta entre o Poço dos Negros e o Chiado.
E é por estas e por outras que nós tripulantes somos muitas das vezes o muro das lamentações do povo.

Foto: Autor desconhecido

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