quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Se o «moço» fala a mesma língua... Não tem como não entender!

«Uauuuu! C'est Fantastic!», diz um francês mal acaba de sair nos Prazeres depois de mais uma viagem na carreira 28E. Não resiste a esperar pelo próximo, até porque o que ele queria mesmo era andar de eléctrico. Dos Prazeres ao Martim Moniz, o eléctrico vai carregado de gente. Os portugueses já estão em minoria porque o relógio diz que está na hora da janta, e no interior a maioria fala francês. Dois casais espanhóis esgotam quase o cartão de memória da máquina fotográfica. Os italianos ficam espantados com o percurso do eléctrico que parece rasgar as ruelas de Alfama.

Em S.Tomé uma espanhola que tinha saído no Largo das Portas do Sol, surge na frente do eléctrico aflita, pedindo que lhe abrisse a porta. «Roubaram-me o telemóvel aí dentro», dizia! Corajosa, entrou e revistou um passageiro do qual ela duvidava, mas ao que parece o telemóvel já tinha sido roubado ainda antes de entrar no eléctrico. Desgastada com o roubo, lá me agradeceu, deixando de novo o eléctrico.

Todos os olhares passaram a recair sobre aquele passageiro, e os comentários inevitáveis. «Isto mói-me cá dentro que nem imagina», desabafa a senhora que aproveita o vento que entra pela janela da frente para se refrescar. E num instante parece que chegámos ao Brasil, com as duas passageiras que queriam ir para a Almirante Reis e apanharam no sentido oposto o 28E.

«Moço, esse bondinho não vai p'ra Almirante Reis?», ao que lhe respondi que "vai sim. Depois eu aviso!", mas como sempre, os turistas brasileiros teimam, em fazer-se difíceis de entender, em quererem ser mais espertos que tudo e todos e quando chegam ao Largo da Graça, tocam e quando vão para sair, voltam a perguntar ao moço (mas qual moço qual quê? Já andámos juntos na escola alguma vez? - é o que me apetece logo perguntar...) «é aqui não é!», e logo lhes perguntei, se já lhes tinha dito que era ali a Almirante Reis. «Ah você nos avisa, né? Brigada moço!»

A noite substitui o dia, mas o eléctrico continua cheio, bem ao estilo de uma lata de sardinhas. Um italiano pergunta até que horas funciona o eléctrico, dando a entender que ali quer andar até acabar, colina acima, colina abaixo. Uma diferente forma de fazer turismo. E se o trolley salta, então até parece que ganham o dia, só por ver o guarda-freio sair e voltar a colocar a roldana em contacto com o cabo da rede aérea. Uma aproximação a um carro mal estacionado, deixa-os na expectativa. Passa, não passa?... Desta vez passa por centímetros e dá direito a salva de palmas, tal como aquela moda que já parece ter passado, de se bater palmas na aterragem dos aviões.

Coisas banais que acontecem todos os dias na 28E, mas que para estes turistas, são mesmo algo de um outro Mundo. É por estas e por outras razões que, esta é para mim a melhor carreira do universo Carris, porque aqui todos os dias são realmente diferentes!

7 comentários:

Angelo disse...

Olha, eu não sou turista e adoro o 28 também!

Sónia e MI disse...

oH Primo e aos anos que tu adoras essa carreira!
:D

APS disse...

Caro Rafael Santos

Sempre bonitas histórias, algumas com contornos intermédios pouco confortáveis. É o caso do senhor que teve de ser revistado.
«MOÇO» - (BRASIL)- Menino ou rapaz branco. (Grande Dicionário da Língua Portuguesa - Cândido de Figueiredo).
Temos de desculpar os brasileiros!

Um abraço
APS

CR 35 disse...

"He ganado el teléfono en que hay",Uauuuu! C'est Fantastic!,Cuidado com os alfaiates que hoje andam muito activos nesta carreira! Ah você nos avisa, né? Brigada moço!»
Olha lá ó meu se abres o bico levas uma naifada e catamos o guito dos camones,òi moço cê é bruto mesmo né!«Moço, esse bondinho não vai p'ra Almirante Reis?,"vai sim. Depois eu aviso!diese Linie von Elektroautos ist fantastisch nicht?», diz o alemão 典型的なキャリアリスボンremata o japonês,туристів, як і кожна річ,reclama a ucraniana empregada de restaurante para a amiga ,vamos mas é lá andar com esta m....a que quero ir à segurança social buscar o cheque do RIS para ir carregar o télemovel para procurar emprego diz o gajo do bairro para o Guarda -Freio.Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL

Hélder Kadimba disse...

Caro Sr. Rafael,

É bom que saiba que tem seguidores brasileiros que admiram muito o seu blog, e que não se acham mais espertos que ninguém, ao contrário de si em relação ao "andamos juntos na escola", visto que "moço" no Brasil só denota boa educação.

Cumprimentos e boas viagens,
Hélder Kadimba

Rafael Santos disse...

Caro Amigo e leitor Hélder Kadimba,

Quando fiz referência à situação do moço, foi dirigido concretamente ás duas passageiras e sobretudo à forma como falaram na altura da questão.
Até porque diariamente lido com brasileiros, como pode calcular e não tenho nada contra este povo irmão, de onde tenho grandes amigos e até colegas.

Não pretendo com este texto que se sinta ofendido, nem tão pouco transparecer que sou esperto, que é coisa que nunca fui. Considero-me apenas um pouco inteligente para perceber a maneira como as coisas são ditas inseridas num contexto.

Espero que fique esclarecido que não há nada contra o povo brasileiro. São todos bem-vindos a bordo do meu eléctrico.

Um grande abraço e votos de boas viagens!

Rafael Santos

nuno disse...

Sr Hélder em França sê francês....em Portugal tentem ser bem educados porque prestamos um serviço público e não gosto muito de ser chamado rapaz branco ou menino. Aqui para quem não sabe, ou tem dificuldade em perceber, a educação manda chamar SR MOTORISTA ou SR GUARDA-FREIO.Tentem.... não custa nada

ass Nuno Martins (português do bairro da Mouraria) tripulante de profissão

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