quinta-feira, 29 de julho de 2010

Estreia na 28E: Bem-vindos à "montanha russa" de Lisboa

Há já alguns dias que não vos dava notícias, mas hoje tenho de registar e partilhar convosco a minha estreia na carreira 28E, depois de quatro meses e meio, limitado às carreiras 18E e 25E. Cumpridos os 3 dias de formação contínua, seguem-se os 4 dias acompanhado por outros colegas e uma descoberta de algo que já há muito conheço. A «montanha russa» de Lisboa.

Há quem diga que vir a Lisboa e não andar na carreira 28E é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa, e de facto esta carreira é mesmo diferente de todas as outras, quer seja em Portugal ou no estrangeiro. A imagem que acompanha este post, é da autoria da Patrícia, encontrei-a na internet, no álbum de Valdagua e é um excelente retrato para caracterizar esta minha chegada à 28E, que tanto desejava. O sobe e desce, as curvas e contra-curvas e as ruas estreitas de Alfama onde o eléctrico passa a centímetros dos prédios, juntam-se aos mais diversificados rostos que se cruzam pelo eléctrico, fazendo destas, viagens diferentes e bem divertidas.

Outra das coisas que já me apercebi é que, parece que o blog vai ter mais histórias e episódios para relatar, o que também me deixa satisfeito por poder partilhar convosco, que ás vezes mesmo respondendo em espanhol a um espanhol, temos de repetir cinco ou seis vezes que «sim é o 28E que passa perto do castelo».

Paciência redobrada é portanto um dos ingredientes necessários para que a «receita» para um bom serviço na 28E saia bem, juntando ao poliglotismo com que nos deparamos ao transportar pessoas, que ficam fascinadas com os circuitos e ruas da nossa cidade e que nem querem abandonar o eléctrico no fim da viagem.

No primeiro dia de 28E houve ainda a oportunidade de sentir bem perto a indignação de quem pela manhã recebeu na caixa do correio algo que poderia não ter recebido se tivesse há um ano atrás pago bilhete numa viagem a bordo da CCFL. Depois de entrar na R.Conceição com destino à Graça e de ter validado o título de transporte (já lhe serviu de emenda), lá foi junto à plataforma da frente comentando que «nem quero acreditar. Estes sacanas passado um ano ainda têm a lata de mandar isto...», dizia com o objectivo claro de meter conversa, ou comigo, ou com o guarda-freio que me acompanhou neste primeiro dia.

Acrescentando ainda que «já não basta os 170.00€ da multa e ainda tenho de pagar o 1.45€ do bilhete?! 171.45€... Estas gajos estão doidos. Não vou pagar. Vamos para tribunal porque estou desempregado», dizia ainda na esperança de ter a nossa opinião, que obviamente era desnecessária, tal como a multa, bastando ter pago bilhete como todos os outros. Afinal seria ele mais esperto que os outros?

No final, apenas dizer que gostei desta estreia que teve igualmente direito a duas viagens matinais pela carreira 15E, não tendo sido necessário efectuar qualquer tipo de corte durante todo o serviço.

n.d.r.: Imagem gentilmente cedida por valdagua

5 comentários:

Andre Bravo Ferreira disse...

Fantástico, não pagam e ainda reclamam!

Parabéns Rafael, agora já posso andar de 28E, falta seres o guarda-freio. Já agora boa sorte para esse serviço.

Grande abraço.

Angelo disse...

Benvindo ao 28! E olha que volta e meia dou lá um passeio!

De resto, esse senhor padece do mal luso do costume: reclama para o ar a ver se alguém lhe dá conversa! E ainda bem que não lha deste!

E de certeza que vais ter histórias maravilhosas do 28 para contar!

Anónimo disse...

Boa sorte no 28 (e nas outras carreiras) e, parabéns pelo blog.
Valdemar Alves (guarda-freio Eléctrico Sintra)

João disse...

Olá Rafael,

parabéns por mais este upgrade. Bom trabalho e grande abraço. Em breve terei novidades.

CR 35 disse...

Sim! estou de acordo que a carreira 28 é mais fértil em histórias ,camones ,alfaiates,mal estacionados,noivas de Santo António,Festas populares,etc...os clientes que insistem em andar à borla porque pensam que estão em CUBA,mas quando elas aparecem para pagar reclamam de não saber porquê,é o típico esperto de Lisboa que ao fazer em frente de alguns imigrantes e turistas os levam a pensar que isto é tudo à borla e não sofrem consequências começam a aparecer no Metro e nos veículos da CCFL,depois quem tem que os ouvir são os GF e os MSP como se eles fossem os psicólogos de serviço .Boas viagens a bordo dos veículos da CCFL

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