terça-feira, 8 de junho de 2010

Da sardinha ao manjerico, na carreira vinte e cinco

Poderia estar a escrever este texto ao som de um dos êxitos do Quim Barreiros, mas para música pimba, basta já o terminal das carreiras 18E e 25E que por estes dias tem também farturas, porras, pão com chouriço e claro a sardinha assada. Falo-vos da Rua da Alfândega, que para muitos é o campo das cebolas ou simplesmente a Casa dos Bicos. As festas de Lisboa já estão na rua e com elas veio também o fado no eléctrico 28 e o cheiro a sardinha assada.

Ainda antes de partir para mais uma viagem aos Prazeres, há tempo para ouvir apregoar o manjerico. E se os gritos do «regar e pôr ao luar» não são os mesmos de outrora, já o cheiro da planta e o vaso de barro juntam-se aos cravos de papel com versos que têm o mesmo encanto, desde os tempos em que pelas ruas de Alfama, com os meus amigos, pedia um "tostãozinho para o Santo António".

Na verdade, se "há festa em Portugal, São os santos populares, Da sardinha ao manjerico, Os cheiros andam pelos ares". Tendas de cerveja espalham-se pela cidade, e do Arraial da Madalena ao Arraial da Bica, passando pelo da Madragoa, o eléctrico 25E lá vai galgando a rua de São Domingos, para delírio dos franceses que, ficam de boca aberta perante a garra com que o velho amarelo ainda sobe o declive de um dos bairros nobres da cidade e que os leva ao encontro do «tram numéro vingt-huit», na Estrela.

Muitos apanhados de surpresa, outros nem tanto. «
Vos fêtes sont fantastiques», diz uma francesa ao mesmo tempo que quer tirar uma fotografia ao eléctrico que por esta altura tem a decoração das sardinhas.

Da Estrela aos Prazeres, a viagem passa num abrir e fechar de olhos, até porque o trânsito é pouco, sinal que muitos já estão de férias. De regresso à R.Alfândega, mais um grupo de turistas e o eléctrico a sair da Estrela bem ao estilo da carreira 28E, ou seja, tipo sardinha em lata. «Não há direito! Pagar um passe para andar em pé», desabafa uma senhora, lá do meio do eléctrico. O burburinho instala-se mas por poucas paragens até porque na maioria são estrangeiros, os que ali se transportam.

O sinal de paragem acende-se acompanhado do tocar da campainha. Sai uma senhora em Santos-o-velho e há portanto lugar para mais um. Na paragem seguinte não entra um, mas três e na Praça do Comércio o que era uma lata de sardinhas, tornou-se numa caixa vazia, como aquelas em que depois do arraial, não resta uma sardinha.

Arraiais à parte, o dia terminou com o «auxiliar do tripulante». Não é oficialmente nenhum cargo novo na Carris, mas apenas um jovem que pelos vistos anda pelos autocarros e que tem o sonho de ser motorista. Conheci-o já de regresso a casa, quando entrei no 794. Depois do meu colega lhe ter dito que era eu o tripulante do blogue, o rapaz que, ao que parece nem gosta muito de ir à escola, não hesitou em perguntar «como é que se faz um blogue? É que quero fazer um do auxiliar do tripulante», na verdade o que ele gosta mesmo é de andar nos autocarros e espera um dia poder contar as aventuras, como faz questão de se apresentar, do «auxiliar do tripulante»...

Boas viagens!

3 comentários:

Joao Baptista disse...

este ano a 2€ cada sardinha, comam-nas eles

Nuno disse...

É o "sr." ***** costuma andar cmg quando vou 794.. e um miudo porreiro... tem o defeito de não ir as aulas lolol

CR 35 disse...

O puto se quer fazer um blog tem que estudar primeiro,e depois de ter um canudo manda à fava o auxiliar de motorista ou guarda -freio porque se tiver canudo pode ser director dos motoristas ou guarda-freios que é bem melhor!E BIBA A SARDINHA !e façam como eu levo um fogareiro portátil umas sardinhas,uma broa ,uma de tinto vou para um dos bairros onde houver bailarico monto tudo e gozo até de madrugada ,boas viagens a bordo dos amarelos da CCFL

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