domingo, 30 de maio de 2010

Imagens de uma cidade: Lisboa

E porque ás vezes também é bom ser turista ainda que da própria cidade...



Para ir até ao Castelo de São Jorge tem o autocarro 37 e os Eléctricos 12E e 28E. Boas Viagens!

sábado, 29 de maio de 2010

Sugestão do Tripulante (8): À descoberta de Lisboa no Parque do Monterio-Mor

É fim-de-semana e é também tempo de trazer até aqui mais uma "Sugestão do Tripulante", ainda a tempo de a inserir nos seus planos, quem sabe para este Domingo. Hoje a proposta recai sobre um Jardim desconhecido por muitos mas que ocupa a encosta do Museu do Traje e que fica numa zona rodeada de Palacetes - o Paço do Lumiar. Vamos então apanhar a carreira 3 rumo ao Parque do Monteiro-Mor...

Sabia que...

A carreira 3 de Autocarros circula pelas ruas de Lisboa desde 1944. Foi precisamente a 9 de Abril desse mesmo ano que a Carris inaugurava mais uma carreira na sua rede de autocarros. Inicialmente como circulação e com terminal nos Restauradores, a carreira viria três anos depois o seu percurso prolongado à Praça do Comércio. Em Fevereiro de 1986 uma continuada Greve do pessoal oficinal, obriga a suspensão desta carreira por falta de veículos e no mesmo ano acabaria mesmo por ser suspensa.

Mas o prolongamento da rede do Metropolitano a norte da cidade, levou dois anos mais tarde, a Carris a colocar de novo a carreira 3 em funcionamento, mas então, entre a Praça de Alvalade e o Largo da Luz. Ao longo dos anos foram feitos reajustamentos e actualmente a carreira 3 que está afecta à estação de recolha da Pontinha, tem um percurso compreendido entre o Bairro de Santa Cruz e a Charneca, passando pelo Parque do Monteiro-Mor que é onde recai a sugestão desta semana do «Diário do Tripulante».

A cidade através da carreira...


A zona de Benfica e do Lumiar nunca estiveram tão perto e a carreira 3 é das poucas que dá ao passageiro a possibilidade de observar ao longo do seu percurso bonitos palacetes escondidos entre ruas estreitas e igrejas que compõem a nobre zona do Paço do Lumiar. Uma das zonas mais antigas da cidade. Em tempos de festa a carreira 3 ainda nos leva à Feira da Luz, onde em tempos fazia terminal.
Serve agora o Bairro da Horta Nova e parte de Carnide e a bordo deste autocarro transportam-se vários estatutos sociais, sobretudo se tiver-mos em conta que depois do nobre e pacato Paço do Lumiar chegar-mos ao Lumiar onde a carreira partilha o seu percurso até à Charneca, com a carreira 701 pela Alta de Lisboa.

Mas a sugestão desta semana fica a meio do percurso. O Jardim Botânico do Parque do Monteiro-Mor, situa-se nos terrenos do Museu do Traje e do Museu do teatro. «Este parque foi iniciado no século XVIII. D. Pedro José de Noronha Albuquerque Moniz e Sousa, 3º Marquês de Angeja, quando, por herança, tomou posse do parque, projectou aqui instalar um museu para albergar as suas ricas colecções naturalistas, etnográficas e de arte, que como coleccionador havia recolhido e, tendo como seu complemento natural, um jardim botânico. O projecto do jardim foi entregue ao italiano Domenico Vandelli, autor do Real Jardim Botânico da Ajuda. Assim nasceu um parque à época considerado como um dos jardins mais belos de Lisboa, de que persiste ainda o Lago dos Leões, escadarias e nichos vários, mas que a morte de D. Pedro fez com que não fosse concluído», pode ler-se no guia lifecooler.


Mas segundo este mesmo guia, quando o Estado adquiriu a propriedade em 1976 para ali instalar o Museu do Traje e o do Teatro, «veio a encontrar o jardim totalmente abandonado. Desta época data então o nome do parque do Monteiro-Mor, sugerido por Natália Correia Guedes, como homenagem ao Monteiro-Mor que tinha habitado o Palácio do Monteiro-Mor. Alguns meses depois este foi recuperado, sob a responsabilidade de Luís Sousa Lara, procurando torná-lo auto-suficiente. Salvou-se então uma Araucária heterophyla (espécie rara), no caso, o primeiro exemplar plantado ao ar livre na Europa e que domina o parque. Reconstruiram-se os canteiros e o traçado dos caminhos, introduziram novas espécies, povoaram-se lagos e tanques com peixes, patos e cisnes, criaram-se viveiros para os pássaros, fizeram-se pontes e colocaram-se bancos. O objectivo foi o de recriar o jardim segundo a época dos seus antigos proprietários, iniciando um projecto de horto botânico, com culturas comestíveis e medicinais, a cargo da sua equipa de jardineiros. Actualmente é considerado um dos jardins mais bonitos e sossegados de Lisboa».
Não fique em casa, porque como vê há muitas razões para passar um fim-de-semana diferente do habitual com recurso aos autocarros e eléctricos da Carris que o levam até lugares por muitos desconhecidos.

Mas nem só a carreira 3 serve este local. Fique então a conhecer outras alternativas e claro está, o horário de funcionamento do parque, do Museu do Traje e do Museu do Teatro:


Horário
Museu: Aberto de Terça a Domingo das 10h00 às 18h00
Biblioteca: Aberta de Terça a Sexta-Feira das 10h00 às 13h00 e das 14.30 às 17.30
Encerra à Segunda-feira, Domingo de Páscoa, 1º de Maio, 25 de Dezembro e 1 de Janeiro
Transportes
Metro: Lumiar
Autocarro: 1, 3, 7, 36, 106 e 108


Fonte: Lifecooler / A minha página Carris de Luís Cruz-Filipe / Museu do Traje

terça-feira, 25 de maio de 2010

Na Lapa! "E esta hein?"

Nem sempre o exemplo vem de cima, como se costuma dizer. Num bairro onde se diz "de gente fina", onde poucos são, os que dispensam as altas cilindradas dos seus veículos, há também quem não respeite os utentes do transporte público, ou será puro comodismo?

Uns é porque estão só a acabar de beber o café na pastelaria Cristal, outros é porque estão só a pagar o jornal no quiosque, mas outros há que até interrompem um lanche só para tirar o carro de cima da linha para o eléctrico passar, e voltam a estaciona-lo lá novamente. Gabo-lhes a paciência de não comerem descansados só para não andarem uns metros e terem o carro à porta.

Depois há também os que são supra-comodistas que não querem saber, não só dos transportes como também dos passeios...

«Peço desculpa. É meu, mas fui só ali tratar de uns assuntos!»
, a frase que compõe este pedido de desculpa era daquelas que se podia evitar, e tardou a chegar. Foram 20, os minutos que os passageiros mais resistentes esperaram para ver o senhor chegar e tirar o carro para estaciona-lo uns metros à frente onde já não estorvava, já depois de ter comunicado a interrupção à C.C.T. e ter tocado insistentemente a campainha. Afinal os assuntos eram tão importantes que só deu mesmo tempo para ligar os quatro piscar e por-se a andar dali para fora.

Sorte a do senhor que ao chegar já não ouviu das boas, por parte dos passageiros que na foto a cima se vê, caminhando a pé, procurando outras alternativas, para os seus compromissos ou até assuntos, como os que o senhor deste Audi teve de tratar. Afinal de contas... "gente fina é outra coisa!"

Já dizia o grande jornalista Fernando Pessa, homem da rádio e da televisão que chegou a completar 100 anos de vida... "E esta hein?"

Boas Viagens!

sábado, 22 de maio de 2010

Iniciativa Museu da Carris: Clássicos saiem á rua!

Decorreu esta tarde o primeiro desfile de autocarros clássicos da frota do Museu da Carris que completou no ano passado dez anos de existência. Os míticos autocarros que marcaram gerações passadas, contam agora ao vivo e pelas ruas de Lisboa, todos os meses, a história de uma empresa que faz também ela parte, da história da própria cidade.

Depois dos cortejos dos eléctricos, é agora altura de mostrar aos lisboetas os autocarros e presente neste primeiro cortejo estiveram os seguintes autocarros:

Número de Frota: 76 (1961-1991)
Número de Frota: 109 (1948-1987)
Número de Frota: 217 (1952-1983)
Número de Frota: 301 (1957-1981)
Número de Frota: 486 (1948-1983)

Aqui ficam as fotos da passagem do cortejo pelo renovado Terreiro do Paço nesta tarde de Sábado 22 de Maio de 2010.


Se não esteve neste cortejo tem ainda os próximos que serão anunciados a seu tempo no site oficial da Carris em www.carris.pt ou se preferir pode optar por visitar o Museu da Carris onde é contada a história da empresa com recurso a documentos, fardamentos, equipamentos, autocarros e eléctricos.

Para lhe adoçar o apetite aqui fica um vídeo que a carris colocou on-line recentemente que mostra o que pode ser visto nas instalações do espaço museológico:



Boas Recordações e Boas Viagens!

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Imagens de uma Cidade: Lisboa

E porque há imagens que merecem aqui destaque, aqui vos deixo esta da autoria de "antoniogs", que acabei de encontrar nesse mundo que tem como nome: Internet

Boas Viagens
!

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Na 25E: Cheira bem... cheira a Lisboa!

O calor parece finalmente ter chegado! Mais uma tarde na carreira 25E e que tarde...Uma temperatura a fazer lembrar aquelas tardes em que só se está bem à sombra ou viajando com a cabeça de fora da janela do eléctrico pelas colinas de Lisboa. O ar condicionado do eléctrico é do melhor, dizem os mais experientes. É ao natural e não causa constipações. Hoje tive o meu no máximo com as janelas todas abertas, não fosse entrar a velha dos gatos...

Mas hoje o contemplado foi o colega que estava na outra chapa. Livrei-me por 30 minutos aproximadamente, e nem quero imaginar o pesado ambiente que seguia naquele eléctrico, dada a sua aparência ao cruzar-se comigo. A tarde passou devagar, devagarinho mas parado é que não se podia estar. A brisa que entrava pelas janelas refrescava os rostos cansados de quem tinha cumprido mais um dia de trabalho, enquanto que na esplanada do café do Conde Barão outros se refrescavam com a imperial acompanhada dos caracóis que também estão de volta, fazendo inveja a quem ainda tinha de ir mais duas vezes aos Prazeres.

O virar da esquina leva-nos num instante à Madragoa e o cheiro dos grelhados anuncia que o Santo António está mesmo à porta. Como já devem ter percebido esta época que se avizinha é a minha época preferida do calendário. Lisboa sai para a rua e deita-se mais tarde.

À moda antiga lá vendi quase um maço de tarifas de bordo porque a máquina hoje recusou-se a trabalhar. Não era preciso fazer o tal "plink" já aqui falado mas sempre que se vende estes bilhetes a pergunta surge inevitavelmente... «Onde é que se pica o bilhete?»

Já com o sol noutras bandas que não a de Lisboa, o fresco voltou facilitando assim as ultimas viagens que não sei porquê, hoje foram muito concorridas, ao ponto de uma senhora entrar e dizer que «fico aqui à frente se não se importa, porque cheira muito bem aqui. Lá atrás não sei, mas também não quero imaginar...», dizia-me.

É caso para dizer que "Cheira bem, cheira a Lisboa"!

Boas Viagens!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Um desafio para descobrir Lisboa com a carreira 18E

Uma tarde como a que esteve esta segunda-feira é a ideal para aproveitar e descobrir a capital através da janela do eléctrico. O calor que se faz sentir na rua contrasta com a brisa que corre sobre as janelas e pela retina passam prédios, ruas, monumentos, jardins, enfim uma série de coisas que certamente irão fazer desse dia um dia diferente de todos os outros. Depois de ter sido escolhida recentemente como uma das carreiras na sugestão do tripulante, com a visita ao Jardim Botânico da Ajuda, deixo-vos aqui um novo desafio...



Este é o olhar mais directo do Guarda-freio. Não perca mais tempo e aproveite a próxima folga, o próximo tempo livre e entre você mesmo(a) a bordo de um dos eléctricos típicos da cidade de Lisboa, faça o percurso da carreira 18E ao seu ritmo normal e coloque aqui o resumo da sua experiência, comentando este post.

Boa Viagem!


sábado, 15 de maio de 2010

[Off Topic]: As festas de Lisboa estão de volta ás ruas e à Carris

No ano em que se celebra o centenário da implantação da República e no ano em que Portugal participa no Campeonato do Mundo, as cores que marcam as festas de Lisboa só poderiam ser o vermelho e o verde. «Lisboetas! “A Revolução aproxima-se…! Tomaremos de assalto os vossos bairros, as vossas casas as vossas vidas…! Um tempo novo se anuncia com as Festas 2010.”», diz o programa oficial das festas de Lisboa, organizadas pela EGEAC.

A festa da sardinha volta a sair ás ruas e com ela, os arraiais, as marchas e claro está, o fado que a bordo dos eléctricos da Carris voltará a dar ambiente a quem se transporta neste que também é um símbolo da cidade - o eléctrico.

E para os próximos dois meses a EGEAC promete «Diversas, múltiplas, extravagantes experiências. Desejamos que elas vos transportem para outras vivências, criando novos trilhos, novos percursos, novos sentidos. É pela emoção da partilha, pelo acolher tolerante de todas as diferenças, que a Festa representa o tempo propício de todas as renovações e de todos os futuros».

E no que diz respeito aos eléctricos a procura promete ser muita, tal como nos anos anteriores, onde tudo vale para ouvir fado na carreira 28. Tome nota das datas e dos horários:

FADO NOS ELÉCTRICOS
2 A 6, 9 A 11, 13, 16 A 20 JUNHO | 16H E 19H

ELÉCTRICO 28

Acesso normal para viagem de eléctrico / Para todas as idades

Artistas interpretam o fado mais tradicional e castiço junto das gentes que
deambulam pela cidade e que nela moram é o principal objectivo deste projecto. Com o eléctrico 28, o Fado ganhou um novo palco que desliza do Martim Moniz aos Prazeres, passando pela Graça, Alfama, Bica e Bairro Alto.

Mas nem só os eléctricos serão centro das atenções. Este ano juntam-se a eles os autocarros com encenações teatrais, a bordo das carreiras 35, 60, 718, 727, 758. E é ainda este mês. Tome nota:

OMNIBUS - VENDA IMPLACÁVEL
26 A 30 MAIO | QUARTA A DOMINGO, 16H E 19H

AUTOCARROS 35, 60, 718, 727, 758

Acesso normal para viagem de autocarro / Para todas as idades

Ao longo do percurso entram no autocarro diferentes vendedores ambulantes
que pretendem vender os seus produtos. Para cativar os passageiros e concretizar a venda, oferecem objectos cada vez mais insólitos, que parecem ter sido retirados de algum catálogo de objectos inúteis. No frenesim da venda, a conquista por mais clientes, cria situações absurdas e repletas de humor.
26 Maio | quarta
16H | Carreira 758, Cais do Sodré – Sete Rios

19H | Carreira 758, Sete Rios – Cais do Sodré

27 Maio | quinta

16H | Carreira 35, Areeiro – Cais do Sodré

19H | Carreira 35, Cais do Sodré – Areeiro

28 Maio | sexta

16H | Carreira 718, Beato – Amoreiras

19H | Carreira 718, Amoreiras – Beato

29 Maio | sábado

16H | Carreira 60, Martim Moniz – Largo da Ajuda

19H | Carreira 60, Martim Moniz – Olaias

30 Maio | domingo

16H | Carreira 727, Saldanha – Restelo

19H | Carreira 727, Restelo - Saldanha


Mas se as suas preferências se ficam pelo Jazz, descanse que também tem para onde ir. Os ascensores e elevadores da Carris voltam a ter a iniciativa «JAZZ ÁS ONZE». Ainda em Junho tem para ver as Marchas Populares que desfilam na avenida na noite de 12 de Junho e no dia seguinte, o Santo António percorre uma vez mais as ruas de Alfama.



Razões não faltam para sair de casa. Consulte o programa AQUI

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Eu ainda sou do tempo do... «plink»

No nosso dia-a-dia, há sons e imagens que ficam gravados na nossa memória por muitos e muitos anos e em grande parte dos casos, lembramos-nos sempre do que é mais antigo do que, o que aconteceu no dia anterior. Exemplo disso foi a admiração de uma passageira que depois de ter entrado e me ter pedido uma tarifa de bordo, ficou de boca aberta e incrédula ao receber o bilhete.

"É 1.40€ e aqui tem o bilhete"
, disse-lhe. De imediato o seu olhar desanimado mostrava que não se ia ficar pelo olhar e não perdeu mais tempo até questionar-me se aquele era a tarifa de bordo... «Agora é assim o bilhete? Já não se faz plink naquela máquina?... Era tão engraçado e tinha outro encanto do que este papel que amanhã já nem mostra o que está escrito», dizia enquanto caminhava para procurar um lugar livre que a permitisse descansar até ao Corpo Santo.

Comentários de quem (como eu) ainda é do tempo dos obliteradores Almex que após o seu plink, cortavam a o canto de um bilhete que era de cartolina e que tinha como fundo um símbolo da cidade ou da Carris.

Boas viagens, quer sejam no tempo ou a bordo dos veículos da CCFL.

terça-feira, 11 de maio de 2010

A visita de Bento XVI e os constrangimentos no trânsito e nas pessoas

Os constrangimentos do trânsito, os cortes de ruas e nomeadamente o centro da cidade, prometiam uma terça-feira caótica e diferente do habitual. Carreiras encurtadas, outras fraccionadas, algumas até suprimidas, tudo para Lisboa receber a visita de sua santidade, o Papa Bento XVI que visita pela primeira vez o país nesta condição. O certo é que esta terça-feira acabou por ser mais calma que o habitual na carreira 18E.

A funcionar entre o Cais do Sodré e a Ajuda, esta carreira parecia circular num Domingo, com as ruas vazias, até porque a população estava na sua maioria concentrada na Praça do Comércio e nas ruas adjacentes. Alguns eram apanhados de surpresa, sobretudo os estrangeiros que entravam no Cais da Rocha, provenientes do paquete ali atracado. Mas outros haviam que sabiam perfeitamente do que se passava e até criticavam.

Nestes dias ouve-se de tudo e o guarda-freio ou motorista da Carris transforma-se num instante em muro de lamentações do tamanho do antigo muro de Berlim. «Andamos nós a pé para que seja recebido um homem que ajudou a matar gente no exercito do ditador...», dizia um idoso mais revoltado com o encurtamento da carreira ao Cais do Sodré. Mas se uns mostravam descontentamento, outros haviam que viam a visita do Papa bento XVI como uma festa para a cidade. De t-shirts brancas e bandeiras azuis lá caminhavam rumo ao Terreiro do Paço, mas sempre com alegria no rosto e máquina fotográfica na mão, porque para muitos era a primeira vez que viam ao lado um eléctrico e não admira portanto que este tenha sido dos dias em que mais flashs vi serem disparados.

Depois houve também quem quisesse dar-me uma bandeirinha alusiva à visita de Bento XVI e lá permaneceu até ao final do serviço junto ao controller do eléctrico. Uns mais religiosos que outros, alguns até cépticos, o certo é que há sempre quem tenha uma veia mais humorística e não deixe escapar a oportunidade. Afinal até anedotas se contaram na carreira 18E sobre a visita de Bento XVI, por uma passageira que já é conhecida por ser mais extrovertida, para a sua idade, em relação ás restantes. E lá deixou todos a rir, criando um final de tarde animado mesmo em frente a um local que é habitualmente de tristezas - o Cemitério da Ajuda.

Quem também seguia com ar animado, mas no seu Mercedes e com escolta policial, foi o Exmo. Sr. Presidente da República, na companhia da sua esposa, e que por instantes curtos cortaram a circulação no Cais do Sodré, onde eu me encontrava preparado para mais uma viagem rumo à Ajuda. E como não podia avançar, registei o momento da sua passagem, porque já que não vi o Papa, vi o nosso presidente.

Resumindo, o dia até passou rápido e de forma simpática, mais simpática até, que o colega que se encontrava no Cais do Sodré a coordenar o tráfego, talvez desgastado com a quantidade de perguntas de que ia sendo alvo, ou vencido pelo cansaço. Quero acreditar que assim tenha sido.

Boas Viagens!

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Quando estacionar recorde-se que «Portugal não é só seu...»

Já dizia o Herman José em 1991 que «lugar para o carro quase nunca há, mas fiquei escandalizado com tanta falta de chá», na rubrica "Portugal não é só teu", sobre os carros que mal estacionados, impediam a circulação dos eléctricos. Um anúncio do passado com olhar sobre o presente e que nos recorda como o humor pode fazer a diferença e chamar a atenção daqueles que se fazem distraídos, ou que ainda têm muita falta de chá.

Sem dúvida um bom exemplo do que é possível fazer-se com orçamentos baixos e com recurso ao audiovisual.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Mais uma interrupção e mais do mesmo...

E porque as imagens valem mais do que mil palavras, aqui fica a foto da interrupção que tive esta tarde na 25E. Mais do mesmo...

"Hoje, por causa desta carrinha, a carreira 25E ficou parada 30 minutos"...
"Hoje, por causa desta carrinha, dezenas de pessoas chegaram mais tarde aos seus compromissos"...

"Hoje, por causa desta carrinha, dezenas de pessoas esperaram mais tempo que o habitual pelo eléctrico"...

"Hoje, por causa desta carrinha, a viagem seguinte à da interrupção, não pode ser feita na totalidade"...
"Hoje e todos os dias por causa de carros mal estacionados como este, a carreira 25E não consegue fazer cumprir o seu horário em grande parte das vezes"...


Respeite o eléctrico! Seja consciente, e respeite quem usa o transporte público, por uma mobilidade mais sustentável.

Evite ser o protagonista destas imagens. Os utilizadores do transporte público agradecem!


Foto em cima, à esquerda: Tarde de 05/05/2010
Foto ao lado, à direita: Tarde de 30/04/2010


terça-feira, 4 de maio de 2010

Diário de um tenista a bordo dos eléctricos da Carris

Hoje o amarelo da bola com que costuma jogar deu lugar ao amarelo do eléctrico que aprendeu a conduzir. Nas bandeiras de destino, o número 1 anunciava que a bordo ia Federer. O melhor tenista do Mundo, Roger Federer teve hoje um passeio diferente do habitual pelas ruas de Lisboa, nesta sua segunda estadia em Portugal, por ocasião do Estoril Open'10. O número um mundial, treinou esta manhã no Jamor, "mas ainda antes de se dirigir ao Estádio Nacional, percorreu algumas das zonas históricas da cidade de Lisboa aos “comandos” de um… eléctrico! Numa iniciativa conjunta da João Lagos Sports e Carris, o jogador suíço treinou a condução do tradicional eléctrico lisboeta no Museu do Eléctrico, no Largo do Calvário (Alcântara), tendo aí recebido o respectivo diploma pela aprendizagem", diz o site da prova.

O percurso teve início em Santo Amaro, num eléctrico, e terminou no recinto do Estoril Open, num autocarro histórico (de 1952), pertencente ao Museu da CARRIS. No final o tenista mostrou que está habituado a andar de transportes públicos e que é defensor de uma mobilidade mais sustentável.

“Estou bastante habituado a andar de eléctrico, pois costumava viajar desta forma no Inverno quando treinava em Basileia e no verão andava de bicicleta. Daí que não seja totalmente estranho para mim este meio de transporte. O facto de ter passeado num eléctrico antigo e com tanta história, numa cidade que não conheço, tornou a manhã ainda mais agradável”, confessou Federer.

O site da Lagos Sport adianta ainda que após a passagem pela Rua da Junqueira, "Federer viu em primeiro lugar o Museu dos Coches, seguindo-se depois a passagem em frente à residência oficial do Presidente da República, Cavaco Silva, no Palácio de Belém. A mítica fábrica dos Pastéis de Belém antecedeu a paragem em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, onde o grupo de alunos do Colégio St. Julians de Carcavelos se alargou a 16 crianças, que daí seguiram pela “mão” do suíço até à Avenida da Torre de Belém, terminando o passeio na Rotunda de Algés. A viagem até ao Complexo de Ténis do Estádio Nacional do Jamor, onde treinou com Leonardo Tavares, novamente no court 13, foi feita dentro de um autocarro, igualmente cedido pela Carris, datado de 1957 (!), que deixou Roger Federer à entrada do Sponsors Village".

Este será portanto, um dia diferente na carreira do tenista Roger Federer que até já pode contar aos seus amigos que conduziu um dos mais antigos transportes da cidade de Lisboa - o amarelo da Carris. Um dia que também será recordado pela Guarda-Freio e restante comitiva que o acompanhou nesta viagem onde Federer recordou a sua infância.

Foto do exterior do eléctrico com Federer aos Comandos: site Carris.pt
Foto do Interior do eléctrico com Federer mostrando diploma: Estorilopen.net

[Off Topic]: Na 80ª Feira do Livro com o ranger das calhas

Mais um ano e uma vez mais o Parque Eduardo VII a servir de palco para a realização de mais uma Feira do Livro. Este ano com algumas novidades entre as quais o facto de ter começado mais cedo e de fechar portas diariamente ás 23h30. Mas as novidades não se ficam por aqui. Segundo a organização a feira está este ano dividida por cores para uma melhor orientação por parte do visitante e cada cor tem uma praça onde diariamente ocorrem sessões de autógrafos e outros eventos.

Mais virada para o Marquês de Pombal, a Feira do Livro de Lisboa, é sempre uma boa alternativa para uma tarde diferente, ou um final de tarde agradável em contacto com a leitura. Este ano a falta de tempo ou o jantar com os amigos também não vão ser desculpa, até porque instalados na feira estão também alguns restaurantes, assim como as roulotes das bifanas e das farturas.

O bom tempo que se fez sentir no fim-de-semana passado, originou a primeira enchente desta 80ª Feira, mas se não foi dos que por lá já passou, ainda tem tempo porque a feira só termina a 16 de Maio. À semelhança do ano anterior, a minha primeira visita a esta edição da Feira do Livro, fez com que não viesse de mãos a abanar, tudo porque encontrei no pavilhão A62 da editora «Assírio e Alvim», o livro "Cem anos a ranger nas calhas" de Eduardo Cintra Torres e a menos de metade do preço, o que fez com que fosse uma boa compra.

Se procura este ou outros livros, então o melhor é mesmo não perder tempo e ir até à Feira do Livro de Lisboa e de preferência com recurso aos transportes públicos dado que na zona envolvente nem sempre é fácil arranjar um lugar para estacionar.

Presente nesta edição da Feira está também um clássico de Lisboa. A carrinha que durante anos percorreu a cidade com a sua Biblioteca Itinerante e com ela um espaço lúdico que permite aos novos e graúdos soltarem algumas gargalhadas com as rábulas que vão sendo representadas.

Tal como no ano anterior, deixo-lhe de seguida as alternativas que tem para se deslocar até à Feira do Livro com recurso à Carris, através das carreiras 718 e 742 no topo norte e ás carreiras 12,22,36,44,48,53,83,702,711,713,720,723,727,738,745 e 746 no topo sul.

Boas Leituras e Boas Viagens!

Foto: Rafael Santos / Imagem do Livro: Wook

sábado, 1 de maio de 2010

Sexta-feira na 25E... com direito a «soirée» na 15E

Quando a semana passa a correr é bom sinal. É prova que o serviço correu sem grandes ocorrências, até porque as interrupções na Rua de São Paulo já são marca registada da carreira 25E. O local é quase sempre o mesmo e quando pensamos que "desta já nos safámos" eis que chegamos aos últimos lugares de estacionamento desta rua para ali ficarmos a tocar a campainha durante alguns segundos na esperança que alguém apareça para tirar a viatura, que se tivesse ficado bem estacionada junto ao lancil do passeio, nenhum incómodo tinha causado.

Mas o desfecho é quase sempre o mesmo... Comunica-se à Central de Comando de Tráfego a interrupção e aguarda-se a chegada do reboque. Entretanto aparecem os que se julgam donos da razão, engenheiros das passagens "Resvés Campo de Ourique", que fazem trinta por uma linha, desde o dizer que «passa com custo, mas passa...», ao ajoelhar e fechar um dos olhos tirando o azimute e dizer que «o melhor é não arriscar, se não é o pai do menino...», contudo estas mesmas pessoas para as quais o eléctrico passa sempre, esquecem-se de um pormenor que é o estribo do eléctrico.

Quando o telefone toca...


Nem sempre são boas as notícias quando o telemóvel toca e aparece no visor o aviso que a chamada é proveniente da Expedição. Ou não vamos ter rendição ou caiu algum serviço à última da hora e estão-nos a ligar para colmatar a falha. A primeira chamada é recusada até porque estava em viagem, já a segunda coincide com a minha permanência no terminal e claro está, como previa, era para me pedirem para fazer um parte de um serviço, no serão da carreira 15E.
Como não tinha nada programado e até tinha levado o meu carro para a estação, acabei por desenrascar o serviço, marcando assim a estreia na carreira 15E e num serão de sexta-feira. Foi-me dado tempo para aconchegar o estômago até porque o serviço só terminaria perto da 01h00, mas apesar de ser sexta-feira, era também fim do mês o que significa que Lisboa parou com as longas filas de trânsito que me roubaram parte desse tempo que tinha.


Mas quando estas situações acontecem, ou tudo corre bem, ou tudo corre mal. Desta vez não correu mal, mas pouco faltou, primeiro porque tive de trocar de eléctrico com o da carreira 12E dado que a roldana saltava na Rua da Conceição e depois porque fiquei sem campainha de alarme, tendo também de trocar de eléctrico e desta feita com um que iria recolher, após serviço na carreira 28E. Tudo contratempos para quem tinha de efectuar a última viagem da carreira 25E e daí seguir para a Praça da Figueira onde iria entrar na carreira 15E.

O serão da 15E


«Passa nas Docas?» foi a pergunta mais ouvida em toda a noite, mas «passa em Santos?», também teve lugar no pódio e isto numa noite em que voltei a fazer um serviço pelo qual muitos morrem de amores, mas pelos quais eu continuo a não ter amor algum por eles... os serões! Ás 21h50 já as garrafas de Vodka iam a meio e escusado será dizer que depois de abertas não podem entrar.

Hoje bebe-se por estilo e não por gosto. A diversão passa por gritar ou meter-se com quem usa o transporte para regresso a casa depois de um dia de trabalho. Contesta-se o preço do bilhete que custa 1,40€, já depois de terem gasto muitos mais euros na bebida. Querem divertir-se à custa de outros até porque muitos não sabem sequer dar valor à vida. Uns compram bilhetes, outros arriscam a multa e se a fiscalização aparece numa paragem sem alguma atracção por perto, o certo é que nessa paragem sai quase toda a gent
e. Até mesmo a jovem que comprou bilhete até ao Cais Sodré e acabou por sair em Santo Amaro, porque a amiga não tinha comprado, talvez querendo ser mais esperta que os outros.

Na 24 de Julho, duas raparigas comentam a viagem rápida pelas calhas. «Isto é tudo em madeira, não fazia ideia... que loucura», dizia uma para a outra que de imediato afirmava que «isto mais parece é a montanha russa», dado o bater do carro em rectas e a respectiva oscilação. Mas afinal tudo vale para chegar ao local desejado, entrar dentro de quatro paredes e ouvir música até às tantas.


Um eléctrico muito à frente...


Quem também queria ouvir música talvez fosse o eléctrico 564, que sem saber como e porquê surgiu na Estrela com uns headphones pendurados no pantógrafo, para meu espanto quando fui alertado por outro colega, tendo mesmo sido motivo de uma gargalhada entre os guarda-freios ali presentes depois de um ter dito de forma irónica, que provavelmente eu tinha «arrancado os headphones a alguém que estava descontraído a ouvir música numa das janelas da Lapa», ainda quando decorria o serviço na carreira 25E.

Como nada mais podia fazer, alertei os colegas da manutenção quando recolhi, a fim dos mesmos poderem retirar os headphones, que mesmo em contacto com a corrente não davam musica nem ao eléctrico nem tão pouco ao guarda-freio :)

É caso para dizer que era um eléctrico muito à frente!...

Boas Viagens!

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