segunda-feira, 30 de novembro de 2009

De olho na net... e com as gaffes da Serenela

Continuando esta ronda pelos vídeos que vão surgindo na Internet, descobri ontem, que no passado dia 26 de Novembro uma equipa de reportagem do programa «Praça da Alegria», da RTP1, com Serenela Andrade visitou as instalações da Carris em Santo Amaro, com o intuito de dar a conhecer uma vez mais o projecto «MenosUmCarro.pt», que foi lançado em Outubro pela Carris e que visa a discussão sobre a mobilidade na cidade e que tem como objectivo fomentar o uso do transporte público.

Presente na entrevista esteve o Director de Marketing da Carris, Francisco Sousa e por parte da PSP de Lisboa, a Sub-Comissária Carla Duarte, tendo ambos respondido a algumas questões colocadas então, pela jornalista Serenela Andrade que, não fossem algumas gaffes cometidas, teria feito uma excelente reportagem. Pois convém corrigir alguns pontos que podem passar despercebidos aos mais desatentos, mas chamemos as coisas pelo seu nome.

Pois bem, os eléctricos não dispõem de "buzina", mas sim de uma campainha. E volante é algo que o guarda-freio não tem na sua frente, nem nos eléctricos tradicionais, nem tão pouco nos mais modernos que como é dito na peça, podem durar 70 anos, facto este que duvido, mas é apenas a minha opinião.

Ainda assim, e no geral, a peça está engraçada e penso que merece também referência aqui no blog, numa altura em que as férias vão decorrendo rápido de mais :)




Boas Viagens!

domingo, 29 de novembro de 2009

De olho na net... «A paragem»

Depois da constipação deque fui alvo durante estas férias, obrigando-me a ficar mais tempo em casa, acabei por encontrar alguns vídeos na Internet que fui adicionando, a uns tantos que já compunham o meu arquivo. Hoje encontrei um, daquele que considero um dos melhores comediantes de todos os tempos, Rowan Atkinson. Conhecido sobretudo, pela personagem de Mr.Bean, Rowan e os seus episódios preencheram muitas tardes de domingo na RTP1. Um desses episódios passa-se numa paragem de autocarro e as semelhanças por vezes chegam a confundir-se com alguns dos passageiros que por vezes vou encontrando pelas paragens de Lisboa e que... tal como aqui neste video, o que mereciam mesmo, era ficarem na paragem!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

De férias e com o Natal à porta!!

Depois de uma semana que custou a passar, eis que chegaram finalmente as merecidas férias, para recuperar forças para uma época natalícia que se avizinha e que prevê trazer muito trânsito ao centro da cidade como é habitual todos os anos. As compras de última hora, as luzes de natal que já acenderam e as férias daqueles que escolheram Lisboa como destino. Tudo isto são factores que podem causar alguns atrasos, mas logo se verá depois do regresso ao trabalho agendado para dia 7 de Dezembro.

Até lá poderão surgir por aqui alguns off-topics e... Boas Viagens!

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Um «espigão no pé» de quem gosta de partilhar a dor a bordo do 36

E se de repente, estivesse a conduzir um autocarro e ouvisse alguém falar mal do colega de trabalho mesmo na cadeira atrás de si!? Parece-lhe banal e nos tempos que correm é do que mais se ouve num transporte público, com aquilo a que se chama o «corte e costura», de quem não teve coragem de dizer no local certo e frente-a-frente ao colega, e que escolheu o amigo(a) no autocarro para desabafar.

Depois há também aqueles passageiros, como o jovem que hoje ia no 36, que tentam ultimar os estudos para o exame que vão ter na faculdade, mas com o vizinho que vai na cadeira do lado ao telefone é difícil, a menos que o jovem tenha um enorme poder de se abstrair daquela chamada telefónica, ainda que o dialecto seja uma mistura de português e crioulo, num tom bastante alto que até aposto, se ouvia na última fila do articulado.

Mais pacatos e até sossegados são aqueles que aproveitam a tarde para passear de autocarro, mas que em contra-partida demoram o dobro do tempo a entrar e sair, e até a sentarem-se. A meio da tarde, um simples olhar pelo espelho retrovisor de dentro, dá-nos a sensação que estamos a conduzir um Lar ambulante. Mas se pensa que fica por aqui, engana-se. E se está a pensar vir a ser motorista, o melhor mesmo é ir-se habituando a certas e determinadas perguntas, conversas, etc...

É que entre uma paragem e outra é capaz de se contar a história da vida do patrão, ou comentar o vestido da senhora que vai na rua e a conversa pode mesmo terminar nos pés. Assim foi hoje na viagem para o Sr.Roubado. Duas senhoras sentadas na primeira fila junto à porta da frente, desejosas digo eu, de meterem conversa uma com a outra. Na paragem de Entrecampos, estava uma senhora já com alguma idade, mas com um traje bastante jovem e um simples comentário de uma das passageiras foi o suficiente para que a conversa terminasse só no Lumiar.

Começaram na roupa, passaram para as profissões e até debateram o estado do país. Se um acidente no cruzamento da Av.Brasil, lhes captou a atenção por instantes, logo de seguida a conversa estava já nos pés e tudo por causa das temperaturas que baixaram nos últimos dias. O que era escusado comentar com a vizinha do lado era que lhe tinha nascido um espigão no pé, que com este frio lhe tem causado umas dores intensas.

Poderia também ter poupado o motorista de saber que teve de recorrer a uma esponja na sola do sapato para que a dor fosse atenuando com o andar. E num instante pareciamos ter passado de um autocarro para uma consulta de pedologia, com os conselhos da passageira que estava atenta a ouvir todos os pormenores.

Ainda quer ser motorista? Então força, tem o meu apoio porque apesar de tudo até é uma profissão engraçada, mas não se esqueça que além de ter de gostar de conduzir e saber lidar com os artistas que andam por ai na estrada, tem também de ser o consultório sentimental de uns e o conselheiro de destinos de outros.

Boas Viagens!

domingo, 22 de novembro de 2009

Seguestão do Tripulante (5): Respirando o ar puro de Monsanto com a 70

Sabia que...

Diz quem por lá anda que esta é uma das poucas carreiras onde o motorista é tratado de forma diferente!! Não é de admirar, ou não fosse esta uma carreira "ímpar", que alia de forma rápida e fascinante o cenário profundamente citadino de Sete Rios, a lugares tão pacatos como a Serafina ou Bairro do Calhau, e sem esquecer claro, o coração da natureza Lisboeta (Monsanto), e tudo isto, num curtíssimo espaço de tempo!

Criada há 9 anos atrás, a verdade é que ninguém imaginava que durasse tanto tempo, e que marcasse a rede da carris da maneira como o faz! Efectua a ligação entre a Serafina e o Espaço Monsanto, com passagem em Sete Rios em qualquer um dos sentidos....

A cidade através da carreira...

"Banhada" por Igrejas e Palácios esta carreira convida a um passeio diferente por uma cidade muitas vezes desconhecida de todos nós...

Entre ruas estreitas, subidas íngremes e curvas apertadas a verdade é que vale mesmo a pena perder pelo menos 1 hora pelo seu trajecto. Começamos pelo palácio Marquês da Fronteira (construído em 1640) pelo primeiro Marquês de Fronteira português, D. João Mascarenhas!

Se não é adepto(a) deste tipo de coisas, a sugestão alternativa do diário do tripulante é um passeio pelo Parque Recreativo e pelo Espaço Monsanto, lugares onde pode desfrutar da natureza mesmo aqui ao "lado", e quem sabe até passar bons momentos de convívio com a sua família/amigos!

A carreira 70 tem ligação em Sete Rios, através dos serviços habituais da CARRIS nas carreiras 16, 31, 54, 64, 701, 726, 746, 755, 758, 768, através do metropolitano de Lisboa (na estação Jardim Zoológico), no serviço da CP Lisboa, nos comboios oriundos das linha de Sintra (Mira Sintra-Meleças e Sintra), Azambuja (Castanheira do Ribatejo), bem como no serviço FERTAGUS (a partir de Coina e Setúbal).

Embora não acredite que venha de longe para dar apenas uma volta na carreira 70, convém também dizer que há também ligação em Sete Rios com a rede-expressos, com autocarros oriundos de todo o país, como vê razões não faltam para descobrir e redescobrir, mais esta carreira Lisboeta, sugerida por um leitor do blogue (e pelos vistos, colega da estação da Pontinha), e à qual o «diário do tripulante» achou por bem "associar-se"....

A sugestão está dada e agora a decisão é sua!!!

Boas viagens e boas descobertas!

Fotos gentilmente cedidas por: Pedro Almeida

sábado, 21 de novembro de 2009

Dia escuro na 36 com direito a passeio e muito mais...

Quando entrei para a Carris e nos primeiros meses de trabalho, sempre que me calhava na escala um serviço em carreiras como a 36 e 745 por exemplo, ficava sempre muito satisfeito, porque ao serem carreiras suburbanas, automaticamente são mais longas - o que ajuda a passar o tempo. Contudo o passar do tempo e a regularidade com que as tenho feito, têm vindo a esclarecer-me que estava profundamente enganado e mesmo correndo um grande risco (porque se o escalador sabe que não gosto destas duas carreiras, coloca-me sempre lá), a verdade é que cada vez gosto menos de andar pelos subúrbios.

Contudo, um motorista «supra», que é o meu caso, não tem direito a escolha a não ser que faça troca com um colega o que por vezes já é complicado também. Hoje lá me calhou novamente uma quantidade de viagens para Odivelas. Confesso que não é o facto de vender mais bilhetes que me satura, mas sim a má disposição daqueles que ali se transportam. Obviamente que há excepções, mas talvez por morarem longe do trabalho, o cansaço seja maior e acabam por descarregar em quem lhes aparece á frente - o motorista, logo que abre a porta.

Uns é porque o autocarro está atrasado, outro é porque só passam uns para o Sr.Roubado, outros é porque está muito calor, outros porque têm frio e hoje até da luminosidade se queixaram. Não é que o autocarro fosse ás escuras como é óbvio, até porque a noite já começava a cair, mas um toque sistemático na campainha "Stop" e ninguém a sair pela porta da retaguarda é no mínimo suspeito e só há três hipóteses:

1) O passageiro honesto que se engana e pede
desculpa...

2) Alguém que não tem nada para fazer e decide
brincar com quem está a trabalhar e com os restantes passageiros...

3) A passageira que vai tocando até ver que é
realmente o local indicado para sair... porque tá escura a rua.



Pode parecer irónico e até anedótico mas não é. Hoje foi mesmo a 3ª hipótese a vencedora e á terceira paragem sem ninguém sair, aguardei mais uns instantes a ver se alguém se acusava, até que lá se ouviu o «desculpe sr.motorista. Enganei-me. É para a próxima... É que a rua está escura e não sei bem onde estou!»

Também por ser fim-de-semana há sempre quem não tenha nada para fazer e decida entrar num autocarro sem destino. Assim foi com o senhor que ao chegar ao terminal de Odivelas, me questionou se era ali o final da linha.

Passageiro: «Desculpe, mas é aqui que acaba?»
Motorista: «É isso mesmo. Termina aqui!»
Passageiro: «Muito bem. Então e não sabe onde se pode beber aqui uma imperial?»
Motorista: «Experimente ali no Café em frente»
Passageiro: «E acha que tenho tempo de o voltar a apanhar para regressar? É que eu estou em passeio para me distrair sabe!?...»
Motorista: «Se conseguir beber a imperial em 9 minutos ainda apanha este, se não vai no próximo que também não tem pressa não é verdade...»
Passageiro: «É verdade amigo. Então e não vai uma imperial ou um cafézinho
Motorista: «Não, muito obrigado, mas quando conduzo não bebo»

E entretanto lá foi o senhor ao café onde entrou com um pé e saiu logo de seguida com o outro, talvez com receio de perder o autocarro. Abriu o chapéu de chuva e lá correu a atravessar a rua para se dirigir á paragem onde voltou a entrar dizendo que «afinal nem bebi a imperial. Depois estaria aqui muito tempo á espera do próximo e assim vou já consigo...», e lá veio o senhor de novo até ao Cais do Sodré, numa viagem onde voltei a ver uma vez mais que.

E assim foi a manhã, a tarde e quase a noite, dada a extensão do serviço, num dia onde uma vez mais alguns taxistas decidem deixar mais uma nódoa em todo um sector, ou porque não facilitam a saída da paragem ao autocarro ou porque aceleram para depois travar á frente do autocarro só para apanhar um passageiro e como prova a foto deste post, para estorvar a paragem do autocarro como acontece habitualmente nesta paragem em Odivelas na Rua D.Diniz e no centro de Lisboa, no Rossio. Haja paciência!

Boas Viagens!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

"Eau de Carris" para combater odores indesejados

Tornar a viagem mais agradável e no meu ponto de vista, uma excelente ferramenta para combater odores a bordo dos autocarros. A Carris acaba de lançar uma nova campanha com experiência sensorial. O cheio já está a bordo dos autocarros e o spot publicitário já toca na Rádio Comercial. Aqui fica o anúncio que o canal Carris no YouTube publicou recentemente...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Um homem prevenido vale... um lugar sentado

Quando o telemóvel toca perto da hora de render, só há dois cenários possíveis à partida. Ou o autocarro avariou, ou enganei-me a tirar o serviço. Mas como esta segunda hipótese em grande parte das vezes basta ocorrer uma vez para se abrir bem a pestana, hoje quando o telefone tocou, só pensei que o autocarro deveria ter avariado.

Pois como já aqui foi dito, os carros são como as pessoas e para avariarem, basta estarem bons. O de hoje não avariou, mas furou um pneu. Estava no Areeiro e lá tive de apanhar uma boleia para ir render o colega ao Relógio. Começava assim o dia de trabalho.

Troca de carro feita na estação da Musgueira e o resto do serviço lá se fez com grande normalidade, apesar da forte chuvada que caiu esta tarde em Lisboa. Já na ultima viagem e quando pensava já na hora em que o 17 passava à porta da estação para me trazer para casa, porque hoje não tinha levado o meu carro, eis que surge uma chamada da central. Mau presságio!

«Sr.Motorista, precisava de um grande favor seu. O autocarro da 25 que faz a ultima viagem do Prior Velho, não pega. Não se importa de ir lá fazer a viagem, uma vez que já está a chegar á (22)Portela e ia recolher?....», de imediato vi que o jogo mental que tinha feito com o horário da 17 tinha ido por água abaixo.

“Ok, colega eu vou lá fazer a viagem...”, até porque ainda tinha um 17 depois do que estava previsto apanhar e só depois passaria a ser de 30 em 30 minutos, pelo que como era só uma viagem, a mossa não era muito grande.

Já no regresso a casa e quando vinha à conversa com outro colega, pensando que já ficariam por ali os episódios de hoje, eis que surge alguém no 17 que embora a hora tardia e o pouco movimento de passageiros, estivesse com receio de não ter lugar sentado.

O passageiro lá entrou com a cadeira na mão, provando que quando menos se espera os insólitos aparecem. Hoje foi a cadeira de alguém que não queria viajar de pé e que acabou por gerar alguns sorrisos nos restantes passageiros, mas outrora já foram sanitas, televisões, entre outras coisas mais. Comigo ao volante ainda não me apareceu nada do género, mas já ouvi colegas a contar que até um frigorífico já quiseram transportar na carreira 79, durante uma mudança de alguém que recorreu ao autocarro para se mudar.

Obviamente que tamanho objecto foi recusado, já os outros por vezes torna-se complicado, porque o motorista é de imediato acusado de repressão social entre outras coisas mais. Mas o certo é que um autocarro é um transporte de passageiros e não de mercadorias, embora em algumas situações, alguns passageiros são mesmo a mercadoria mais perigosa, passe a redundância.


Boas Viagens!

[Off Topic] Mão solidária com um motorista na 2.ª posição...

Decorreu no passado Domingo, a primeira corrida mão amiga, da Cruz Vermelha Portuguesa, numa prova concluída por mais de 700 pessoas. Entre elas estava um colega da Estação da Musgueira que representou as cores da Carris, concluindo a prova em 2º lugar na geral e vencendo o escalão de seniores ( 19/40anos). Ao Rui Lopes aqui ficam os meus parabéns pelos resultados alcançados que foram bastante bons para quem faz do atletismo o possível e nas horas vagas, porque tempo para treinar é algo que deve faltar a quem tem como profissão, ser motorista que embora não pareça é desgastante.

Aqui ficam as fotos enviadas pelo segundo classificado da prova, a quem desde já agradeço pelo respectivo envio. Foi sem dúvida um dia diferente no dia-a-dia deste motorista.



Boas Corridas! :)

domingo, 15 de novembro de 2009

Um Domingo efervescente na 745...

Chuva, muita chuva! Assim foi este Domingo em Lisboa. Andei de serviço na carreira 745 que liga Santa Apolónia ao Prior Velho e num serviço daqueles que depois de feito já não custa nada. Para ajudar, alguém decidiu atirar-se para a linha amarela do Metro, o que fez o efeito efervescente nas pessoas que nele se transportavam. De repente era ver as «bocas» do Metro como se fossem um copo de água a trazer ao de cima bolhinhas de uma efervescência, com as pessoas desesperadas em arranjar uma alternativa ao metro. Resultado: Os autocarros que servem o troço M.Pombal - Odivelas encheram, nomeadamente o 36.

Mas também não me livrei de uma remessa, que se juntou aos já muitos turistas que vinham do Aeroporto. Já não é preciso esperar pelo Verão para ver a capital repleta de estrangeiros. Mas o próximo mês promete trazer ainda mais. Algumas luzes de natal já se acenderam como é o caso do Teatro D.Maria II e as máquinas já começaram a disparar e as filas de trânsito a aumentar.

Quanto ao serviço em si até se fez bem e a registar, há apenas a viagem em que vinha do Prior Velho com bandeiras de "745 ROSSIO", e um senhor no Saldanha entra e pede-me um bilhete para o Marquês Pombal ao mesmo tempo que deixa na banqueta dois euros. O bilhete começa a ser impresso e eis que o senhor em questão pede-me que «quando chegar-mos então á Estação de Santa Apolónia diga-me porque vou lá apanhar o comboio...»

Eu nem queria acreditar e até pensei tratar-se de uma cena de apanhados, mas com o tempo que fazia lá fora, vi logo que não poderia ser e disse-lhe: "Então mas o senhor pede-me um bilhete para o Marquês Pombal que é já três paragens à frente e agora diz-me que quer ficar em Santa Apolónia, quando este autocarro nem a Santa Apolónia vai!?..." e indignado diz-me: «Então mas este não é o 745?»

"É o 745, mas só vai até ao Rossio e agora fez-me emitir um bilhete que não sei se o conseguirei vender até ao final da viagem". O senhor sai do autocarro e diz-me que guardasse o bilhete para outro passageiro. Sorte a minha que duas paragens á frente uma senhora pede-me um bilhete precisamente para o Rossio.

Amanhã há mais numa carreira perto de si...

Boas Viagens!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Um ano e três meses depois...50.000 visitas

Um ano e três meses depois de ter entrado na rede, o «diário do tripulante» atinge os 50.000 click's. Tudo começou numa brincadeira e apenas para os amigos. A ideia era apenas mostrar o insólito desta profissão. Os primeiros post's neste espaço, começaram a ser falados de boca em boca e num instante o blog passava do desconhecido para a rádio com a referência do jornalista Pedro Rolo Duarte. Daí para a frente, seguiram-se as revistas, os jornais e até alguns convites da televisão, que até então vinha recusando, porque a ideia principal deste blog não era ser conhecido ou ganhar fama, mas sim valorizar também, todo um sector que é cada vez mais desprezado.

Estas 50.000 visitas podem não dizer nada, mas para mim dizem muito. Dizem por exemplo que valeu a pena a criação deste blog, pelo que já vivi, pelo que já pude contar e até comentar. Umas histórias mais engraçadas que outras, uns dias melhores e outros piores, mas todos eles e todos os textos aqui escritos, retratam uma realidade que muitos desconhecem e ignoram.

Hoje já ouço mais o «boa tarde» de quem entra. Se foi ou não uma ajuda? Não me preocupo com isso, porque limito-me a fazer o meu trabalho com empenho e dedicação, embora não fosse esta a área que escolhi para a minha carreira profissional. Contudo, posso dizer e sem vergonha nenhuma, que gosto do que faço. Sou portanto um previligiado.

Ao longo deste ano e quase meio de blog, muitos foram os comentários que fui recebendo. Uns bons, outros nem tanto. Foram muitos os mails recebidos. Uns para me felicitarem pelo blog, outros de alguém que procurava estabilidade profissional querendo saber como era trabalhar numa empresa como a Carris. Houve até quem pedisse conselhos e aqui só posso falar pelos quase três anos de Carris que tenho. Ainda sou uma criança neste mundo, quando ao lado de outros colegas.

Estes 50.000 clik's dizem-me também que vale a pena continuar a escrever as peripécias do dia-a-dia de quem anda aos comandos dos «amarelos» no coração de Lisboa, comentar e discutir as opiniões contrárias. Resta-me então agradecer a todos os leitores deste blog, colegas e amigos pelas visitas a um espaço que começou numa brincadeira, mas que continuará e sempre que houver, a contar as viagens a bordo de um autocarro ou eléctrico da Carris.
E tudo isto, no dia em que a Carris lançou mais uma informação interna aos tripulantes, inserida nas «Boas Práticas 2009» e intitulada "Conta Certa", fomentando de forma adequada o uso das senhas de demasia, que também servem de troco, quando não há trocos suficientes perante a quantia apresentada pelo passageiro.

A todos, Boas Viagens!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

755 Sete Rios: "Este autocarro vai para Sete Rios, não vai?"

Começou mais uma semana e a contagem decrescente para as férias continua a bom ritmo. Serviço escalado para a 755 numa "altura" (nome que damos ao serviço atribuído) que costuma ser complicada a nível de horário que é bastante apertado, mas que hoje até se fez ás mil maravilhas, o que provou uma vez mais que nem tudo é mau, nem sistemático. Há sempre um ou dois dias que fogem à regra.

O que por vezes não varia mesmo é as perguntas que se repetem semanas e dias depois de as ter ouvido numa outra carreira ou num outro lugar. A típica questão do destino do autocarro ainda vai tendo desculpa para quem não sabe ler ou para quem está perante os autocarros com bandeiras de destino mais pequenas, contudo os autocarros mais recentes dispõem já de bandeiras de LED e de grandes dimensões como é o caso dos Mercedes OC500, que foi o autocarro com que andei esta tarde na 755.

Já na segunda viagem do meu dia de trabalho, sigo com destino a Sete Rios tal como indicava na bandeira (755 Sete Rios) e na paragem do ISEL uma senhora entra e questiona-me: «Vai para Sete Rios não vai?», respondo-lhe afirmativamente, a qual agradece. O autocarro não ia muito cheio e facilmente arranjou lugar sentado. Mas cinco paragens à frente e nova pergunta e com o mesmo conteúdo... «Desculpe lá mas vai para Sete Rios não vai? É que disseram-me que era o 755...», e disseram bem! Mas até lá estava escrito e em letras grandes.

Questões de leitura à parte, e nem de propósito ainda ia eu a caminho do trabalho e lia no jornal "Global Noticias" do colega Dias, que a Carris ia lançar uma iniciativa de incentivo á leitura, a bordo dos seus autocarros e eléctricos para criar hábitos de leitura e tornar as viagens mais agradáveis. Ora aqui está uma boa iniciativa para -permitam-me a brincadeira - ajudar a combater este dilema da leitura das bandeiras, porque normalmente as pessoas só vêem mesmo o número da carreira.
Ainda sobre esta iniciativa, o jornal Destak, diz na sua edição on-line que já esta tarde foram entregues os primeiros livros, aos passageiros da carreira 15 de eléctricos, cuja a aceitação foi positiva. «No próximo dia 19, a empresa vai distribuir nos seus 750 autocarros e 55 eléctricos 25 mil pequenos livros com um capítulo da obra "Querido Gabriel", traduzida em 18 línguas, onde o norueguês "Halfdan Freihow descreve a sua relação com o filho mais novo, a quem foi diagnosticado autismo aos 13 anos», noticia o jornal gratuito.
Também o site oficial da Carris, apresentou hoje este projecto "Ler entre linhas" conjunto com a editora Objectiva.

Quem não vai ainda nestas coisas de letras e leituras é o jovem rapaz que esta tarde depois de mais um dia no colégio regressava a casa na mão do seu avô e a bordo do 755. Sentado no banco da frente com vista privilegiada sobre o que ia para lá do pára-brisas, lá ia apontando para os autocarros que se iam aproximando e apelidava-os de primos e tios. A esperteza do rapaz era tanta que me provocou um sorriso quando disse que o 21 que vinha na Av.Igreja em sentido contrário «é tio do nosso porque é um autocarro mais antigo». Atrás vinha um 755 e «olha este é irmão porque é igual avô», dizia radiante e contente.

O avô orgulhoso lá ia dizendo que estava certo o pensamento e quando se cruzou com o 17 já no Largo Frei Heitor Pinto, a criança não hesitou em dizer que «este é primo!». Digam lá que esta profissão também não tem histórias engraçadas....

Amanhã há mais. Boas Viagens
Foto: Pedro Almeida
Imagem "Ler entre Linhas": Site Carris

domingo, 8 de novembro de 2009

«Uma aventura na... 742», podia ser o nome de um livro!

«Só um bocadinho que vem ai uma senhora a correr...», dizem do lado de fora logo na paragem seguinte á rendição que deu início a mais um dia de trabalho. As portas mantiveram-se abertas e a senhora lá vinha a correr, mas passou o autocarro e só terminou a sua corrida quando entrou no carro que estava uns metros á frente mal estacionado. É aquilo a que se chama tempo perdido. Mas nem só no serviço acontecem situações que nos dão que pensar. Ainda antes de pegar ao serviço, deslocava-me eu para Alcântara no 714 quando na paragem de Santos uma senhora - armada em chica esperta -, decide entrar pela porta de trás do autocarro depois de ver que haviam muitos turistas para entrar.

Aquela falta de respeito e a imagem que fazia transparecer de um país cada vez menos organizado, revoltou-me internamente e forçou-me, a que delicadamente e até porque ali estava junto á porta de saída, lhe chamasse a atenção, que "a porta da entrada é a da frente minha senhora. Até porque não há nesta entrada validadores". «Não me interessa! Eu tenho passe e está ali uma fila muito grande...», dizia-me como se fosse dona e senhora de tudo e de todos e como se fosse eu que estivesse errado. Ainda lhe tentei explicar que as filas são para se respeitar e que o autocarro não fugia da paragem sem todos os passageiros terem entrado, mas foi pior a emenda que o soneto. «Até já vi várias pessoas a entrar por trás quando está muito cheio e nem vou lá passar o passe.. que se lixe», dizia-me já com um ar de revoltada e com o rosto completamente "pintado" de rosa por lhe ter alertado apenas que aquela era uma porta de saída.

Começava em grande o meu dia de trabalho!

O certo é que se a manhã até passou rápido, já a tarde começava de forma a que fazia prever que custasse a passar. Mal rendo o colega na P.Chile e me sento na cadeira, uma voz do fundo diz «anda lá com isso pá». Como a pá é amiga da vassoura e como a vassoura não faz parte da minha ferramenta de trabalho, nem liguei. A porta de trás estava ainda aberta e se era só por uma paragem... Ajeito o volante, posiciono a cadeira, efectuo a rendição na consola e carrego no botão para fechar as portas e lá vinha de novo o «anda lá com isso pá» !

Na paragem seguinte o passageiro que estava tão apressado saiu, e logo me apercebi que o melhor foi mesmo nem responder porque parecia não regular muito bem, algo que já vai fazendo parte da colecção dos «cromos» que por vezes aparecem na 742 e que somos "obrigados" a aturar.

A chuva volta a cair ainda que timidamente, mas era suficiente para molhar alguns cérebros mais frágeis que á mínima pinga começam a disparatar, como o homem que entra na Praça Paiva Couçeiro e pergunta-me se passava por Santa Apolónia. Respondo-lhe negativamente, mas ainda assim, entra e senta-se. Com o cair da chuva miudinha, há que abrandar a marcha até porque o piso parece manteiga. Talvez por isso, a chapa da frente se atrasasse e é cortada.

Pedem-me da central que logo que possível, que avance. A chuva caía já com mais força e se alguns regressavam do trabalho, outros vinham do passeio e normalmente são estes que reclamam sempre o atraso do autocarro. Já perto de Santo Amaro, uma senhora com ar oriental entra com o seu chapéu de chuva que teimava em não fechar. Depois de algum esforço, lá se fecha e a senhora alça a perna em esforço porque a saia comprida não lhe oferecia mobilidade.

Passa o título no validador e este dá "inválido". Solicita-me um bilhete e o chapéu volta-se a abrir já dentro do autocarro. Ela fecha-o ao mesmo tempo que procura naquela confusão que são, as malas das senhoras. O chapéu teima em abrir-se e lá lhe disse "veja lá se consegue fechar o chapéu e depois procura o dinheiro para o bilhete, antes que aleije alguém sem querer...", chateada com a minha atenção, respondeu-me agressivamente que «o meu chapéu não aleija ninguém, fique descansado. O que aleija muita gente é o que se vê há muitos anos...»

Percebeu o que a senhora quis dizer? Eu também não, mas foi o suficiente para a minha boca não se abrir mais. Vi logo que não valia a pena. Era só mais uma... Pagou o bilhete com 10 euros e fiz-lhe o troco. Quando me preparava para tirar do bolso a nota de 5 euros que faltava para concluir o troco, alerta-me que «dei-lhe 10 euros, senhor!», pois deu mas também ainda não me tinha ido embora.

Há dias em que o melhor é mesmo nem ligar porque é o tempo, é o stress, é a fadiga, é a falta de respeito e por vezes a falta de com quem desabafar. O motorista é portanto a pessoa indicada para estas pessoas descarregarem energias. Já no sábado tinha sido assim na 106. E estes são apenas mais alguns dos exemplos reais, (como todos os que até aqui têem sido relatados) que fazem por vezes, e como já tenho percebido pelos comentários de alguns colegas, que pensemos que "afinal não é só comigo que isto acontece".
Certo é também que esta é mesmo uma carreira que dava para mais um número da série de livros de «Uma aventura...», dadas as situações que diáriamente nela ocorrem. Seria sem dúvida mais um êxito para as escritoras Ana Maria Magalhães e a actual Ministra da educação Isabel Alçada. É por estas e por outras que a nossa profissão é diferente de todas!

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

[Off Topic]: No mundo e aqui tão perto!

Não é de estranhar se pesquisar na internet por «eléctricos de Lisboa» e lhe apareçam milhares de páginas e um sem número de fotografias da nossa cidade compostas com os amarelos da Carris. São um ex-libris da cidade e continuam a subir e a descer as colinas de Lisboa. Conduzidos por homens e mulheres guarda-freios, os eléctricos de Lisboa e nomeadamente a carreira 28 são muito procurados por turistas... e carteiristas.

Recentemente a editora inglesa Rough Guide, no seu capítulo dedicado a Portugal, elegeu o Eléctrico 28 como uma das “1000 experiências mais importantes do mundo”. Com a sua viagem "slow-motion" pelo coração histórico da cidade de Lisboa, esta carreira foi assim destingda pela editora de diversos guias de cidades e países do Mundo.

Este reconhecimento internacional, vem dar mais força às promessas eleitorais da última campanha ás Autárquicas, onde se falou de reaberturas de linhas e projecção de novos troços para eléctricos rápidos. Recorde-se que a carreira 24 então suspensa, continua á espera de decisões, estando nesta altura envolvida num «jogo do empurra».

Sintra, o Bacalhau, a Costa Atlântica e o São João no Porto são também destaque nesta edição da editora inglesa. Já sobre a carreira 28, a Rougg Guide, escreve mesmo que «se o melhor para chegar a Veneza é de barco, então para chegar a Lisboa o melhor é mesmo o eléctrico...».

Aqui fica na íntegra o artigo publicado sobre o Eléctrico 28:

1000 ULTIMATE TRAVEL EXPERIENCES

MAKE THE MOST OF YOUR TIME ON EARTH

A Rough Guide to the World
London, 2008PORTUGAL:

-Clearing your calendar for bacalhau
-Exploring mystical Sintra-Learning to surf on the Atlantic coast
-In search of the perfect tart
-Stop! It's hammer time at the Festa de São João
-Tram 28: taking a ride through Lisbon's historic quarters

«Tram 28: taking a ride through Lisbon's historic quarters»

Just as you should arrive in Venice on a boat, it is best to arrive in Lisbon on a tram, from the point where many people leave it for good: at Prazeres, by the city's picturesque main cemetery. Get a taxi to the suburban terminus of tram 28 for one of the most atmospheric public-transport rides in the world: a slow-motion roller coaster into the city's historic heart.

Electric trams first served Lisbon in 1901, though the route 28 fleet are remodelled 1930s versions. The polished wood interiors are gems of craftsmanship, from the grooved wooden floors to the shiny seats and sliding window panels. And the operators don't so much drive the trams as handle them like ancient caravels, adjusting pulleys and levers as the streetcar pitches and rolls across Lisbon's wavy terrain. As tram 28 rumbles past the towering dome of the Estrela Basilica, remember the famous bottoms that have probably sat exactly where you are: the writers Pessoa and Saramago, the singer Mariza, footballers Figo and Eusebio.

You reach central Lisbon at the smart Chiado district, glimpses of the steely Tagus flashing into view between the terracotta roof tiles and church spires. Suddenly you pitch steeply downhill, the tram hissing and straining against the gradients of Rua Vitor Cordon, before veering into the historic downtown Baixa district. Shoppers pile in and it's standing room only for newcomers, but those already seated can admire the row of traditional shops selling sequins and beads along Rua da Conceicao through the open windows.

Now you climb past Lisbon's ancient cathedral and skirt the hilltop castle, the vistas across the Tagus estuary below truly dazzling. The best bit of the ride is yet to come though, a weaving, grinding climb through the Alfama district, Lisbon's village-within-a-city where most roads are too narrow for cars. Entering Rua das Escolas Gerais, the street is just over tram width, its shopfronts so close that you can almost lean out and take a tin of sardines off the shelves. »

domingo, 1 de novembro de 2009

Dia de todos os Santos na 727 para fugir á regra...

E lá terminou hoje mais uma semana de trabalho com um dia diferente do habitual, para fugir à regra. Feriado Nacional assinalando-se o dia de Todos os Santos, dia em que milhares de pessoas ganham forças para se deslocarem aos cemitérios, para compor as campas e jazigos para que no dia seguinte, o de finados, tudo esteja impecável. Tendo em conta a procura redobrada, a Carris coloca habitualmente neste dia o reforço de serviço em determinadas carreiras, sobretudo nas que servem os principais cemitérios da cidade.

Se no ano passado tinha estado na carreira 742 a passar no cemitério do Alto de São João, já este ano "quebrei as regras" e estive de serviço no reforço a uma carreira de Miraflores, a 727 tendo feito viagens entre o Marquês de Pombal e o Cemitério da Ajuda. A manhã previa um dia bastante agitado com a azáfama de quem queria ter a banca das flores mais apetrechada e arranjada, ou quem queria ter mais velas para poder apregoar até ao fecho das portas do cemitério. Chego à Ajuda e aos poucos iam chegando carros particulares com idosos que faziam mais um esforço para prestar mais uma homenagem aos seus ente-queridos.

Outros, optavam então pelos autocarros e cada degrau que subiam era mais uma barreira passada nesta "maratona cemiterial" onde a meta é mesmo a porta do cemitério, mas não sem antes passar pela banca das flores, provando assim que este dia não passa de um dia para o negócio, ou será que só neste dia se lembram daqueles que já partiram?!

Mas não me compete a mim julgar, mas sim transportar! No meio da romaria, muitos turistas até porque a 727 é uma carreira também ela virada para o turismo pelo facto de servir Belém e São Bento. «Isto hoje vai muito cheio senhor motorista. Que se passa?», perguntava uma senhora que tinha entrado em frente à estação de Santo Amaro. "Andam por ai muitos turistas a ver o que temos de bonito na cidade e também é dia de outros irem aos cemitérios, sabe...", disse-lhe. E dai ate ter uma resposta foram segundos. «É tudo negócio sabe. Por isso é que quando eu morrer quero ser queimada para não gastarem dinheiro em flores que murcham num instante e não nos trazem de novo à vida. Mas também já deixei escrito e pode não acreditar, mas as cinzas até quero que as ponham no lixo. Antes isso que deitá-las ao mar, que ainda envenenavam os peixes...», dizia a senhora já em tom de brincadeira. 
O dia foi portanto diferente do habitual e numa carreira diferente do habitual, diga-se que é uma carreira de luxo e das que se fazem bastante bem.
Para a semana há mais! Boas viagens

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