quinta-feira, 30 de julho de 2009

Aproveitar as férias para descubrir novos sabores: Cervejaria Trindade

O «Diário do Tripulante» vai de férias e volta no dia 6 de Agosto. Mas antes de partir, deixo-vos com mais uma sugestão gastronómica. Há muito que ouvia falar na "Cervejaria Trindade", mas até então nunca lá tinha entrado, até porque sou de uma geração mais "Portugália". Hoje decidi então exprimentar aquela que é a mais antiga e mais bela cervejaria de Portugal. Situa-se na Rua Nova da Trindade, numa das zonas históricas da cidade a zona do Carmo, no Chiado.

Há oito séculos atrás, crescia então naquele local o Convento da Santíssima Trindade e dos Frades Trinos da Redenção dos Cativos. Acabaria por ser destruído por incêndios (1704 e 1756) e pelo terramoto de 1755, tendo desaparecido em 1834 com a extinção das Ordens Religiosas de Portugal.

Comprado em 1836 por Manuel Garcia, industrial de origem galega, deu então lugar á primeira fábrica de cerveja de Portugal - A Fábrica de Cerveja da Trindade. Composta por várias salas, esta cervejaria é de facto um lugar bastante acolhedor, onde o sabor da comida é testado até ao último pedaço. Entre outras especialidades, o famoso Bife à Trindade ganha destaque e é de facto bem melhor que o da Portugália. E como podem ver pela foto, estava tão bom que no prato não restou nada.

O acesso á cervejaria pode ser feito de carro, mas devido a obras de repavimentação o melhor mesmo é deslocar-se a pé, porque embora lá estejam carris no asfalto, já lá não passa o eléctrico da tão falada carreira 24 que tarda em reaparecer. A sugestão está feita, resta agora por pés ao caminho e deliciar-se com um bom bife á Trindade.
Na saída poderá abandonar o espaço com uma recordação da Cervejaria, através dos postais gratuitos que a mesma dispõe.
Boas Viagens e Bom Apetite!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

O Jardim Botânico da Ajuda precisa de ajuda

É um daqueles locais que é mais procurado pelos admiradores de espaços ao ar livre e jardins. Fica situado na Ajuda, como próprio nome indica e esta tarde visitei-o, com o objectivo de recolher algumas fotos, com o fim de participar num passatempo de uma revista de fotografia digital. Na Praça da Figueira entrei no 18E que me levou até à porta do Jardim na Calçada da Ajuda, mas podia ter escolhido outra carreira ou a outra entrada que fica na Calçada do Galvão.

A entrada requer bilhete e este custa 2,00€, um valor que como o próprio ingresso diz, serve para a manutenção daquele espaço verde. Recorde-se que este Jardim é propriedade do Instituto Superior de Agronomia e Universidade Técnica de Lisboa. Já quanto á manutenção, poderia ser bem mais cuidada porque se numa vista geral tudo parece estar ás cinco maravilhas, um rápido apróximar das plantas mostram-nos um certo desleixo, mas ainda assim vale a pena visitar pelas espécies, algumas delas unicas.

As estufas não estavam acessíveis, e o melhor mesmo é o tabuleiro inferior composto por uma fonte ao centro e uma escadaria onde no seu topo se obtém uma vista fantástica sobre o Tejo. Para visitar o Jardim Botânico da Ajuda, pode optar pelas carreiras que o deixam mais próximo da entrada que são as seguintes: 18E, 727, 729 e 732.

Aqui ficam alguams imagens do Jardim:







Boas Viagens e Boa visitas!

terça-feira, 28 de julho de 2009

Ó tempo volta p'ra trás...

Em tempo de férias nada melhor que descansar, passear e recuperar as forças despendidas em longas semanas de trabalho ao volante dos amarelos da Carris. Tudo apontava para uma viagem a Barcelona, mas imprevistos de última hora ditaram que ficasse por Lisboa. É as chamadas férias lá fora cá dentro.

Se tem coisas más, também tem coisas boas. Dá para conhecer melhor a nossa própria cidade que tantas vezes damos a conhecer a quem nos visita, e dá também para rever amigos de longa data e relembrar tempos que infelizmente já não voltam.

Recordam-se tempos de escola, ou brincadeiras na rua quando ainda nem sequer sonhava vir a conduzir autocarros. A bola era aquele brinquedo que não podia faltar no "páteo das cantigas" (ali a meio da Rua das Escolas Gerais), mas a minha preferência era mesmo o triciclo e mais tarde a bicicleta. O gosto da condução já vinha portanto desde criança.

Da escola para casa e de casa para a escola o caminho era feito na carreira 28, com os seus eléctricos da série 700. O chiar dos carris anunciavam chuva e o tilintar da campainha anunciava a aproximação do eléctrico que se queria apanhar para a Graça.

Símbolos de Lisboa ainda hoje, os eléctricos acabam por surgir nos postais, em t-shirts e até no cinema. Do português ao estrangeiro e recordo-me como se fosse hoje o dia em que as Escolas Gerais pararam para ver as gravações de algumas cenas do filme «Lisbon Story», isto em 1994. Infelizmente até hoje ainda não consegui ver esse filme, mas o trailler esse está espalhado pela net.

Já pesquisei sites, fnac's e outras lojas e em nenhuma tive a sorte de encontrar o DVD. E só dá mesmo vontade de dizer «Ó tempo volta p'ra trás...»

Aqui fica o trailler do filme em questão e que sugiro, e já agora se o virem por ai á venda, digam onde:





Boas Viagens!
Foto: Jim Halsall(1994)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Imagens de uma Cidade: Lisboa

Ainda de férias pela capital portuguesa...


A Assembleia da República e os seus Jardins...


A Calçada da Estrela e o Eléctrico da carreira 28...


A Basílica da Estrela...





Boas Viagens e Boas Visitas!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Férias na cidade V: Restaurante «O Marques», um ícone da cidade

Em Lisboa, o virar de cada esquina, guarda-nos uma surpresa. Aproveitando as férias, hoje descobri mais um canto da cidade que desconhecia. Fui lá parar por acaso e depois de uma sugestão de um colega Guarda-Freio, que sabe que gosto de eléctricos. As referências dadas eram tão claras que não perdi tempo! Tinha mesmo de conhecer. Como já vem sendo hábito, ao longo da existência deste blogue, tenho vindo a sugerir, visitas, passeios e porque não sugerir também alguns espaços onde se é bem recebido(?), como foi o caso de hoje, no Restaurante «O Marques». Faço-o porque fui bem recebido, faço-o porque gostei de conhecer o espaço e sobretudo porque é sem dúvida um ícone da cidade de Lisboa, ainda que não venha referido nos guias mais conhecidos.

«O Marques»... dos eléctricos

Paulo Marques é o proprietário do restaurante «O Marques» e a sua paixão pelos eléctricos começou quando ainda era criança. No principio dos anos 90 começou a fotografar e já em 1996 tinha adquirido o primeiro eléctrico, o n.º 615. Os anos foram passando e o entusiasmo aumentando. Chegou ao ponto de criar um pavilhão no seu terreno particular, para receber os eléctricos que ia adquirindo, a stands de automóveis, em terrenos baldios, ou até mesmo a vizinhos espanhóis.

Com objectivo de recuperá-los, tem investido fortemente e é com grande orgulho que a certa altura me dizia que o salão n.º 353 estava quase pronto. No restaurante também não faltam as fotografias dos tradicionais eléctricos de Lisboa, mas o mais surpreendente são as bandeiras provenientes de um eléctrico "Salão" com um rolo de um eléctrico "Caixote", e o controller de um eléctrico da série 700.

O espaço estava bem preenchido e no meio da conversa, mais uma imperial para a mesa do canto e uma sandes de presunto para a esquina do balcão. É o verdadeiro e típico restaurante português. Estão lá os tremoços, as pipas do vinho e claro os rojões. O Paulo anda de um lado para o outro a servir os clientes e quando dou conta já tinha á minha frente uma "invejável" colecção de fotografias da sua autoria. A construção da raquete da Graça, as obras na 24 de Julho e em Santos... Há um pouco de tudo e para todos os gostos. Dos tradicionais 700 aos salões (série 300), não esquecendo, claro está, as zorras, as fotografias de Paulo Marques são verdadeiros elos de ligação ao passado da cidade de Lisboa.

Perto da Estação do Rossio, muitos são os que parecem aproveitar a chegada ao local para fazer uma pausa neste espaço comercial, onde reina a boa disposição, não só de quem está do lado de dentro do balcão, como dos que estão do lado de fora. Paulo Marques, disse-me a certa altura que «são muitos os estrangeiros que frequentam o restaurante e muitos são coleccionadores de fotografias de eléctricos» e algumas das expostas nas paredes foram ofertas dos próprios autores.

A conversa foi curta, até porque o movimento era grande, mas pelo menos sete eléctricos fazem parte da sua colecção e alguns já estão restaurados. Para além do gosto que nutre pelos eléctricos e pela sua história, o proprietário deste restaurante sabe bem receber e tem há já 19 anos, bem no centro da cidade um espaço que é tipicamente português e que dá gosto visitar. Fica feita a sugestão, para uma pausa a meio da tarde ou para uma refeição mais completa. O restaurante «O Marques», fica na Travessa do Forno n.º 11, junto à esquadra da PSP do Rossio (atrás do teatro D.Maria II).

A sugestão está dada, portanto resta agradecer ao Paulo Marques, a amabilidade com que me recebeu esta tarde. Para os leitores do blogue que pretendam conhecer melhor o projecto, as ideias e a colecção de Paulo Marques podem visualizar o vídeo disponível no YouTube e elaborado pelo C.E.C. - Clube de entusiastas do Caminho-de-Ferro.






Boas viagens e se for o caso, Bom apetite!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Férias na Cidade IV: A corda bamba a quebrar a rotina

Hoje tinha de passar pela Fnac do Chiado para tratar de revelar umas fotos. Decidi portanto apanhar o eléctrico 28, porque além de ficar mais próximo, é uma alternativa útil ao autocarro que conduzo diariamente enquanto estou de serviço. E pelo caminho, ocorreu o inesperado, aquilo que por vezes acontece, mas que há já muito tempo não assistia. No cruzamento da Rua da Conceição com a Rua da Prata, a roldana do trolley do eléctrico que seguia à frente saltou fora e a corda, essa rompeu com a força que a vara exerceu.

Quebrou portanto a corda e a monotonia de quem já por natureza tem cada dia diferente do anterior. O percurso da carreira ficou interrompido, mas não por muito tempo, dada a rapidez com que a equipa da manutenção chegou ao local para subir ao eléctrico, baixar a vara e substituir a corda. Nostálgico para mim que me fez recordar os antigos eléctricos 700, onde acontecia mais vezes isto, dado que não circulavam com pantógrafo, tendo assim mais probabilidades de isto acontecer, e engraçado para os turistas que iam a bordo e os que iam a passar naquele momento.

Para outros fez mesmo alguma confusão o porquê do eléctrico não andar, porque como dizia um senhor no local, «ele tem la o outro (pantógrafo) em contacto e está a trabalhar», como se soubesse o que ali estava a dizer. Se ele soubesse que na carreira 28 não é permitido o uso do pantógrafo e que o mesmo só estava em cima a aguardar a reparação, para que o compressor não deixasse de trabalhar, nem tinha feito tal observação.

Feito o reparo, fica também feita a referência para o trabalho daqueles dois colegas da Manutenção, que rapidamente chegaram ao local e repararam a avaria com eficiência, permitindo assim que a carreira 28E prosseguisse dentro da normalidade, para alegria dos muitos estrangeiros que enchiam a paragem da R.Conceição. Sem dúvida mais uma história, que neste caso, a colega Guarda-freio terá para contar para mais tarde...


Boas Viagens!

terça-feira, 21 de julho de 2009

Férias na Cidade III: Lisboa ao ar livre

Para quebrar um pouco a rotina dos locais fechados como os museus que já aqui tenho vindo a referir, hoje a ideia é mesmo dar uma sugestão diferente para passar uma tarde ao ar livre aproveitando muitos dos espaços em Lisboa, de onde se obtém vistas fantásticas. Um desses locais obrigatórios para quem visita Lisboa é o Miradouro de Santa Luzia, junto ao Largo das Portas do Sol.

Neste local obtém-se uma vista sobre toda a zona antiga de Lisboa, com o Bairro de Alfama em grande destaque. Na foto que apresento, tirada esta tarde, o destaque vai para a Igreja de Santo Estêvão, mas também se vê o Panteão Nacional. Mas muito mais há para ver como a Igreja de São Vicente de Fora ou a de São Miguel, por isso não se limite à camara do telemóvel e se planear passar por este miradouro o melhor é mesmo levar a máquina fotográfica.

Para visitar este e outros miradouros o melhor mesmo é fazê-lo a pé ou de transportes públicos, porque normalmente são locais de difícil acesso ou com muito congestionamento, dada a afluência de turistas. O estacionamento é difícil, embora haja no local o mais evoluído e seguro parque de estacionamento da Europa, facto este que continua a não impedir que se impeça o trajecto do eléctrico, como se vê na imagem.

Este miradouro é servido pelos tradicionais eléctricos, nas carreiras 12 e 28 e pode-se também lá chegar através da carreira 37 de autocarros. A esplanada no local é um espaço agradável para se fazer uma pausa a "saborear" a vista, enquanto bebe uma bebida fresca, mas os preços não são muito simpáticos à semelhança do atendimento.
Mas este não é apenas o único miradouro da cidade. Há também o da Graça - recentemente apelidado de Sophia de Mello Breyner-, o da Senhora do Monte, o de São Pedro de Alcântara entre outros.

Boas Viagens!

domingo, 19 de julho de 2009

Férias na Cidade II: MUDE de ideias...

Se é dos que gosta de ver um bom museu e ficar a par de todas as peças nele mostradas, provavelmente gosta de história e de cultura geral. É natural que aproveite as férias ou uma folga para visitar um Museu que ainda não tenha visto, mas se escolheu o MUDE para visitar esta semana, e pensa que vai encontrar um museu "igual" a tantos outros, o melhor mesmo é mudar de ideias.

Ontem ao passar na Rua Augusta e depois de tanto ouvir falar no MUDE - Museu do Design e da Moda, decidi visitá-lo porque nada melhor que ver para crer. Depois de uma pequena amostra no CCB, o Museu do Design está agora de malas e bagagens no edifício da antiga sede do BNU. O espaço é fresco até porque o interior não passa de umas obras inacabadas propositadas para dar um estilo diferente a quem o visita. Mantiveram o balcão onde já milhares de notas pousaram e dos tectos trabalhados restam apenas pequenas partes.

A colecção é vasta, desde a roupa aos móveis, não esquecendo os candeeiros e através deles é possível ver modas de outras eras. A entrada é livre, por enquanto. Mas a verificar pela afluência, creio que assim deverá continuar por algum tempo. O MUDE fica junto ao Arco da Rua Augusta onde antes se encontravam os vendedores de artesanato e pintores, que agora tiveram também eles de pegar nas suas malas e bagagens para a Praça da Figueira.

No segundo piso do edifício está agora patente a exposição «Ombro a ombro - Retratos políticos». O certo é que a Rua Augusta perdeu parte do encanto que tinha naquele trecho final de rua e agora o retrato é outro. Ainda assim e se gosta mesmo do Design e da Moda e pretende visitar o Mude, poderá utilizar as diversas carreiras que servem a Praça do Comércio e a Rua da Conceição. Para ver qual se adequa melhor ás suas necessidades, consulte o Mapa da Rede, da Carris.
Foto retirada do site do MUDE

sábado, 18 de julho de 2009

Férias na cidade I: África em Lisboa

Já dizia o turismo de Portugal: «Vá para fora, cá dentro!» e de facto há muito para se ver em Lisboa, assim como em Portugal. Como é sabido, hoje inicio parte das minhas férias e esta primeira semana ao que tudo indica vou mesmo ficar por cá. Durante os próximos dias poderão portanto e à semelhança de hoje, surgir algumas sugestões do que há para ver em Lisboa numa altura em que tantos estrangeiros nos visitam. A minha sugestão de hoje acabou por surgir assim ao acaso e refere-se ao continente Africano, e ao contrário do que possam estar já a pensar... não vou falar do Rossio nem na entrada do Teatro D.Maria II.

"ÁFRICA - Diálogo Mestiço", é a mais recente exposição aberta ao público e que está presente bem no centro da cidade, no Páteo da Galé (Terreiro do Paço). Esta exposição, que estará patente até 30 de Setembro, mostra a preciosa colecção de arte tribal africana, do artista José de Guimarães, que as colocou em diálogo. Com peças em Terracota - algumas do séc. XIV e XVI -, bronze e até madeira, a colecção agora exposta é o resultado de 40 anos de coleccionismo e no Páteo da Galé estão apenas 400 das mais de 1000 peças.

Num espaço adaptado e acolhedor, pode-se encontrar também uma livraria onde África reina em todas as prateleiras e ao centro há uma sala onde se tenta mostrar o clima de um continente que além de quente é húmido. É uma mistura de quente e fresco da água que é pulverizada com ajuda das ventoinhas fixas no topo da sala. A exposição abre portas de Terça a Domingo das 12h às 20h e encerra à Segunda-feira. A entrada é Livre pelo que não tem desculpas para não visitar.
Para chegar ao Páteo da Galé basta entrar a bordo de uma das muitas carreiras que servem a Praça do Comércio, pelo que poderá consultar no mapa da rede da Carris qual a melhor carreira que se adequa às suas necessidades.




Boas Viagens e Boas visitas!

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Na 35 a caminho das férias e a imaginar o passado com quem o viveu...

Todas as sextas-feiras são iguais no que ao trânsito diz respeito, até mesmo quando se está em época de férias. Terminei em grande a semana, na minha carreira preferida (35), e antes de pegar ao serviço, ainda passei pela Praça da Figueira porque ontem tinha ficado com algumas questões por fazer sobre os autocarros novos. Havia mais público na P.Figueira do que no C.Pequeno, talvez porque a presença do 109 tenha chamado muita gente ao local que aproveitou para relembrar velhos tempos.

E nem de propósito... Enquanto conversava com o inspector presente no local, sobre o novo autocarro, surge um senhor que de imediato nos interrompe com toda a delicadeza e nos diz que «fui colega, mas já estou reformado. Saí da Carris há 3 anos e dei entrada em 1972 na estação das Amoreiras, que não é do tempo deste jovem (este jovem era eu...), depois fui para Cabo Ruivo e recentemente estava na Musgueira...», dizia-nos com um orgulho idêntico ao do Eusébio quando fala no Benfica. É bom sinal, pois foram 34 anos a vestir a mesma "camisola", que hoje nós representamos.

«Hoje estou reformado e passei por aqui para ver os novos autocarros. Pena tenho que já não os possa conduzir», lamentava o ex-colega. Conversa para aqui, conversa para ali, já a certa altura recordava os tempos em que trabalhou como efectivo na carreira 37, precisamente com o carro 109, que como fez questão de dizer «era laranja e aquelas mudanças de cintas rebentavam-nos todos... Andei muito naquele carro e até me estou a arrepiar das viagens que nele fiz...»

Emoções à parte, a hora passou num ápice e aproveitei a boleia do 18E até ao C.Sodré onde iria iniciar o meu serviço. A primeira parte correu, como se costuma dizer, ás mil maravilhas. Uma ida à P.Chile, o regresso ao C.Sodré e uma ida ao Hospital de Santa Maria. Na volta ao C.Sodré tive a pausa para almoço. Decidi então deslocar-me até á estação de Santo Amaro, já que não dava tempo de ir a casa almoçar.
Na 2.ª parte do serviço, apenas viagens para Hosp.Santa Maria! Confesso que prefiro as da P.Chile, mas adiante... Viagem para Santa Maria e o aproximar da hora de ponta fazia chegar mais passageiros, todos eles com pressa de chegar a casa mais cedo para desfrutarem de mais umas horas de fim-de-semana ou até mesmo de férias como é o meu caso hoje. Numa das viagens para o C.Sodré, surge uma passageira de mobilidade reduzida, e creio que foi a 3.ª vez que utilizei a rampa de acesso a cadeiras de rodas.

E se á entrada tudo correu bem, já na saída, teria de ficar com uma marca na mão, após um ligeiro corte ao abrir a rampa. Nada de grave! A simpatia da passageira que agradeceu e desejou «um bom fim-de-semana para si e para os seus», até fazia esquecer o golpe. E aqui aproveito para dar elogios ás novas rampas automáticas que evitam estes contratempos e que são bastante mais rápidas e fáceis de utilizar, como tive ocasião de ver pela manhã.

Ao chegar ao Cais do Sodré tinha já pela frente a última viagem para o Hospital de Santa Maria e parece que é sempre na última que se demora mais tempo. Ou porque o sinal demora mais tempo a passar para o verde, ou porque grande parte dos passageiros aparece para comprar tarifa de bordo, fazendo lembrar as segundas-feiras dos cinemas em que todos acorrem por ser mais barato, pois na ultima viagem parece que muitos não têem passe nem "VivaViagem" ou "7colinas"... Ou é porque alguém na paragem pede para esperar um minuto porque ao fundo vem gente a correr e que afinal até vai para o comboio e não para o autocarro. E claro está porque ás vezes é os idosos que se lembram todos de sair e andar de autocarro naquela hora. Ou seja, tudo parece correr contra nós naquela hora crítica do dia em que já só se pensa no que vai ser o jantar...

A questão é que antes de se pensar no jantar ainda tem que se ver a que horas se vai chegar a casa para jantar. Porque hoje um imprevisto - ou talvez não, dada a frequência - fez recolher o 17, após uma pedrada num dos vidros do autocarro, na paragem antes da Estação da Musgueira. E o frustrante no meio disto tudo é eu recolher á estação, com a sensação de missão cumprida em mais um dia de trabalho, o último da semana e o último antes das merecidas férias que na 3.ªfeira começam, correr para a paragem porque o 17 estaria a chegar e vê-lo passar a barreira da entrada da estação, com bandeiras de "Reservado", vidro partido e a Policia atrás para tratar da ocorrência...


Resultado: Jantar ás 22h00 :) Bem, tirando este imprevisto, o bom é que só volto a sentar-me nesta cadeira(foto ao lado) a 5 de Agosto, pelo que até lá vou gozar as minhas férias de verão. Para mim, os autocarros agora recolheram á Musgueira e só os utilizarei como passageiro. Quanto ao blog, por enquanto não vai de férias e se for, aqui deixarei o aviso.

A quem vai de férias como eu: Boas Férias, a quem tem apenas o Fim-de-semana: Bom fim-de-semana e a todos Boas Viagens!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Depois dos bonecos... os Autocarros!

Depois da conversa dos bonecos de há dois dias, hoje o tema eram os novos autocarros que a Carris colocou ontem na rua para que os seus clientes e potenciais clientes os pudessem visualizar de perto. Hoje tive então a possibilidade de entrar no 1745 que estava no Campo Pequeno, e destaco o diagrama da rede da carris colado num dos vidros e sobre esta excelente ideia só espero estar enganado na convicção de que vão lá durar pouquíssimo tempo.

Depois tentei igualmente apurar em que carreiras iriam circular e ao que parece, são candidatas as carreiras 17,108,793 e 794, pelo que... se no que diz respeito à protecção ao motorista em bairros como os das Galinheiras, Marvila e Fetais é uma excelente ideia, já no que diz respeito à conservação do material, tenho sérias duvidas que irão durar muito tempo intactos, tendo em conta o que se vê nos que por lá já vão circulando. Mas isso é outra nota de 500 como diz o outro!

A Carris anunciou com a vinda destes novos autocarros "+Conforto e +Mobilidade" e nesse campo, posso dizer que estão 100% seguros do que prometeram. Os carros são confortáveis, incluindo a cadeira do motorista, que aproveitei para exprimentar e os espaços são mais amplos junto à porta da retaguarda permitindo assim uma melhor circulação por parte dos passageiros.

No meu ponto de vista algo que não ficou bem no "produto final" foi a claraboia sobre o motorista, que vai permitir a entrada dos raios solares para aquela zona onde já havia demasiados reflexos sobretudo nos carros com cabine. Mas no geral, fiquei bastante satisfeito com o que vi, e deixou-me ainda com mais vontade de poder exprimentar os novos autocarros.

Numa das viagens que fiz ao longo do dia na carreira 44, uma das senhoras ao entrar, apresentou-se sorridente e com um lápis da Carris na mão e já depois de ter dito boa tarde lá me explicou que «já ganhei um lápis da Carris, fui ali ver os novos autocarros que são muito bonitos e confortáveis só é pena ainda não estarem em circulação», dizia. -"Pois mas olhe que já faltou mais... E até lhe deram um lápis e tudo, está a ver? Está cheia de sorte...", brincava eu com a senhora que de imediato me disse: «Se quiser vou lá buscar um para si, mas tem de esperar um minuto!», -"Não, obrigado. Estava só a brincar..."

«Sabe, gostei muito dos novos autocarros e das moças que lá estavam a promover. Muito simpáticas e até me deram sementes de Coentros para plantar em casa...» E lá se foi sentar toda satisfeita! Já a chegar ao Oriente um senhor ao avistar os novos modelos da Carris, veio perguntar-me se «a razão de haver bandeirinhas nos autocarros é por causa dos novos não é? É que o aniversário é só em Setembro...», mostrando estar bem informado e recordado que a Carris comemora o seu próximo aniversário a 18 de Setembro.

Amanhã é o último dia da semana e para mim também. Depois vêm as merecidas férias!

Boas Viagens!
Fotos: Rafael Santos / Pedro Almeida

quarta-feira, 15 de julho de 2009

As máscaras e as marcas num duelo de personalidades

Há já algum tempo que não ia para a 742 e se em duas semanas fiquei “farto”, hoje sempre deu para desanuviar um pouco com uma carreira que tem um percurso longo. O serviço até não era dos piores, pelo que nesse campo hoje não tinha razões de queixa. O que eu já não me lembrava era dos horários de Verão que já estão em vigor, pelo que o facto de uma gripe – dita suína - ter afastado as pessoas das férias, faz com que os autocarros andem mais cheios, sobretudo em horas de ponta.

E antes de avançar para outras «paragens», apenas uma nota para o senhor que entrou com uma canadiana e uma máscara na cara. Decidi observar a sua entrada e o seu caminho até ao lugar eleito. Todo o autocarro seguiu os seus passos, como que de um compasso sincronizado se tratasse por parte dos que já lá estavam dentro, mas eram olhares de repressão, de afastamento desconfiança que até me deixaram algo transtornado. Porque provavelmente nem, era nenhum doente da Gripe A, porque muito antes de se falar nisto, já eu transportei dezenas de pessoas com máscaras na cara.... mentalidades!

Já com destino ao Bairro Madre Deus e com mensagem de «Completo» já enviada para a Central, saíram uns quantos passageiros na paragem do Corte Inglês e outros tantos entraram, entre os quais uma senhora nos seus 60 anos (+/-), que ao entrar soltou de imediato: «epá que grande festa aqui vai... está cheio hoje!»

Para não se juntar ao aglomerado de pessoas aproveitou um espaço livre na frente para ali ficar, dizendo que «também vou só até ao A.Cego. Já nem estou habituada a andar nisto com tanta gente, sabe? Uso mais ao Sábado!...», -“Pois mas durante a semana tem mais gente já se sabe”, respondi eu.

Mas a senhora teimava em querer ter o seu tempo de antena, mostrando alguma necessidade de falar com alguém nem que esse alguém fosse simplesmente o motorista do autocarro que a levou de S.Sebastião ao A.Cego. «Sabe eu acho que qualquer dia a nossa cidade vai pelos ares com um terramoto, porque mexem tanto nas terras com tanta obra que as terras já andam saturadas...»

E como se eu tivesse feito alguma questão, lá foi dizendo que «Acabei de vir do Corte Inglês porque o meu irmão, veja só, ficou com o meu telemóvel. Deu-me 100 euros por ele porque disse que gostava bastante dele. Eu também gostava muito, até porque gosto de estimar as coisas. Já tinha dois anos, mas não tinha risco nenhum...», e para não dar uma de mal educado lá foi dando algum “troco” mas pouco. – “Pois já para mim os telemóveis só servem para falar...” e lá ela dizia: «Pois também para mim, e não percebo nada, mas gosto de saber que tenho uma coisa boa com uma marca considerável, pelo que só deixo ali a menina do corte inglês mexer mais ninguém»

E a minha tarefa social do dia chegava ao fim coma nossa chegada ao A.Cego. Amanhã há mais e numa carreira diferente e também amanhã são apresentados oficialmente os novos autocarros que já esta tarde andaram espalhados pela cidade. O evento terá lugar na Est.Oriente.

terça-feira, 14 de julho de 2009

«Epá tantos bonecos!...», na 745

De facto, é o que não falta numa cidade como Lisboa: Bonecos! E uns mais engraçados que outros. Hoje os autocarros da Carris saíram para a rua com muitos bonecos "pendurados" nos balaústres, dando a conhecer aos seus passageiros que os novos autocarros (60 ao todo) estão prestes a chegar para oferecer, mais mobilidade, com maior conforto, maior segurança e menos poluição. Sob o tema da mobilidade, os novos autocarros também foram tema de conversa entre alguns passageiros que dão mais importância que outros a este tipo de novidades.

Outros acabaram por comentar, só porque bateram com a cabeça nos «teimosos» dos bonecos publicitários que acabaram por criar alguns sorrisos a bordo do 1583 que conduzi hoje na 745. «Epá tantos bonecos! Para que é isto sr.motorista?», perguntou uma senhora de idade mais distraida. E o passageiro do lado nem me deu tempo de responder, dizendo que «É para anunciar ao povo que a Carris tem 60 autocarros novos, senhora...», tendo a mesma exclamado, «mas este é tão alto... Só pode ser dos velhos....»
Ao bom jeito dos passageiros que correm para os autocarros e eléctricos da Carris com uma pressa de chegar a casa ou ao trabalho, os bonecos desdobráveis lá foram viajando ao longo do dia nos autocarros da frota da carris, mas nem todos chegaram ao fim da viagem... :)
E se estes bonecos nada diziam e nada faziam, outros houve que, ora reclamavam porque o outro autocarro tinha parado por causa dos carteiristas, ou porque aquele onde acabavam de entrar estava bastante quente. Pudera! Não tinha Ar Condicionado...

Houve mesmo uns estrangeiros que talvez apressados para deixar a confusão da cidade de Lisboa, ao verem tantos passageiros a entrar pela porta da frente, decidiram carregar nos botões de emergência (exteriores) das portas de trás para entrarem como se fossem donos e senhores de todo um autocarro repleto de pessoas que tinham e bem entrado pela porta da frente. Resultado: Tiveram de sair por onde tinham entrado e fazer o correcto, ou seja, como todos os outros: entrar pela porta da frente.

E para concluir, e já que hoje se fala tanto na mobilidade - quer seja através do marketing da Carris que, quer queiram quer não, acabou por passar a mensagem com os bonecos -, na noite de ontem em entrevista à SicNotícias, o actual presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa e candidato às autárquicas 2009 disse que é sua intenção para o mandato que se segue (caso vença), apostar numa rede de transportes, no seguimento da apresentação do seu programa eleitoral, sobretudo na criação de carreiras de eléctricos até ao lado Oriente da cidade, mas convém lembrar que já o programa de António Costa em 2007 dizia...

No mesmo programa pode-se ler que:

«Em simultâneo, a Câmara Municipal utilizará os seus poderes de gestão da rede viária e de regulamentação do trânsito para orientar as opções dos transportadores em matéria de redes e circuitos. Procurar-se-á acolhimento para os seguintes objectivos ou medidas:

a)Reactivar algumas linhas de eléctricos com prioridade para a ligação Cais do Sodré – Rato e prolongar a linha do eléctrico 15 até ao Parque das Nações e promover um estudo para o prolongamento das carreiras de Eléctricos Rápidos ao longo do Tejo Oriental (Cais do Sodré, Terreiro do Paço, Santa Apolónia, Marvila, Parque das Nações, Trancão e volta).

b)Apostar na continuidade e no aumento da rede de corredores Bus e expandir a rede de dispositivo de prioridade para autocarros e táxis nos cruzamentos com semáforos.

c)Melhorar o sistema de informação ao público, aprofundando o sistema Transporlis.

d)Colaborar com a Carris, o Metropolitano e os outros operadores na melhoria da informação sobre o sistema de transportes. »

Promessas ou não, uma certeza deixa: Que Portugal continua a pensar ainda muito atrasado em relação aos demais paises da Europa onde o Eléctrico é a grande aposta há alguns anos, por ser mais económico, mais rápido (com vias próprias) e menos poluente. As eleições prometem e como não ligo muito a políticas, hoje fico-me por aqui.

Boas Viagens!

Fotos: Rafael Santos / Olle S. Nevenius

sábado, 11 de julho de 2009

De folga ao ritmo da Banda dos Empregados da Carris

Enquanto desfrutava de mais uma folga pela Baixa de Lisboa, deparei-me perante a inauguração do "II Festival de Bandas de Lisboa - Com'paço" e coube à Banda dos Empregados da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, a abertura do certame que termina amanhã dia 12 de Julho, com a actuação e desfile das 12 Bandas participantes.

Ao ritmo de temas como Utopia, de Jacob de Haan, ou Slovénia de Alfred Bosendorfer, entre outras, acabei por acompanhar a actuação e gostei bastante. Quem também deve ter gostado, pelo entusiasmo demonstrado, foram os muitos espectadores que cedo começaram a ocupar as cadeiras disponíveis no Rossio, chegando mesmo a acompanharem a banda com palmas em alguns temas mais animados.

Deu também para matar o «bichinho» da foto-reportagem e aqui vos deixo algumas imagens da actuação da Banda dos Empregados da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, que foi fundada a 1 de Abril de 1929 por iniciativa de um grupo de funcionários da Carris. Com cinco trabalhos discográficos editados, cujo primeiro foi em vinil no ano de 1982, a banda conta com os outros quatro editados em CD, tendo o último sido gravado no âmbito das comemorações dos 75 anos da Banda. Com um vasto repertório a banda é dirigida pelo Maestro Carlos da Silva Ribeiro.

Amanhã as bandas participantes desfilam entre a Praça do Município e o Rossio, passando pela Rua do Comércio, Rua Augusta, chegando assim ao local onde ás 17 horas irão actuar, para encerrar assim o II Festival de Bandas de Lisboa.

Recordar é viver: Lisboa ao ritmo dos anos 80...

E de regresso aos Carris, mas de Lisboa aqui vos deixo hoje uma lembrança dos finais dos anos 70 e início dos anos 80 ao ritmo de um dos meus grupos musicais favoritos de sempre - os Queen! O exercício é simples: Carregar no play do videoclip e desfrutar das imagens de uma cidade que sofreu grandes mudanças.






Lisboa pela objectiva de Caroline Mathews:


Largo de São Tomé - Carreira 28

Lisboa pela objectiva de Olle S Nevenius:


Largo de Santos - Carreiras 15 e 18

R. Alfândega - Carreira 16

Todas as fotos e videos têem direitos reservados aos respectivos autores.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

«Off-Topic» para dar a conhecer aos leitores os S.M.T.U.C.

Com o objectivo de aprofundar algumas técnicas e actualizar o portefólio de trabalhos para fins de Currículum Vitae na área do vídeo, disponível em www.rafaelsantos.pt.vu, no passado mês de Fevereiro, solicitei aos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra, autorização para a gravação de imagens no interior das suas instalações, dos autocarros e trolleycarros, para a produção de uma reportagem documental, sobre os 100 anos da empresa comemorados recentemente.

Os S.M.T.U.C. através do Gabinete de Relações Públicas e Promoção, cedeu e o trabalho final foi oferecido ao mesmo gabinete, como forma de agradecimento pela respectiva autorização e colaboração. Embora não esteja relacionada com a "Carris" e com o meu dia-a-dia de trabalho na empresa, deixo aqui o resultado final, para os amantes da história, dos transportes e claro está os da cidade de Coimbra.

O video realizado e produzido por mim, conta a história através do voz-off Paulo Feliciano - a quem uma vez mais agradeço pela ajuda prestada - de uma empresa que também teve origem nos Carris. Agradecimentos também para a revista S.M.T.U.C., a Pedro Almeida e uma referência para o Arquivo da APAC com as fotos utilizadas.






Todos os direitos sobre o video realizado e Produzido, estão reservados ao autor.



terça-feira, 7 de julho de 2009

745 - Do Prior Velho a Santa Apolónia, muita língua se fala... e muita coisa se vê

Há dias e dias e hoje foi daqueles dias que nem me custou muito sair de casa. O pior mesmo é que numa profissão como a de motorista ou até guarda-freio, como tantas outras, nunca se sabe o que poderá acontecer porque cada viagem é diferente e com pessoas diferentes. Podem dizer que é mania minha, mas um facto é que se consegue distinguir as pessoas pela carreira ou se preferirem, as carreiras através das pessoas.

Num serviço de médias já se apanha pouca gente que vai a caminho do trabalho, a não ser os que tenham empregos que permitem a entrada mais tarde. O que é certo é que se apanha o regresso a casa de muita gente. Uns mais bem dispostos que outros... Uns educados outros nem tanto!

Hoje tive uma média na 745, ou seja, mais precisamente entre as 9h30 e as 19h11 com a respectiva pausa para almoço. A parte da manhã até passou bem e as duas viagens que fiz do Prior Velho para Santa Apolónia, provaram-me que embora possa parecer estranho, o Verão está aí, dado o elevado número de turistas que este ano escolheram Lisboa como destino de férias.


«Hola, passas en el Rossio?», pergunta uma espanhola, já depois da italiana ter perguntado «Questo autobus è al Restauradores?», é uma mistura de línguas no terminal de chegadas do Aeroporto de Lisboa e todas elas com pressa de chegar ao centro da cidade, como que se fosse o último destino de férias das suas vidas. Ainda estou a terminar um troco a um inglês que me tinha pedido cinco bilhetes e já tenho um francês "colado" na banqueta com um mapa a perguntar-me se «Je peux aller au château S.Jorge, dans ce bus?», apontando-me com o seu indicador para o castelo de São Jorge desenhado num mapa que deve ter recolhido no posto de informações do Aeroporto.

Uma manhã multilingue que contrastou com uma tarde em que foi necessária apenas uma língua para se perceber que um passageiro não havia ficado satisfeito com o troco que lhe tinha dado. Também entrou no Aeroporto e pediu-me «um bilhete para Entrecampos», ao mesmo tempo que colocava na banqueta 1,50€... "Tecla 1" na máquina de venda, "OK" e "Imprimindo Bilhete"! Troco: 0.10€ em moedas de 1 e 2 cêntimos que ainda nem tinham tido tempo de entrar na bolsa, porque tinham sido dadas pela passageira anterior que tinha comprado bilhete.

«Desculpe lá mas não me vai dar esse troco com essas moedas pois não?!»... "Sim é o seu troco. Não é dinheiro?"... «Mas essas moedas não dão pr'a nada»... "Se não quiser pode deixar, mas olhe que é dinheiro!"... «Vou ter de comprar bilhete na máquina em Entrecampos e não aceita essas moedas!»... "E já viu se eu dissesse isso a todos os passageiros que se apresentam a comprar bilhetes com estas moedas?! Não vendia bilhetes!"... E lá se foi sentar com as moedas no bolso porque lá deve ter chegado à conclusão que não tinha razão nenhuma e que só ali estava a empatar os restantes.

E porque não há uma sem duas nem duas sem três, chego ao terminal de Santa Apolónia, faço a folha no final da viagem e dou a habitual volta ao autocarro para ver se não havia ficado nada esquecido! Num primeiro olhar parecia que tudo estava como devia ser, mas um pequeno pormenor no banco do meio da última fila, leva-me a redobrar o olhar e a verificar que estava mesmo algo esquecido. Propositadamente, talvez por alguém que ainda não saiba o real significado do objecto. Talvez para gozar com o motorista ou até mesmo com os restantes passageiros, mas o que se espera realmente é que o artigo (preservativo - ver foto) deixado na ultima fila do autocarro, sabe-se lá por quem, não venha ainda fazer falta a essa mesma pessoa que o deixou lá!


E assim andam os passageiros da 745 uma carreira onde os opostos se atraem...


Boas Viagens!

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