terça-feira, 30 de junho de 2009

Na 794 com a presença dos «picas»

Há quem lhes chame muita coisa, mas quando eu era criança e quando ainda havia respeito por esses senhores que fiscalizam a bilhética a bordo de autocarros e eléctricos, chamava-lhes revisores. Hoje na 794 apareceram para meu espanto, mas também para minha alegria confesso. Há já alguns - largos - meses que não fazia a 794 e a conclusão que tiro depois de um dia de trabalho nesta carreira é de que está tudo igual no que a borlas diz respeito.

Já a meio da tarde, que não contou com chuva como ontem, mas que se tornou abafada sobretudo quando a fiscalização entrou a bordo do 4246 e fez transpirar a última fila do autocarro, na Av.Infante D.Henrique e com destino a Santos, já na minha última viagem entraram três colegas da Fiscalização. Já depois de terem mudado de ideias, visto que tudo indicava irem para o 750 que vinha atrás.

E neste caso foram os próprios, ou melhor, as próprias passageiras visto que eram todas mulheres a darem a dita «cana». Viram a fiscalização na paragem e toca de correr para sair, mas como estes não haviam entrado e eu já tinha fechado a porta da frente, toca de regressarem ao lugar. A porta de trás fechou mas ao mesmo tempo a da frente voltava a abrir-se sem estas esperarem. Resultado: tinham acabado de ser "caçadas".

Todas elas eram jovens e já sem forma de fugir decidiram rir para não chorar. Na última fila só escapou a cadeira do meio, porque estava vazia. Todas as restantes estavam ocupadas e por raparigas que acabaram por abandonar o autocarro já com o papel A4 da multa na mão. Ao início não se queriam identificar, mas a palavra Esquadra soou-lhes mal e o B.I. saiu logo da carteira.

Já junto á Estação de Cabo Ruivo, mais uma jovem que habitualmente entra no autocarro como se fosse dona e senhora de tudo e todos. E preparava-se para o mesmo esta tarde. Entrou e rumou num passo acelerado para o corredor. Parou, viu uns senhores de farda azul ao fundo com pasta e caneta na mão e deu dois passos atrás e disse: «Boa tarde, queria um bilhete...»

-1.40€ s.f.f.... e enquanto tira as moedas e o bilhete é impresso, pergunta-me com uma grande lata: «são os picas não é?» ao que respondo: - Desculpe? não entendi o termo que utilizou... «Se são os picas que estão lá atrás?...» - Continuo a não entender, mas é 1.40€ sff... faltam 10 cêntimos!

E lá seguiu com o bilhete na carteira. Juntou-se ás, digamos, ilegais no transporte público que pelos vistos fazia parte do grupo. O pior é que nem assim elas aprendem...
Boas Viagens!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

26 voltas aos Olivais(79) é muita fruta...

Deixei apenas para hoje a escrita sobre mais uma passagem pela carreira 79, porque sabia que também hoje iria haver algo para contar e digo também hoje(domingo), porque foi de facto um fim-de-semana «non-stop» no que aos Olivais diz respeito. Calhou-me na escala um Sábado e Domingo nesta carreira de circulação e se um dia de vez em quando até sabe bem, para aliviar um pouco a rotina das outras carreiras, dois dias acabam por ser já, sinónimo de muita volta.

Ao todo entre sábado e domingo foram 26 as voltas dadas ao bairro e a grande ausência nas minhas viagens foi o então conhecido entre os passageiros habituais por "Papa-Bolos", que não marcou a habitual presença. No sábado quem apareceu foi a D.Rosa uma senhora muito reinadia que depois de me perguntar pelo Sr.Pinto - colega que habitualmente anda pela 79 - não se cansou de dizer aos restantes passageiros que «este Mundo está perdido. Nunca se ouviu falar tanto de Sexo na televisão como agora...é só sexo, sexo, sexo e mais sexo que até enjoa! É como os jornalistas que tão sempre a massacrar as pessoas com as mesmas coisas. Agora é o Jeckon ou Jackson o que raio é... Até aqui era um mauzinho que batia nos meninos, agora já é o rei da musica...»

Obrigado a ouvir certas e determinadas conversas, lá tentava eu abstrair-me até que a certa altura entrou um passageiro, não sei se maluco ou bêbado, que de um momento para o outro começou por dar murros aos balaústres e a dizer asneiras. Alertei-o que estaria num transporte público pelo que teria de ter outras maneiras de estar. Acatou o repto, mas não por muito tempo. Tempo era precisamente o que faltava para iniciar a partida, com aproximadamente 7 minutos e como os gritos e ameaças aos restantes passageiros permaneciam, convidei-o a esperar lá fora, na esperança que não voltasse a entrar.

Para meu espanto, não ofereceu resistência e aceitou o conselho. Saiu mostrando que tanto tinha de perigoso como de amistoso. E quando me preparava para arrancar, eis que aparece uma idosa a bater a porta que depois de ter demorado tanto tempo a entrar, originou a que desse tempo para ele voltar. Lá se sentou calmo, como se nada fosse com ele, até que 4 paragens mais à frente lá tive de lhe chamar de novo a atenção e desta feita o suficiente para ele querer sair pelo seu próprio pé.

Nem parecia a 79... Insólitos à parte porque esses fazem mais parte de uma campanha de uma operadora móvel de telecomunicações, já este domingo, digamos que foi um "copy and past" do dia anterior mas sem esse tal insólito que havia marcado o Sábado.

Muita chuva o que também acabou por deixar muitos passageiros em casa, mas ainda assim os que já têm cativo na carreira não faltaram à chamada e mal rendi lá estava a mesma senhora que no dia anterior havia também dado duas voltas comigo ao bairro. Hoje deu mais duas e o suficiente para me dizer que as «velhas viúvas daqui andam doidas. Ontem foram todas aperaltadas para a sardinhada... ainda me convidaram mas sabe sr.motorista, não gosto de confusões...»

Confusões à parte, quem voltou a aparecer hoje foi a D.Rosa que surpreendida por saber o nome dela [tinha ouvido no dia anterior], lá me disse que era uma «joinha e que tinha muita estima pelo pessoal da carris...» O curioso no meio disto tudo é que deu para ver que bastam dois dias apenas para numa carreira de circulação se conhecer toda a gente e saber em que paragem vai sair X ou Y. Fez-me lembrar a carreira 12E que também é parecida nestes aspectos, sobretudo quando há pessoas que tiram o passe exclusivamente para andarem todo o dia nestas carreiras.

Bem para terminar, apenas dizer que hoje o Ascensor da Bica comemorou 117 anos de vida, facto que originou que durante este fim-de-semana as bandeiras electrónicas dos autocarros da Carris andassem com alternância de "117 Anos Ascensor da Bica", o que também acabou por gerar algumas confusões sobretudo com as pessoas mais idosas, que foram apanhadas de surpresa pela mensagem...

Boas Viagens!
Foto: Pedro Almeida / Mapa: Carris.pt

sexta-feira, 26 de junho de 2009

745 Via Av.Brasil....

Pois é amigos, lá começou mais uma semana de trabalho e bem cedinho. O que eu gostava ao início das madrugadas, mas e o que me custa a levantar agora, sobretudo quando o maldito despertador toca por volta das 4h00 da manhã! As madrugadas têem a vantagem de se ficar com o resto do dia livre, mas confesso que quem acorda ás 4h00 e depois de oito horas de serviço, pouca vontade tem para fazer o quer que seja à tarde, a não ser descansar e recuperar para o dia seguinte.

E para abrir a pestana logo de manhã, eis que no Prior velho tenho o primeiro carregamento do dia, na viagem das 5h47 rumo a Santa Apolónia. Alguém havia acordado com o cheiro mais apurado, ou até com má disposição e lá gritou em jeito de desabafo que era «insuportável o cheiro a alho logo de manhã! Parece que têem medo da água...»

Portanto parecia começar em grande o dia. O sol apareceu ainda que na companhia das nuvens e com aproximar das 10h00, aumentava o n.º de clientes sobretudo na zona do Aeroporto, onde se perde sempre algum tempo. E hoje nem sequer tive tempo para abrir a porta da frente para ouvir alguém reclamar pelo tempo de espera naquela paragem.

Á minha frente estava o 83, o 22 e o 44 e eu era o 4.º autocarro na fila. Chega então junto da banqueta uma passageira de nacionalidade brasileira, que começou por fazer uma pergunta mas que rapidamente aproveitou para se queixar e uma vez mais no sítio errado claro.


Cliente: «Desculpe, mas a Carris não tem autocarros próprios para os turistas?»
- Sim, tem a carreira 91 e 96, sendo um AeroBus e o outro AeroShutle...

Cliente: «Então porque perdemos sempre tanto tempo aqui nesta paragem? É que eu tenho de ir trabalhar e não temos de perder tempo com perguntas e respostas e bagagens e tudo e mais alguma coisa, né?»

- A senhora poderá ter as suas razões, mas esse argumento não valida que viremos as costas aos turistas e não respondamos às questões que nos colocam. Não concorda?

Cliente: «Sim, mas não tem que se ocupar a linha regular quando há um ónibus que os leva ao centro!»

- A senhora se estivesse no lugar daqueles senhores todos que ali estão de malas e bagagens, também queria chegar o mais rapidamente possível ao seu destino na cidade e ser bem recebida, ou não?...

Virou costas e foi sentar-se, provando que além de não ser condescendente com quem nos visita, a educação também não parece saber o que é, não sabendo sequer abordar uma situação que tão pouco tenho culpa.

E para não bastar, na paragem de Entrecampos, um senhor entra com destino a Santa Apolónia e antes de validar o seu Lisboa Viva, pergunta que volta vou eu dar para chegar a Santa Apolónia. Disse-lhe que iria pela Av.República, Fontes Pereira de Melo, M.Pombal, Av.Liberdade, Baixa até Santa Apolónia...

«Mas então não passa na Av. Brasil!? É que diz lá [via Av.Brasil]...», questiona o senhor depois de saber quase a totalidade da rota que iria levar. -Pois a Av.Brasil já passei, porque fica entre o C.Grande e a Rotunda do Relógio..., disse-lhe. «Mas está mal amigo, por causa destas invenções vossas já não entrei no outro porque pensei que desse uma volta maior», e lá se foi sentar com um ar bastante chateado.

Saiu na paragem da Alfândega e quando menos esperava lá veio a correr á porta da frente e pediu desculpa, porque «sei que a culpa não é sua, mas que é realmente chato é!»

E assim foi uma madrugada na 745 que com estes episódios até passou rápida.
Boas Viagens!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Imagens de uma cidade: Lisboa

Ás vezes também é bom ser turista, ainda que da própria cidade...

Lisboa vista do Tejo


A bordo do "Antero de Quental" da Soflusa... A vista sobre Alfama

De regresso à capital, uma passagem por São Vicente de Fora

A mítica carreira 28E

E o eléctrico vermelho afecto ao turismo

Com o olhar atento sobre o Mosteiro de São Vicente de Fora...

E se uns passeiam no n.º8 da CarrisTur, outros regressam do trabalho na 34


Ou até na 35 :)

Boas Viagens!

domingo, 21 de junho de 2009

A feira das galinheiras na 17... «ta mto grande»!

Fim-de-semana, primeiro dia de Verão e muita gente a rumar até à praia, mas outros, preferiram deixar esta opção para a tarde porque de manhã foi dia de feira das Galinheiras e calhou-me uma vez mais um serviço na 17. Até parece castigo.... agora todos os domingos lá ando eu nas Galinheiras :(

Batatas, cerejas, roupa, legumes, fruta, enfim vale tudo menos arrancar olhos e mal a porta do autocarro se abre parece que o mundo termina para quem fica de fora, pelo que as guerras das filas ou das bichas como outros preferem chamar aparecem sempre em grande estilo.

Há gente para todos os gostos e feitios, do português ao indiano, passando pelo africano e não esquecendo claro está o cigano. Por instantes parece que estamos numa fronteira onde se cruzam vários países, com os evidentes sinais da globalização. Dalí aos Fetais é um "pulo" e na viagem de regresso á P.Chile, nova paragem prolongada junto à feira. Sacos atrás de sacos e veias sobressaídas nos braços de quem os transporta e quando menos se espera eis que surge uma pergunta que me deixou algo confuso por parte de uma cigana: «Ta mto Grande?... Ta mto Grande?», e eu sem entender nada, dada a rapidez e a forma enrolada como foi feita a questão.

Pensei que se referia ao saco e a uma pergunta sobre o poder ou nao poder entrar, mas ao mesmo tempo, percebia que não era isso e lá pedi que repetisse: "Desculpe? está muito grande o quê?", e a resposta de quem queria perguntar era a mesma. «Ta mto grandeee?... » E enquanto esta, digamos, conversa de doidos prosseguia, já uma fila enorme se criava á porta do autocarro até que tive de dizer que ou "entra ou sai".

«Então mas não vai Ta mto Grande?» e lá entendi finalmente: "Ah Campo Grande? não é o 108!", mostrando o meu breve e curto poliglotismo, e na verdade a carreira até pode ser certificada mas não consigo gostar dela! Mas também é bom que assim seja, porque se todos gostassem do mesmo era complicado.

Boas Viagens!
Fotomontagem: Rafael Santos com recurso a foto cedida por Pedro Almeida e imagens do goolge.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Na sauna 44: A saga do ar condicionado parte 2

«O estádio estava cheio e quando marquei o golo ao Benfica, as lágrimas caíram-me. Foi o pior jogo da minha vida!», a frase é da autoria de Rui Costa, num anúncio do clube da Luz, mas se Rui Costa fosse motorista e hoje tivesse andado com o 4145, até aposto que a frase seria algo mais parecido com "O dia estava muito quente e o autocarro não tinha ar condicionado. As pessoas não compreendiam e quando necessitei de ir ao WC a porta não abria. Foi o pior dia de trabalho da minha vida"...

Já se sabia que as temperaturas iam aumentar, mas atingir os 40º em plena tarde é que não estava nos planos, se bem que logo pela manhã, ou melhor pela madrugada, já o calor se fazia sentir quando o relógio apontava as 5h00. Já da parte da tarde o panorama piorou e se não há pessoa que resista ao calor, também não há carros que resistam, sobretudo quando andam a trabalhar das 5h00 ás 22h00 aproximadamente.

Há já uns bons meses que não fazia a carreira 44, mas se soubesse o que me esperava tinha trocado o serviço. O autocarro não tinha ar condicionado, ou melhor, tinha mas deitava ar quente, pelo que optei por desligar, porque para quente já bastava o ar natural. O motor esse estava acima dos 110º C, e a água de arrefecimento estava demasiado quente, pelo que avisei de imediato a C.C.T.

Do outro lado, pediram-me que aguentasse o serviço com aquele autocarro porque não havia disponibilidade para se efectuar a troca, mas o pior ainda é que já nem podia ouvir os passageiros também eles saturados com o calor. É que nestes dias há sempre alguém que pensa ser mais esperto que o outro e lá entra dizendo: «Sr. Motorista ligue o ar condicionado porque está aqui muito calor....» Está?! Ainda não tinha notado! E talvez por isso tivesse o pólo todo encharcado nas costas, ou será que quis transformar um autocarro numa sauna?...

Depois houve também quem dissesse que «se calhar ele (motorista) não sabe é ligar o ar condicionado porque este autocarro tem, não vê ali escrito no vidro?....», obviamente que esta senhora teve de ficar a saber que se ali havia alguém com mais calor era eu que até estava a levar com o sol de frente e não estava de passagem. O suficiente para angariar algumas opiniões a meu favor, o que provou que ainda há gente (pouca, mas há) que tem consciência das dificuldades que passamos no nosso dia-a-dia.

Como se não bastasse e porque nestes dias bebe-se sempre mais água, porque a hidratação assim obriga, obviamente que mais líquidos há para "despejar" e o pior mesmo é quando nos deparamos com uma fechadura de uma casa de banho que não abre a porta. Resultado: aguentar, aguentar até... rebentar! :)

Há mesmo dias em que tudo está contra nós e resta-nos esperar que o dia seguinte seja bem melhor que o anterior. Haver vamos...

Boas Viagens!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Antes e Agora (IV): Av. 24 de Julho

Voltando a "pegar" numa rubrica cujo objectivo é recuar no tempo e ver as principais diferenças, hoje apresento uma imagem da autoria de Phill Trotter que no verão de 1983 esteve em Lisboa, onde fotografou alguns autocarros da Carris. Escolhi desta feita a 24 de Julho com a carreira 32, actualmente designada de 732 e afecta à Estação de recolha de Miraflores.

Em 1983 já tinha como terminais o Hospital de Santa Maria e Caselas. Circulava com autocarros AEC Reagal III, e na foto trata-se do 133, já no final da Av.24 de Julho, junto ao Cais do Sodré, com destino ao Hospital de Santa Maria.

Hoje (2009) circula com MAN 18.310 da série 2200 e mantém os mesmos terminais. Ao longo dos últimos anos esta avenida tem vindo a sofrer diversas alterações e o seu nome deve-se a um episódio importante daquele que foi um dos momentos mais dramáticos da história do nosso país: a Guerra Civil de 1828 a 1834 que opôs as tropas absolutistas de D. Miguel às forças liberais do seu irmão D. Pedro IV.
Esta avenida é conhecida sobretudo pelos amantes da noite lisboeta, dado que nela se concentram algumas das principais discotecas da capital.

domingo, 14 de junho de 2009

«Ié ié iééééé.... o Beato é que é!!»

Depois de uma manhã na 718, um serviço ocasional da parte da tarde num domingo que começou chuvoso mas que rapidamente aqueceu convidando as pessoas a saírem à rua e foi isso mesmo que fez a marcha do Beato, esta tarde, tendo para o efeito requisitado um Autocarro à Carris em Serviço Ocasional(Foto 1), e calhou-me a mim percorrer com eles a freguesia do Beato.



E como este foi dos serviços mais engraçados que tive até hoje, apesar da minha retinência inicial, decido destacá-lo também como forma de agradecimento aos marchantes, aos organizadores e ao Sr. Presidente da Junta pela forma como fui recebido. Ah e aproveitei para lhe pedir, ainda que em tom de brincadeira, um novo espelho para o cruzamento da Calçada do Grilo... Ajudava-nos imenso!


Mas voltando ao que interessa contar, destacar a forma como os marchantes actuaram perante a sua população. Com garra e determinação, já depois de terem ficado em 8.º lugar na classificação deste ano. Mereciam realmente uma melhor posição na tabela! Com partida do clube Ateneu da Madre Deus(foto 2), (onde mostraram de imediato satisfação por ser um autocarro da Carris... «Ena este é dos novos... Sempre é mais porreiro que o outro e até tem ar condicionado», dizia um dos marchantes), dirigimos-nos então para o primeiro local onde os marchantes fariam marcação - O início da Calçada da Picheleira (foto 3).





Muitos apoiantes à espera em redor dos passeios e nas portas dos estabelecimentos, e até parecia que era uma equipa de futebol que ali ia passar. Ao fundo já se ouviam gritos de incentivo e claro está não podia faltar o «ié ié iéeeee, Beato é que é»...


A polícia ainda não tinha chegado ao local e ao que parece houve uma certa falta de comunicação entre entidades, até porque quando chegaram ao local, os agentes de imediato identificaram os organizadores, por estes terem incentivado ao fecho da rua sem a presença das autoridades. Gerou-se uma pequena confusão, rapidamente sanada com a chegada do corpo de intervenção que auxiliou no corte da estrada, numa altura em que já alguém mais descontente ou de uma marcha rival, tinha lançado da sua janela um Limão...

A chuva também marcou presença, mas como alguém disse no local, «marcha molhada, marcha abençoada», e certo é que foi por pouco tempo. Marcação feita, aplausos recebidos e nova viagem, desta feita até à Estrada de Chelas(foto 4), junto à Farmácia, que foi o local que juntou mais populares para ver a marcha actuar. Palavras de apoio, algumas de revolta pela classificação obtida, e muitas fotografias pelo meio e já com a companhia da PSP que acabou por andar connosco durante toda a tarde.

A próxima paragem foi junto ao Teatro Ibérico, em Xabregas (foto 5) onde o aproximar do carro da PSP que ia a abrir caminho e sobretudo a chegada do autocarro com os marchantes, fez "aquecer" os presentes no local com mais gritos de apoio a uma marcha que evocou os descobrimentos. Daí, partimos para o convento do Beato onde teve lugar mais uma actuação (foto 6).


Rumámos então de seguida para o Bairro Madre Deus, onde me pediram que os levasse para a rua Faustino José Rodrigues (foto 7), mas por se tratar de uma rua estreita e sem saber se havia condições para lá meter o autocarro, a PSP foi primeiro ver o local e como não havia carros mal estacionados lá seguimos para uma rua onde todos os habitantes ficaram contentes por lá ver um autocarro da Carris... «Finalmente já temos autocarro à porta...», pois tiveram, mas só ocasionalmente e para a Marcha do Beato.


O cortejo terminou já no recinto desportivo do Bairro da Madre Deus, com as bancadas bem compostas. Fui então dispensado pelo membro da organização, o Dino que simpaticamente me foi dando indicações dos locais onde pretendiam ir. E se todos os serviços fossem como este... era uma maravilha! Amanhã há mais, mas em serviço de carreira regular:)


E como vêem ás vezes até sabe bem fazer um serviço diferente do habitual, nem que seja para quebrar a rotina do dia-a-dia...

Boas viagens!

sábado, 13 de junho de 2009

Um dia com um curto "Calvário" e perguntas desnecessárias...

Depois da noite de festa pelas ruas de Alfama eis que hoje andei de serviço na 720 ali para os lados do Alto do Pina, onde os ânimos andaram bastante calmos durante todo o dia, até porque a festa hoje, foi mesmo para os lados de Alfama e do Castelo. E em dia de Santo António, bastou uma viagem da Picheleira ao Calvário, para ser interpelado já no terminal que se situa no Largo das Fontainhas, por um transeunte que depois de bater à porta e não dizer boa tarde, decidiu questionar-me sobre uma carreira, e o resultado do diálogo foi algo parecido com o seguinte:

Suposto cliente: «Já passou algum 42?...»
Eu: «O 742 não passa aqui!»
Suposto Cliente: «Já não passa?...»
Eu: «O 742 passa naquele largo lá atrás... no Calvário!»
Suposto Cliente: «Eu sei! Só queria saber se já tinha passado algum agora?!»
Eu: «E como é que o senhor quer que eu lhe diga, se estou aqui e de costas para o Calvário?!?»
Suposto Cliente: «Tá certo, obrigado...»

Não dá mesmo para acreditar como há pessoas que fazem perguntas sem pensar e ás vezes sem terem a mínima consciência do espaço em que estão. Leva-nos por vezes a pensar "será que este(a) tipo(a) está a gozar comigo?"... Pelo menos já disse obrigado no final de um diálogo que mais pareceu anedota.

Seguiu ao seu destino e também eu segui para a Picheleira mais uma série de vezes tendo numa das viagens reparado numa senhora que aos poucos ia - perdoem-me o termo - bufando, dando sinais de insatisfação. Pensei tratar-se de alguma companhia mais indesejada através de algum odor, ou por ser Sábado e estarem em vigor os horários de Feriado. A certa altura levantou-se e ficou junto à porta da frente, mas sempre sem me dizer nada, até que já na Rua Brancamp, e sem pedir, aproveitou a abertura da porta da frente para sair, e não sem antes dizer que «para andar nestes autocarros temos de vir com casacos e bem agasalhadas porque é um frio que não se pode...», referindo-se ao ar condicionado que por acaso até estava no mínimo.

É apenas uma amostra daquilo que é ser "preso por ter cão e preso por não ter", porque se tem ar condicionado é porque está frio, e se não tem é porque está calor e não se consegue respirar... Decidam-se!!! Bem e para terminar, o "calvário" da última viagem com a avaria da bandeira electrónica de destino, provando que, tal como as pessoas para morrerem basta estarem vivas, também elas(bandeiras) para se avariarem, basta estarem em pleno funcionamento. Resultado: Avisei a Central de Comando de Tráfego e o "720 CALVÁRIO", manteve-se visível mesmo com destino à Picheleira o que me obrigou a parar praticamente em todas as paragens para informar que rumava para outro sítio que não o Calvário.

E mesmo assim, não fosse eu estar distraído, ainda houve pelo menos dois passageiros que ao entrar lá me alertaram...«Olhe que leva escrito lá em cima, Calvário...». Cheguei então ao fim do meu curto calvário já no Areeiro quando fui rendido pelo colega, tendo-o informado que as mesmas se tinham avariado na viagem anterior, pelo que teria de aguardar indicações da C.C.T., e com isto também podem ter uma pequena ideia que até os próprios autocarros nos pregam partidas quando menos esperamos...


Boas Viagens!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Manhã na 755 abre apetite para noite em Alfama!

Chegou finalmente o dia em que o verdadeiro lisboeta não pode ficar em casa. E muitos foram os que acordaram cedo para aproveitar o dia na praia. Outros tiveram exames na escola e outros tantos preferiram guardar as energias para a noite de hoje que promete ser longa. Calhou-me em sorte uma madrugada na 755, não pela carreira, mas pelo horário, que me permite percorrer nesta noite de Santo António, os bairros típicos de Lisboa.

Apesar de hoje não ser feriado, o certo é que se andou bem pela cidade e o autocarro andou sempre bem composto, até porque também houve muita gente a trabalhar hoje, que não pôde fazer ponte. E entre um grupo de senhoras que já a meio da manhã vinha do trabalho, planeava-se já uma noite em grande. «Já lá tenho as sardinhas, pão saloio e vinho. Quem não gosta tem também cerveja fresca e ginginha», dizia uma passageira.

«Olha eu venho agora da venda mas ainda fiquei com cinco manjericos...», respondia a que estava em frente. Realmente já me tinha cheirado a manjerico.

A festa começa na Avenida com o desfile das Marchas Populares e promete entrar pela noite dentro, num qualquer arraial de Lisboa. E como já cumpri a minha missão de hoje na 755, passando a manhã a transportar os habitantes de Marvila e Beato, resta-me agora aproveitar bem o resto do dia e a noite que se avizinha, que deverá ser passada como todos os anos, em Alfama.

"De Marvila à Madragoa,
da Mouraria a Alfama...
Com pão e sardinha boa,
Hoje ninguém pensa na cama!"

Viva o Santo António e boas viagens!
Foto balões: Blog Jumento

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Em Arraiolos... longe do "stress" citadino!

Em dia feriado, nada melhor que aproveitar a folga para aliviar o stress do centro urbano e rumar até zonas mais calmas. Hoje fui até ao Alentejo, mais precisamente até à Vila de Arraiolos, concelho de Évora, onde até dia 14 decorre o evento «O tapete está na rua'09», numa iniciativa da C.M.Arraiolos, com vista a destacar o artesanato da região.

O artesanato desta vila é como o seu próprio nome indica, os Tapetes de Arraiolos, uma tradição secular que é admirada por muitos. A vila é simpática, assim como os seus habitantes e no que toca à comida, nem precisa apresentações... Ou não estivesse-mos nós a falar do Alentejo.

Arraiolos fica a 1h30 (apróx.) de Lisboa, pelo que é uma boa sugestão para quem pretenda ter um fim-de-semana mais calmo e diferente do habitual. A iniciativa que mostra a história dos Tapetes está muito bem organizada e em várias tendas espalhadas pelas ruas da vila é possível ver-se todo o processo desde a tosquia das Ovelhas, passando pela criação do fio da Lã, o tingimento e claro está, o bordar do tapete.

Se pretender ver mais fotos sobre esta sugestão que agora vos deixo, poderão seguir a minha galeria no Olhares.com e se aceitarem a sugestão desta curta e simpática viagem, e quiserem por lá almoçar, sugiro o restaurante «O Pelorinho», que se situa na rua em frente à Igreja Matriz.


Amanhã já é dia de trabalho, mas também dia de arraial. É a noite de Santo António em que nenhum lisboeta pode faltar! Bons Santos!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

"Viva Portugauuuuu" em dia de Portugal...

Há certas e determinadas coisas que por muito que se tente, é difícil entender! A meio da tarde e ainda com poucas horas de serviço na 79, verifico algumas pessoas com cachecóis e bandeiras portuguesas, fazendo lembrar aqueles gloriosos dias em que a selecção nacional dava alegrias aos portugueses. Mas se tinha a certeza que por ali perto não havia jogo da selecção, pensei num primeiro instante que se tratava de um grupo que queria comemorar o 10 de Junho de uma forma diferente e mais colorida.

Em Santarém, o Presidente da República Cavaco Silva já tinha feito um discurso onde destacou e criticou a elevada taxa de abstenção nas últimas eleições europeias, mas nos Olivais o discurso era outro e pouca gente sabia, ou melhor quem devia saber não sabia porque os participantes até eram bastantes.

Na viagem das 15.30 deparo-me com a Rua Moncímboa da Praia cortada pela P.S.P. Trânsito, e do lado de lá do carro dos senhores agentes estava o tal grupo de pessoas brasileiras com bandeiras portuguesas e cachecóis que acompanhados de dois carros com grande sistema de som instalado, acordavam quem tivesse mesmo o sono mais pesado dos Olivais.

A música, essa era brasileira e mais parecia que a rua se tinha tornado o palco de uma igreja Evangélica brasileira, dadas as cantorias em nome de Jesus e os folhetos distribuídos onde constava que era a festa da Bênção da Tarde do Dia de Portugal. Contacto então a central para dar conhecimento da interrupção, dado que nem a Carris tinha conhecimento de tal procissão, como alguém no local apelidou, mas que mais parecia uma manifestação.

Desimpedida esta artéria dos Olivais lá segui viagem com os passageiros já com cara de poucos amigos e prontos a explodir pela demora causada pelos transeuntes. Esperava eu que desse tempo de dar volta aos Olivais Sul para não voltar a apanhá-los mas sem êxito, porque mal subo a Rua de Chibuto, a visto os peregrinos na Almada Negreiros e nova interrupção e esta com mais tempo(ver foto).

Passado o contra-tempo lá prossegui dentro da normalidade ainda que com ligeiro atraso. E se não fossem estes tipos a fazerem esta, pouco ou nada teria hoje para contar até porque foi feriado e pouca gente andou pela 79. Amanhã também é feriado e também eu vou gozá-lo...

Boas Viagens!

domingo, 7 de junho de 2009

Duas horas e meia real(mente) diferentes do habitual na 22

Três dias passaram desde o último artigo publicado, sinal que nada de anormal constatei nos restantes serviços que fui tendo pela 742, até porque a semana foi praticamente toda nesta carreira com a excepção feita para a quarta-feira, onde andei pela 755. Hoje e para terminar a semana, calhou-me na escala o serviço de ordens das 14h00, ou se preferirem, o plantão das 14h00 para o que der e vier!

Para começar tive de trocar um autocarro na carreira 108 devido a uma avaria no equipamento de venda a bordo. De regresso à estação, restou-me aguardar que surgisse algo, ou melhor, que não surgisse nada para ter um resto de serviço mais descansado porque sabe sempre bem um pouco de descanso ainda que estejamos em serviço.

Comigo estavam outros colegas, também eles no serviço de ordens e outros a pedir ligação, e quando se ouve a fechadura da porta da expedição abrir, é mau presságio...

«Uma hora para jantar» e depois teria de «estar no Areeiro para render a chapa 3 da carreira 22 ás 20h18, num serviço até ás 22h31 a recolher na Musgueira», avisava-me o expedidor de serviço neste domingo.

E quando tudo apontava para ser mais um dia tranquilo e sem nada a registar, até porque na estação, o que haveria mesmo para contar eram as histórias que alguns motoristas já viveram, eis que rendo o colega já no Areeiro e com destino à Portela e me deparo com a primeira situação já na primeira paragem da Av.Gago Coutinho.

Ao aproximar-me da paragem um rapaz com cara meio de gozo olha-me fixamente como que pensando "já vou enganar mais um" e entra no autocarro educadamente dizendo «boa noite, queria um bilhete por favor...» colocando na banqueta 1.40€ em moedas de 5 cêntimos e todas elas muito juntinhas, tal e qual como as peças de um dominó como que acabadas de serem derrubadas.

Preparava-me então para contar as 28 moedas que viriam a dar 1.40€, até porque, a forma estranha como todas as moedas estavam tão juntinhas levava-me a conferir moeda a moeda e a redobrar a atenção, até que, a certa altura da contagem surge uma com um desenho diferente das já conhecidas moedas de cêntimos. Pois lá estava de novo uma da família do Real Brasileiro. 5 CENTAVOS! «Desculpe mas esta não vale aqui...» informei eu o passageiro que para meu espanto e já depois de observar a moeda em questão me questiona o "porquê?"

"Porque é brasileira e o Brasil ainda não faz parte da Europa...", esclareci eu o «distraído» passageiro que de imediato retirou do bolso a 28ª moeda de 5 cêntimos, guardando a de 5 centavos... Se eu adivinhasse o Euromilhões é que era!!!

Mas não iria ficar por aqui as aventuras deste dia e já no final da viagem, aparece uma senhora no terminal da Portela, a perguntar-me «não ficou neste autocarro uma espada esquecida?», desculpe, disse uma espada?... «sim daquelas dos miúdos brincarem, com luzinhas. Liguei para a Carris e disseram-me que estaria no próximo autocarro que havia de passar...», pois como tinha acabado de render no Areeiro e o colega não me tinha dito nada (talvez por esquecimento), e como espada nem via nenhuma, disse-lhe que provavelmente era no seguinte.

Mas já no Marquês Pombal, quando dou a volta ao autocarro para ver se tinha ficado algo esquecido, eis que encontro a dita espada, em cima da plataforma das bagagens, junto ao rodado esquerdo da frente.

E afinal a espada estava mesmo naquele autocarro, pelo que agora se encontra já na estação da Musgueira à espera que o dono a vá buscar...

De regresso à Portela para a última viagem antes de recolher, uma série de passageiros nas paragens á procura de alternativas a um metropolitano que tinha a linha azul interrompida. Uns para rumarem à Baixa e que optaram por ir comigo até à Estefânia para apanharem o 60 e outros queriam ir até ao Areeiro para apanharem a linha verde para o Campo Grande e o curioso que observei em todos eles foi que nenhum disse "boa noite" e entraram no autocarro como que se estivessem em desespero para saírem do Marquês ou da Duque de Loulé.

«Passa no Areeiro?»....
«Como é que eu faço para ir p'o Campo Grande?»...
«O senhor diz-me como posso ir para a Baixa?»...

E a resposta inicial foi igual para ambas as questões: "Boa Noite!" e lá iam dizendo... «Sim, boa noite, tem razão desculpe!», tendo de seguida cada um deles a resposta mais adequada, sendo que à senhora da Baixa ainda sugeri apanhar o 745 no outro lado do Marquês mas a mesma fez questão de ir até à Estefânia porque não queria atravessar o Marquês de Pombal.

Metro a metro lá fui chegando até à Portela, mas não sem antes entrar na Gago Coutinho, o primeiro cliente da noite que me disse boa noite! Era um colega que gozava o último dia de folga desta semana. Com ele entraram mais uns quantos passageiros o que deu para compor um pouco a "plateia" de uma cena que mais parecia teatro!

Uma senhora na casa dos 50 anos entra acompanhada de um amigo também na mesma faixa etária, mas com eles vinham uns «copos» a mais... E nem uma paragem aguentou sentada a senhora que a meio da Gago Coutinho se dirige a mim, já em desequilíbrio e debruça-se na banqueta e diz-me: «Depois não se importa de me dizer para sair quando chegarmos ao Cinema da Encarnação?», mas como nunca tinha ouvido falar em tal... "desculpe, mas não faço ideia onde fica!", ao que de imediato quase que fui agredido com um olhar incrédulo e estupefacto acompanhado da indignação das palavras «Não Sabe?!», era suposto saber tudo ???

Entretanto ligou para uma amiga que já estava no tal cinema, que lá lhe disse que era mesmo na Encarnação, tendo o meu colega que viajava no autocarro tendo esclarecido a senhora que teria de descer na paragem do Mercado Norte. Enquanto isto, já a amiga avisava a senhora que o seu ex-marido estava por lá com a namorada nova...

«Hoje é que vai ser bonito, dar-lhe naquela cabeça perante tudo e todos!... Sr. Motorista não quer ser meu guarda-costas? Vou dar porrada ao meu marido e preciso de guarda-costas», dizia-me ela com um ar de quem já estava a ver 3 ou 4 motoristas num só autocarro. Como já me tinha apercebido da situação, apenas lhe disse que "o melhor seria mesmo a senhora sentar-se para não cair, s.f.f."

Já sentada, lá ia falando alto e maquilhando-se, ao mesmo tempo que dizia «vai ser lindo e nem quero saber da namorada dele. Se ela é a namorada eu sou a marline monroi»[tal e qual como ela disse]

Lá saiu na paragem certa e juntamente com ela alguns passageiros que foram abordados para serem guarda-costas da senhora... Isto realmente é melhor que ir ao teatro!

E pronto para terminar a semana digam lá que há melhor! Até os dois jovens que foram até à Portela diziam «é só personagens...»

Fotos de Rafael Santos / Moeda 5 cêntavos obtida no fórum-numismática.com

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Já "cheira" a manjerico na 742!

Depois da passagem na 4.ªfeira pela 755 onde tudo correu dentro da normalidade e sem grandes registos, lá regressei hoje à 742 onde como diz o outro, «vira o disco e toca o mesmo...» O Casalinho da Ajuda continua igual a si mesmo, e na primeira viagem encontro uma Bicicleta de criança, deixada no asfalto junto à penúltima paragem, como que se alguém tivesse chegado ao local prometendo um lanche com bollycaos e Coca-Colas na rua de cima, tal não era a correria dos putos!

Mas quem não estava certamente para brincadeiras foi uma passageira que no A.Cego corria em direcção ao autocarro rumo a Alcântara. Ao avistá-la, fiz um compasso de espera, mas a mesma viria a ter a passagem impedida por dois indivíduos que se «rebolavam» [termo utilizado pela senhora] pelo passeio.

Já depois de lhes ter dado um encontrão, não poupou elogios aos transeuntes «estas bichonas andam aqui a rebolar-se no passeio e nem deixam passar quem vai trabalhar e precisa do autocarro. Olhem pr'aquilo... Também levaram um encontrão que se lixaram!», dizia ela em jeito meio revoltado, meio bairrista. E quando já a porta estava fechada, ainda sugeriu que um oferecesse ao outro um manjerico, o que provocou uma risada generalizada dentro do autocarro.

Efeitos do Santo António que se aproxima... Será que a senhora também alinha na marcha de Alcântara?! Pois o tema desta marcha neste ano é precisamente "Quiosques de Lisboa, Um Balcão de Sabores, Cidade Colorida, Por vendedeiras de Flores"...
Imagem: Retirada do Google / Montagem: Rafael Santos

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Depois da rádio e da revista a vez do Jornal de Notícias...

Começo a ter cada vez mais dificuldades em passar despercebido pelas ruas, sobretudo nas de Lisboa. Hoje e depois da TimeOut, foi a vez do Jornal de Notícias dar destaque ao blogue "Diário do Tripulante". Aquela identidade que sempre tentei esconder já contraria uma vontade e o artigo que hoje é publicado na última página do JN, já fez chegar comentários da cidade do Porto.

O convite surgiu durante as mini-férias que gozei recentemente, e a conversa simpática com a jornalista Mónica Costa, deste jornal que tem maior destaque, sobretudo na região norte, acabou por se dar nas instalações do Museu da Carris, que comemora 10 anos de existência.
Sob o título "Vida de motorista em blogue", na rubrica «A história de...», surge um artigo com alguns factos mais marcantes da minha carreira profissional e de algumas histórias que já foram «manchete» neste blogue.

Da passagem pela televisão aos volantes dos autocarros da Carris e com a esperança de um dia poder andar na linha, esta entrevista destaca sobretudo o blogue, "Diário do Tripulante", que foi criado em Agosto de 2008, para contar histórias do dia-a-dia de um motorista ou guarda-freio da Carris, mas sobretudo para que valorizem esta nossa profissão, que em muitas vezes se torna ingrata, mas sobretudo divertida. E se conseguir fazer com que toda a gente que entre no transporte público diga um simples "Bom dia ou Boa tarde", já ficarei satisfeito, porque acima do facto de ser um/uma motorista ou um/uma Guarda-freio, está ali um ser humano.

Aqui fica o agradecimento pelo convite feito para esta entrevista por parte da jornalista Mónica Costa do JN e à Carris pela disponibilidade.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Regresso "atrevido" e com as curvas da 742

11h20 da manhã e já eu estava em Alcântara para um regresso ao trabalho, claro está na 742, depois de uma semana e meia de férias, que deu sobretudo para descansar e aproveitar o bom tempo que se fez sentir por Lisboa. O certo é que até podia estar um mês inteiro de férias, que não iria notar diferenças na 742 até porque ás 11h20 já a equipa de fiscalização que vinha a bordo, tinha passado dez coimas. Para tempos de crise como tanto se fala, nem dá para acreditar como ainda há assim tanta gente que arrisque pagar 140.00€ quando pode apenas pagar 1.40 € e isto falando na Tarifa de Bordo...

Mas contas à parte, a única diferença que notei, foi mesmo aquela que acontece sempre que estamos algum tempo afastados daqueles volantes e de carros com aquelas dimensões. Tudo parece que é maior, mas também bastam três ou quatro paragens para que estejamos como sempre, mais à vontade, até porque como diz o ditado, "quem sabe nunca esquece..."

Hoje calhou-me em sorte apenas viagens ao Polo Universitário, o que em tardes como a de hoje - permitam-me o atrevimento - torna-se bem mais agradável, sobretudo aos olhos que não se cansam de ver as curvas e contra curvas das... carreiras :)

A manhã passou bastante rápido até e como duas horas é tempo que sobra para se almoçar, aproveitei para visitar os colegas guarda-freios na estação de Santo Amaro, aproveitando igualmente para me inteirar dos meus serviços para esta semana através do computador. "As conversas são como as cerejas" e o certo é que as duas horas lá passaram e regressei para a segunda parte do serviço, não de eléctrico, mas a pé até Alcântara.

Mais uma viagem ao Polo Universitário e no regresso para o B.º Madre Deus, a primeira história deste regresso ao trabalho. Na rua do Cruzeiro, entrou uma senhora com a sua filha (de apróx. 5 anos) que se queixava imenso das pernas, dizia que lhe estavam a picar. A criança chegou mesmo a chorar com a aflição, e a mãe preocupava-se cada vez mais a cada grito que a pequena rapariga reproduzia.

Aparentemente deveria ser uma pequena alergia até porque ora tanto doía, como não doía, mas a mãe estava cada vez mais preocupada e não teve meias medidas, decidiu tirar os calções à rapariga para se inteirar do assunto. Sentada no primeiro lugar do autocarro junto á porta da entrada, a rapariga encolhia-se e alertava a mãe que estavam os restantes passageiros a olhar... «Aqui não mãe, está tanta gente....» dizia a rapariga pelo meio do choro, com a mãe a dizer: «Não faz mal filha, és pequenina ninguém vê, mas a mãe tem de ver o que se passa».

Mas a rapariga encolhia-se cada vez mais até porque não tinha a privacidade que desejava já com os seus 5 anos de idade. Estava no seu direito! Acabou por sossegar já depois da Boa Hora com a mãe a dizer que ia «por água e já passa...».

E para terminar, até porque assim foi o meu dia de hoje, apenas acrescentar - e aproveitando o atrevimento deste post - ao anterior que também adoramos os decotes e as mini-saias em tardes de calor :) Já as colegas tripulantes, também podem dizer de sua justiça, através dos comentários a este post.

Boas viagens!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

O que é bom... passa rápido!

Parte das férias já lá vão, provando uma vez mais, que o que é bom... passa rápido.
Amanhã já é dia de trabalho, e após uma semana e meia de descanso, o certo é que tudo vai parecer diferente, mas tudo irá ser igual...
Boas Viagens!

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