sábado, 30 de maio de 2009

Adoramos & Detestamos

Cada bairro é feito de histórias. Das casas que o caracterizam, do passado, dos seus monumentos e sobretudo das pessoas. São elas que “criam” uma imagem mais real de cada lugar e que mostram a personalidade de cada bairro. E é também através das pessoas que nós, motoristas e guarda-freios temos contacto directo com esta cidade das sete colinas – Lisboa...

De Algés ao Prior Velho, passando pela Graça e Moscavide, a rede da Carris percorre ruas e ruelas, avenidas e estradas, sítios e bairros, como o do Casalinho ou do Calhau. Em cada lugar pessoas comuns marcam a diferença entre bairros. Seja pelas expressões que utilizam ou pela simpatia que os caracterizam.


Seja de autocarro ou de eléctrico, de ascensor ou até elevador é com as pessoas, que os tripulantes da Carris contactam directamente no dia-a-dia. Uns mais habituais e outros ocasionais, lá vão entrando e saindo ao longo das 24 horas. E muitas das vezes nem é preciso atingir as 8 horas de serviço, para que se fixe diversas situações e muitas delas que originam verdadeiras histórias, que contadas ninguém parece acreditar.

Muitas delas já por aqui passaram, e muitas mais há para contar até porque a minha estadia na Carris só leva ainda dois anos. Há no entanto, situações que presenciamos no nosso dia-a-dia e que partilhamos com colegas nas chamadas «conversas de corredor» - aquelas que surgem ao acaso - que acabam por fazer parte de um leque que teria duas faces. Uma mais positiva do que a outra.

Diria mesmo que certas e determinadas situações criadas pelas pessoas e independentemente do bairro ou lugar, adoramos mas outras, detestamos mesmo! Como por exemplo:

ADORAMOS...

“... Quando as pessoas entram e dizem «Bom dia/boa tarde/boa noite sr.(srª.) Motorista/Guarda-freio», provando que ainda há quem se lembre que está ali alguém que lhes abre a porta”

“... Quando perante uma conversa – diria – mais acesa com um passageiro, os restantes colocam-se a do nosso lado, dando-nos a respectiva razão”

“... Quando perante uma interrupção numa carreira de eléctricos, vem o «Chico esperto» perguntar ao guarda-freio porque não se desvia”

“... Quando perante uma interrupção na carreira 35, vem alguém à janela dizer que «o outro já passou antes», como que se fosse vontade nossa ficar ali parado à espera do reboque”

“... Quando os passageiros mais corajosos «explodem» para denunciar que há carteiristas a bordo”

“... Quando o odor no autocarro é intenso, alguém entrar de seguida com um cheiro bastante agradável, mas nunca com banhos de perfume que acabam por se tornar enjoativos”

“... Quando os passageiros entram em guerras para ceder o lugar a quem entrou mais necessitado. Há sempre uma que tem uma prótese no joelho, ou outro que foi operado à coluna. Ah mas há também aqueles que dizem «A senhora não sabe a doença que eu tenho para falar assim...» e enquanto isto se passa, já uma fila enorme, está atrás da pessoa que aguarda pelo lugar”

“... Quando numa manhã de serviço na 79 ou na 18E aparece a «tia Maria» com um bolinho e um suminho para compor o estômago, e se recusamos fica mesmo chateada”

“...Quando os outros utentes da via, ao verem o amarelo do eléctrico ou do autocarro aceleram para passar á frente e depois não têm espaço suficiente para retomarem a sua via”

DETESTAMOS...

“... Quando perante uma rua estreita ou lugar com um carro mal estacionado, alguém aparece a dizer «passa, passa. Pode ir que já passou», pensando eles que o autocarro ou o eléctrico é uma caixa de fósforos”

“... A presença dos carteiristas que entopem as passagens – sobretudo nos eléctricos - para ganharem terreno de actuação”

“... Os odores insuportáveis que alguns passageiros transportam. Não se justifica nos tempos que correm e além disso a água e a higiene não fazem mal a ninguém”

“... Quando os passageiros dizem que mudámos as bandeiras a caminho, quando se apercebem que de facto se enganaram”

“... Quando os passageiros não têm humildade suficiente para dizerem que se esqueceram de tocar a campainha e dizem «eu toquei... você é que não viu porque vai a dormir», e neste preciso momento em que terminam de falar ouve-se a campainha tocar”

“... Quando chegamos a uma paragem e vimos uma longa fila de passageiros e todos eles com uma vontade enorme de atribuir culpas ao motorista pelo atraso”

“... Quando depois de uma hora à espera do reboque, por causa de uma viatura mal estacionada, aparece primeiro o dono do carro, com ar descontraído e com ar de quem tem razão. Pois o autocarro ou o eléctrico é que não deviam ali passar”

“... Quando alertamos os passageiros sobre determinadas situações, como por exemplo os carros de bebé que fazem de carros de supermercado, e estes respondem dizendo que «o seu colega não me disse nada, porque é que você me está a chatear?», pobre coitado do colega que é desculpa para o bom e para o mau”

“... Quando as senhoras entram com as malas já nas mãos prontas para esfregarem nas máquinas dificultando assim a entrada dos restantes passageiros e perdendo o dobro do tempo, que se tivessem tirado atempadamente o Lisboa Viva ou o Sete Colinas”

“...Apanhar uma interrupção na ultima viagem antes de recolher, porque o reboque demora sempre muito tempo a aparecer”

E muito mais havia para referir, destas pequenas situações que presenciamos no nosso dia-a-dia, seja na Mouraria, na Bica, em Campo de Ourique ou na Damaia. São estas pequenas coisas que fazem desta profissão, uma profissão diferente de todas as outras, e seja no alcatrão ou nos carris, o certo é que sem as pessoas, sem os bairrismos e sem nós claro, nada disto seria possível.

Imagens de uma Cidade: Lisboa

Ás vezes também é bom ser turista, ainda que da própria cidade...
No último post mostrei o elevador de Santa Justa. Esta é uma das muitas imagens que se pode alcançar no topo da torre!

Boas Viagens!


quinta-feira, 28 de maio de 2009

Imagens de uma Cidade: Lisboa

Ás vezes também é bom ser turista, ainda que da própria cidade...


Elevador de Santa Justa


Catelo de São Jorge (visto do M.Moniz)

terça-feira, 26 de maio de 2009

Sugestão do Tripulante (4): À descoberta da fauna com o 726


Depois de mais um tempo longo sem dar sugestões aqui estou de novo a escrever mais um conselho para o fim-de-semana que se aproxima e para sugerir o que de bom há nesta cidade.

Sabia que...


O crescimento da cidade de Lisboa a norte “obrigou” o alargamento do serviço da Carris em meados dos anos 50. É deste mesmo crescimento que nasce a carreira 26, em Julho de 1952, deixando Carnide e Pontinha mais próximas do centro da cidade. Inicialmente esta carreira circulava apenas entre o Largo de Santa Bárbara e a Pontinha mas em 1966 já servia o Bairro das Colónias, estendendo o seu percurso até Sapadores.


Em 2006 a carreira insere-se na Rede7 e passa a designar-se por 726 mantendo os mesmos terminais Sapadores-Pontinha.


A cidade através da carreira...


Se não tem programa para o fim-de-semana, aqui fica mais uma sugestão. Entre no 726 e vá até à Gulbenkian desfrute dos seus jardins e se tiver tempo e alguma das exposições lhe chamar a atenção, não hesite em visitar.


Se tem crianças o que eles iriam gostar mesmo era de ver os animais no Jardim Zoológico e o 726 também o leva até lá. A paragem fica a 100 metros da entrada principal do recinto e verá que será sem dúvida um dia diferente do habitual. Ah e não se esqueça de visitar a Glória, a «afilhada» da Carris no Zoo.


Após o Jardim Zoológico o 726 entra na estrada das Laranjeiras, onde passa pela Loja do Cidadão, pelas Torres de Lisboa, entrando em Carnide onde em Setembro realiza-se a Feira da Luz. A igreja da Luz é logo a seguir e se falta alguma coisa lá em casa pode sempre descer a pé a Av.Colégio Militar onde vai encontrar o Centro Comercial Colombo, mesmo em frente ao Estádio da Luz.


Mas se o dia não é para compras, siga então até à Pontinha e dê por terminado o seu passeio regressando ao seu destino.
O JARDIM ZOOLÓGICO
“Inaugurado em 1884, o Jardim Zoológico de Lisboa foi o primeiro parque com fauna e flora da Península Ibérica. Foram vários os seus fundadores, como os Drs. Pedro van der Laan e José Thomaz Sousa Martins e o Barão de Kessler, que contaram com o apoio de várias personalidades, como o Rei D. Fernando II e pelo conhecido zoólogo e poeta José Vicente Barboza du Bocage.As primeiras instalações situaram-se no Parque de São Sebastião da Pedreira, que foi cedido gratuitamente pelos seus proprietários. Em 1905, foram inauguradas as novas e definitivas instalações na Quinta das Laranjeiras”, pode ler-se no site oficial do Jardim.


“Em 1952, a Câmara Municipal de Lisboa galardoou esta Instituição com a Medalha de Ouro da Cidade.“A queda do Estado Novo em 1974 e a consequente independência das antigas colónias em África, significou a quebra do forte apoio prestado ao Jardim Zoológico pelas autoridades na diversificação e renovação da colecção animal. Por esta altura, o número de visitantes também diminuiu de forma substancial e ocorreram cortes radicais dos subsídios estatais. Assim, foi necessário desenvolver e implementar uma nova estratégia de gestão para o Jardim Zoológico, adequando-o aos valores e necessidades da época.”


“Hoje em dia, o Jardim Zoológico é um importante espaço onde aliada à conservação e à educação está uma forte componente de entretenimento e diversão. No parque habitam várias espécies de mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Das mais de 360 espécies do Jardim Zoológico, 54 são EEP's.”


O Jardim Zoológico está aberto das 10h00 às 20h00 e os preços variam dos 12 aos 16 euros, sendo que as crianças até aos 2 anos não pagam. Visite! Se tiver dúvidas sobre onde poderá entrar a bordo do 726 aqui ficam os principais pontos de passagem e respectivos transbordos.



Fotos: Pedro Almeida e Site oficial do Zoo de Lisboa

domingo, 24 de maio de 2009

Há 20 anos...

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades... e mudam-se de autocarros. Ainda cheguei a andar nos Daimler quando me deslocava à Baixa. Adorava subir as escadas e sentar-me na primeira fila da frente. Ali, tinha um olhar privilegiado sobre Lisboa e até parecia que se batia nas árvores e nas esquinas dos prédios. Esta é uma foto de 1989, já lá vão 20 anos.

Hoje já só resta um e sai para a rua em eventos publicitários ou de marketing por parte da Carris. Recorde-se que serviu recentemente para anunciar pelas ruas de Lisboa ao som da banda dos empregados da Carris, o lançamento da "Rede7".
Foi apenas mais um regresso ao passado da Carris, através de um postal de 1989, o ano da queda do Muro de Berlim, que encontrei na Internet onde até o selo e o carimbo dos correios dizem respeito aos transportes da cidade de Lisboa.
Boas Viagens!
Postal: retirado da Internet e de origem desconhecida

sábado, 23 de maio de 2009

Lisboa a bordo do 28E... em 2006

Já todos sabem que a carreira que mais gosto de fazer é a 35 e todos sabem que gosto de eléctricos e aqui é a 28E que "ganha" lugar no pódio. Há uns anos atrás e ainda quando nem pensava vir a trabalhar na Carris, tirava eu um curso de operador de câmara com o sonho de um dia vir a entrar numa estação de televisão.

O sonho concretizou-se mas para tal foi necessário realizar alguns trabalhos para a conclusão do curso e um deles foi gravado em 2006 e a ideia era mostrar alguns locais de interesse da cidade de Lisboa. Peguei então no percurso da carreira 28E, escrevi o texto, peguei nas imagens de um trabalho realizado anteriormente sobre os eléctricos de Lisboa, com a devida autorização da Carris (solicitado na altura) e montei um pequeno percurso turístico através da carreira que liga o M.Moniz aos Prazeres.

Hoje encontrei esse mesmo vídeo aqui no baú - tal e qual um "perdidos e achados" - e ao ver o vídeo, penso que faria muito melhor nos tempos que correm e encontro alguns erros, talvez porque, fui entretanto adquirindo novos conhecimentos com a minha passagem pela SIC e pelas produções da Endemol na TVI.

Partilho agora com os leitores do blog esse mesmo vídeo com a promessa e vontade de fazer um idêntico ou não, mas dos tempos que correm, ou seja, algo mais actual. É tudo uma questão de tempo e paciência.


A passagem pela televisão foi curta e hoje por ironia do destino estou na Carris, mas talvez nas férias do Verão surja um vídeo mais actual :)

Boas viagens!

Imagens de uma cidade: Lisboa



Ás vezes também é bom ser turista, ainda que da própria cidade...


"(...) Só existimos nos dias que fazemos. Nos dias em que não fazemos apenas duramos"
Padre António Vieira

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Na 35, ao rítmo do Emanuel... e dos apitos!

E chegou finalmente uma semana e meia de férias, mas não sem antes ter um daqueles dias em que seria impossível fazer melhor. A carreira até era "five stars" (35), mas a avaria de última hora no autocarro da frente e minutos antes de eu pegar ao serviço, fazia prever que o começo não fosse dos mais esperados. A juntar a isto, o trânsito cada vez mais caótico na Rua do Arsenal e um atraso na partida, cerca de 30 minutos.

A viagem era para a P.Chile mas foi-me pedido pela central para fazer viagem ate ao Hosp. Santa Maria e na paragem tinha já mais de 30 pessoas, cansadas de esperar e prontas para tudo menos arrancar olhos. «Há quase uma hora que estamos aqui à espera...» «Vocês andam a brincar é com o nosso dinheiro...» entre outras coisas mais, foi apenas algo a que nos restaurantes chamamos de entradas.

Nestas ocasiões as pessoas chegam mesmo a dizer coisas sem nexo e partem muito rapidamente ao insulto. Há que saber gerir e reagir da melhor maneira possível os comentários.

Já da parte da tarde a música foi outra. Primeiro a do conhecidíssimo Emanuel que não se cansou de cantar entre a Av.Roma e a Cidade Universitária. Não ele não andou no autocarro! Foi só uma das fãs incondicionais do cantor português que tinha uma das suas músicas como toque do seu telemóvel. A passageira da frente - já com uma idade mais avançada - gostou do toque e mal terminou a chamada, pediu á proprietária do equipamento que colocasse de novo a música do seu cantor preferido.

Sorte a dela, azar o meu! Não é que deteste de todo Emanuel, mas dispensava ter de ouvir num percurso de duas avenidas a música daquele que tem feito sucesso pelo Mundo fora...
E se nas avenidas novas a musica era esta, já na P.Comércio eram outros os sons. Apitos e vozes de luta, numa manisfestação dos profissionais da Polícia e da Função Pública, que me obrigaram a esperar alguns minutos para que pudesse passar rumo ao C.Sodré. Esta manifestação acabou por gerar novos atrasos, mas ainda assim fiz a viagem para Santa Maria, tipo «sardinha em lata».

Surgiu depois uma mensagem que estava de todo impedido o trânsito a partir da estação dos barcos Sul-Sueste e como à hora que eu teria de estar no C.Sodré, estava a chegar ao Hospital, a recolha passou a ser feita do sentido oposto. Agora só daqui a 12 dias apróximadamente. Até lá poderão surgir por aqui mais algumas memórias da Carris ou de Lisboa...

Boas Viagens!
Fotos: Rafael Santos
Fotomontagem: Rafael Santos (Imagem de Emanuel do blog http://douronacional.blogspot.com )

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Uma explosão de perfumes na 745

O que eu não dava hoje, para ter junto a mim uma embalagem do detergente para a roupa mais anunciado esta quinta-feira pelas ruas de Lisboa. Sem dúvida alguma que seria certamente melhor que alguns "perfumes" (mais odores que perdumes) que vão entrando no autocarro, uns mais rápidos que outros, e outros mais activos que outros...

É que já não bastava o calor - e ainda não estamos no Verão - e andar com um articulado que dispenso cada vez mais, e depois ainda aparecem pessoas que nos tempos que correm (Séc.XXI) transportam odores que só nos dá vontade de por o nariz de fora da janela.

O que vale é que vai sempre entrando alguém com um perfume bem mais agradável. Talvez para colmatar algumas destas lacunas a marca "Surf" lançou pelas ruas de Lisboa uma campanha publicitária que deram um colorido diferente aos jardins (em Picoas), aos outdoors e ás paragens dos autocarros (ver imagem - Av.República) que surgiram com um relvado e umas floreiras onde o cor-de-rosa, o amarelo, o verde e o azul marcavam destaque. Já no marquês a mesma campanha chegou a gerar algum trânsito pela manhã devido ao balão de ar quente ali instalado, dando a sensação que até parecia a primeira vez que tinham visto um balão...

Cheiros á parte, até porque o "aroma Carris" já nem se sente há algum tempo a bordo, com muita pena nossa, dizer que terminei o dia com 45 minutos de espera entre a paragem Sul e Sueste e a Rua da Prata devido ao caos, que estava esta tarde instalado na P.Comércio.

Amanhã há mais e para acabar a semana. Depois chegam as férias - curtas mas que servirão para descansar um pouco !

Boas Viagens!

segunda-feira, 18 de maio de 2009

"Coincidências" a bordo da 718

Mais um dia a juntar a tantos outros, e hoje foi na carreira 718 (I.S.E.L. - Amoreiras) com o trânsito infernal entre Campolide e as Amoreiras, contrariando alguém que diria que o túnel do Marquês iria reduzir o tráfego à superfície naquela zona. Mas muito da confusão verificada a uma hora de ponta naquela zona, também se deve ao Liceu Francês. O ensino parece que é dos melhores, mas a educação de quem o frequenta, ou melhor, dos familiares de quem o frequenta, diria mesmo que é das piores.

Expliquem por favor a esses(as) senhores(as) que ali, passam autocarros e que em cada autocarro há dezenas ou centenas de pessoas que estão também elas, de regresso a casa. É que esta ideia "portuga" de deixar mesmo o carro à porta do colégio esquecendo tudo o resto que está à volta, tem que se lhe diga. Eu só digo uma coisa - falta de civismo! E tudo isto resumido, seria o mesmo que dizer que demorei 35 minutos de Campolide ao terminal das Amoreiras.

Mas ainda antes da hora de ponta e antes da ventania "varrer" as ruas da capital, aguardava no terminal das Amoreiras a hora da partida da minha segunda viagem do serviço. Motor desligado, portas fechadas, porque ainda faltavam cerca de seis minutos e quando terminava a revista ao autocarro eis que surge uma senhora, primeiro espreitando para o interior do autocarro com a ajuda da sua mão que encobria o sol radiante que a reflectia no vidro, e depois com um toc-toc-toc no vidro provocado pelo seu punho fechado tentando chamar-me a atenção.

«Está fechado? A que horas abre?...», perguntou a senhora talvez mais habituada a ir ás compras pela fresca ou à hora do almoço, porque por instantes recordei-me do tempo em que trabalhava numa loja de roupa e também ali em frente às Amoreiras, onde eram habituais estas perguntas. É que parecia mesmo que se tratava de uma loja.

Mudei as bandeiras, dei início de viagem na consola e abri a porta dizendo-lhe que ainda faltavam quatro minutos. A senhora lá entrou, e se com a porta fechada tinha tanta vontade de falar, quando abri a porta e entrou, nem boa tarde disse. Tal e qual os clientes daquela zona e que tinha lá na loja. Coincidências!
Boas Viagens!

domingo, 17 de maio de 2009

Há 50 anos...

Não se fala noutra coisa neste fim-de-semana! Há 50 anos foi inaugurado o monumento de Cristo-Rei, comemorando-se assim a data com cerimónias religiosas onde a política não ficou de parte, ou não estivéssemos nós em altura de eleições. Mas há 50 anos outras coisas foram criadas e durante estes anos, muita coisa mudou e muitos hábitos se alteraram.

Ontem ofereceram-me uma imagem dos dias de hoje, mas que nos faz regressar ao passado. Como sabem, sempre fui um admirador dos eléctricos de Lisboa e se há 50 anos apareceu o queijo "Limiano" como se vê na imagem, há mais de 50 já os «amarelos» andavam pelas ruas da capital. Têem mais de 100 anos e fazem já parte do postal chamado «Lisboa».


"HÁ 50 ANOS GENUINAMENTE JUNTOS"

Por este blogue já passaram algumas imagens deles e muitas mais aparecerão, mas por este blog também já passaram colegas que em tempo foram guarda-freios, como é o caso do Sr.Ribeiro, que actualmente e como eu, anda ao volante dos autocarros da Carris. Disse-me há dias que foi uma boa experiência que teve - a de ser guarda-freio, mas hoje está satisfeito por conduzir autocarros.

"N.º322 - tipo «Caixote» (entrou em circulação entre 51 e 63)"


E para os que nada lhes diz esta temática dos eléctricos, aqui deixo um autocarro também de há 50 anos... Trata-se do 301 que ainda hoje pode ser visto no museu da Carris.

"Autocarro n.º 301, adquirido pela CCFL em Outubro de 1957"



Boas Viagens!

Agradecimento ao Pedro Almeida pela foto cedida / Foto do eléctrico n.º 322 de "Trams aux Files" / Foto do Autocarro n.º 301 de Marco Lindo.

sábado, 16 de maio de 2009

"35 S. APOLÓNIA" - «Não vai para o C.Sodré?...»

"Os senhores que pretendem ir para a cidade universitária, terão de sair aqui no Campo Grande, porque vou para o hospital de Santa Maria, pelo percurso da carreira 701", começava mais ou menos assim a manhã na carreira 35, com uma primeira interrupção a norte devido ás cerimónias de bênção das pastas dos estudantes.

Mas começava aqui um leque enorme de questões por parte de alguns passageiros que tinham mesmo à sua frente as respostas a todas as perguntas. A primeira chegou mesmo a questionar: «Eu vou pr'a Cidade! tenho que descer aqui!?!?» - como se estivéssemos no campo -, ou perguntas do tipo «mas porque não segue em frente como é costume» e isto quando tinha a PSP, as grades, os pinos de sinalização e centenas de pessoas no meio da rua.

A manhã foi passando e cada vez, via mais gente pelas ruas a pé. Umas rumavam para a Cidade Universitária, juntando-se famílias e amigos num dia único para os estudantes. Outros rumavam mais para sul onde mais tarde teriam inicio as comemorações dos 50 anos do Cristo-Rei.

A partir das 11h00 eis que se dá início a interrupção na P.Comércio passando a 35 a terminar em S.Apolónia e mais perguntas, perguntas e perguntas e todas com a mesma resposta - a visita de Nossa Senhora de Fátima a Lisboa, mas «e agora como vou para o C.Sodré?».... A pé ou de metro! «Vocês fazem o que querem é o que é! Já lá têm o dinheiro dos passes...» , mas que culpa temos nós senhora? Fica no ar a pergunta!

Bem e para terminar dizer apenas que hoje, transportei um leitor assíduo do blogue a bordo do autocarro, que não hesitou em confirmar se era mesmo eu. «É o Rafael, não é?» Exactamente. Eu mesmo! Feita a apresentação lá seguiu viagem e espero que tenha gostado, apesar de ter sido curta a viagem, e já depois de uma manhã em pé pelos lados da Cidade Universitária.

Amanhã há mais, com menos perguntas certamente, até porque a zona é daquelas em que, quanto mais depressa passarem a zona do motorista, melhor. Tentem descobrir e amanhã logo verão :) "Ok", deixo uma pista: passa por uma feira que se realiza aos domingos...

Boas Viagens!
Fotomontagem: Rafael Santos
Foto autocarro: Pedro Almeida

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Na 35 com um sabor diferente...

Estava difícil de chegar ao fim esta semana mas chegou e para fechar em grande... um serviço na 35! Depois do telefonema de um colega para trocar lá cedi a minha "altura" (serviço) seguida na 701 por uma com folga na 35. Até poderia pensar que ficaria a perder, mas hoje desenrasquei-o eu, noutro dia será ele a desenrascar-me. Para ir render ao C.Sodré foram precisos largos minutos, dado que não me estava nada a apetecer entrar no metro quando a manhã estava soalheira à superfície.

O serviço em questão era apenas viagens do C.Sodré para a Praça do Chile e vice-versa, que são as que mais "pica" dão, embora sejam aquelas que quase ninguém gosta de fazer. Mas já bem perto do final e já depois de ter ouvido uma senhora perguntar a um colega, se os autocarros no sábado vinham de Fátima, referindo-se ao cartaz afixado atrás do motorista, surge a chamada da C.C.T. a pedir para fazer uma viagem para o Hospital de Santa Maria.

Assim foi, e nessa mesma viagem ainda encontrei uma viatura tão mal estacionada (ver foto), em frente às Finanças da General Roçadas - o que já vem sendo habitué - que só me dava vontade de sair do autocarro e colar um daqueles autocolantes da iniciativa do Blog "Passeio Livre", embora neste caso, não estivesse a obstruir o passeio, mas sim a estrada.

Já da parte da tarde e depois de uma pausa para almoço na estação de Santo Amaro, eis que sinto entrar pela porta da frente um cheiro a morango. Numa primeira fase pensei tratar-se de alguma fragrância feminina mais recente, mas com o passar dos minutos e enquanto aguardava a hora de partida no C.Sodré, apercebo-me que se tratava apenas de pastilhas! Exactamente, pastilhas da marca "Trident Senses" (passe a publicidade), que andava pelas ruas de Lisboa numa campanha publicitária com cerca de 10 smart's todos eles «vestidos» de rosa tal e qual a pantera...

Uma das passageiras tinham então decidido provar o novo sabor quando entrava no 35 e não se cansava de dizer alto e bom som que eram boas e que bem lhe podiam ter oferecido mais. O povo português é assim! Quando lhe dão coisas, querem sempre mais...

Iniciei então viagem e deparo-me uma vez mais com a longa fila da Rua do Arsenal. Faço a primeira paragem e avisto o "Arsenal" de smarts Trident a virem da direita. O primeiro faz-me sinal para que os deixasse passar a todos primeiro, para que fossem todos juntos, utilizando assim a técnica da repetição publicitária, que recordo-me de ter estudado, algures no 12.º ano em Filosofia :)

Digo-lhe - ainda que gestualmente - que tinha um horário e que havia muito carro para passar, mas logo de seguida, surge o agente da PSP Trânsito para se inteirar do porquê de tanta cerimónia. O rapaz do primeiro Smart ainda lhe explicou que eram para seguirem todos juntos e o agente lá pediu a minha colaboração, dizendo-me que também era só mais um minuto. Os passageiros é que não acharam muita piada, apesar de até terem sido rápidos os "pantera cor-de-rosa".

O que eu não estava nada à espera, foi da retribuição por parte dos publicitários que não hesitaram em oferecer-me algumas pastilhas, assim como ao sr. agente, pela colaboração. Fiquei assim a conhecer o novo sabor das pastilhas cor-de-rosa "Trident Senses" e ainda deu para dar algumas aos colegas que iam passando ali ao lado pela Rua do Arsenal.

E assim foi mais um dia de trabalho na 35 e com um "sabor" diferente do habitual. No sábado o sabor vai ser bem diferente para quem estiver de serviço nas carreiras envolventes à baixa de Lisboa e P.Comércio devido às cerimónias da visita de Nossa Senhora de Fátima a Lisboa e ao Cristo Rei. Haver vamos...

Boas Viagens!

terça-feira, 12 de maio de 2009

"A Quinta do Zé Pinto" e a procissão das velas, vista da 701...

No meio do entra e sai de quem regressa a casa, depois de mais um dia de trabalho, lá aparece alguém que decide apanhar o autocarro para dar uma volta e distrair-se um pouco. Assim foi esta tarde na carreira 701, quando me dirigia para C.Ourique e uma senhora que havia entrado em Sete Rios, mais precisamente no Jardim Zoológico, se levanta e se dirige a mim.

Pensava eu que iria perguntar algo sobre o destino da carreira, o horário ou sobre alguma paragem. Mas enganei-me redondamente porque o que a senhora queria mesmo saber era o que se tinha passado ali no terreno de Campolide, que tem vista para o Aqueduto das Águas Livres. «O sr. que aqui anda todos os dias, por acaso não sabe para que raio é esta coisa que aqui está e este arranjo todo neste terreno?..»

É certo que as alterações já se deram há algum tempo, que até uma ciclovia foi criada em redor do terreno, que nem sou obrigado a saber estas coisas, e até não estou todos os dias na 701 como dizia a senhora, mas... "É a quinta do Zé Pinto! Um campo que irá ter girassóis muito em breve. Até já foram plantados, não vê ali..." , mas surpresa com a minha explicação lá me disse algo indignada, «pois por esta é que eu não esperava. Agora gastam dinheiro com estas coisas que só servem para propaganda política sabe!? Quando Lisboa tinha campos acabaram com eles, agora querem por estas coisas aqui. Este mundo está perdido...», e lá se sentou novamente agradecendo e pedindo desculpa por me ter perguntado algo que não tinha nada haver com o meu serviço.

Pois se a senhora em questão por acaso até vir o meu blog, o que duvido seriamente, aqui fica mais informações sobre esta iniciativa, que segundo os responsáveis, tem um fim pedagógico, permitiu desde já limpar um espaço, propriedade da EPUL, que se encontrava abandonado, cheio de mato e lixo, diz o site da J.F.Campolide.


E agora que já estão plantados os girassóis, resta esperar que cresçam lentamente para dar um colorido diferente naquele local. E falando em lentamente foi desta forma que foi feito o ultimo troço da minha última viagem de hoje para a Charneca, porque apanhei a procissão da Nossa Senhora de Fátima, a sair da Igreja da Charneca. Apanhei eu e mais uns quatro ou cinco colegas das carreiras 3, 17 e 108.

E lá fomos todos juntos atrás da procissão das velas ainda que numa escala bem mais pequena do que aquela a que estamos habituados a ver pela televisão directamente de Fátima. Ainda assim, foi o suficiente para atrasar alguns autocarros e nomeadamente a minha viagem de recolha. Há dias assim!

Amanhã logo se verá! Boas Viagens
Fotos: site da J.F.Campolide

domingo, 10 de maio de 2009

Recordar é viver... Ano 1983

Nem sempre são os passageiros ou até mesmo o trânsito que acabam por marcar o nosso dia-a-dia. Acontecem por vezes situações provocadas pelos próprios autocarros, que nos pregam algumas partidas. Tanto estão bem, como de repente estão mais para lá do que para cá, tal e qual como as pessoas.

Confesso que hoje custou-me bastante sair de casa pela manhã. O tempo não estava mesmo nada convidativo e a culpa é também repartida pelo filme que vi na noite anterior na RTP2, que me prendeu até perto das 2h00 ao televisor. Sem dúvida dos melhores filmes que já vi ate hoje, quer a nível de argumentação,realização e produção. Chama-se "Central do Brasil", para os mais curiosos...

Já o serviço correu bem, tirando o pormenor de ter ficado quase sem gás a meio do percurso... Ainda fui a tempo de solicitar a troca do autocarro em C.Ruivo, a fim de realizar a última viagem. O "pobre coitado" do 1817 já tinha andado muito pela 202 e estava já com «fome» na 718, por volta das 13h30 e lá tive de lhe fazer a vontade...

Bem e peripécias á parte, como recordar é viver, deixo-vos aqui mais uma das fotos que tenho vindo a recolher nos últimos anos pela internet. É o 665 com um «tal do gostinho especial»... e esta é de 1983!

Boas Memórias e Boas Viagens!

sábado, 9 de maio de 2009

O olfacto, a chuva e os cravos dos Olivais...

Depois de mais dois dias de folga, eis um regresso ao trabalho na 79 e que regresso! Se há coisa para o qual ainda não estou «anestesiado» a 100% é para o olfacto e se há carreira - digamos - com cheiro é esta, e o da naftalina nem é dos piores...

Mas cheiros à parte até porque não consigo compreender, como é que nos tempos que correm ainda há quem tenha aversão á água, por muita dificuldade que se tenha em movimentar, o dia de sexta-feira até se passou, sobretudo porque há já algum tempo que não andava pelos Olivais.

Se a simpatia de grande parte dos passageiros desta carreira está bem presente ao longo do dia, também convém dizer que a paciência tem de ser redobrada. Já hoje e por ser sábado, é apenas uma chapa, o mesmo quer dizer que as partidas se fazem a cada 30 minutos, algo que por vezes é esquecido. «Sr.motorista que é feito do outro carro, faltou?», perguntava uma senhora mal tinha eu aberto a porta. "Não faltou nenhum, porque ao fim-de-semana já sabe que só cá anda um autocarro, senhora...", disse eu á passageira que talvez tenha acordado tão mal disposta que nem sequer tenha aceite a minha resposta.

A chuva também apareceu depois de uns dias quentes, mas ainda assim, não "prendeu" ninguém em casa e até o «papa-bolos» (passageiro já com lugar cativo na 79) já lá andava hoje quando rendi a colega, pela hora do almoço. E foi também graças á chuva que apareceu inesperadamente, que a D.Laurinda deu três voltas na 79. Estava para sair quando começou a chover e lá me disse: «Olhe sr.motorista fui eu que toquei desculpe. Mas começou a chover tanto que vou dar mais uma volta até parar de chover...» não foi mais uma, mas sim duas!

E já quando se preparava para sair lá pediu desculpa mais uma vez e disse que ainda ia passar pela festa dos Olivais para comer uma fartura. E eu ali limitado à garrafa de água e ás bolachas de água e sal.

Já perto das 19 horas chegou a altura de levar a população à missa e ao que parece até foi dia de festa na Igreja dos Olivais, já que para a última viagem - a das 20h00 - estava reservada a animação a bordo do 1815, com o regresso da missa, que os fez regressar alegremente com ramos de flores na mão e de barriga cheia, a comprovar pelos comentários de quem já sentado dizia que o lanche estava muito bom.

Mas como ainda faltavam 6 minutos para a partida, ainda houve tempo para conversas cruzadas no interior do autocarro que já parecia uma banca de flores com tanto ramo de cravos amarelos, a condizer com as cores da Carris. O cheiro a flores é melhor que outros cheiros, mas ainda assim era tão intenso que duas jovens acabadas de entrar, chegaram mesmo a perguntar o que ali se passava. Nada de mais! Apenas o regresso a casa de quem havia estado na missa.

E entretanto já algumas passageiras (as mais velhotas) se distraiam cantando "Sr. chauffeur ande lá p'ra frente, mais uma volta, p'ra animar a gente..." ao ritmo daquelas músicas que costumam cantar nas excursões... e isto enquanto a D.Irene teimava em não se sentar, contrariando assim as suas amigas que insistentemente diziam que poderia vir a cair.

Em suma, foram dois dias de trabalho nos Olivais e confesso que é uma carreira simpática sem dúvida, mas que certamente não escolheria para ser efectivo, porque se as voltas pareceram muitas em dois dias, nem quero imaginar numa semana!
Boas Viagens!

quinta-feira, 7 de maio de 2009

«O outro lado de...» um motorista blogger, na "Lisboa Carris"

É uma revista, mas não está nas bancas! Chega ás mãos dos colaboradores e reformados da Companhia Carris de Ferro de Lisboa, assim como, a empresas através do correio. É um dos meios de comunicação da Carris a par da recente criada "MobTV" - a televisão interna da C.C.F.L., e é publicada de três em três meses com os mais variados assuntos e destaques da empresa de transportes públicos da Capital.

Nesta edição, n.º 59 o grande destaque vai para o aniversário do Museu da Carris que comemora 10 anos de existência, mas a chegada em breve de 60 novos autocarros também tem lugar, assim como os resultados dos objectivos alcançados em 2008. Quem também "entrou a bordo" desta edição foi uma reportagem sobre o Diário do Tripulante e o seu autor.

Na rubrica «O Outro lado de...» que destaca a cada três meses alguns hobbies dos funcionários da Carris, surge a reportagem sobre "O motorista blogger", comigo mesmo, onde fui convidado a contar como surgiu a ideia de criar um blogue que «tem tanto de banal como de original», como disse há uns meses, o jornalista Pedro Rolo Duarte no seu programa da Antena1.

A reportagem agora publicada dá especial ênfase ao meu percurso até entrar na Carris, abordando a minha curta passagem pelo mundo da televisão e atrás das câmaras, mas fala também do quotidiano de um tripulante, que neste caso é o meu, mas que poderia ser o de qualquer outro tripulante, porque cada um tem as suas histórias e episódios a que assistiu ou viveu, e que também podem ser contados através dos comentários neste blogue.

Novo Site Carris já está on-line!
 

E se a revista "Lisboa Carris" chegou hoje à minha caixa do correio, quem já cá estava na rede era o novo site da Carris que entrou ontem on-line com um visual mais descontraído e com informação mais diversa sobre o serviço e até sobre a frota. Agora em http://www.carris.pt/ é possível procurar a carreira indicada para um percurso entre dois pontos, assim como conhecer as características técnicas dos autocarros e eléctricos que fazem parte da frota.

A história da carris também lá está e com mais fotografias e documentos que a edição anterior. Outro dos destaques vai para a interactividade com o mapa da rede que permite destacar carreiras para que se visualize todo o seu percurso pela cidade. Mas como as imagens valem sempre mais do que mil palavras, aqui fica a sugestão para «entrar a bordo» do novo site Carris.

Boas Viagens!

terça-feira, 5 de maio de 2009

«No tempo dos laranjas de dois pisos é que era...»

Quanto tudo apontava para ser um dia calmo com um serviço de ordens das 13h00, eis que surge um serviço para preencher na carreira 745. Eram 14h00 e tinha 27 minutos para estar no Campo Pequeno, o que foi possível graças á boleia de um colega que estava de saída na estação da Musgueira.

Na rua, um calor infernal fazia-me antever o que iria ser o meu dia de trabalho num articulado, com o motor mesmo por baixo dos pés... mas a surpresa foi quando a chapa 8 apareceu com o 1577 que até tem um bom ar condicionado. Vinha carregado de turistas que estavam de chegada a Lisboa para uns dias de férias e eu a pensar que também já vinham a calhar.

Já no Rossio entra o primeiro «cromo» do dia que certamente já não aparentava estar sozinho. «Boa tarde, vou-me sentar porque você também vai ai sentado, porque ei-de eu ir de pé?!...» disse já meio em pé, meio sentado. Chegamos ao terminal de Santa Apolónia e já dormia.

"Amigo, chegamos ao terminal. Tem de sair s.f.f." ... «Então isto não vai para a Matinha?...» "Não senhor, tem de apanhar o 28 lá atrás..." E lá foi a falar com as pedras da calçada rumo á paragem do 28.

Mais uma viagem ao Prior Velho e o trânsito intensificava-se com o aproximar da hora de ponta. Na Rua da Prata entra uma senhora que se senta do lado esquerdo, onde o sol "batia" já com força. Nos Restauradores muda de lugar para a direita e mete conversa com a senhora que lia o Destak: «Não se pode estar ali daquele lado. É o sol é o calor que vem aqui de baixo do motor, enfim! No tempo dos laranjas de dois pisos é que era! A senhora não é desse tempo pois não?», questiona ela para a vizinha do lado enquanto eu escutava atentamente ao mesmo tempo que aguardava o verde do semáforo.

Depois de ter recebido resposta negativa lá fez questão de acrescentar: «Aquilo até dava gosto. Não tinha ar condicionado mas tinha mais janelas para abrir... Ah e não havia ordem para ir ninguém de pé. Agora vale tudo!...» E lá foi falando, falando, até a sua vizinha sair já ali no Saldanha. E pelo que observava no espelho, estava lançada para ter conversa até ao Prior Velho.

De dois pisos restam os do turismo e por falar em turismo foi curtíssima a viagem dos dois turistas que entraram apressadamente no autocarro ali em Santa Apolónia, rumo ao Aeroporto. Estavam de partida e só depois de terem comprado os bilhetes é que perguntaram o tempo que demorariam a chegar. Vi logo que estavam "na luta" com os ponteiros do relógio e bastaram duas paragens para pedirem para sair no Rossio e apanharem um Táxi porque o voo era ás 21h00 e o relógio já apontava as 19h50 quando ainda tinham o Check-In para fazer.

E lá saíram a correr do autocarro com a mala na mão em direcção á Praça de Táxis tal e qual um filme de verdadeira aventura.

E por agora as aventuras regressam na sexta-feira porque a folga chegou!

Boas Viagens!

Foto: Phill Trotter in Fotopic


[Off Topic] Um dia na Feira do Livro

Chegou o calor e com ele veio a 79.ª Feira do Livro de Lisboa. Instalada novamente no Parque Eduardo VII esta feira anuncia todos os anos a chegada do Verão e eu costumo visitá-la todos os anos. No passado Domingo, andei na carreira 718 pela manhã e já por volta da hora do almoço, transportei uns passageiros que alegremente transportavam os seus sacos com livros acabados de sair dos novos pavilhões que agora estão mais acessíveis e com visual mais atraente.

O excelente dia que se fazia sentir e os livros convidavam a uma visita á feira, que não desperdicei já após o serviço. Apanhei o 742 e lá fui eu á Feira do Livro na companhia do meu irmão. Milhares de pessoas cobriam os corredores de uma Feira que em tempos de crise, ainda consegue manter alguém a ler. Grande parte das pessoas andava de "mãos a abanar" e outros faziam a sua primeira visita á feira.

Confesso que normalmente não costumo comprar livros logo na primeira visita. Gosto de sondar primeiro o que anda pela Feira e depois optar ou esperar pelo «Livro do Dia». Há livros para todos os gostos, géneros e feitios. Percorro os primeiros pavilhões e já o novo acordo ortográfico tinha-me chamado a atenção. Vem aí mudanças na escrita! Uns metros á frente cruzo-me com um colega (que costuma ler o blogue) para quem mando um abraço :)

Mais á frente anunciam a abertura de uma nova livraria no Dolce Vita Tejo e até oferecem uma Águas das Pedras, não fosse alguém ficar enjoado com o percurso até ao novo centro comercial. Por acaso até veio a calhar a garrafa da água numa tarde quente.
Atravesso o parque e encontro mais um colega que andava pela feira acompanhado da família e amigos. Alguém disse que o pessoal da Carris não era culto?!....

Depois e já quando me preparo para voltar para casa, encontro um livro que estou há alguns anos para comprar. Não pelo preço, mas porque surge sempre um outro que também me interessa ou porque aparece algo mais prioritário, mas este domingo até era o «Livro do Dia» no dito pavilhão. O preço era convidativo e «boa tarde, queria aquele livro que ali está se faz favor...» ao que me pergunta o livreiro: «Este?» Pois «Exactamente esse que tem o título 28 - Crónica de um Percurso», talvez o ideal para quem gosta de conhecer os pormenores de uma cidade como Lisboa e ainda por cima a bordo da carreira 28 de eléctrico da Carris.
Este foi o primeiro livro adquirido este ano na Feira, mas ainda lá vou voltar e para os que estejam interessados em visitar a Feira, recordo que este ano há novidades. Para além das farturas e dos hotdogs, há também dois restaurantes.
Para visitar a feira pode recorrer ás carreiras 718 e 742 no topo norte e ás carreiras 12,22,36,44,48,53,83,702,711,713,720,727,738,745 e 746 no topo sul.
Boas Leituras e Boas Viagens!

sábado, 2 de maio de 2009

Em vésperas de festa, a "charanga" saiu á rua!

«Deixe passar a charanga sr.motorista. Depois avance!», sim senhor guarda! Começou assim este sábado na carreira 718. Um dia de Sol a convidar uma ida à praia, mas apenas para quem pudesse. Uns ao volante, outros a cavalo, lá se foi passando a manhã e o serviço, esse decorreu dentro da normalidade onde fiquei a saber que a inocência ás vezes sai cara.

Já depois de ter deixado passar os cavalos da GNR em Braço de Prata, que hoje saíram à rua para os preparativos das comemorações de mais um aniversário da Guarda Nacional Republicana, uma jovem rapariga entra de mão dada à sua avó e com uma vontade enorme de passar o seu "sete colinas". A avó passa o "Lisboa Viva" no segundo validador, ao mesmo tempo que a rapariga valida o seu título de transporte no primeiro validador. Luz verde para a jovem que de imediato viu o seu braço ser puxado em jeito de repreensão com a sua avó a dizer que «não tinhas nada de passar ali o cartão. És sempre a mesma coisa! Estou farta de te dizer que tinha aqui para passar o teu. Agora foi mais uma viagem».

A rapariga - pobre coitada - nem estava a perceber a conversa da avó que tinha ideia de passar duas vezes o seu "Lisboa Viva"(fazendo a moça viajar ilegalmente). Estava inocente porque já lhe devem ter ensinado na escola ou mesmo em casa, que quando entra no autocarro deve validar o seu título de transporte, mas desta vez o seu acto de seriedade saiu-lhe caro! É caso para interrogar: Quando o exemplo não vem de cima, de onde virá?...

Nota final para a GNR que este Domingo comemora mais um aniversário. A foto apresenta elementos do Regimento de Cavalaria - 3.º Esquadrão que é uma Sub-unidade a Cavalo, sediada na zona Oriental da cidade de Lisboa, aquartelada em Braço de Prata, na outrora estratégica, Rua do Vale Formoso de Baixo. Saída de Lisboa para Sacavém e para o Norte do País, próximo do, não menos estratégico, entroncamento de ramais de caminhos-de-ferro, junto à estação com esse nome.
Boas Viagens!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O 1.º de Maio e a corrida à bifana...

Comemorou-se hoje mais um dia do trabalhador, mas comemorou-o que não trabalhou! Bem, mas há sempre alguém que tem de trabalhar e eu fui um deles. Hoje andei na 35 um pouco por toda a cidade. A manhã começou cedo para mim dado que optei por ir a pé até ao Areeiro - o local de rendição - e aproveitei assim para ver como estava o ambiente na Alameda e confesso que não ligo a políticas nem a comícios.

Começo então o serviço e eis que na viagem do C.Sodré sou obrigado a desviar o percurso devido á realização da "Corrida do 1.º de Maio" e até aqui tudo bem. Os passageiros até compreenderam e acabaram por sair na P.Chile. Restaram apenas três que quiseram seguir viagem até ao Campo Grande, mesmo com a quantidade de voltas que tive de dar. Do L.Leão fui á P.Londres, Areeiro, Gago Coutinho, Av.Estados Unidos da América, Entrecampos e Campo Grande onde retomava o percurso da carreira.

O tempo para esta viagem foi aproximadamente o mesmo para fazer duas viagens na 35 até porque a corrida era já a passo de caracol porque as forças pareciam já faltar a grande parte dos participantes e muitos pareciam já levar os "bofos" de fora, até porque alguns deles deviam já ter passado pela grelha das bifanas que ás 9h00 já estava pronta a servi-las no pão aos mais madrugadores.

Já depois da corrida, foi a vez da parte da tarde ser preenchida com as duas manifestações marcadas para este dia. Foi então altura da carreira ser desviada para outras ruas, dada a impossibilidade de subir e descer a Almirante Reis. Ganharam as pessoas da Picheleira, perderam as de Arroios, mas é assim em tudo. Uns perdem e outros ganham, mas é já um habitué do 1.º Maio, apesar de ainda haver muita gente que teime em não compreender as situações e pense que é o motorista que decide alterar o percurso por sua livre ideia e iniciativa, mesmo que a jovem que vai sentada no banco da esquerda atenta a ler o seu livro, tente explicar o que se estava a passar. Ou mesmo que a «tia Maria» que entra na Av.Roma diga que quer descer na Alameda quando já lhe tinha dito que não ia lá passar...

Numa das viagens, aquela em que trouxe mais passageiros e até os mais bem-dispostos,soltei o aviso já na P.P.Couceiro «Srs. Passageiros, quem pretender ir á Morais Soares ou P.Chile terá de descer aqui na Paiva Couceiro. Quem quiser ir para a festa da Bifana, a do 1.º de Maio poderá descer no cimo da rua Barão Saborosa, visto que vou pelo percurso da carreira 30 até Olaias e retomo o percurso da 35 no Areeiro...» Se já ia tudo animado, a risota gerou-se com a festa da bifana que me saiu, na altura sem esperar (risos). Houve mesmo quem dissesse que assim tinha dito por estar a trabalhar, mas nem tal facto me ocorreu. No final lá se despediram e prometeram trazer a Bifana na volta.

Foi um dia diferente sem dúvida, mas trabalhoso sobretudo porque nestes dias as perguntas sucedem-se a cada paragem, assim como as explicações pelas alterações. Registo também o senhor que já no Areeiro e depois de ter saído para rumar á Alameda, me disse que deveria ter trazido bandeiras de "35 Olaias" visto não ir pela Alameda. Mas eu ia mesmo era para o Cais do Sodré. Há portanto de tudo nestes dias.

Amanhã será mais calmo certamente sobretudo porque a festa já lá vai. Boas viagens!

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