quarta-feira, 29 de abril de 2009

«Se tem 0.52€... dou-lhe o restante!», e esta hein?

Pois é as folgas já estão a terminar e esta quinta-feira já estarei de novo a conduzir pelas ruas de Lisboa. Mas hoje assisti a um episódio como passageiro que me deu uma certa vontade de rir pelas expressões utilizadas. Depois de ter estado na baixa pombalina com o meu irmão, desloquei-me á estação de Santo Amaro para ver o meu serviço para amanhã, porque ainda não é possível ter acesso em casa aos serviços.

No regresso a casa optei por vir no 742 visto que seria o mais directo. Vinha eu descontraidamente sentado no banco da frente, quando uma senhora entra e passa o seu "Viva Viagem" no validador, sendo que este acendeu a luz vermelha lembrando no visor que o saldo era insuficiente para se transportar. Tinha apenas 0.52€!

A senhora achou estranha a "reacção" do validador e questionou-se a si própria, ao cartão e até olhou para mim com um ar de indignada. De forma simpática o motorista que nos conduzia sugeriu-lhe que passasse de novo, para descanso da senhora, mas o validador insistia em ser ele a ter razão, e tinha!

«É que eu nem consigo ler o que a máquina diz... tenho de por os óculos de ver ao pé..» - não deveria ser de ver ao perto?(risos) Adiante. Como o motorista não tinha acesso ao visor, decido então explicar à senhora que a mensagem dizia que o saldo era insuficiente. Pois só tinha 0.52€, ao que a senhora me diz: «Ahhh então é por isso! É que não estou habituada a andar de transportes sabe?! Obrigado sim?...»

De nada, disse eu. Dirigiu-se então ao motorista e disse: «Olhe sendo assim tenho de pagar! É 1,40€ não é?» ao que o motorista respondeu: «É sim senhora. Um euro e quarenta cêntimos, se faz favor!» Já com a carteira aberta, a passageira começa a tirar algumas moedas até somar a quantia de 0.88 € e toda contente diz: «Aqui tem sr.motorista! É assim não é? Se tinha ali 0.52 € faltava só 0.88 €!?!...» e o motorista esclareceu que «a senhora tem de pagar mesmo 1,40 € porque não é possível descontar o que está no cartão, mas fique descansada que quando carregar, esses 0.52 € acumulam...»

E lá entendeu a senhora já depois de ter solto uma gargalhada e pedido desculpas pelo sucedido. Não estava mesmo habituada esta senhora a andar de transportes. Para a próxima já saberá certamente! E ESTA hEIN?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

"Sugestão do Tripulante" (3) - À descoberta do Azulejo com a 718

Sabia que...
 
A carreira 718 veio substituir a então extinta 18 que ligava C.Ourique a Chelas. Actualmente esta carreira parte do I.S.E.L. e termina nas Amoreiras, mas pelo meio serve diversos bairros sendo que parte do seu percurso é abrangido pela carreira 742. Esta carreira está afecta à estação da Musgueira, mas “reside” em Cabo Ruivo, dado que é uma carreira fornecida por carros movidos a gás natural.

A cidade através da carreira...

Há já alguns meses que não deixava aqui no blogue sugestões para ocupar os seus tempos livres na cidade de Lisboa. Assim sendo, hoje optei por sugerir-lhe uma visita ao Museu do Azulejo, até porque esta semana foi-me procurado algumas vezes por turistas e porque estive lá há pouco tempo. Embora a sugestão desta semana recaia neste Museu e sobretudo nesta carreira (718), devo acrescentar que junto ao Museu passam também as carreiras 39, 742, 759 e 794.

A carreira 718 parte do I.S.E.L. em direcção ao Liceu D.Diniz onde inverte a marcha rumo a Cabo Ruivo e o primeiro ponto de referência que surge e que também é muito procurado sobretudo aos domingos, é a Igreja Universal do Reino de Deus em Chelas.

Para os mais aficionados pelos comboios e eléctricos, a paragem da Estação de Braço de Prata fica a poucos metros do C.E.C.F. – Clube de Entusiastas do Caminho de Ferro, mas se o dia é mesmo para o museu do Azulejo siga então viagem até Xabregas. Vai passar pelo Poço do Bispo, pelo Convento do Beato até chegar à Rua da Madre Deus onde se situa a sugestão desta semana.

O Museu Nacional do Azulejo é um dos mais importantes museus nacionais, pela sua colecção singular, o Azulejo, expressão artística diferenciadora da cultura portuguesa, e pelo edifício ímpar em que se encontra instalado, o antigo Convento da Madre de Deus, fundado em 1509 pela rainha D. Leonor. Este museu conta já com uma história longínqua...

Depois de visitar o museu e se ainda tiver tempo, pode apanhar de novo a boleia do 718 e descontrair-se um pouco no Centro Comercial das Amoreiras no novo espaço dedicado ao Chocolate. Não tem nada que saber! A paragem é a mesma onde saiu e pode seguir viagem até ao terminal que fica mesmo à porta do Centro Comercial.

Suba ao segundo piso e beba um café acompanhado de um bolo de chocolate na Cacao Sampaka, que descobri há umas semanas atrás enquanto desfrutava da minha hora de refeição. O resto do dia fica por sua conta como dizem os roteiros turísticos.

Votos de uma boa viagem e boas visitas!


Informações Úteis:
Museu do Azulejo -
http://www.mnazulejo-ipmuseus.pt/
Rua da Madre de Deus, 4
Qua a Dom 10-18h e Ter 14-18h
Entrada – 3 euros (Jovens e Idosos 1.5 euros)

Cacao Sampaka -
http://www.cacaosampaka.com
C.C.Amoreiras, Loja 2007
Funciona todos os dias das 10h ás 23h


Carreira 718 - Para consultar o horário desta carreira pode visitar o site da Carris
Fotos: Pedro Almeida / site MNA
Fonte: Site do Museu Nacional do Azulejo / A minha página Carris / C.C.Amoreiras

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A minha história entre as 24 do RCP...

«Já alguma vez perdeu uns minutos do seu tempo para pensar na vida das pessoas com que se cruza todos os dias? Na rua, no trabalho, numa fila de trânsito, no supermercado... Esta sexta-feira abrimos a janela para a vida das pessoas comuns. 24 de Abril. 24 horas. 24 histórias de pessoas invisíveis que merecem ser contadas», este breve parágrafo é da autoria do Rádio Clube Português e serve de apresentação ao trabalho jornalístico da repórter Débora Henriques que procurou 24 pessoas comuns com 24 histórias diferentes e que passam muitas vezes ao lado de toda a gente. Eu fui um dos convidados!


Do engraxador do Rossio ao jardineiro do Estádio da Luz, passando pela barbearia e pela vendedora de castanhas, este trabalho do RCP acaba por dar a conhecer um pouco mais algumas das pessoas com quem nos cruzamos no nosso dia-a-dia e a quem muita gente não dá o devido valor.


Depois da Antena 1 e da revista TimeOut aceitei o convite da Débora Henriques e era agora a altura de falar aos microfones do Rádio Clube Português. Para não interferir no trabalho e porque para se conduzir em Lisboa é preciso estar muito atento, lá conversámos no terminal da carreira 22, na Portela e o resultado final foi para o ar esta sexta-feira, dia 24 de Abril e se pora caso não tinha a «Janela Aberta» pode agora abrir aqui a janela do programa do Rádio Cube Português que passou esta tarde entre as 15 e as 19 horas, ou aceder ao destaque deste especial 24 Histórias no RCP.


Se quiser optar por ouvir toda a emissão com os comentários dos convidados presentes em estúdio pode também fazê-lo através da emissão deste dia 24 de Abril do programa «Janela Aberta» começando pelas 15, depois 16, 17 e finalmente 18 horas.

Por fim, aqui fica o meu agradecimento à jornalista Débora Henriques pelo convite, assim como aos jornalistas Aurélio Gomes e Teresa Gonçalves que também não dispensaram a visita ao blogue, enquanto "conduziram" mais uma emissão do RCP.

[n.d.r.: Devido ao facto do RCP ter fechado portas em Julho de 2010, não é possível apresentar os links acima referidos. Agradeço a vossa compreensão.]

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Na 742 com o adeus do senhor e o "senhor do adeus"...

Não havia certamente melhor forma de começar uma semana de trabalho como esta quarta-feira onde o calor fez-se finalmente sentir e com força na capital. Os termómetros passaram dos 25 graus e por azar o autocarro tinha o ar condicionado avariado. Já a meio da tarde e depois de uma viagem lá entrou um senhor que apesar de não ter dito "boa tarde", ainda foi capaz de dizer «abra mas é o ar condicionado que morremos aqui de calor!!...»

Estaria eu à espera que o referido passageiro chegasse para me aperceber que estava assim tanto calor? Ou gostaria eu de transpirar só para não ligar o ar condicionado?... Bem há sempre quem pense que uma destas hipóteses poderá ser a resposta, mas adiante...

Hoje assisti à maior [como vou eu chamar ao que assisti?!..] peixeirada a bordo de um autocarro. O bairrismo está sempre presente na 742, ora na Madre Deus ora na Ajuda há sempre alguém que grita mais alto que o outro, mas hoje nem teve nada haver com os bairros em si, até porque as marchas são lá para Junho. Recorda-se certamente de um post que aqui escrevi sobre o dia de Carnaval que falava sobre uma senhora que havia entrado mascarada e que se tinha metido com o Polícia da Madre Deus. Pois bem, esta senhora já tem lugar cativo nesta carreira, transportando-se várias vezes, ora de manhã ora de tarde e até já vai conhecendo e cumprimentado alguns motoristas.

Como a 742 até é das carreiras onde marco mais presença, a referida senhora - sempre muito reinadia - já me conhece e lá me cumprimenta sempre que me vê. Hoje lá entrou e sentou-se no primeiro lugar. O autocarro aos poucos foi enchendo e na Morais Soares já entravam com dificuldade. Seguia eu para o Bairro Madre Deus quando ouço esta senhora em jeito de brincadeira perguntar a um senhor que, dado o aperto na coxia, lá deu um encosto no seu braço. «Ouça lá... Veja lá se quer ir no meu colo!?!...» Mas o senhor em questão não a levou muito para a brincadeira e muito menos a senhora que o acompanhava.

«Não preciso minha senhora! A senhora se quer arranjar colo tem de arranjar alguém mais novo...» e esta não perdeu tempo em responder «pois porque para velho já lá tenho um em casa e se quiser também lhe dou...» E lá ia falando mas sem receber troco aparentemente. Pensava eu que a história iria ficar por ali. Chegamos então ao Alto de São João e quer o senhor, quer a sua acompanhante saíram, seguindo o seu rumo, mas não sem antes voltar a provocar a senhora da Madre Deus com um adeus diferente. Acenou com a mão e "soprou" um beijo tal e qual os contos românticos que se lêem por ai nos livros expostos nas prateleiras de Romance de uma Fnac ou Bertrand...

Indignadíssima com tamanha provocação, a senhora da Madre Deus, desata aos gritos insultando e injuriando a atitude do «patife» que aparentava ser um senhor de bem. Confesso que até me deu certa vontade de rir, mas de imediato vi que a revolta de quem tinha seguido a bordo de um autocarro sem lhe poder chegar ao pêlo, era bem maior que eu pensava. Nem o vidro do autocarro escapou a umas valentes palmadas... «Olhem-me um c..... destes ãnnnn. A provocar-me na frente da mulher! Só pode ser arranjinho de certeza porque ela ainda se riu e tudo. Vejam só isto a mandar beijinhos. P..... que a pariu!», gritava já voltada para trás enquanto seguia a marcha e não sem antes lhe pedir um pouco de calma para evitar quebrar o vidro que não tinha culpa alguma.

Pelo espelho via os restantes passageiros a observarem a situação com um riso na face e outros até com palavras de apoio. Chegados á Madre Deus, lá se despediu e pediu desculpa, ao que lhe disse para ter calma e, em jeito de brincadeira [também da minha parte] para se portar bem. De imediato me disse: «Eu porto-me sempre bem, não vê??!! Estas gajas é que se metem comigo. Mas eu sou velha mas não sou gaga, graças a Deus...» E lá foi á vida dela!

Também eu segui para mais uma viagem porque hoje, não sei que se passou, mas havia muito trânsito e nem tempo havia para arrefecer a cadeira. Sigo então para o Casalinho da Ajuda e uma vez mais e perto do El Corte Inglês, lá estava, o então conhecido por "Senhor do Adeus". Sim é aquele que costuma estar no Saldanha ou no Restelo e que há pouco tempo até deu uma entrevista para a rubrica "Cromos de Lisboa" da revista TimeOut. Entrou e mais uma vez... nem água vai nem água vem, mas desta vez, não se livrou de voltar dois passos atrás e validar o seu Lisboa Viva. Sem dúvida um grande cromo da nossa cidade...

Para finalizar o dia ainda transportei o João. Perguntam vocês mas quem é o João?! Pois quem não o conhece da Madre Deus. «Forte e feio» como o próprio faz questão de se apresentar. Entrou em Alcântara e hoje vinha para por a conversa em dia e sem lhe ter perguntado nada tive de ouvir quase toda a história da vida dele. Da colega que favorece o colega ao casamento que ficou em «águas de bacalhau... Até casa tinha, mas não deu certo e tive de a vender», dizia mas sem desviar o olhar da rua onde algumas senhoras mais acaloradas passeavam com trajes de - como se costuma dizer - "fazer parar o trânsito" e quem nem ele resistia «elas a passarem lá fora e eu aqui a sofrer com tanto calor... Ai João, sofre coração... aguenta João...», e lá veio até à Madre Deus contando-me a história da sua vida mas alto e bom som para que os restantes passageiros também a conhecessem.

Amanhã há mais, mas espero que seja um pouco mais calmo que hoje porque até parece que me saiu a rifa porque não bastando a gritaria no alto de São João e o calor que se fazia sentir ainda houve quem entrasse com camisolas de lã e gola alta fazendo-me ainda mais calor...

Boas Viagens!

Fotos:
Senhor do adeus - retirada algures na Internet
Autocarro na 742 - Gentilmente cedida por Pedro Almeida


sábado, 18 de abril de 2009

O agradecimento público aos «Ambrósios» da Carris

No passado dia 14 de Abril foi publicada na rubrica "Cartas ao Director" do Jornal Público, uma carta escrita por uma residente do concelho de Oeiras que habitualmente usa os serviços da Carris. A senhora Maria Clotilde Moreira reside mais precisamente em Algés e decidiu nesta carta destacar o trabalho de quem a conduz diariamente - os motoristas da Carris, a quem apelidou e de uma forma engraçada de «Ambrósios», lembrando assim aquele anúncio que todos conhecem certamente.

Como achei engraçada a forma como nos apelidou e sobretudo pelo valor que nos atribui no seu dia-a-dia, reconhecendo o que muito pouca gente ainda reconhece aqui transcrevo a carta enviada pela passageira ao Jornal Público:

"Viajo muito nos transportes públicos, principalmente na Carris, e apesar de muitas falhas que os nossos transportes ainda têm, eles representam um descanso de preocupações enquanto nos deslocamos e admiro-me como há tantas pessoas, sozinhas no seus carros, no pára / arranca para se deslocarem numa de ida e volta para o emprego, por exemplo. Se é compreensível que se utilize o carro para, também, deslocar os filhos ou outros, parece não fazer sentido sobrecarregar o trânsito com um número tão elevado de carros com um único ocupante.

E quando vou observando o que me cerca e tomando conhecimento das informações que as conversas me transmitem há sempre um “Ambrósio” que não me dando bombons me leva de uma ponta à outra da cidade, me deixa no destino que procuro. É ele que se preocupa com as más conduções de outros, com carros mal estacionados que o obrigam, às vezes, a esperar que a policia resolva o problema enquanto os passageiros o recriminam. Muitas vezes são eles, estes condutores, o saco das más disposições dos passageiros; e a maior parte das vezes ouvem calados para desespero de quem gostaria de uma peixeirada.

A Carris, por exemplo, tem actualmente um número significativo de jovens condutores que lá nos vão levando por esta rede labiríntica. Nestes tempos de leis de trabalho tão pouco humanas, gostaria que estes trabalhadores tivessem pelo menos horários que não tornassem esta profissão tão desgastantes. Um obrigada aos Ambrósios dos transportes.

Maria Clotilde Moreira / Algés"
In Público de 14-04-2009

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Na 701 com um triste fim depois de tanta batalha...

Na vida há quem goste da tropa e há quem não goste. Há quem queria ir e quem não queira ir e outros há que fizeram a tropa com muito orgulho e honra como deve ter sido o caso do "soldado" da força aérea que está na foto.

Tirou a fotografia fardado para mais tarde recordar e ser recordado, para relembrar os exercícios que teve de fazer enquanto cumpriu serviço, mas provavelmente houve alguém que teve más recordações suas ou que simplesmente o esqueceu e hoje este "soldado" sofreu talvez muito mais do que sofreu na Força Aérea.

Encontrei-o no chão do autocarro enquanto fazia a revista ao carro após mais uma viagem na carreira 701. Lá estava ele com um olhar, diria eu, já sofredor depois de tanta pisadela, do lamaçal que se apoderava do soalho com a chuva que caía la fora e que escorria dos chapéus e das solas que iam entrando e saindo do autocarro.

Na cara tinha arranhões, dando provas que já tinha sido arrastado por alguma sola de coro mais dura e nem imagino como terá terminado o dia, visto que por lá continuou esquecido junto á rampa de acesso a passageiros com mobilidade reduzida até á recolha.

Hoje foi mais uma sexta-feira daquelas a que qualquer lisboeta que enfrente o trânsito já está habituado e a simpatia também esteve bem presente nos passageiros que iam entrando e saindo em grande número talvez pelo fim-de-semana estar á porta.

Mais uma viagem para Campo de Ourique e no regresso á Charneca a oferta da semana... «Sr.Motorista tem aqui uma história ilustrada para dar a um dos seus meninos...» (Quem lhe disse que eu tinha filhos?! Que eu saiba ainda não os tenho) Dizia-me também que era o novo santo português que havia salvo o país. Na altura confesso que nem estava a entender bem o que a senhora queria dizer até porque o trânsito não dava tréguas. Guardei o folheto e agradeci, seguindo depois viagem rumo á Charneca.


Já no terminal decido então ver o que dizia o folheto que aquela senhora me tinha dado. Dizia no título "História do Cavaleiro Dom Nuno" e a ilustração era de facto vocacionada para crianças mas em poucos minutos ficaria a saber a história de Nuno Álvares Pereira, caso nunca tivesse ouvido falar no cavaleiro que lutou pela independência de Portugal.

Enquanto lia o folheto que falava nas batalhas que Dom Nuno teve pela frente e que venceu como a de Atoleiros, Valverde e principalmente Aljubarrota, só me lembrava da fotografia que tinha encontrado na viagem anterior. Também aquela fotografia "batalhava" contra as pisadelas, mas não com tanto êxito como as do cavaleiro que era diferente de todos os guerreiros. Diz o folheto que se converteu em santo - o S. Nuno de Santa Maria

Isto ser motorista da Carris tem de tudo um pouco e até dá para aprender História, com as estórias relatadas em folhetos ou contadas na primeira pessoa por passageiros que fazem com que todos os dias do motorista sejam diferentes.

O fim-de-semana está aí e haver vamos se haverá mais histórias ou estórias para contar porque o meu fim-de-semana só terá início na segunda-feira...

Boas Viagens!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

O dia do «sr.funcionário da Carris» na 742...

Se é seguidor deste blogue, já reparou certamente que a carreira 742 é talvez aquela que causou mais histórias aqui relatadas neste espaço on-line, talvez por ser das maiores e por passar em muitas freguesias, com "fregueses" de todos os modos e feitios.

Hoje lá andei de novo na 742 e se este espaço tivesse mesmo linhas e argolas do lado esquerdo - tal e qual aqueles cadernos diários - que normalmente são mais utilizados pelas raparigas nos tempos de escola, hoje poderia escrever como tinha corrido o meu dia não numa mas em duas páginas.




«Pela manhã o sol espreitava pela janela, e tudo fazia prever que a chuva já tinha ido pregar para outras freguesias, mas quando saio da escada, logo enfrentei uma brisa vinda de norte que afinal contrariava o meu pensamento quanto à chuva. As nuvens cinzentas lembravam que talvez seria melhor levar o chapéu de chuva, mas se há algo que detesto é andar com chapéus de chuva. Esqueço-me sempre deles em algum lado...

A minha primeira paragem não é a da carreira, mas sim para beber um café - algo que já não consigo dispensar pela manhã - e comer algo para aconchegar. Ainda na pastelaria, uma idosa pede para embrulhar uma bola de Berlim com creme. Confesso que estavam com bom aspecto, mas nem me passaria pela cabeça por logo um monte de gordura e óleos no estômago pela manhã. A senhora perguntou se era "d'hoje" e o empregado da pastelaria percebeu "duas". A senhora corrige-o e diz que é apenas uma, ao que o empregado responde que talvez fosse "mais fácil vender bilhetes na Carris do que entender quem vai ao café pela manhã", estando certamente a meter-se comigo. A senhora percebeu e disse: "O sr.Pinto está a dizer isso porque está aqui o sr.funcionário da Carris", expressão mesmo à antiga maneira portuguesa.

Mas adiante... Já com o depósito composto, entro no metro rumo ao C.Sodré, onde entrei a bordo do 15E rumo a Alcântara onde iria iniciar o serviço. A passagem do comboio de mercadorias em Alcântara e um carro da 60 avariado na Calçada da Tapada, levaram a que a minha chapa chegasse um pouco atrasada á rendição. Já na P.P.Couceiro, o colega da central pergunta-me se tenho condições de
fazer transbordo em Xabregas para a chapa de trás que estava já junto á minha.


Chegado a Xabregas, e como não haviam muitos passageiros no interior, perguntei se algum dos presentes se importaria de passar para o autocarro de trás pelo facto do meu estar atrasado e estar ali outro para o Bairro Madre Deus. A reacção foi unânime. Todos se levantaram tal e qual como se estivéssemos num estádio de futebol a fazer a onda nas bancadas. Todos pareciam concordar, mas todos ou quase todos também reclamaram que não fazia muito sentido mudar de autocarro e que já era costume ultimamente. Ou seja, primeiro todos concordaram, mas não abandonaram o autocarro sem antes me brindarem com umas palavras num tom mais alto...

Feito o transbordo, informei a Central e dei início à viagem rumo ao Casalinho da Ajuda. A primeira passageira entrou na Av.Afonso III junto ao posto médico e admirada com o facto do autocarro estar vazio, perguntou-me «formou aqui não?! Está vazio!...» Não estava á espera de tal afirmação e por instantes recuei no tempo, lembrando-me de um dos trabalhos que tive na televisão, quando estive a gravar o programa "Primeira Companhia" - o Reality Show da TVI, onde os concorrentes seguiam ordens dos instrutores tal e qual como na tropa e a frase "Tá a formar..." ao som da corneta também não faltava.

Coincidências à parte, o serviço foi decorrendo dentro da normalidade, mas ainda assim cheguei ao Casalinho da Ajuda e uma resistente permanecia sentada na cadeira. Percebi que a senhora não estava a conhecer o local e lá lhe informei que estava no terminal da carreira. Algo descrente em si mesma, disse «que disparate! Já no outro dia me aconteceu o mesmo...Então mas não vai para a Universidade?!" Expliquei-lhe então que alternadamente ia um autocarro 742 para a Universidade e a senhora lá foi dizendo que "pois, e eu pensava que os que vinham para o Casalinho também lá iam dar a volta. Mas pronto agora já sei!"

Voltou a entrar e quando eu pensava que iria sair na paragem onde poderia apanhar o outro que ia para a Universidade, continuou viagem. Vai-se lá entender estas pessoas... De seguida foi a vez de receber a sempre bem-vinda equipa de fiscalização, que apanhou um passageiro sem título válido - daqueles que simulam que passam o passe! Acho que nunca se tinha sentido tão observado o jovem que acabou a viagem na 742 com um recibo de 140 € para pagar, por não
ter pago 1.40 €...


Hoje foi assim o dia, amanhã logo se verá como corre, mas quanto ao tempo, ouvi dizer que ia chover, algo que me deixa chateado, porque já tenho saudades do Sol, do calor e de tudo o que daí advém...»


Hoje para variar foi em jeito de diário, mas o próximo post já será nos moldes habituais. :)

Boas Viagens!

terça-feira, 14 de abril de 2009

56: Uma tarde no "banho" de automóveis

«Informações de trânsito: Neste momento circula-se com algumas dificuldades nas principais artérias da cidade. A Avenida de Berna está parada com a fila a chegar ao Areeiro. Na Avenida da República também há dificuldades assim como nas vias de ligação á Ponte 25 de Abril...» , Poderia ser esta a informação de trânsito de qualquer rádio esta tarde. Foi um autêntico caos este regresso ao trabalho depois da pausa da Páscoa.

Tudo correu bem pela manhã, mas com o trânsito a fazer-se sentir já na Praça de Espanha por volta das 10h30 devido a uma anomalia no funcionamento da sinalização luminosa. Na Gulbenkian entra uma família de franceses com destino à Praça das Indústrias e pede-me 7 bilhetes para um dia. Comecei assim o dia a falar "franciu" para explicar que no autocarro não era possível comprar bilhetes para um dia, excepto nos de turismo.

Um pouco desolados com a situação, lá lhe sugeri que descessem em Santo Amaro, onde poderiam adquirir os bilhetes e aproveitar o resto do dia para visitarem a cidade. O repto foi aceite e lá seguiram viagem desejando-me um «Bonne Journé».

Já da parte da tarde e com o regresso das aulas marcado para esta terça-feira, o trânsito aumentou a partir das 16h30 e a chuva apareceu fortemente, o que causou um verdadeiro caos no centro da capital. Na primeira viagem com destino á Praça das Indústrias, estava parado na paragem do Campo Pequeno, quando um jovem corria em direcção do meu autocarro. Pediu-me para entrar... e «muito obrigado senhor motorista. Já me safou, porque estou todo molhadinho e nem as cuecas escaparam. Levei um banho de automóveis».

Compreendi o que quis dizer logo que falou, mas a parte das cuecas eu dispensava e quanto ao banho de automóveis, enfim, mais uma calinada no português, porque creio que ele levou foi um banho de água provocado pelos automóveis. E automóveis era o que não faltava nas redondezas, mas se tivesse levado com automóveis em cima já nem tinha corrido para o autocarro.

Na segunda e última viagem para a Praça das indústrias, na segunda parte do serviço, demorei cerca de 1 hora para fazer a Av.João XXI / Av.Berna. Sim leram bem, uma hora para fazer a ligação da Av.Roma à Praça de Espanha. Junto à Caixa Geral de Depósitos um dos passageiros pede-me que o deixe sair: «Se não se importa, eu gostaria de sair porque estou a ver que daqui não saímos...» a este seguiu-se mais um, depois outro e quando olhei para o espelho já só tinha dois resistentes, tal qual um jogo de paciência em que quem resistisse teria o prémio de chegar ao destino. :)

E à hora que eu tinha de estar a chegar ás Olaias ainda estava eu na Avenida de Ceuta. Dá para verem como estava o trânsito na cidade! E assim foi o regresso ao trabalho.

Amanhã há mais.... Boas Viagens

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Depois da calmia da Aldeia o regresso ao stress da Cidade...

Depois de umas voltas por Lisboa e de uma escapadela até á região do Caramulo, onde passei a Páscoa junto da família, eis que estou de volta à rotina de uma cidade que não dorme - Lisboa. A gripe quis também passar a Páscoa comigo, embora nem sequer a tenha convidado. Ainda assim, o balanço desta pausa é bastante positivo, sobretudo porque deu para respirar um ar mais puro, para rever tios e primos que há muito não via e até para me estrear em novas aventuras como foi o caso de subir á torre da igreja para tocar o sino em domingo de Páscoa (ver foto), uma tradição que ainda se procura manter viva entre as gentes das aldeias.

Por cá o que vai também tocar e já na próxima terça-feira, não é o sino, mas é o meu despertador porque o regresso ao trabalho assim obriga. Com histórias ou sem elas, o regresso ao trabalho está previsto para uma carreira com cerca de 40 minutos de percurso, que transporta muitos passageiros sobretudo à hora de ponta. Vai de um lado ao outro da cidade e por isso tem cor cinzenta na rota da carris. É certificada e muitos gostam de a fazer. Já eu confesso que é daquelas carreiras que pouco me diz. Nem gosto nem desgosto... faz-se! As dicas estão lançadas... Tentem descobrir :)


Boas Viagens!

terça-feira, 7 de abril de 2009

Lisboa: De Santa Engrácia à Ajuda

Cá estou de volta ao blogue! As férias ainda não acabaram, mas estão a passar muito rápido, mas para contrariar essa tendência, decidi nos primeiros dias de férias, visitar alguns monumentos que até então conhecia apenas do lado de fora, ou lugares onde há muito não ia.

Foi o caso da Feira da Ladra, que pode ser visitada ás 3.ªs e Sábados, podendo recorrer á carreira 28E (São Vicente de Fora), 12 (Campo Santa Clara), 34 (Largo da Graça) e 35 (Rua Washignton) se for na terça-feira. Já ao Sábado, dispõe das carreiras 28E, 12 e 35.

A Feira da ladra

Com raízes que remontam ao século XIII, a Feira da Ladra andou de sítio em sítio, até se fixar no Campo de Santa Clara, freguesia de São Vicente de Fora. Dedica-se, sobretudo, ao comércio de velharias e de objetos de segunda-mão.

A Feira da Ladra teve início no Chão da Feira, ao Castelo, tendo mais tarde passado para o Rossio. Depois do Terramoto de 1755 instalou-se na Cotovia de Baixo (actual Praça da Alegria), estendendo-se mesmo pela Rua Ocidental do Passeio Público. Em 1823 foi transferida para o Campo de Santana, onde esteve apenas cinco meses, voltando para a Praça da Alegria. Em 1835 voltou para o Campo de Santana, onde se conservou até 1882, antes passar para o Campo de Santa Clara, às terças-feiras, e, desde 1903, também aos sábados.
Visitei a feira no sábado, mas a presença do Panteão mesmo ali ao lado deixou-me com vontade de começar um domingo a visitar monumentos. Há muito que não entrava no Panteão Nacional e no domingo passado, não só entrei, como subi ao terraço onde se tem uma vista privilegiada sobre o Tejo e sobre a encosta da cidade.
O Panteão Nacional

O Panteão Nacional de Portugal localiza-se na Igreja de Santa Engrácia, na freguesia de São Vicente de Fora, em Lisboa.
O actual edifício ergue-se no local de uma primitiva igreja, erguida em 1568 por determinação da Infanta D. Maria, filha de Manuel I de Portugal, por ocasião da criação da antiga freguesia de Santa Engrácia. O templo passou a ter a função de Panteão a partir de 1916.

A primitiva igreja, severamente danificada por um temporal em 1681, foi alvo de constantes modificações e alterações, de tal modo que hoje nada resta dela. A primeira pedra do novo edifício, em estilo barroco, foi lançada em 1682. As obras perduraram tanto tempo que deram azo à expressão popular "obras de Santa Engrácia" para designar algo que nunca mais acaba. A igreja só foi concluída em 1966.

O interior está pavimentado com mármore colorido e coroado por um zimbório gigante. Este monumento pode ser visitado utilizando as carreiras 12 (Campo Santa Clara), 34 (Campo Santa Clara), 35 (Santa Apolónia) e 28E (São Vicente de Fora). A entrada no Panteão custa 2.50€/pessoa e é gratuita aos domingos até ás 14h00.

Depois desta visita e deste olhar sobre o tejo, rumei até à Ajuda onde tantas vezes passo com o 742. Não podia deixar passar mais tempo sem conhecer o Palácio da Ajuda.
O Palácio da Ajuda
O Palácio Nacional da Ajuda ou Paço de Nossa Senhora da Ajuda é um monumento nacional português, situado na freguesia da Ajuda, em Lisboa.

Antigo Palácio Real, é hoje em grande parte um magnífico Museu, estando instalados no restante edifício a Biblioteca Nacional da Ajuda, o Ministério da Cultura, e o IPM. O Palácio e o Museu são actualmente geridos pelo IPPAR e pela Presidência da República.

Aqui a entrada custa 5.00€/pessoa e também é gratuito até ás 14h00, aos domingos. Ao contrário do Panteão Nacional, aqui não é permitido tirar fotografias no interior. As carreiras mais próximas do Palácio da Ajuda são a carreira 18E no que diz respeito aos eléctricos e as carreiras 60, 727, 729, 732 e 742 no que diz respeito aos autocarros.

Agora chegou a altura de deixar Lisboa por uns dias e rumar ao norte onde irei apssar a Páscoa com a família. A todos os Passageiros deste blogue, aqui ficam os votos de uma Boa Páscoa!

Fotos: Rafael Santos Informação Histórica: Wikipedia

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Antes e Agora (III): Praça do Comércio

Hoje terminei mais uma semana de trabalho e dou início a uns merecidos dias de férias. Como andei na 35 e como o serviço correu bastante bem, decidi abrir o meu arquivo e escolher mais uma fotografia antiga de um local para comparar com os dias de hoje. Tendo eu andado pela Praça do Comércio, ou Terreiro do Paço, como queriam chamar, decidi pegar numa foto de um autocarro de dois pisos (674), que na época da fotografia fazia a carreira 39 para São Bento.

Actualmente já não circulam autocarros de dois pisos em carreiras regulares da rede da Carris e a carreira 39 circula actualmente entre Marvila e Xabregas. Autocarros de dois pisos nos dias de hoje e nesta praça, apenas os de turismo, que estão afectos á CarrisTur. O sentido do trânsito também está actualmente alterado nesta praça, ainda que de forma temporária, devido ás obras que estão a decorrer neste local e que têem causado muitos transtornos a todas as carreiras que por ali passam.

A foto actual é da minha autoria e dos dias de hoje e refere-se não á 39 porque já lá não passa, mas sim á carreira 35 que provisoriamente circula pelo interior da Praça do Comércio devido ao encerramento da Av.Ribeira das Naus. O autocarro é um Mercedes-Benz OC500.

Corre no entanto o rumo que após estas obras, a Baixa Pombalina e esta praça irá ficar fechada ao trânsito. Resta saber se a 35 passará então a circular pela praça, ou se volta à Ribeira das Naus e isto porque fala-se também num projecto da frente ribeirinha de Lisboa que prevê a criação de uma linha de eléctrico entre o C.Sodré e a Expo junto ao rio. Mas do falar-se ao agir ainda vão uns bons anos de vida pelo que nos resta para já pensar no que temos actualmente.

Entretanto vou de férias, pelo que vou aproveitar para dar umas voltas por Lisboa e ir até ao norte do país onde irei passar a Páscoa, junto da família.

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