domingo, 29 de março de 2009

Na 35 com o morto-vivo que não tem pressa de morrer

Um domingo na 35 é sempre diferente! Nunca se sabe o que poderá acontecer, mas o que é certo é que há sempre algo para contar. Junto ao «Parque de Saúde» da Av.Brasil circula-se devagar porque alguns dos utentes aproveitam o sol que se faz sentir pela manhã, mas atravessando a avenida como se estivessem no passeio.

A pressa de quem não tem pressa...

Mais á frente aparecem os primeiros idosos que se vêem obrigados a sair de casa antes que a solidão tome conta deles. Na Avenida de Roma entra um senhor que passa o Lisboa Viva no validador e fica parado a olhar para mim, tal e qual como acontece nos filmes quando se carrega na tecla «pause». Dei-lhe os bons dias e disse que poderia sentar-se para evitar uma queda e para permitir a entrada dos restantes passageiros. Sentou-se...

Chegou ao C.Sodré saiu e na viagem imediatamente a seguir entrou novamente para regressar ao ponto de partida. Faltavam 4 minutos para partir quando começou a tocar com a chave de sua casa no balaústre, querendo alertar alguém que estivesse distraído. Mais um minuto e batia com os pés no soalho. Olhei pelo espelho e a reacção que vi, parecia que o senhor estava muito atrasado para entrar no serviço. No lado oposto ao dele alguém lhe informa que o autocarro só arrancava ás 10h58. E lá se conteve!

O morto que afinal está vivo! Eu transportei-o...

Ao longo destes, cerca de dois anos, que estou na Carris, já transportei algumas figuras públicas, mas hoje voltei a transportar o senhor Rogério Beja que talvez possa introduzi-lo neste "leque" dado que se tornou uma figura pública sobretudo pelos 13 anos que marca presença á porta da Procuradoria Geral da República. Sim é o "morto" que afinal está vivo!

A história deste senhor e do seu irmão é no seu conjunto surrealista. Está «há 13 anos, 4745 dias à espera de justiça em via pública. 7/11/64 Certidão de Óbito NC 235. O caso do Juíz Rogério Sampaio Beja e do irmão Notário, Victor Sampaio Beja. Cart.Praça Marquês de Pombal, nº 15-3º Lisboa. São Falsificadores de documentos, burlões e ladrões de bens alheios. Os carrascos testamenteiros. 4/8/2008 - 5 Agentes terroristas roubaram a bandeira nacional», assim se lê no calendário que hoje o senhor Rogério me ofereceu quando entrou no autocarro (ver imagem).

Educado, como sempre, costuma utilizar a carreira 35 e também já o vi pela 12. Todos os dias marca presença na Rua da Escola Politécnica e juntamente com ele tem dezenas de imagens que retratam a sua história e que também preenchem o verso do calendário que digitalizei para vos mostrar. Houve quem dissesse que, quer ele quer o seu irmão, estavam sepultados no cemitério de Aljustrel, mas eu cá confesso que o transportei hoje. Ou seja, recorrendo à ironia, o «morto» está mesmo vivo e a sua história está aqui resumida!

Ao senhor Rogério Beja e sua esposa - habituais utilizadores dos autocarros da Carris - aqui deixo publicamente o meu agradecimento pela oferta simbólica desta manhã :)

Mau instinto... mau desejo!

E como não há uma sem duas, nem duas sem três, termino esta abordagem ao dia de hoje com um episódio já da segunda parte do serviço. Duas senhoras ocupam os dois lugares da frente. Uma do lado esquerdo e outra do lado direito. A cruzar a conversa estavam as pessoas que ao longo do percurso iam entrando.

A conversa aumenta de tom e qualquer distraído que fosse mesmo na última fila, ficaria a saber o que se discutia na primeira fila. Foi algo do género:

A: Então a senhora não se lembra de mim?
B: Não me recordo de a ver em lado nenhum!
A: trabalhámos juntas no hospital dos capuchos...
B: sim trabalhei lá mas não me recordo de si.
A: Então e já está sozinha?... Veio dar uma voltinha!
B: Sim estou! Ando sempre sozinha...
A: Então mas o seu marido também era do estado não era? Deve ter uma boa reforma. Podia ir dar grandes passeios...
B: Sim era da Judiciária!... Mas a reforma já não é muita, porque aos poucos vão tirando.
A: Pois é este socialismo que temos!... Então e não levanta nada para si? Ah calculo que deixe para as despesas e levanta algum para dar ao filho, pois...

Confesso que já nem eu podia ouvir a forma como a senhora "A" abordava a senhora "B", mas adiante....

B: Sim , tem de ser, mas ele [€€€] também não é muito...
A: Mas tem onde? Em casa?
B: Não filha, no Espírito Santo....
A: Vi logo. Não faça isso que eles são uns gatunos! Meta mas é na Caixa Geral que tem a caderneta e vem lá tudo discriminado...

Aqui já me pareceu que a senhora "A" estava a querer apoderar-se da fraqueza da senhora "B", tal e qual um conto do vigário....

B: Ahaha ainda bem que me avisa.
A: E digo-lhe nunca quis cartões multibanco, porque se uma pessoa se esquece, deixa la o papel na maquina, quem o apanha, copia um cartão e saca-lhe o dinheiro todo!

Aqui espontâneamente esbocei um sorriso, ainda que de forma algo contida... Mas a senhora "B" reparou e perguntou-me:

B: Acha isto possível senhor motorista?, ao que respondi que «não me queria meter na conversa das senhoras, até porque poderia não concordar com um dos lados...»
A: Não concorda comigo?!?! Pudera é tão novinho... Ainda tem muito para aprender! Olhe digo-lhe que aconteceu comigo está bem?!
Eu: A senhora poderá ter a sua razão, mas não invalida que não aceite a opinião contrária e eu cá acho que não é possível criar um cartão e movimentar a conta através de um simples talão do multibanco, mas também só respondi à senhora daquele lado porque me dirigiu a palavra e como sou educado, respondi!»

A senhora "A" não gostou que eu tivesse tido opinião contrária e lá se despediu na Alameda, rogando-me uma praga: «Espero que lhe aconteça o mesmo que me aconteceu a mim, e que fique sem dinheiro na conta...»

Assim ficou apresentada a senhora "A", e se dúvidas haviam, elas dissiparam-se. Só poderá ter mau instinto para poder desejar coisas más aos outros, pois eu cá desejo-lhe tudo de bom, porque como diz o ditado, "não faças aos outros o que não gostas que te façam a ti...».

Ora digam lá que não foi um domingo diferente do habitual. Houve de tudo um pouco e é isto que faz com que todos os dias sejam diferentes nesta profissão, que apesar de tudo, gosto de exercer... :)

Boas Viagens!

sábado, 28 de março de 2009

O regresso ás madrugadas com a 794

Depois de um longo período em serviços de "médias" - e para quem não sabe, médias são serviços compreendidos entre as 9h e as 21h - eis que comecei hoje a semana a abrir a pestana bem cedinho. Há muito que não sabia o que era acordar cedo e quando digo cedo, é mesmo cedo porque ás 3h55 já o despertador estava a tocar. A vontade para sair de casa não era nenhuma, sobretudo depois de espreitar pela janela e ver que estava uma ventania daquelas que arrasta tudo e todos.

Mas meteorologia à parte lá tive que enfrentar o vento e o frio que se fazia sentir pelas 4 e tal da madrugada e pegar no meu carro rumo à estação da Musgueira. Pelo meio ainda tive uma pausa, numa operação STOP da PSP, seguindo então depois para o meu local de trabalho onde ás 5h13 saía com o autocarro 4229 para a carreira 794, que há já algum tempo não me calhava na escala, mas confesso que não tinha saudades...

Começava então o meu dia precisamente na altura em que para muitos, ainda o dia anterior estava a acabar, sobretudo ali na zona de Santos onde as discotecas chamam sempre muita gente. Uns passam alegres, outros nem sabem se estão alegres ou se estão tristes e outros há que nem imaginam as figuras que fazem quando estão alcoólicos. A juntar a isto há sempre quem tenha de se meter com o motorista do autocarro, batendo à porta, dizendo que os pneus estão no chão, enfim tudo o que possam imaginar e que seja reflexo de um estado que pode ser chamado de tudo, menos normal.

Do outro lado da 24 de Julho, os eléctricos sucedem-se! Uns da 15E, outros da 18E e outros há que estão a caminho de uma jornada na 28E. Mas rapidamente aproxima-se a hora da partida e como até está algum frio, decido chegar o autocarro à paragem. Apenas um passageiro entra e dá os bons dias. Para começar, não está nada mau...

A manhã passa aos poucos, mas o mesmo não acontece com o vento e o frio, que apesar da presença do Sol, continua a fazer das suas, sobretudo ali para os lados da Bela Vista. Entretanto chegava a hora do almoço ás 9h55. Desculpem, eu disse almoço?!... Pois creio que será mais pequeno-almoço. Como a esta hora poucos são os sítios que servem refeições e também pelo facto de não ter apetite a esta hora para comer grandes quantidades, fiquei-me pela peça de fruta e aproveitei para ir até á estação buscar o meu carro.

Apanhei o 745, depois o 17 e no regresso deixei o carro na Graça, onde aproveitei para comer um croissant com queijo e beber um sumo, na Baga-Baga (passo a publicidade, mas é uma boa pastelaria! eehhe), tendo de seguida apanhado boleia da 28E até à Rua da Conceição.

Cheguei então á P.Comércio onde dei início à segunda parte do meu serviço que também correu bem e na viagem para a Est.Oriente entrou ali na paragem da Alfândega uma passageira com os seus dois filhos. O rapaz chamava-se Rafael e quis sentar-se logo no banco da frente. A irmã confesso que já não me recordo do nome, mas posso dizer que devia ter uns 6 anos e que sabia uma música de cor e salteado que ia a ouvir no seu mp3.

A certa altura já o rapaz tinha metido conversa comigo, seguiu-se a irmã que até perguntou se eu tinha gostado da música :) Podia de facto concorrer a um daqueles programas da televisão... Ao ritmo da jovem que, com orgulho disse que era de Alfama, lá fiz a viagem e até deu para reviver tempos de escola, pois o rapaz anda actualmente na Escola Gil Vicente, onde eu fiz o meu secundário.

De resto, dispensava em todas as viagens a passagem na Gualdim Pais onde ainda são muitos os passageiros que se transportam sem bilhete válido. No regresso a casa voltei a apanhar o 28E e amanhã é novo dia. Agora quero é descanso porque já não estava habituado a estes horários...

Boas Viagens!

quarta-feira, 25 de março de 2009

"Antes e Agora" (II): Rua Morais Soares

Hoje escolhi a Rua Morais Soares para a minha referência do "Antes e Agora". Sendo uma das Ruas de Lisboa com mais movimento, onde passam algumas carreiras da minha estação, decidi entrar uma vez mais no site do Arquivo Fotográfico Municipal, onde encontrei este registo de 1955.

Nesta data a Rua, que mais parece uma avenida, já tinha duas vias em cada sentido, circulando ainda eléctricos como por exemplo os da carreira 17A que ligava a Praça do Comércio ao Alto de São João, ou os da 21 entre São Sebastião e a Rua da Alfândega, não esquecendo os da 24 que ligava o Alto de São João ao Cais do Sodré.

Os autocarros da imagem ainda tinham a cor verde e uma das carreiras que por aqui passava era a 17 que agora faz terminal na P.Chile, mas que em tempos partia do Cais do Sodré até à Avenida do Brasil, tendo mais tarde visto o seu percurso prolongado à Charneca e posteriormente aos Fetais.

Hoje os autocarros são diferentes, as cores também e dos eléctricos restaram apenas os carris no asfalto. A imagem actual mostra então uma das últimas aquisições da C.C.F.L. - os chamados «médios» que costumam andar na carreira 107, entre outras.

Actualmente esta rua é servida pelas carreiras 35, 107, 706, 718 e 742 durante o dia e pelas carreiras 203 e 206 durante a madrugada.
Fotos de: Arquivo Municipal de Lisboa e Rafael Santos

terça-feira, 24 de março de 2009

Dose dupla na 755 com as guloseimas do João!... ou da mãe do João?

"Dose dupla na 755", poderia ser o nome de um filme, mas não é. Trata-se apenas dos últimos dias de trabalho que foram na carreira que liga o Poço do Bispo a Sete Rios, mas se no primeiro dia as horas custaram a passar já hoje tudo correu às mil maravilhas. Na segunda-feira cheguei mesmo a ser insultado por um passageiro que de um momento para o outro decidiu acusar-me de o querer aleijar. Digam lá que isto é real!?!

Pois a história é simples, mas pela primeira vez, tive de contar alto até 10 para não perder a razão. Ao que parece o passageiro estava encostado à porta de saída - lugar que está devidamente assinalado com avisos através de autocolantes vermelhos - entretanto alguém e sem querer, tocou no botão «Stop» solicitando assim a paragem. Cheguei à Av.Roma e já encostado ao passeio abro a porta, chegando mesmo a pensar que era ele mesmo que queria sair. A porta abre-se e o individuo assusta-se, e ninguém sai. O que saiu sim, foi um olhar de lado para mim por parte desse passageiro.

Já na Av.Brasil o senhor saiu e começou a correr em direcção á porta da frente. Começou então a dizer que eu era «um grande malandro e que tinha aberto a porta de propósito na paragem anterior para o aleijar» e só não em chamou foi Santo! Já no interior as pessoas que observaram a situação desde o início deram-me razão e disseram mesmo que o senhor não devia estar bom... Segui então viagem!

Já hoje o dia foi mais calmo e as horas «passaram mais rápido». Transportei o João, que entrou com o primo e com a mãe. O João é um rapaz que vinha da escola ansioso para ir para o parque, mas enquanto estava dentro do autocarro ouviu a sua mãe dizer-lhe pelo menos três vezes que não ia ao parque hoje (pelo menos as que eu ouvi).

Fiquei então a saber que o João está habituado a comer guloseimas quando sai da escola e quem o disse foi a sua mãe, que pareceu-me bem mais ansiosa pelo abrir do pacote das batatas que o próprio João. Já o rapaz, queria mesmo era ir para o parque e por isso estava irrequieto ao ponto de andar em pé pelo autocarro, tendo a sua mãe dito «assenta-te João! Já não te aviso mais vez nenhuma...» Ora aqui está mais um exemplo do Português mal tratado.

O correcto seria dizer "senta-te João" que vem do verbo Sentar. E depois o João iria sentar-se no assento do Mercedes-Benz OC500. Mas gramática à parte o resto do serviço decorreu com normalidade assim como o João que lá se sentou e acalmou. A mãe, essa é que por sua vez insistia em dizer para a passageira do lado que o seu filho tinha sido habituado a comer uma guloseima á tarde, mas na verdade era ela que estava a comer as batatas fritas, como se o mundo acabasse após a sua saída do autocarro.

O pior mesmo foi quando acabou a viagem eu constatar que o pacote das batatas tinha ficado vazio no assento onde viajaram, o que já vem sendo um hábito, provando assim que além dos maus exemplos de português falado, aquela senhora também não está a dar grandes exemplos de higiene ao pequeno João. Pobre coitado...

Também hoje estreei-me a abrir a rampa de acesso a cadeira de rodas, dado que nunca me tinha sido solicitado anteriormente. É de facto uma preciosa ajuda para quem tem uma mobilidade bastante reduzida. Mas por instantes fui o centro das atenções e a rampa foi o tema de conversa para o resto da viagem. Na generalidade todos os passageiros "aprovaram" o uso da rampa que muitos desconheciam, pelo que ouvi até Sete Rios. A passageira de mobilidade reduzida acabou por sair no Hospital de Santa Maria, onde agradeceu uma vez mais a minha ajuda. Chego portanto a casa com sensação de missão cumprida!

Amanhã há mais... Boas Viagens!

sábado, 21 de março de 2009

Uma média «beijoqueira» na 720...

São 23h33 quando escrevo este texto. Já preenchi o livrete de registo diário, que andava com dois dias de atraso. O dinheiro dos bilhetes vendidos já está de parte para prestar contas e para amanhã, já tenho tudo preparado. Ao mesmo tempo que preparo o dia seguinte, acabo de reflectir sobre o meu dia de hoje, que foi um serviço chamado «média» na 720.

Digamos que até correu bem e Calvário só mesmo um dos destinos da 720. Na Picheleira ainda apanhei uma carrinha mal estacionada em frente ao MiniPreço, que me impossibilitava a passagem, mas que rapidamente foi removida do local, após o Agente da PSP de serviço no supermercado ter procurado pelo seu dono.

Já a meio da tarde, numa das viagens até estranhei levar o autocarro tão cheio, mas rapidamente me lembrei que estávamos já a meio do mês, altura em que o carro fica encostado à box.

Na última viagem para o Calvário também ia composto o Mercedes, mas já se começava a notar o aproximar da final da Taça da Liga entre o Sporting e o Benfica. As ruas iam aos poucos ficando desertas e os cafés ali do Rato serviam de ponto-de-encontro para os amantes do desporto rei verem e discutirem os lances de um jogo que viria a ser muito badalado uma vez mais por causa da arbitragem.

No interior do autocarro iam duas jovens com destino a Alcântara e precisamente no Rato, entra uma terceira rapariga, que por sinal era a primeira da fila na referida paragem. Ao entrar, e de forma surpresa encontra duas amigas - as já referidas anteriormente,que estavam sentadas nos primeiros bancos da frente - e começa a distribuir beijinhos ali mesmo á minha frente acabando por impedir a passagem dos restantes passageiros. Pensei por instantes, que também ia ser um feliz contemplado (risos), mas rapidamente vi que ainda não era hoje o meu dia de sorte...

Lá lhe pedi - não um beijo, mas - que deixasse os restantes passageiros passar para que não perdêssemos mais tempo. Lá se sentou com as amigas e seguiu viagem até à Infante Santo.

E assim foi o meu dia de trabalho que terminou depois de recolher á estação da Musgueira. Regressado a casa vi o que restava do Sporting-Benfica e apesar de tudo ainda pude festejar a vitória do meu clube (perdoem-me os visitantes adeptos do clube rival :) .

Amanhã há mais. Boas Viagens!

sexta-feira, 20 de março de 2009

Uma tarde na 22 com um regresso ao passado...

Na primeira tarde de Primavera eis que um regresso a uma carreira que há já algum tempo não fazia. As saudades não eram muitas, embora até tenha um percurso que se faz bem. Ao todo foram, sete as viagens que fiz, mas confesso que hoje apetecia-me bem mais estar a aproveitar a tarde de sol, fazendo outra coisa, mas talvez por ser o "primeiro dia da semana" para mim. É o que mais custa a passar...

Comecei o serviço com destino ao Marquês de Pombal, onde o trânsito intenso me fez chegar atrasado, tendo já à minha espera três passageiros. Iniciei a viagem então rumo à Portela e passada a zona de maior confusão, eis que consegui chegar a tempo ao terminal da Portela, onde consegui arranjar um tempinho para trocar umas palavras com uma jovem jornalista que esta tarde me visitou para colocar algumas questões...

Conversas à parte, eis que chega a hora de mais uma viagem rumo ao Marquês de Pombal. Pelo meio recebo a visita do Pedro Almeida que há muito não aparecia e que como já vem sendo hábito, aproveitou para spottar primeiro, tendo de imediato me oferecido a imagem deste post.

O Aeroporto já estava para trás, assim como o Areeiro, e já na Praça de Londres, entra uma idosa que me pergunta qual a carreira para ir até aos Restauradores. «Há tantos anos que não venho para estes lados que vejo tudo diferente», dizia a senhora acrescentado «no Marquês Pombal tenho algum autocarro que me deixe nos Restauradores?».

Sugeri-lhe o 36,44 ou o 745 até porque há outros mas há sempre a tendência de referir primeiro aquelas carreiras a que estamos mais habituados. Ainda assim, disse-lhe que o melhor seria sair na paragem junto à EDP, ao que a senhora de imediato responde: «Sim já estou a ver, ali na companhia da electricidade, subo e apanho na Fontes Pereira de Melo...» Tinha também o 732, mas havendo mais alternativas do outro lado da companhia da Luz, assim fez, não sem antes, lembrar velhos tempos. «Sabe, morei junto ao Tivoli, era como daqui ali..., bons tempos esses. Recordo-me também aqui da Alameda. Olhe ali até tive o meu marido internado numa clínica. É assim a vida...»

E lá seguiu o seu rumo. O trânsito esse estava cada vez pior e a anunciar a chegada da hora de ponta. Pela frente ainda tinha mais quatro viagens, que decorreram dentro da normalidade, mas um pouco cansativas devido aos muitos buracos das ruas de Lisboa, mas sobretudo devido ao trânsito intenso e à falta de civismo de grande parte dos automobilistas que teem cada vez menos respeito pelos transportes públicos que deviam preferir em detrimento do seu carro particular.

Foi ainda assim, uma sexta-feira como tantas outras, mas que para mim foi o início de mais uma semana a transportar pessoas pelas ruas da capital. Amanhã há mais...

Boas Viagens!

quinta-feira, 19 de março de 2009

"Antes e Agora": São Tomé - Alfama

Para tornar este blogue mais apelativo sobretudo para aqueles que gostam da temática relacionada com os transportes urbanos nas grandes cidades, sobretudo na cidade de Lisboa, inicio aqui hoje uma nova rubrica que à semelhança da anterior "Sugestão do Tripulante", não é uma referência permanente no blogue, mas sim, sempre que eu tenha tempo para o fazer. A ideia desta rubrica passa sobretudo por comparar o passado com o presente através da imagem.

Começo hoje por partilhar uma imagem de muitas que tenho, no meu "arquivo histórico", que ao longo dos tempos fui recolhendo nas várias pesquisas que vou fazendo por esse mundo que se chama Internet. Esta foto de 1979 (apresentada em cima) é da autoria do sueco Olle S. Nevenius que esteve de visita a Lisboa nesse ano.


Na imagem é possível ver um táxi da época e o eléctrico 490 a fazer a carreira 11 que fazia circulação da Graça (via Anjos), com os então chamados «Caixotes», no Largo de São Tomé, onde esta tarde presenciei uma interrupção devido à acção da PSP junto de um grupo de Carteiristas que tinham assaltado um turista inglês no Largo Portas do Sol.

Como estava de passagem, peguei no telemóvel e registei o momento da detenção. É certo que esta é uma situação pontual, mas escolhi estas duas imagens para estrear esta rubrica, para que possam ver as diferenças ocorridas em 30 anos.

Na altura ainda eram os «caixotes» que circulavam nesta linha e não era necessário este tipo de acções por parte das autoridades, porque apesar de ser uma época pós 25 de Abril onde a Liberdade já se fazia sentir há 5 anos, não havia os grupos organizados de carteiristas que hoje causam imensas dores de cabeça não só aos turistas mas também ás próprias autoridades.

A segunda imagem refere-se ao momento da detenção do grupo romeno, que fez juntar mais de 10 eléctricos nos dois sentidos, prejudicando assim, gravemente o serviço na carreira 28 que actualmente liga os Prazeres ao M.Moniz (temporariamente até à Graça, onde é feito transbordo para um autocarro que continua até ao M.Moniz, devido a obras).

Esta primeira rubrica calhou mostrar uma situação que se vê cada vez mais nos dias que correm, mas espero que numa próxima oportunidade, vos mostre uma foto bem mais agradável de uma Lisboa onde ainda assim continuo a gostar muito de viver.

Amanhã começo uma nova semana e se nada de especial ocorrer, poderá surgir mais uma referência temporal da cidade através das imagens.
Boas Viagens!

segunda-feira, 16 de março de 2009

Na 742 a ver os Reis passar... e os minutos também

Há coisas que fazem mesmo parar o trânsito e a visita de um Rei e de uma Raínha é uma delas ou até mesmo um simples acidente. Hoje o caos instalou-se nas ruas da capital. Lá andei eu na 742 e acreditam se vos disser que demorei 42 minutos para fazer o percurso A.Cego - São Sebastião, que é apenas uma avenida?!?

Pois também eu não queria acreditar, mas tudo começou pela manhã. Saí de casa para Alcântara com duas horas de antecedência porque ainda ia prestar contas antes, mas um acidente perto da P.P.Couçeiro fez atrasar todas as carreiras que por ali passam e desviar a 706 que hoje utilizei rumo a Santa Apolónia.

Cheguei ao Calvário ás 11h00 ainda a tempo de render ás 11h22 em Alcântara. Decidi então ir aquele bocado a pé até porque a manhã estava convidativa a andar na rua. Na Av.Ceuta deparo-me com um corte de trânsito assim meio para o desorganizado, porque a preocupação era grande, em deixar passar os Reis da Jordânia que estão de visita a Portugal.

A fila do trânsito chegou mesmo a atingir o tabuleiro da ponte 25 de Abril. O serviço esse correu muito bem mesmo. Nem parecia estar na 742...

Já da parte da tarde e depois de uma pausa para almoço, que aproveitei para ir até à estação de Santo Amaro, um acidente na Praça de Espanha, criou filas por todas as artérias que ligam a esta praça. Fui à Madre Deus e no regresso tudo na mesma. Devagar, devagarinho e parado! De manhã tinha visto os reis passar, estava então na altura de ver os minutos também eles passarem. Foram 42 minutos para fazer a Av.Miguel Bombarda! Olho para a chapa e estava a 10 minutos de fazer a partida no Pólo Universitário da Ajuda.

Escusado será dizer que não deu para fazer essa partida. A CCT mandou-me então entrar em Campolide, ficando assim na hora e com novo destino à Madre Deus. Um dia que tinha sido 5 estrelas mas que se tornou bastante cansativo....

Amanhã termino a semana é o que vale! Boas Viagens


Foto: Rafael Santos

sábado, 14 de março de 2009

Menu do dia: "Coelho à Sapadores"

Quando menos se espera eis que surge algo para marcar o nosso dia de trabalho, até mesmo quando pensamos que já vimos de tudo e que já passámos por tudo, onde o que aparecerá já foi vivido ou presenciado, mas não! Hoje transportei algo que nunca tinha transportado e pior mesmo foi que só dei conta quando o passageiro já estava a chegar ao seu destino.

A confusão habitual de um sábado de manhã tem destas coisas. Hoje estive de serviço na carreira 35, e quando cheguei à Praça do Chile, com destino a Santa Apolónia, o autocarro acabou por encher num ápice. De um lado vinha a pergunta se passaria em Sapadores, logo de seguida, se passava na feira da Ladra e ao mesmo tempo alguém solicitava um bilhete. Empurrão daqui, empurrão dali, o que importava para aqueles passageiros era não ficar na paragem.

Como é habitual, na retaguarda do autocarro havia espaço disponível e até lugares para sentar, mas as pessoas teimam em não passar da porta de saída, para trás. Com jeito a porta lá fechou e lá prossegui viagem. Já a chegar á primeira paragem da Av.general Roçadas, começo a ouvir um burburinho «o que é que leva ai na alcofa? Está vivo!... Ai tão engraçado» ao que o proprietário da alcofa responde: «É o meu animal de estimação. É um coelho!» Eu nem queria acreditar no que estava a ouvir, embora a Páscoa esteja aí á porta.

Apercebendo-me que se tratava de facto de um coelho, encostei na paragem e informei que o mesmo não se poderia transportar naquelas condições (estava com uma trela tipo cão e ao colo do indivíduo), ao que o rapaz responde de imediato. «Não se chateie porque eu vou já sair nesta paragem...» e lá saiu com um ar de gozo e com uma figura (perdoem-me) ridícula e a fazer sofrer um animal que gosta de andar á solta, colocando-lhe uma trela e uns mini-óculos de sol.

A passageira do banco da frente de imediato me alerta: «Não ligue porque o rapaz não bate bem... ele entrou ás escondidas quando você vendia o bilhete...» Pois acredito, porque se não fosse o burburinho nem tinha dado conta, mas agora esta ideia de transportar um coelho no autocarro é que não cabe na cabeça de ninguém, a menos que seja um daqueles coelhos acabados de comprar num dos talhos da Morais Soares (e há muitos por lá).

Tinha de ser diferente este dia e aqui fica mais uma para mais tarde recordar...

sexta-feira, 13 de março de 2009

Na 78 com a história do rapaz que quer salvar miúdas

O calor voltou à capital! Os últimos dias têem apresentado temperaturas mais elevadas, o que tem feito com que as pessoas tragam vestidas menos roupas e que até já peçam o ar condicionado no autocarro. Assim foi ontem na carreira 78. «Sr.Motorista, será que podia ligar o ar condicionado? É que já começa a apetecer...» A senhora foi tão simpática que acabei mesmo por ligar.

As telemarias, estiveram como acontece habitualmente, bem frequentadas, assim como a própria carreira 78. Dou comigo a pensar, "como é que uma carreira tão pequena transporta tanta gente?!..."

A superfície comercial que fica junto ao terminal do Paço do Lumiar, acaba por colocar sempre gente na primeira paragem e por vezes o autocarro até sai, já com os bancos preenchidos. Aconteceu ontem uma dessas situações em que um miúdo de 6 anos decidiu meter-se comigo, dizendo que hoje iria fazer 7 anos. Estava contente da vida, sobretudo porque segundo ele, ia ter um bolo do Benfica, com muito chocolate e chantily. «Fui eu que escolhi o bolo lá no Feira Nova. E do Benfica só havia um que vai ser o meu...»

Conversa puxa conversa e a determinada altura já estava curioso com tanto botão que eu tinha pela frente junto ao volante. Aos poucos lá me foi dizendo que quando fosse grande queria «ser bombeiro, para apagar os fogos e salvar as miúdas...» Olha que malandro, quer dizer que os miúdos ficavam a ver navios...

Chegámos então ao Metro de Telheiras e lá foi ele para casa com a mãe, mas não sem antes dizer: «Não te esqueças que amanhã faço 7 anos!» Aqui está a prova que não me esqueci.

Hoje há mais, mas para os lados mais orientais de Lisboa. Boas Viagens!

terça-feira, 10 de março de 2009

Folga soalheira e sobre carris...

A semana já lá vai e a próxima já está à porta, mas hoje tirei o dia para tratar de alguns assuntos pendentes e tive de ir ali para os lados da Boa-Hora. Obviamente que não fui no 742, mas optei por ir no 732 porque já basta quando estou de serviço na 742...

No regresso optei pelo eléctrico 18E. Pode ser mais lento que o autocarro, mas continua a ser para mim, mais emblemático, permitindo igualmente que se aprecie mais a cidade e alguns pormenores que tantas vezes nos passam ao lado. O resto da tarde tinha livre, pelo que desci em Santos para ver o que por ali se passava, dado o aglomerado de eléctricos da carreira 25E.


Tratava-se de uma interrupção devido a um acidente entre ligeiros que impediram a circulação dos amarelos por mais de 40 minutos. E se eu vos disser que a carrinha que estava em cima dos carris apenas tinha um raspão no pára-choques, até pode parecer anedota.

Acabei por apanhar o 60 até à Praça da Figueira onde uma feira do livro convidava à leitura. Entrei e encontrei um livro que há algum tempo andava para comprar e a bom preço diga-se. Não hesitei e já o tenho em minha posse. «A História do Eléctrico da Carris» desde o tempo do americano, com carros puxados por animais. Um livro da autoria de Marina Tavares Dias, da editora Quimera.

Entretanto e já depois de uma viagem pela carreira 12E, cheguei a casa descarreguei as fotos que tirei durante a tarde e liguei a televisão. Começava na altura mais uma edição do programa «Nós por Cá», na SIC e não é que hoje dedicaram a rúbrica "A esta Hora..." aos Guarda-Freios dos amarelos da carris. Se não viu pode sempre recorrer ao site do programa e na área vídeos, através do endereço http://sic.aeiou.pt/online/noticias/programas/nos+por+ca/Video/ seleccionar o video «Ao ritmo dos velhos eléctricos de lisboa.





domingo, 8 de março de 2009

79: Do "papa-bolos" aos flintstones, passando pela guerra, num domingo diferente do habitual...

Já dizia Luís Vaz de Camões que...

"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades."

Ora quem como eu está mais habituado ás carreiras de grande movimento, sobretudo tendo em conta os últimos serviços que tenho tido na 742 - uma das maiores carreiras da rede da Carris -, também sente uma mudança - quer de passageiros, quer de hábitos - quando o serviço recai sobre uma carreira mais calma como a 79 e sobretudo se for numa manhã de domingo como a de hoje em que o sol convidava ao passeio...

A manhã começou cedo e se tudo apontava para ser um dia muito "zen" eis que uma avaria no autocarro logo após a saída da estação, levou a que tivesse de efectuar troca do autocarro para poder continuar o serviço. Também eles se queixam ás vezes, tal como as pessoas...

Passado cerca de um ano, lá regressei á circulação dos Olivais e como ao fim-de-semana é de 30 em 30 minutos, apenas uma chapa chega para fazer o serviço, o mesmo quer dizer que eu era o único que lá andava, ou seja acabei por ver as mesmas pessoas várias vezes na mesma manhã.

Na primeira viagem, apenas um passageiro, que diria eu, já tem lugar cativo na 79. Entra sempre após os Bombeiros de Cabo Ruivo e dá uma volta completa pela carreira, sobretudo se o lugar da frente for livre, que é onde gosta de viajar. Na segunda viagem já tinha mais passageiros e foi precisamente nesta viagem que fiquei a saber a alcunha daquele que havia sido uma vez mais o meu primeiro passageiro do dia na 79. O «Papa-Bolos»...

Também eu me questionei o porquê de tal alcunha, dada pelos restantes residentes da zona e habituais utilizadores daquela carreira, mas rapidamente me esclareceram... Tal nome deve-se ao facto do indivíduo ir todos os dias á Igreja para comer a Hóstia. E realmente lá estava ele á porta da igreja a aguardar a missa das 9h00.

A manhã estava, como já referi anteriormente, a convidar ao passeio ou á prática do desporto, mas apesar da 79 ser conhecida pela «carreira da equipa de hóquei», pelo facto de grande parte dos passageiros habituais terem muletas, o certo é que grande parte deles preferiram antes ir ao Pingo Doce no SpacioShopping ou ir até à feira do relógio.

Mais uma viagem e a acalmia do bairro da encarnação, levou-me por instantes a pensar que não estaria em Lisboa. Um agrupamento de vivendas na rua dos lojistas, fez-me lembrar as férias que costumo passar no campo, mas rapidamente vi que estava mesmo em Lisboa, quando um ligeiro ao ver-me sair da paragem, acelera para não permitir que eu saísse na frente dele...

No terminal da carreira uma discussão acesa sobre os tempos que correm. A crise, os assaltos e o Estado eram tema de uma conversa que rapidamente entrou a bordo do 1820. «Vejam só que deu há dias na televisão que eles até abrem as portas com um cartão multibanco... E isto são ideias lá de fora, mas o nosso país está muito mal, muito mal mesmo», lamenta uma das senhoras.

«Eu tinha uma arma em casa, porque o meu pai ensinou-me desde pequenina a defender-me, mas entreguei-a há uns anos à Polícia. Se soubesse o que sei hoje, não tinha entregue. Estou tão arrependida!!! É que hoje tinha uma defesa às primeiras impressões», esclarece uma outra sentada no lugar mais atrás, acrescentando que nasceu «numa época muito ruim... mil nove e dezanove (1919) com as consequências da guerra de 14 a 18...», referindo-se à primeira guerra mundial onde calcula-se que terão perdido a vida pelo menos 9.000 portugueses, e só na Batalha de La Lys em Abril de 1918 terão morrido mais de metade.

Mas guerras à parte, o melhor estava ainda para vir quando iniciei a viagem para mais uma volta. Junto ao metro dos Olivais, um aglomerado de carros fazia prever que algo estaria para aparecer até porque a polícia estava presente nos cruzamentos envolventes. Ao primeiro instante pensei ser a corrida dos 52 anos da RTP porque havia lido o anúncio em algum lado, e era mesmo. Foi o suficiente para atrasar a chapa e para ouvir alguns dos passageiros que depois apanhei nas paragens, devido ao atraso.

Já os que estavam no interior do autocarro limitaram-se como eu a assistir à prova que passou mesmo ao nosso lado, com alguns a darem algumas gargalhadas causadas pelos trajes de alguns "atletas". Na frente da corrida iam os verdadeiros atletas, já na retaguarda iam ficando aqueles que aproveitaram o corte do trânsito para fazer uma longa caminhada entre a Marechal Gomes da Costa e o Parque das Nações. Uns de calções, outros com fatos-de-treino e outros com máscaras. Tudo servia para chamar a atenção, como foi o caso de uma mulher que passou trajada de primitiva, onde nem o carro dos flintstones faltou.

Como vêem esta manhã de domingo foi realmente diferente do habitual e até deu para descontrair um pouco e fugir á rotina habitual das carreiras que correm a cidade de uma ponta à outra. As carreiras de bairro requerem por vezes uma paciência redobrada, mas apesar de tudo eu não me importo de as fazer. Amanhã tenho outra carreira de bairro mas não a 79 e a folga, essa também se aproxima a passos largos.

Boas Viagens!
Fotos: De Pedro Almeida que não perdeu a oportunidade de revistiar os Olivais... A segunda é da minha autoria enquanto aguardava o final da corrida...

sábado, 7 de março de 2009

A primeira bike...

Ainda não foi desta que me saiu o Euromilhões e quanto a números posso mostrar-vos pelo menos três, mas respeitantes ao meu dia de hoje: 17 viagens, 47 bilhetes vendidos, 1 bicicleta... E assim foi o meu regresso á carreira 25. Há mais de um ano que não fazia esta carreira e este sábado estive por lá toda a tarde. Continua a transportar centenas de pessoas entre o Prior Velho e a Est.Oriente e continua a vender muito bilhete porque bem vistas as coisas acaba por sair mais barato comprar uma tarifa de bordo do que validar dois títulos e grande parte das pessoas já fez contas, ou não estivesse-mos nós em época de crise.

Ao fim-de-semana esta carreira circula pelo percurso da carreira 5 entre os Ralis e a Praça José Queiroz, e os lugares esses acabam por ser preenchidos pelos mais idosos. O que também foi ocupado esta tarde foi o local para as bicicletas. Pela primeira vez desde o lançamento do BIKE BUS, transportei uma bicicleta e foi entre a Est.Oriente e o Prior Velho, com o rapaz a solicitar a entrada pela porta do meio, onde entrou prendendo de seguida a bicicleta tendo de seguida validado o seu título.

Pelo meio ainda me perguntaram se ia «prá quinta do mocho é?» ou se passava «nos rua do sargento yo moscavide a.c.santos?» Num português a fugir para o senegalês....

E assim foi uma tarde numa carreira suburbana...

quarta-feira, 4 de março de 2009

742 a originar histórias todas as semanas...

O Euromilhões está de parabéns, diz a Santa Casa que espalhou pela cidade centenas de anúncios referentes ao euro concurso de sexta-feira á noite e a frase é a mesma em todos: «Euromilhões, a criar excêntricos todas as semanas», Até são bem capazes de ter razão, porque ganhar o Euromilhões creio que qualquer um queria, mas aqui para o meu lado, confesso que não tenho tido muita sorte nesse jogo.

E se o Euromilhões cria excêntricos todas as semanas, a 742 cria histórias todas as semanas, todos os dias e a toda a hora... Confesso que hoje até pensei que tudo ia ser bastante calmo, dado o passar das horas, mas lá tinha de entrar uma passageira para marcar a diferença.

A cena parecia de um filme, em que o cenário foi a Morais Soares e as personagens, as mesmas do costume... O motorista, os passageiros e a algazarra. Ao aproximar-me da paragem vi logo que a maioria estava com cara de poucos amigos. «Ouça lá... o seu colega não parou aqui na paragem e ficamos aqui todos parvos a olhar para ele... Acha isto bem?!!!», diz a senhora aos gritos, enquanto os outros passageiros que iam entrando tentavam acalmá-la «deixe lá o rapaz...Ele não tem culpa do que o outro fez...»

Mas a senhora teimava em gritar e bracejar... E lá lhe disse: "Mas o quer a senhora que eu faça? Só posso responder pelo meu serviço e pelo meu autocarro, nem tão pouco cá estava para lhe dizer o que seja sobre isso..." Mas foi uma tentativa falhada e a única porque comecei a perceber que não valeria a pena. «Eu também não tenho culpa de muita coisa e tenho de ouvir... sabe..» E é aqui que chegou então a altura dos restantes passageiros se porem do meu lado e dizer: «Esteja mas é calada que o homem está a trabalhar e não fez mal a ninguém...» E já iamos na Afonso III.

O resto do dia tinha sido mesmo tão bom e até fiquei a conhecer a irmã dos Pires. Os Pires são três colegas para quem mando um abraço. Um está em Santo Amaro, outro na Pontinha e um terceiro em Miraflores, isto segundo a irmã que a meio da tarde até me confundiu lá no Casalinho da Ajuda, com um outro motorista conhecido dela. Pediu-me três vezes desculpa pelo equívoco e lá foi contando a história da sua vida... Tinha 12 irmãos em que 3 pares eram gémeos. «Três deles são seus colegas e olha que um, apesar de ser meu irmão não é muito simpático, como você e como aquele seu colega com quem o confundi...», disse a senhora, acrescentando, «Agora vou ali á Boa-Hora ao Minipreço porque tenho coisas que me fazem falta lá em casa , sabe!'?...», e lá foi ás compras.

Amanhã é mais um dia e ficarei apenas a um dia de tentar novamente tornar-me excêntrico com o EuroMilhões :)

Boas Viagens!

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