sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A regra da paragem

"Na 742, com destino ao Casalinho da Ajuda, desço a Rua Morais Soares já com a noite a cair na cidade assim como as temperaturas que se prevêem ainda mais baixas. Estou mais ou menos a meio da rua e a aproximar-me da paragem. Atrás de mim está o 718 e na paragem algumas cinco pessoas que tentam esquecer o frio e não só. Reduzo a velocidade. Não há ninguém para sair e como ninguém fez sinal de paragem, também pensei que não houvesse ninguém para entrar, mas quando o autocarro passa pela paragem, os oito dos dez braços que ali estavam levantaram-se logo, mas já era tarde. Solução: Aproveitar a chegada do 718 ou esperar pelo próximo 742".

Este podia ser bem o resumo deste dia de trabalho e confesso que no que diz respeito a estas matérias das paragens até sou muito benevolente. Por vezes até chego a abrir a porta fora da paragem, confesso, mas também o faço desde que não ponha em risco a segurança do passageiro que quer entrar e a dos que já lá estão dentro.

Contudo as pessoas estão cada vez mais, mal habituadas e cada vez menos agradecem a boa vontade de quem «está agarrado à roda». Segui viagem.

Pensando que se ficava por ali, fui surpreendido com uma nova situação em tudo semelhante. Na mesma viagem, ali na primeira paragem da Rua Maria Pia, ainda antes do Arco do Carvalhão, não eram cinco, mas talvez sete as pessoas que aguardavam a chegada do autocarro, ou não - sim porque há pessoas que se sentam nas paragens para ver quem passa.

Do lado dentro ninguém solicitou paragem e do lado de fora igualmente, mas ainda assim abrandei a marcha. Os quatorze olhinhos seguiam atentamente a minha passagem e ao mesmo tempo as quatorze perninhas movimentavam-se acompanhando a marcha do autocarro. Vi então que tencionavam entrar. A minha boa vontade fez parar o autocarro e abrir a porta, mas não deixei de alertar que teriam de ter feito sinal para solicitar paragem, porque poderiam arriscar-se a não apanhar o autocarro.

Ao mesmo tempo que o digo, solicitam-me um bilhete. O senhor entrega-me 10 € e enquanto faço o troco pergunta-me: «Mas há alguma regra que diga que somos obrigados a levantar o braço para mandar parar?», ao que lhe respondo que sim, da mesma forma que solicita para sair, mas aqui com sinal da campainha.

E o senhor responde: «Mas olhe, acho que está profundamente enganado! Os senhores é que têm de ver se há alguém nas paragens...» Ao que lhe digo, "E como é que nós adivinhamos qual o autocarro que os senhores pretendem numa paragem onde param 3 carreiras?!" e insiste... «Não faz sentido nenhum levantar o braço...» e terminei a conversa dizendo: «Então se não faz sentido não levante, mas depois não reclame que o autocarro não parou...»

Já caminhando para o lugar, lá disse que ia ler atentamente o regulamento dos transportes. Portanto caro amigo, se é leitor deste blogue, espero sinceramente que leia atentamente o regulamento, porque se tem o azar de voltar a não levantar o braço, poderá habilitar-se a ter de esperar pelo próximo.

Mais uma prova que nem podemos ser bons para as pessoas. A má disposição está de volta... Acabaram-se as festas!!!!

Foto gentilmente cedida por Pedro Almeida

8 comentários:

Joao Silva disse...

Olá. Sou um fã do seu blog.

Honestamente, não sei como tem paciência para este tipo de coisas. As pessoas são completamente idiotas e mal educadas e não respeitam nada nem ninguém, mas querem que os outros quase lhe prestem vassalagem... Não há paciência.
Continue assim e muitos parabéns pelo blog que já é um sucesso!

Anónimo disse...

bastava manda-lo ler o regulamento que está afixado no proprio autocarro, mas duvido que o conseguisse interpretar, mas os motoristas é que são burros, vieram para essa profissão porque não conseguiram arranjar mais nada, mas esquecem-se que há muitos motoristas licenciados na carris e que os motoristas ganham mais do que muitos licenciados neste país. ( infelizmente para os licenciados ). mas o que interessa é parecer bem, não é ter dinheiro para sustentar a familia. " e o burro sou eu? " musga

Viagens por Lisboa disse...

Bem realmente não há palavras para isto... Mais valia esse passageiro ter ficado calado

Carlos Correia disse...

Como diz um amigo meu, quando pensamos que a estupidez já atingiu todos os limites há sempre alguém que é capaz de nos surpreender.

Cumprimentos

Carlos Correia
element@netcabo.pt

Boingo disse...

Interessante isto. Não imaginava que em Portugal, cá como no Brasil fosse necessário dar sinal. Imaginei que os ônibus (Autocarros) parassem apenas em pontos pré estabelecidos.
Desde criança tenho sonho de ser motorista de ônibus. Quando tinha quatro anos, pedi a meu pai um volante e passava o dia sobre o muro de casa, brincando de guiar ônibus. estivesse calor ou chovendo, lá estava eu.
Hoje meu amor é tanto que tenho mais de 1000 fotos de ônibus do Brasil e de outros paises (Inclusive de Portugal) armazenadas no computador.
Pelo que pude ver, as coisas ai não são muito diferentes daqui, com passageiros ignorantes que acham que o condutor tem obrigação de fazer de tudo para lhes servir.
Uma vez fui testemunha de um caso escabroso. Um homem estava na frente do coletivo, não pagou passagem e em dado momento se dirigiu ao motorista e mandou este parar para ele descer. Como não havia ponto de parada e o homem não havia pago passagem, o motorista o ignorou. O homem simplesmente sacou um revólver, apontou para o motorista e disse - Ou você para esta merda agora ou morre. o pobre motorista foi obrigado a parar o ônibus e todos vimos o homem calmamente guardar o revólver na cinta da calça e desembarcar como se isto fosse normal.
Infelizmente, apesar de terem um salário razoavel, os motoristas de ônibus de São Paulo sofrem muito com o trânsito pesado e com a violência.
Mesmo assim eu ainda sonho em um dia ter esta profissão e parabenizo o amigo pela idéia de compartilhar conosco seus momentos atrás do volante.
Se puderem, nos honrem com sua visita ao meu blog sobre autocarros
http://memoriasltda.blogspot.com
Neste blog falo sobre minhas lembranças em relação aos ônibus (Autocarros) de quando era menino (puto).
Abraços desde São Paulo - Brasil.

Anónimo disse...

LOL ja me aconteceu um caso parecido(mas um pouco melhor) porque na referida paragens passam 7 carreiras e o passageiros em questao disse uma das coisas mais hilariantes que ouvi ate hoje "é obrigaçao dos motoristas pararem em todas as paragens se la estiver alguem que é para as pessoas decidirem se é ou nao aquele autocarro que querem apanhar! e vou apresentar queixa sua porque parou mais à frente e nao na paragem!" o que esta gente merece?
é apanha-lo de novo e deixa-lo na paragem se nao houver mais ninguem para entrar ou sair ou ignorar simplesmente?

Anónimo disse...

Pois olhe, eu vivo num sítio onde já há apenas UMA linha de autocarro, e aqui há dias o motorista disse que não parou porque, diz ele, "ninguém levantou o braço". Por acaso nem corresponde à verdade, mas o que pensaria ele que estariam 4 pessoas a fazer na paragem do único autocarro da cidade???? Era o último turno dele e foi uma falsa tentativa de desculpa para a falta de profissionalismo do senhor. Por isso, como vê, há situações e situações. Aqui não faz sentido nenhum levantar-se o braço, mesmo. Quem está na paragem é SEMPRE para o próximo autocarro!

Rafael Santos disse...

Caro ANÓNIMO,

De facto compreendo o seu ponto de vista e pelo que diz, o motorista em causa terá sido pouco condescendente, no entanto o Regulamento dos transportes diz que deve ser feita a paragem sempre que solicitada.
Resta de facto apurar-se se ele terá ou não visto o sinal por parte de quem esperava o único autocarro ali existente. No meu caso concreto, em paragens onde só passam uma carreira, tenho sempre o cuidado de abrandar e na maioria das vezes parar, mas por vezes acontecem estar pessoas a fazer uso da paragem para colocar a conversa em dia. Esperemos que não passe por mais situações dessas, porque em todos os lados há bons e maus funcionários e nenhum é perfeito.
Cumprimentos e votos de Boas Festas.
Rafael Santos

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