sábado, 31 de janeiro de 2009

Na Ajuda há sempre quem precise de ajuda nem que seja para... conservar o peixe!

O instituto de meteorologia previa para esta fim-de-semana o regresso do mau tempo, mas nem isso afastou as pessoas dos mercados, que habitualmente escolhem o sábado para fazer as compras da semana, como aliás já referi na semana anterior. De facto há sempre algo que faz falta em casa.

Esta semana calhou-me exactamente o mesmo serviço da semana passada e o mais engraçado é que ali para os lados da Boa-Hora muitas das caras eram as mesmas da semana anterior, dando assim sinais de se praticar uma rotina semanal, em que as horas estão todas contadas e em que se apanha o mesmo autocarro para ir ao mercado e para regressar a casa.

Também é certo que muitas das caras já vou conhecendo até porque passo grande parte da semana na 742, mas apesar das pessoas serem quase sempre as mesmas, as histórias, essas variam. E hoje a Rosa ficou a saber mais qualquer coisa...

Perguntam vocês: Mas quem é a Rosa?... Pois isso não posso responder porque para mim não passa de uma passageira como tantas outras. E o nome sei porque mesmo que não quisesse saber, seria obrigado a ouvi-lo tal não era a gritaria. Pois a Rosa entrou no meio daquela gente toda ali na Boa-Hora carregada de sacos tal como os restantes e sentou-se na última fila do autocarro.

Ora no primeiro lugar ia uma vizinha da Rosa, que a certa altura ouviu a Rosa dizer que ia pôr os sacos a casa e ia ao Pão. A vizinha não vai de modos e grita lá para trás: «Oh Rosa, se vais sair, chegas a casa e tiras o peixe do saco porque se não estraga-se. Pegas e metes numa travessa e vais ao pão! Não achas...»

Ficou a saber a Rosa e o autocarro inteiro! Ajuda no seu melhor...

Da parte da tarde voltou a chuva e tudo regressou á normalidade sem nada de mais a assinalar, se não a visita do amigo Pedro Almeida que tal como eu ficou a saber que a senhora que pediu para sair pela frente ali na Meia Laranja completava hoje oitenta e uma primaveras.

Amanhã há mais, e noutros ares... o das Galinheiras (no comment). Boas Viagens!

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

É sexta-feira! Mas o mundo não acaba hoje...

Frio, chuva, vento, mas sobretudo, dinheiro na carteira e sexta-feira com mais um fim-de-semana á porta. Os ingredientes foram lançados e o cozinhado viu-se nas ruas e estradas de Lisboa. Um caos esta sexta-feira! Andei pela 742, que normalmente é afectada com os acessos á Ponte 25 de Abril.

Ao contrário dos automobilistas que aguardam na fila de acesso á Ponte, nestes dias os passageiros têem sempre um pouco mais de paciência e quando o autocarro aparece entram todos sorridentes e até o «Boa Tarde» dizem! Os carros, esses são cada vez mais e se tiver-mos em conta que foi sexta-feira e fim do mês, pior é o cenário. Depois há também aqueles que têem medo que o mundo acabe e já não passem mais um fim-de-semana na outra margem do rio ou mais a norte da cidade.

Esse civismo de quem tem medo que tudo acabe na próxima hora, verifica-se mais ali para os lados de São Sebastião. Paragem feita, portas fechadas e pisca para a esquerda para assinalar início de marcha e intenção de entrar na via á esquerda porque em frente está o taipal da obra do metro. A reacção de 90% dos automobilistas que se encontram á esquerda é de imediato acelerar... impedindo assim a nossa entrada.

Numa das minhas viagens de hoje uma automobilista chegou ao ponto de encostar o para-choques do seu carro ao vizinho da frente só para que eu não pudesse entrar... Confesso que tal atitude só me deu vontade de rir, mas ok... «Leva lá a bicicleta que eu fico com os pedais...»

E assim começou mais uma semana...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Conheça um pouco do coração da Carris...

"A CARRIS foi fundada há 137 anos. Uma longa história que fez da empresa um dos símbolos de Lisboa". Foi desta forma que a jornalista Dina Aguiar anunciou a peça que passou esta quarta-feira no seu programa «Portugal em Directo», na RTP1. Uma reportagem que mostrou a forma como a empresa está a apostar para conquistar mais passageiros.

A reportagem começa com uma visita ao coração da empresa, ou seja, a Central de Comando de Tráfego (CCT) onde é controlada toda a rede da Carris, desde atrasos, acidentes e interrupções devido ao mau estacionamento, causa essa que é a principal dos atrasos.

"720, chapa 1, central chama.. Sr.motorista temos um acidente no Largo D.Estefânia, não dá para passar. Se eu não disser nada em contrário, vai pela Almirante Reis e sobe a Pascoal de Melo", diz um dos controladores de tráfego. Mais á frente o espectador fica então a saber um pouco mais como são controladas as carreiras.

A Carris não parou no tempo e tem vindo a renovar a sua frota e os novos autocarros não poderiam faltar nesta reportagem dando assim resposta á passageira entrevistada que se queixava de falta de conforto.

Se não teve a possibilidade de assistir em directo á reportagem, poderá fazê-lo agora através do link para o video da primeira parte da emissão de hoje do programa «Portugal em Directo».

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Um símbolo de Lisboa

E porque não é apenas com texto que sobrevive este blogue, hoje deixo-vos uma imagem que captei na última folga.

Um simbolo de Lisboa do passado, do presente e também no futuro!

Boas Viagens!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Será que custa muito dizer «Boa tarde, quero um bilhete s.f.f.»?!

Hoje aos passageiros deste blog, aproveito para vos dizer que continuo a não entender o porquê de entrarem no autocarro, atirar o dinheiro para cima da banqueta e aguardarem que quem está ali ao volante dê o bilhete. Será que custa muito dizer: «Boa tarde, quero um bilhete por favor...»!?!

Esta tarde, ali para os lados de C.Ourique, na carreira 742, entrou uma passageira que teve tal atitude. Como já vem sendo hábito, sei á partida que a pessoa que está do lado de lá da banqueta quer um bilhete, mas como ás vezes também sou um pouco teimoso e sobretudo porque não falto ao respeito a ninguém, decidi perguntar o que desejava...

«Um bilhete claro!» disse, ao que lhe sugeri que seria melhor pelo menos dizer o que pretendia, da mesma forma que faz quando vai a um café ou a uma loja. Mas de imediato fiquei a saber que aquela era mais uma tentativa falhada da minha parte, com a resposta que obtive: «Tem mais alguma coisa no autocarro á venda, se não bilhetes?!...»

Pois bem, de facto á venda não tenho mais nada, mas creio que para oferecer até possa ter, nem que seja conselhos básicos de boa educação. Pois como diz o velho ditado... «Se queres ser respeitado, dá-te ao respeito!»

A juntar a isto, logo na primeira viagem, uma criança entra acompanhada da mãe e mostrava-se bastante satisfeita por estar a andar de autocarro. Sentaram-se no banco da frente e o garoto lá ia observando tudo com muita atenção até á altura em que disse: «Mãe quando for grande também quero ser motorista do autocarro...» ao que a mãe em jeito de desprezo diz-lhe: «Tens é de estudar filho, para seres alguém...»

Um motorista não é ninguém? E se não estivesse ali o motorista, a senhora tinha autocarro? E com esta me despeço...

Amanhã termino a semana e pode ser que a próxima seja melhor :)
Boas Viagens!

sábado, 24 de janeiro de 2009

Ao entrar valide o seu cartão, mas não pique a coisa...

Anda por ai muita gente que gosta de mal tratar a nossa língua! Quem contacta directamente com o público, como é o caso dos motoristas, ouve mesmo coisas que, são do arco-da-velha... E normalmente ouve-se quando alguém quer perguntar algo, ou apenas para se justificar de algo.

Hoje ali para os lados da Boa-Hora, mais de 20 pessoas aguardavam a chegada do autocarro. Em frente está o mercado, pelo que, ao sábado de manhã costuma ser uma zona algo confusa, tal como acontece na P.Chile e em todas as zonas onde há mercados. Sim, porque em Lisboa ainda há aquele hábito de «todos» irem á Praça de manhã e ao Sábado.

Chego então ao Largo da Boa-Hora e com destino ao Casalinho da Ajuda, claro está na 742, e a confusão apoderou-se daquela quantidade de pessoas que queria chegar o mais rapidamente possível a casa. Uma senhora sai pela frente - o que já vem sendo um habitué - e de imediato, do lado de fora alguém diz que «a saída é por trás, senhora!...»

Depois foi uma outra que dizia estar à frente, mas há sempre quem não concorde e "puxe a brasa à sua sardinha", e nessa troca intensa de palavras acabam mesmo por chegar os insultos mútuos e até mesmo quem insulte a língua de Camões.

Entre muitas destaco uma que apelido de "frase do dia". No meio da confusão, uma senhora carregadíssima de sacos entra e solta: «Boa tarde senhor motorista, eu já pico a minha coisa tá bem...!?» Na altura confesso que deu-me vontade de rir, pela expressão com que foi dita, mas para evitar mal entendidos lá me reprimi...

O resto do serviço decorreu dentro da normalidade e para aquela senhora que proferiu a frase do dia, apenas um reparo: Antes ainda se picava no obliterador, é certo e tem também razão que era algo feminino porque era a chamada Senha, contudo, agora é mais para o masculino porque quer seja Passe, Sete Colinas ou até mesmo Viva Viagem, trata-se de um cartão e não se pica, mas sim valida-se nos chamados validadores.

E assim se fala em bom português...

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

"Sugestão do Tripulante"(2): À descoberta de Lisboa e da carreira 15E...

Sabia que...
A carreira 15E foi a primeira carreira de eléctricos, tendo celebrado o seu centenário há já alguns anos atrás. Depois de um século de alterações, estabilizou num percurso quase idêntico ao original – que seria ainda mais semelhante se se concretizasse o tão falado encurtamento à Rua da Alfândega.


A modernização desta carreira passou pela aquisição de eléctricos articulados para o seu serviço; porém, a reduzida quantidade destes veículos levou a que a carreira continue a funcionar com uma mistura de eléctricos remodelados e articulados. Apesar disso, é um dos pilares da rede de transportes de Lisboa.

A cidade através da carreira...
Para este fim-de-semana sugiro algo diferente da semana anterior. Troque de meio de transporte e apanhe boleia do eléctrico da carreira 15, que parte da Praça da Figueira em direcção a Algés.
Vai passar pelas ruas da Baixa Pombalina e chegará de imediato à mais importante praça de Lisboa, por muitos considerada a sala de visitas da cidade – a Praça do Comércio. Mas como está em obras, siga viagem até Santo Amaro onde se concentra a minha sugestão deste fim-de-semana.

O MUSEU DA CARRIS

A celebrar os seus 10 anos de existência, o museu da Companhia Carris de ferro de Lisboa, divulga ao público as suas memórias, que ao longo de mais de um século prestou ao crescimento de Lisboa, cidade que se desenvolveu também graças à evolução dos sistema de transportes públicos.

O seu património permite, através de objectos de valor histórico e documental em exposição a divulgação da história da empresa, e contribui para uma função social através do desenvolvimento deste espaço cultural.

O Museu da Carris conduz o visitante a uma viagem no tempo, através de raros documentos e objectos postos à sua disposição: relatórios, fotografias, uniformes, títulos de transporte, equipamento oficinal, eléctricos, autocarros etc.
O Museu situa-se na Estação de Santo Amaro, na Rua 1.º de Maio, 101 - 103


Depois da visita e se ainda tiver tempo, sugiro que volte a entrar no 15E em direcção a Algés, prosseguindo viagem até aos Jerónimos onde terminará a tarde com um lanche na mais antiga e famosa fábrica dos Pastéis de Belém que foi fundada em 1837.

Esta sugestão é possível de se fazer de vários pontos da cidade, pelo que a espinha da carreira que apresento de seguida poderá ser uma boa ajuda.


Agradecimentos: A Luís Cruz-Filipe pelas informações disponibilizadas no seu site de arquivo histórico e a Pedro Almeida pelas fotografias cedidas.
Fonte: Wikipedia / A minha página Carris / Carris.pt




terça-feira, 20 de janeiro de 2009

E porque também há coisas boas....

E porque também acontecem coisas boas no nosso dia-a-dia, e até naquelas carreiras que menos gostamos de fazer, penso que também têem direito a um lugar neste meu cantinho on-line. Hoje andei na 793, que a par das 108 das que menos gosto de fazer devido ao seu percurso e passageiros, mas hoje houve uma senhora que a meio da tarde agradeceu encarecidamente o facto de ter aguardado por ela que corria o que podia em direcção ao autocarro.

Na rua chovia bem e quando entrou lá soltou: «Graças a Deus que ainda há gente boa. Muito obrigado por ter esperado senhor motorista!» É daqueles elogios que qualquer um gosta de ouvir e que nos fazem gostar daquilo que fazemos.

Hoje também foi dia de greve para os professores, facto que tornou mais calmo o dia, ali para os lados de Marvila onde se encontram algumas escolas que por vezes trazem alguns jovens para os autocarros, que não respeitam nada nem ninguém.

O serviço correu bem no meio de tanta volta. Ah mas ainda houve tempo para ouvir: «Coitados dos motoristas... terem de andar a fazer manobras nestas ruas apertadas...» e isto graças a um reboque que estava a rebocar um carro em Marvila, mas com uma vontade enorme da parte do rebocador que fez esperar tudo e todos até que rebocasse o dito carro, originando a que eu me tivesse cruzado com a outra chapa que estava a chegar a Marvila. Lá fiz marcha atrás, o colega passou e prossegui viagem.

Agora é gozar as folgas porque para a semana há mais...

sábado, 17 de janeiro de 2009

108... sem a paz do senhor

Mais um dia e mais um final de semana à porta. Resumindo a semana, comecei pela 742, passei pela 35 e hoje estive na 108. Mas por enquanto o que há para contar é mais um dia na 108. O serviço era daqueles mauzinhos! Entrar ás 9h00 e sair ás 19h00 numa carreira que tem um trajecto curto e deprimente, pelo menos para mim. A vantagem, só mesmo a rendição que é à porta da estação.

As primeiras duas viagens até passaram rápido porque andava pouca gente na rua, mas como é sábado, mal o sol apareceu, lá saiu tudo à rua para as habituais compras da semana, no Lidl de Alvalade, ou no talho Extracarnes das Galinheiras e porque não no supermercado Europa, ali no Lumiar...

Sacos, malas, enfim uma série de braços carregados de mercadoria a ser consumida no decorrer da semana! Até aqui tudo bem e até estava a estranhar não aparecer alguém para marcar a diferença. Mas não foi preciso esperar muito. Por volta das 11h30, uma senhora entra no C.Grande e pergunta-me se a 108 passava na feira das Galinheiras.

Disse-lhe que sim! E nova pergunta: «Depois sobe lá para cima não é? é que não me recordo já cá não venho há 10 anos!...» Ao que respondo: «Não, depois desce para as Galinheiras onde faz terminal.» Entrou e sentou-se no primeiro lugar.

Chegado ao recinto da feira, levanta-se e apontando para o topo da localidade (apelidada de Castelo, dada a existência em tempos de um castelo...) diz: «É ali está a ver!?»

Informo-lhe que só o 757 lá passa mas apenas durante a semana. Decide apear-se.

Mais tarde volta a entrar para regressar ao Campo Grande, mas fica a meio do caminho porque descobre que a carreira 3 também lhe serve. Pelo meio fiquei a saber um pouco do que ali foi fazer e sem lhe ter perguntado nada. Era senhoria de uma loja ali instalada, mas há 10 anos que ali não ia e que nem sabia que tinham construído aquele acesso ao Eixo Norte-Sul. Ou seja, é daquelas senhorias que se interessam pelos imóveis! Há 10 anos que lá não ia...

Na viagem seguinte, entra uma outra senhora. E permanece junto a porta da frente. Quando nos aproximamos da paragem seguinte, pede: «Senhor motorista, afrouxe ai nessa paragem para ver se lá está uma amiga minha...» Há anos que não ouvia tal expressão!

Pensei que por hoje bastava, mas ainda estava por aparecer a senhora que pensava que o motorista também tinha missão de carteiro, e com respeito pelos carteiros de Portugal, mas poupem-me, porque o Lumiar ainda tenho obrigação de saber onde é porque passo lá, agora saber onde é o Lote 7...

Cliente A: «Boa tarde sr.motorista, passa no Lumiar?»
Eu: «Passa sim, senhora...»
Cliente A: «Então quando chegar-mos ao Lote 7 diga-me para sair, s.f.f...»
Cliente B(metendo-se no diálogo): «Para o Arco cego, apanha o 36 e sai no Saldanha...»
Cliente A: «Não é Arco Cego! É Lote 7...»
Cliente B: «Nem os carteiros sabem, quanto mais o motorista, senhora...»
Eu: «Pois, isso não lhe posso dizer minha senhora. Lamento.»
Cliente A: «Pois mas eu sei onde é! Tenho um irmão a morar lá...»

Mais tarde e já no regresso, avisto-a de novo, agora na companhia da cunhada. Entra no autocarro, depois de se despedir duas vezes com Beijinhos e um «Vai com Deus e obrigado por tudo querida...» Já com as portas fechadas e pronto a arrancar, lá ia ela dizendo: «Adeus filha, vai na paz do senhor e que jesus Cristo te acompanhe. Beijinhos. Adeus até á próxima. Fica com Deus...»

Fiquem também vocês na paz do senhor que para mim hoje chega. Amanhã espero que seja mais relax...

Boas Viagens!

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

"Sugestão do Tripulante": À descoberta de Lisboa e da carreira 35...

Sabia que...
A carreira 35 foi inaugurada a 22 de Dezembro de 1957?!
Inicialmente circulava entre o Cais do Sodré e a Avenida de Roma, mas três anos mais tarde foi prolongada ao Hospital de Santa Maria, trajecto que mantém até aos dias de hoje...


A cidade através da carreira...
Com partida do Caís do Sodré, eis o trajecto da carreira que vos sugiro para este fim-de-semana...

Na primeira paragem (Sul e Sueste) “temos” a Casa dos Bicos que em tempos foi a Alfândega, Tribunal das Sete Casas e Mercado do Peixe.
Prosseguindo viagem na 35 poderá encontrar mais à frente outros pontos de interesse.
A Casa do Fado, o
Museu Militar e a própria Estação de Santa Apolónia (importante terminal ferroviário da cidade de Lisboa) são alguns dos exemplos.

É aqui que começa a parte mais interessante do trajecto, a famosa passagem por ruas típicas da cidade, como é o caso da Rua dos Caminhos-de-Ferro, da Rua Washington, da Rua Afonso Domingues e da Rua Bartolomeu da Costa.


É precisamente numa destas artérias, paragem da Rua Afonso Domingues / Rua do Mato Grosso que está a minha sugestão da semana...


O MUSEU DA ÁGUA


Destinada à elevação das águas provenientes do rio Alviela, para o reservatório da Verónica e para a Cisterna do Monte, a Estação Elevatória a Vapor dos Barbadinhos, inaugurada a 3 de Outubro de 1880, permitiu aumentar consideravelmente o volume de água fornecido à cidade de Lisboa. O seu principal equipamento, constituído por quatro máquinas a vapor construídas nas Oficinas de E. W. Windsor de Ruão, funcionaram, ininterruptamente, até 1928. As máquinas cujo vapor era produzido por cinco caldeiras, são todas do mesmo tipo: êmbolos verticais de dois cilindros cada, com camisa de vapor – sistema Woolf – de expansão variável e de condensação.

A Estação Elevatória dos Barbadinhos (Museu da Água) faz parte do núcleo museológico da EPAL.Dispõe de informação variada sobre o fornecimento de água e situa-se na Rua do Alviela, 12. (Paragens mais próximas: Bica do Sapato, Rua Afonso Domingues e Rua Mato Grosso)


Se ainda tiver tempo, poderá prosseguir viagem novamente no 35, usando para isso a espinha da carreira que partilho convosco, e onde têm todas as correspondências CARRIS com a 35!
Na próxima semana há mais sugestões, portanto fique atento e Boas Viagens!

Agradecimentos: A Luís Cruz-Filipe pelas informações disponibilizadas no seu site de arquivo histórico e ao Pedro Almeida pelas fotos disponibilizadas.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

742... Mais do mesmo e o delírio da gloriosa década de 60

Pois já vem sendo hábito a 742 aparecer na escala atribuída ao meu número. Não estranho porque tendo em conta que é a carreira que tem mais chapas, logo tem mais motoristas, logo é mais provável calhar nela no que outras. Hoje lá estive de novo!

Hoje foi daqueles dias que tudo parecia estar a correr bem e até correu é certo, tirando a chuva que voltou a aparecer ainda que muito timidamente. Ao fim da tarde e já a ouvir no meu rádio, o jornalista da Renascença Pedro Azevedo, a relatar o jogo da Luz entre o Benfica e o Olhanense, entra um passageiro na paragem de Alcântara que de imediato me mostrou que já não ia sozinho...

«Boa noite amigo, era um bilhete s.f.f. e Viva o Benfica, não é!!!??», diz ele com um ar de quem já estava mais para lá do que para cá. Vendi-lhe o bilhete e recebi o 1,40€. E acrescentou...«Agora está 2-1 e a seguir vão marcar tantos golos quantos os números que o senhor tem nesta máquina onde me tirou o bilhete...» e lá se sentou. Delirava ele com o Benfica dos anos 60 porque os números que tinha na máquina eram ao todo nove e não me parece que o Benfica de hoje consiga marcar nove golos num só jogo, ainda que contra o Olhanense, e com Maradona na bancada a assistir.

Duas paragens á frente pergunta-me se vou passar na Praça do Chile, ao que lhe respondo afirmativamente. Entretanto os poucos passageiros que estavam no interior iam saindo consoante os seus destinos e restou apenas ele já ali para os lados do El Corte Inglês. Já dormia sobre o chapéu de chuva - aqueles de pé alto - e do Benfica já nem se interessava. Por esta altura já estava 3-1 a favor dos homens da Luz.

A viagem continuou e até cheguei a ouvir o ressonar do senhor que só foi "abafado" pelo quarto golo do Benfica, aquele «golão» apontado por Di Maria, segundo diziam na rádio. Entretanto, entraram uns passageiros na Morais Soares, outros na Paiva Couçeiro e com o barulho dos que entraram lá acordou. Mas não saiu. Continuou e voltou a cair para o lado e assim ficou até chegar ao Bairro Madre Deus e acordar comigo a dizer: «Amigo, chegámos ao B.º Madre Deus, tem de sair porque termina aqui a viagem...» e lá saiu ele aos "S". Para quem queria ficar na Praça do Chile...

Bem, amanhã há mais e de novo na 742.

Boas Viagens!

Foto: Gentilmente cedida pela amiga e fotógrafa, Isabel Cutileiro

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Em breve, a sugestão do Tripulante para um fim-de-semana diferente

A partir da próxima sexta-feira (vou tentar, mas não garanto...) deixarei aqui a sugestão do tripulante para o fim-de-semana, numa rubrica que tem como objectivo dar a conhecer aos utentes dos transportes e aos leitores do blogue, o que é possível visitar em Lisboa, através das Carreiras de autocarros e eléctricos da Carris.

Certo de que muitos utilizam o autocarro ou o eléctrico, apenas para as deslocações casa - trabalho - casa, esta rubrica visa dar relevo a locais da cidade conhecidos ou não, sejam eles jardins para passear, parques para a prática do desporto ou até mesmo museus e monumentos.

A rubrica será feita com base num percurso onde é apresentada uma breve história da carreira em questão, onde é indicada a paragem que deve utilizar para visitar a sugestão semanal e alguns links referentes aos locais de interesse ao longo do seu percurso.

A primeira carreira será, como não poderia deixar de ser... a 35, carreira inaugurada a 22 de Dezembro de 1957.

Fique atento e Boas Viagens!


segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Novidades a caminho....

Como já repararam no meu perfil, há uns anos atrás tirei um curso de operador de câmara e repórter ENG na ETIC e enquanto frequentei esse curso, elaborei um documentário/reportagem sobre Lisboa vista a bordo da carreira 28 de eléctricos, porque também eles são símbolos de Lisboa.

O vídeo está no youtube e embora com alguns erros de principiante - como o facto de não ter voz para televisão -, dá para ver uma apresentação ampla das sete colinas da capital.

Como esta minha paixão pela imagem ainda não passou, aqui vos dou a conhecer que brevemente irei trazer até aqui algumas novidades, quer sejam elas em video, fotografia ou até mesmo em texto.

Fiquem atentos e Boas Viagens!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

A regra da paragem

"Na 742, com destino ao Casalinho da Ajuda, desço a Rua Morais Soares já com a noite a cair na cidade assim como as temperaturas que se prevêem ainda mais baixas. Estou mais ou menos a meio da rua e a aproximar-me da paragem. Atrás de mim está o 718 e na paragem algumas cinco pessoas que tentam esquecer o frio e não só. Reduzo a velocidade. Não há ninguém para sair e como ninguém fez sinal de paragem, também pensei que não houvesse ninguém para entrar, mas quando o autocarro passa pela paragem, os oito dos dez braços que ali estavam levantaram-se logo, mas já era tarde. Solução: Aproveitar a chegada do 718 ou esperar pelo próximo 742".

Este podia ser bem o resumo deste dia de trabalho e confesso que no que diz respeito a estas matérias das paragens até sou muito benevolente. Por vezes até chego a abrir a porta fora da paragem, confesso, mas também o faço desde que não ponha em risco a segurança do passageiro que quer entrar e a dos que já lá estão dentro.

Contudo as pessoas estão cada vez mais, mal habituadas e cada vez menos agradecem a boa vontade de quem «está agarrado à roda». Segui viagem.

Pensando que se ficava por ali, fui surpreendido com uma nova situação em tudo semelhante. Na mesma viagem, ali na primeira paragem da Rua Maria Pia, ainda antes do Arco do Carvalhão, não eram cinco, mas talvez sete as pessoas que aguardavam a chegada do autocarro, ou não - sim porque há pessoas que se sentam nas paragens para ver quem passa.

Do lado dentro ninguém solicitou paragem e do lado de fora igualmente, mas ainda assim abrandei a marcha. Os quatorze olhinhos seguiam atentamente a minha passagem e ao mesmo tempo as quatorze perninhas movimentavam-se acompanhando a marcha do autocarro. Vi então que tencionavam entrar. A minha boa vontade fez parar o autocarro e abrir a porta, mas não deixei de alertar que teriam de ter feito sinal para solicitar paragem, porque poderiam arriscar-se a não apanhar o autocarro.

Ao mesmo tempo que o digo, solicitam-me um bilhete. O senhor entrega-me 10 € e enquanto faço o troco pergunta-me: «Mas há alguma regra que diga que somos obrigados a levantar o braço para mandar parar?», ao que lhe respondo que sim, da mesma forma que solicita para sair, mas aqui com sinal da campainha.

E o senhor responde: «Mas olhe, acho que está profundamente enganado! Os senhores é que têm de ver se há alguém nas paragens...» Ao que lhe digo, "E como é que nós adivinhamos qual o autocarro que os senhores pretendem numa paragem onde param 3 carreiras?!" e insiste... «Não faz sentido nenhum levantar o braço...» e terminei a conversa dizendo: «Então se não faz sentido não levante, mas depois não reclame que o autocarro não parou...»

Já caminhando para o lugar, lá disse que ia ler atentamente o regulamento dos transportes. Portanto caro amigo, se é leitor deste blogue, espero sinceramente que leia atentamente o regulamento, porque se tem o azar de voltar a não levantar o braço, poderá habilitar-se a ter de esperar pelo próximo.

Mais uma prova que nem podemos ser bons para as pessoas. A má disposição está de volta... Acabaram-se as festas!!!!

Foto gentilmente cedida por Pedro Almeida

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

As crianças não mentem!

Mais um dia passou e com o frio a fazer-se sentir tal como prometido. Hoje até pensei que não havia nada para contar mas já bem perto do fim do serviço, eis que havia de surgir a história deste dia. Já há muito que ouço dizer que as crianças não mentem e é o mais puro que há, e não é que é mesmo...

Já bem perto da Gare do Oriente e com destino ao Parque das Nações norte, uma senhora entra acompanhada dos seus dois filhos e solicita os bilhetes: «Boa noite. Eram três bilhetes! Um de adulto e dois de criança...» Antes de lhe informar que a tarifa é única, decidi perguntar qual a idade da menina, que ao primeiro olhar até parecia ter menos de 4 anos.

Decididamente, mas após alguns segundos de pausa, lá diz: «A menina...a menina tem 4 anos!» Nem três segundos haviam passado desde a afirmação e já a menina fazia questão de corrigir a mãe: «Isso é mentira mãe! Já tenho 5, fiz antes de ontem não te lembras?!». O rosto da mãe rápidamente passou pelo arco-íris, terminando no rosa. E eu com uma vontade enorme de me rir pela espontaneidade da criança, lá me consegui conter e cobrar os três bilhetes. «São 4,20 € por favor...», digo, ao que a senhora me responde: «Desculpe, mas fiz confusão... Já não em lembrava que ela tinha 5 anos (sorrindo)». Pois se tivesse 4 anos não pagava bilhete, pensava ela!

Agora digam lá se não é verdade... As crianças não mentem! E o mais engraçado é que são os próprios pais que costumam dizer ás crianças. "Não mintas filho, porque mentir é muito feio".

Bem, quanto ao resto da semana, ao que parece será pela 742. Haver vamos se haverá ou não histórias para contar.

Boas Viagens!
Imagem: Retirada algures da net

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Do autocarro para as bancas...com a TimeOut Lisboa!

Já passei por muitos sítios na minha carreira profissional, mas hoje voltei a um lugar que apenas tinha conhecido quando surgiu o site serbenfiquista.com, na altura, através de um artigo da revista «Super Foot», uma revista dedicada ao futebol já extinta no mercado da imprensa. Hoje voltei ás bancas por convite da revista TimeOut Lisboa. Não, não estive pessoalmente em nenhuma banca do país até porque o serviço de hoje foi na 742...

Com a criação deste blogue, surgiram alguns convites - algo inesperados - de alguns órgãos de comunicação social, que acharam engraçada a ideia deste blogue que ao início parecia ser banal. Foi a referência na Antena 1, depois um convite da SIC, que recusei porque nunca gostei da fama e aparecer no jornal da noite era algo para o qual não estava preparado, até porque sempre gostei mais de estar por trás da câmara e passar discreto. E por fim o contacto da revista TimeOut Lisboa, que aceitei por quererem fazer algo exclusivo sobre o blogue e sua história, pois nunca quis misturar o blogue com a empresa.

Uns minutos á conversa na redacção da revista, onde fui bem recebido, bastaram para preencher três colunas de texto numa página desta revista que dá a conhecer tudo o que há para fazer em Lisboa. O resultado está portanto espalhado pelas bancas.

Quanto ao serviço de hoje, destaque apenas para a senhora que entrou ali perto da Av.República com destino ao Bairro Madre Deus. Entrou, esfregou, esfregou e esfregou a mala nos validadores com estes a obrigá-la a tirar da mala o passe que teimava em não dar verde, nem vermelho!

Aguardei que se sentasse. Sentou-se mas quando o sinal muda para verde, lembra-se de se levantar e diz-me: «Era para ir à praça, mas já mudei de ideias e vou para a Baixa. Como é que faço?...», ao que pacientemente respondi: «terá de sair novamente e apanhar no Saldanha, um autocarro para lá, como por exemplo, 36,44 e 745...». Ao que me pareceu, a senhora andava mesmo a passear sem destino.

O resto correu ás mil maravilhas e até o meu amigo Pedro que fez uma visita, acabou por assistir a este episódio acima referido e a um outro, de uma jovem que entrou com o namorado e enquanto aguardava o bilhete ser impresso, dançava ao som da música que ia saindo do meu rádio.

Amanhã 708!

Boas Viagens

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

708 passa "vicino nell'aeroporto"...

Chegou á capital, mais uma vaga de frio! Hoje não se falou noutra coisa entre os muitos passageiros que transportei na 708. Um deles até chegou a falar friamente comigo, ordenando para que abrisse a porta traseira, embora não tenha tocado na campainha para sair. Sorte a dele que alguém na paragem mandou parar o autocarro.

Mas adiante...

As temperaturas podem atingir graus negativos até ao final da semana e já hoje se falava disso mesmo. Os agasalhos voltaram a substituir os chapéus de Chuva porque essa, já se foi, por enquanto... E ainda houve tempo para uma senhora me mandar parar já depois de ter saído: «Desculpe lá sr.motorista, mas devo ter deixado cair o meu cachecol aqui no autocarro e só dei conta lá fora...» tal não era o frio!

A meio da tarde um grupo de italianos entra com um ar de quem vai regressar ao seu país natal, á sua terra. «Passa nell'aeroporto?» ao que respondi em espanhol (porquê não sei, mas na altura achei que eles entendiam e como falo muito pouco italiano) «Passa muy cerca...» e eles todos contentes e alegres, dizem uns para os outros... «AH bravo! Vicino». Perguntei o que significava «Vicino» e gestualmente lá me explicaram que era "perto de ". Já aprendi mais uma hoje... Ao mesmo tempo que lhes explicava que podiam também apanhar o 5 ou o 22, um outro passageiro tentava dizer-lhes o mesmo mas complicando, pensando ele que estaria a facilitar porque dizer a um italiano «Passamos a alameda, depois o areeiro e quando entrares na Gago Coutinho sais na primeira paragem e esperas pelo 22 ou pelo 5 que um vai para a Portela e o outro para o Oriente...»

Obviamente que daquela panóplia de nomes talvez se conhecessem o Oriente não estava mau. O português é mesmo assim, tanto quer ajudar que por vezes complica, ainda assim registe-se a boa vontade do senhor!
Amanhã 742 e na 5.ª feira de novo na 708. Entretanto e porque o blog tem crescido de dia para dia, a curiosidade levou-me a introduzir um contador estatístico na data de hoje, através do qual consigo saber de onde chegam as visitas e quais os post's mais lidos.
Boas Viagens!


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Nós por cá...

Mais umas folgas terminam e uma semana se avizinha! A semana começa na 708 e 742, o resto ainda não tive conhecimento, mas quanto ás folgas, num dos dias, passeei pela Avenida da Liberdade, a principal da cidade de Lisboa e voltei a registar factos que me entristecem, entre os quais destaco algo que está alusivo á minha empresa que tem feito um enorme esforço para recuperar e restaurar os ascensores e elevadores.

Ali para os lados do Lavra, os graffiter's voltaram a fazer das suas. Nós por cá não compreendemos este tipo de estrago a que muitos chamam arte. E por falar em Nós Por Cá, hoje estreou o programa com este mesmo nome, na SIC. Uma adaptação da rubrica semanal do Jornal da Noite, agora em horário mais alargado e diário.


«Nós Por Cá» é um programa onde o caricato e o impensável estão na ordem do dia, mas não só. Assim sendo aqui fica uma sugestão televisiva: «Nós Por Cá», passa na SIC de 2.ª a 6ª ás 19h00. E nós por cá no blog, ficamos com uma fotografia do ascensor do Lavra, que tirei e decidi partilhar convosco.


Boas viagens!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

1 + 0 + 6 = 106 Galinheiras

Hoje recordo uma frase que um colega me disse nas minhas primeiras semanas de trabalho ao serviço da Carris. E dizia ele na altura que as carreiras que eu detestava (na altura da conversa...) era aquelas que mais iria gostar no futuro. Naquela data, pensei que o tivesse dito só para me agradar, dado estava sempre ali naquelas carreiras da alta de Lisboa (17/108/777/106/757, etc...).

Hoje andei na 106 e não, não passei a gostar da carreira, mas já não me custou tanto fazê-la como há um ano atrás talvez. Confesso que da zona em questão até não é das piores, mas só o facto de ter um horário de 16 minutos de viagem deixa-me algo impaciente com a quantidade de viagens que tenho de fazer num serviço. Mas hoje até passou rápido.

O rádio ficou sem pilhas a meio da tarde, mas a chuva que caía em Lisboa fazia redobrar a minha atenção na estrada o que me fez esquecer esse problema da radiofonia. A meio da tarde ali para os lados do Lumiar entra uma quantidade de passageiros entre os quais um jovem, com os seus 7 a 8 anos que se sentou inicialmente, mas que de imediato se levantou quando fechei as portas e arranquei rumo ás Galinheiras.

Aos poucos foi-se chegando á frente e ia observando atentamente todo o painel do autocarro desde as luzes que piscavam ao velocímetro, passando pelo manómetro da temperatura e pelos botões das portas. A certa altura olha fixamente para mim, mostrando uma enorme vontade em falar comigo. «Então amigo, já se estão a acabar as férias, não é?», questionei eu.

«Sim, finalmente. Que alívio! Já tenho saudades das fichas e dos problemas de matemática...», respondeu ele deixando-me quase sem resposta porque não estava á espera daquela reacção. E acrescentou: «Ninguém gosta de matemática mas eu adoro. Não gosto é do estudo humano, mas sou bom nos números e na língua portuguesa...»

Chegados ás Galinheiras, estende-me a mão e deseja-me um bom ano. Digo-lhe para que se mantenha assim aplicado na escola e que tenha também um ano cheio de coisas boas. A mãe chama-o e lá foi ele para casa, todo contente porque falou com o motorista.

São estas pequenas coisas que me fazem gostar daquilo que faço. E é bom quando assim é!

Foto editada por mim e retirada da net

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

1.º dia do ano e a primeira prenda de 2009...

A festa já lá vai, mas para muitos ainda estava na hora da ressaca, quando saí de casa em direcção ao Lumiar, onde rendi neste primeiro dia de 2009. Serviço aparentemente calmo, mas que acabou por ser agitado. Os carros são como as pessoas e tão depressa estão bem como de repente ficam mal. O colega que rendi alertou-me para uma avaria ao chegar á rendição, desliguei o carro para ver se estabilizava, mas como tal não aconteceu, terminei a viagem e informei a C.C.Tráfego da ocorrência que me solicitou que trocasse de autocarro na Estação da Musgueira e assim foi.

De regresso e já com um outro autocarro, lá fiz umas viagens entre a P.Chile e o Sr.Roubado na primeira parte do serviço, onde muita gente me voltou a desejar um bom ano, talvez a mesma quantidade dos que nem boa tarde disseram, dando assim um empate técnico. (risos)

Da parte da manhã até foi calmo, já a tarde nem por isso. E que tal uma molha antes de pegar na segunda parte do serviço. Causa: Motorista desatento da RL Azul que passou "a abrir" no Lumiar por cima de uma poça de água, dando um valente banho a mim e ao colega que comigo aguardava rendição.

Após o almoço, nem a forte chuva foi impeditiva para deixar em casa aqueles que escolheram a 7 para dar a primeira volta de 2009. Ouvi alguns desabafos, entre os quais o de uma senhora, que entrou na P.Chile. «Boa tarde Sr.Motorista e um bom ano. Veja lá que vim para comer uma sopinha ao Chile, mas tinha tanto sal que nem a consegui comer...» e sentou-se.

A meio da viagem volta a falar e desta feita com a passageira do lado. Disse-lhe: «Para mim este dia (1 de Janeiro) é como os outros. Nunca passei natal nem passagem de ano com irmãos, tios, avós, filhos porque não tenho ninguém, mas o que desejo é paz para todos.» Do seu lado não obteve resposta, mas imediatamente a seguir, em frente a si, uma outra senhora também em situação idêntica, decide trocar umas palavras amigas com esta e diz-lhe que também está só e que decidiu ir dar uma volta de autocarro para se distrair...
E digo-vos. Esta carreira é um bom exemplo de uma amostra de uma parte da população de Lisboa que vive na solidão.

Mais á frente, no Campo Grande entram mais quatro idosos que alegremente dão as boas tardes e desejam um bom ano. Sentam-se mas um deles, o único senhor, levanta-se na paragem seguinte e dirige-se a mim perguntando se já havia recebido alguma prenda neste ano 2009. Digo-lhe que não até porque o ano ainda não tinha sequer chegado ás primeiras 24 horas.

«Calculei e aqui tem uma prenda para si. A sua primeira prenda de 2009. É um relógio», disse o senhor. Ao início pensei que estivesse a brincar, mas de imediato vi que estava convicto do que estava a dizer e a fazer. «Hoje já é o 5.º motorista a quem ofereço um relógio...» Agradeço-lhe a oferta e ele diz que não tenho de agradecer e acrescenta: «Nunca ninguém se lembra dos senhores, mas eu lembrei-me que vocês precisam de um relógio todos os dias e como gosto de oferecer aqui o tem e um bom ano...»

Fiquei sem resposta e desejei-lhe muita saúde para 2009. Foi a primeira prenda de 2009 e a primeira que recebi nos quase dois anos de Carris. E aqui vos deixo a foto da lembrança que recebi deste senhor, tirada junto de um dos anúncios da campanha sensorial da Carris. Amanhã termino a semana na 106 e depois venha a folga...

O 31 na 36, mas sem torta e sem champanhe...

2008 já lá vai e despedi-me dele na carreira 36 com um serviço até ás 19h50 ainda a tempo de festejar a entrada em 2009. Em relação ao ano anterior, reparei que houve mais movimento e que houve mais troncos e champanhe a transportar-se nos autocarros. Ainda procurei bem se alguém se havia esquecido de algum bolinho, mas 24 e 31 de Dezembro é daqueles dias em que ninguém se esquece de nada.

Já bem perto do final do serviço, quando muitos regressavam a casa, uma senhora entra apetrechada de caixas com bolos, sonhos, filhós, etc e para poder validar o seu passe, colocou o tronco de natal na banqueta. Em jeito de brincadeira ainda lhe agradeci, ao que prontamente respondeu: «Não queria mais nada, não!?» (risos)
Na paragem seguinte um rapaz entra com uma palete de cervejas e uma garrafa de champanhe, e não hesitei em dizer-lhe: «Vai bem aviado amigo, se tiver muito carregado pode deixar o champanhe...» Lá do meio do autocarro a senhora que antes havia entrado com os bolos também deixou a sua deixa: «Está a ver senhor motorista... Já tinha o bolo e agora é o champanhe. Daqui a pouco fazemos aqui a festa todos», deixando assim um simpático clima no interior do articulado 1570, que ia com destino ao Sr.Roubado.

No fim do ano acabamos por encontrar um pouco de tudo. Do mais antipático que não suporta festas ao mais divertido que por sua vontade, estaríamos todo o ano em festa. E este 31 de Dezembro de 2008 não foi excepção. Um casal simpático entra no rossio com destino ao C.Sodré, saudando-me e desejando um feliz 2009, que retribui de imediato.
Chegados ao C.Sodré, perguntam se vou de novo para Odivelas, ao que respondo que apenas ia para o Sr.Roubado. Pedem-me para ficar porque queriam voltar comigo para sua casa. Mas tiveram mesmo que sair até porque precisei de ir ao WC. Regressei. Abri as portas e dizem: «Mais uma vez... boa noite», sentam-se nos primeiros lugares disponíveis, tal como se estivessem na primeira fila do cinema. Atentos iniciam viagem comigo. 100 metros à frente, dizem-me que « é muito chato para os senhores trabalharem nestes dias, mas alguém tem de o fazer, não é!?»

A conversa foi-se desenrolando e a meio da avenida, paro no sinal vermelho e o senhor levanta-se. Pede-me autorização para se chegar ao vidro da frente. Pegou no telemóvel e tira uma fotografia ás iluminações natalícias e faz questão de me mostrar a foto. A viagem foi prosseguindo e quando chegámos ao destino, despedem-se desejando-me a mim e à minha família um próspero 2009, com muita Saúde, paz e paciência, porque ficaram incrédulos... «Verificámos que do C.Sodré ao Sr.Roubado, nas mais de 40 pessoas que entraram, só 3 ou 4 lhe saudaram com um "boa noite".» Digo-lhe que já vamos estando habituados, mas insistem «Mas os senhores são humanos e estão a trabalhar para nos servir e bem como o fazem...» E lá foram para a paragem da RL. Digam lá se há melhor forma de acabar o ano.....



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