quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Bom Ano 2009!!!!

A todos os amigos, visitantes e leitores deste blog, aqui ficam os votos do tripulante autor deste diário...

Desejo que entrem com o pé direito e que tenham muitos autocarros articulados cheios de muita saúde, paz, amor e com tudo o que há de bom nesta vida.

As histórias do dia-a-dia, essas voltam em breve....

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

17 FETAIS... 9 meses depois!

Foi em Março deste ano, que agora chega ao fim, a última vez que tive um serviço escalado para a carreira 17. Passados 9 meses aproximadamente, voltei a ter um serviço nesta carreira que utilizo frequentemente para chegar á estação da Musgueira, mas que nunca me deixou saudades de a fazer, porque nunca fui muito admirador de carreiras com percursos rectos (em grande parte do percurso) e suburbanos, como é o caso da 17, que para quem não sabe, circula entre a P.Chile e os Fetais.

O serviço até não foi mau de todo. Na primeira parte fui duas vezes aos fetais e na segunda tive de visitar o subúrbio de Lisboa 4 vezes e com um carro a gás, que também já não conduzia há algum tempo. Cada viagem tem aproximadamente 35 minutos e um serviço nesta carreira permite ainda rever alguns colegas que há muito não se vêem, porque é uma carreira que serve a estação a que estou afecto.

Na última viagem ainda tive tempo para presenciar uma operação STOP da PSP, ali na Charneca e com direito a agentes com G3 na mão e tudo... Amanhã repito a dose de hoje com o mesmo serviço, na Quarta-feira mudo de ares mas mantenho-me nas suburbanas, desta feita com a 36 e no feriado regresso ás citadinas com a carreira 7 que ainda assim visita o Sr.Roubado...

Não, não é mesmo o senhor que foi roubado, mas sim a localidade á entrada de Odivelas, que tem este nove devido a um roubo efectuado na igreja de Odivelas, em 1671, alegadamente pelo jovem António Ferreira, que aí roubou do altar-mor e de outros altares desta igreja, as contas do rosário de N. Sra. do Rosário, as vestes do Menino Jesus e da Senhora do Egipto, os Vasos Sagrados, entre outros, escondendo-os numa mata de caniços onde está hoje o Senhor Roubado.


Nota: Esta informação de "cultura geral", foi retirada do site da C.M.Odivelas...

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Carreira 108 - Aqui não há natal!!

Antes de mais dizer-vos que passei um bom natal junto da família na noite de 24 Dezembro, depois de um serviço "five star's" na carreira 5, tendo passado este dia 25 de Dezembro de serviço na carreira 108, onde constatei que nesta carreira não existe natal. Foi um dia de natal frio, deprimente e angustiante. As horas teimaram em não passar e o melhor mesmo foi só as 2 horas iniciais onde praticamente ninguém andava na rua e os ponteiros do relógio a apontarem a hora da saída.

O pior foi quando o sol deu um ar de sua graça e quando a ressaca da noite anterior começou a desaparecer. Apanhei um pouco de tudo nas muitas viagens que fiz (22 minutos em média cada viagem) nas 8h00 de serviço que tive na 108.
Desde um grupo de «putos» que decidiu aproveitar o dia de natal a brincar com o autocarro(soltaram os quebra-vidros e abriram por duas vezes o compartimento do motor, etc..), a uns passageiros mais alegres acompanhados daquela substância que costuma acusar no balão da PSP (deixando no ar um cheiro irrespirável), passando por um tipo que armou tenda dentro do autocarro a vender caixas de chocolates (que acabou por ser repreendido)...

É incrível como nem no natal se consegue ter um serviço calmo e sereno nesta carreira, que para mim é de longe a pior que já fiz nestes quase dois anos de Carris. Agora é três dias de folga para esquecer este dia 25/12/2008 e esperar que a entrada do novo ano seja melhor.




terça-feira, 23 de dezembro de 2008

FELIZ NATAL

E pronto amigos... Chegou aquela altura em que se gastam centenas de sms's a desejar Boas Festas, dinheiro em prendas, em Bolos Rei, em Filhós, Sonhos etc... Com a época natalícia chega também a simpatia daqueles que grande parte do ano reclamam, mas que não deixam escapar esta oportunidade para desejar um «Feliz natal» e «com muita Saúde» ao motorista que acaba em grande parte das vezes por ser ignorado ao longo do ano.

O trânsito, esse depende das zonas por onde se ande. Hoje andei pela "minha" 35 e até me admirei do trânsito na Cidade Universitária, que puro e simplesmente não havia. As faculdades estavam encerradas, os colégios e escolas igualmente e por ali nem parecia Natal, comparando com o trânsito na Baixa ou até mesmo na Av. Roma e Morais Soares.

Uns ligam os quatro piscas porque é só ir ali buscar um bolo rei, outros encostam na paragem para ir ao multibanco que está ao lado e outros há que preferem os passeios para deixar o carro enquanto compram o bacalhau ou as prendas de última hora.

Na Praça do Chile uma senhora entra e deseja-me «um Feliz Natal e com muita saúde, que é o essencial...», e agradeço, retribuindo os votos. Segue-se outra, outro e mais um e ao fim do dia já nem as duas mãos servem para contar. Mais á frente revejo alguns conhecidos que desejam boas festas para a família e outros há que nem ligam á quadra, chegando mesmo a dizer que o «Feliz Natal» das bandeiras de destino só servem para enganar o passageiro, enfim... falta de espírito.

Como vêem hoje correu tudo ás mil maravilhas, o que prova que nem tudo é mau nesta profissão e pelo menos uma vez no ano, o motorista está ali em frente á porta de entrada, merecendo uma saudação.

Assim sendo, a todos aqueles que já me desejaram, mas também aos que ainda não o fizeram, assim como a todos os leitores deste blog que vai crescendo, sem eu próprio dar por isso, resta-me desejar-vos um FELIZ NATAL, com muita saúde, paz e amor. As prendas, essas não são o mais importante do Natal, mas se vierem, serão bem-vindas.

Uma das prendas já tive, que é poder passar a noite da consoada com a família, depois de recolher com a carreira 5 neste dia 24 de Dezembro de 2008. Já o dia 25 terá de ser passado ali para os lados da Alta de Lisboa, na 108. Boas festas amigos...

sábado, 20 de dezembro de 2008

720 CALVÁRIO...«Por acaso até não foi...»

Engana-se quem pensa que o meu serviço de hoje foi um Calvário, porque correu bastante bem e até passou rápido, e de Calvário só mesmo o destino da carreira que faz Picheleira -Calvário, via M.Pombal.

E correu tão bem que até há pouco para contar, mas como nem tudo é mau, hoje apenas trago aqui para o blog a minha boa acção do dia. Perto das 15h / 16h um senhora entra no M. Pombal, um pouco aflita porque havia perdido o passe e juntamente com ele, o cartão do médico e mais um outro que não soube explicar, tal não era os nervos que trazia. E perguntava-me como poderia fazer para recuperá-los.

«Foi mesmo agora senhor, eu vinha no 720 que ia para a Picheleira e que se cruzou consigo lá em cima no Camões...», dizia ela desesperada. Nestas situações costumo aconselhar que liguem para a empresa a fim de esta entrar em contacto com os motoristas da carreira. Mas como vi a senhora tão preocupada e porque até é Natal :) decidi tentar resolver-lhe o problema e comuniquei á Central de Comando de Tráfego a perda da passageira no autocarro que havia passado por mim há instantes.

O colega da central ficou com alguns dados e passados dois minutos uma mensagem chegava a todos os motoristas da carreira 720 a solicitar atenção para o referido achado ou perdido, depende o ponto de vista. A senhora agradeceu imenso e aconselhei-a então a aguardar pelo meu colega no Calvário.

Fui á Picheleira e quando voltava para o Calvário cruzei-me com o colega de novo no M.Pombal e do outro lado da rua ele faz sinal com a buzina e aponta para o lado. E quem estava ao lado? Era a referida senhora do passe a agradecer-me como se estivesse a agradecer a Deus, toda feliz e contente. E teve o cuidado de me encontrar para me agradecer. É mesmo Natal e está tudo dito!


Foto cedida por Pedro Almeida

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Folgas

Esta quinta e sexta-feira estive de folga!

E diz o dicionário que Folga vem da expressão de folgars. f.,

Acção de folgar; espaço de tempo destinado ao descanso;
ócio, recreio;fig., alívio, refrigério; desafogo, largueza;
saliência no bordo da ferradura;prov., sesta.

Pois bem, aproveitei então o espaço de tempo destinado ao descanso para aliviar o stress de uma semana de trabalho e para arranjar forma de recuperar energias para a semana em que para muitos serei o condutor, não de renas, mas de um autocarro que irá transportar centenas de prendas dos muitos passageiros que se transportam na Carris.

Na quinta-feira aproveitei para estar com a família e tratar de alguns assuntos e hoje fui até á Baixa de Lisboa aproveitando um magnífico dia de sol, para ver como vão as coisas pela minha cidade de Lisboa e até descobri uns locais que em breve visitarei para fotografar e enviar para um blog que tem a minha visita diária assegurada há já alguns meses, o Lisboa S.O.S. - Um blog que tem títulos, tem textos, mas sobretudo imagens que valem muito mais do que mil palavras. É ver para crer...

Como não gosto de ir de carro para a Baixa, fui de transportes claro está! Utilizei o Metropolitano e a Carris. Aproveitei também para experimentar os novos autocarros da Carris. Viajei num Midi MAN, na carreira 107 entre a P.P.Couçeiro e os Sapadores, e mais tarde estreei-me no articulado Mercedes Citaro G, na carreira 709 entre os Restauradores e a P.Comércio, com este último ainda a cheirar a novo...

Uma boa compra por parte da Carris que assegura assim mais conforto para os passageiros e motorista. Parabéns! Depois tive de me deslocar á estação para verificar o serviço que me tinha calhado para este sábado e fiquei também a saber que passados 3 anos (2005 e 2006 passado numa quinta e num quartel respectivamente, alusivos a dois reality-shows da TVI e 2007 já na Carris, na carreira 742), vou passar as 00h00 do dia 25 de Dezembro juntamente com a Família.

Entretanto e porque me transportei de autocarro, hoje como passageiro, registo um comentário que ouvi a bordo, quando uma senhora solta da sua boca um desabafo: «vinte minutos há espera de um autocarro e agora vem cheio claro!» Foi então que um senhor de imediato diz: «É sempre assim minha senhora. E não é trânsito, isso é desculpa. Eles (motoristas) põem-se é á conversa nos terminais e a jogar ás cartas...» , como estava de folga, mas como o visado era um colega meu e sobretudo porque aquele comentário não deixava de ser um comentário ignorante, também eu desabafei lá do meio do autocarro, onde me encontrava sentado... «Já agora só falta falar nos copos de vinho como é costume. Isto realmente...»

Foi o suficiente para o senhor calar-se e uma outra dizer: «Realmente... Eles coitados não podem passar por cima do trânsito. A cidade é que não está preparada para transportes e devia estar....» .

Entretanto cheguei ao meu destino e a conversa lá continuou...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

35 P.CHILE

Pois é amigos, hoje como estava previsto andei pela 35, mas o que não estava nada previsto era eu ter trocado o local de rendição. Era para render no Areeiro e estava no C.Sodré, logo não comecei da melhor maneira, mas há que assumir os erros e foi o que fiz, assim como pedir desculpas ao colega lesado que acabou por ser rendido no C.Sodré. E pior mesmo é que até me dava mais jeito render no Areeiro e até vi o autocarro passar para o Hosp.Santa Maria.

Bem mas equívocos á parte, o serviço acabou por correr bem. Calhei num serviço com duas chapas em que ambas só tinham viagens para a Praça do Chile, que é as que eu mais gosto, apesar do horário apertado. Estas chapas implicam mais passagens pela Rua Washington - aquela a que tantos têem pavor - mas depois de se lá passar tantas vezes até se faz e o segredo é só um: cruzar com outro autocarro só na curva de baixo ou no cimo da rua!

Acabei por rever alguns ex-vizinhos e as horas... essas passaram num instante, sinal de que estava numa carreira agradável de se fazer. Pelo meio ainda visitei as instalações de Santo Amaro onde almocei e onde tentei ver o serviço para o próximo sábado, mas sem êxito.

Como já repararam sou uma pessoa muito observadora e sobretudo muito visual e há coisas que me ficam na retina e hoje registo uma atitude muito frequente que é, um "mau olhado" que os passageiros deitam aos validadores, quando estes dizem "Título Inválido neste Operador" ou "Título Incorrecto". E garanto-vos.... Não gostava de estar na pele de uma daquelas máquinas que todos os dias sofrem um pouco. É malas, é murros, é esfregadelas, enfim tudo serve para tentar dar luz verde a um título de transporte que teima em acender o encarnado.

E com esta me despeço, desejando bom fim-de-semana....

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

106 - Olha o passarinho...

Não, não pensem que andei a tirar fotografias, até porque a carreira não era muito agradável para esse tipo de modernices. Andei pela 106 que faz C.Grande - Galinheiras (Via Torrinha) e há algum tempo que não ia para aqueles lados, mas confesso que não tinha saudades. E vontade então não tinha nenhuma, mas depois de começar o serviço, até se fez bem...

Um bónus na chapa que fez pegar mais tarde e dois dedos de conversa com alguns colegas ali no Lumiar, fez com que eu fosse para esta carreira com outro espírito. Quantas viagens fiz já nem sei, porque para cada uma creio que dão 20 e poucos minutos, ora em sete horas e tal dá muita volta e carrega muita gente, que até parece um picadeiro.

E o pior mesmo foi quando se acabaram as pilhas do pequeno rádio que me acompanha na jornada laboral. Só deu para ouvir até perto das 17h00 precisamente quando iniciava ó bloco noticioso da rádio que costumo ouvir e passo a publicidade - a Mega FM. Depois também já não foi preciso porque começou o regresso a casa de muitos passageiros que lá iam reclamando das temperaturas baixas e até o «diabo andou à solta» dizia uma senhora, referindo-se à ventania que se fazia sentir lá fora...

Para culminar o dia de trabalho, ali para os lados da Quinta das Conchas, antes de chegar ao Lumiar, um grupo de miúdos e miúdas, proporcionou-me um momento engraçado dada a forma como abordaram o facto de um dos colegas estar a correr em direcção ao Lumiar, a fim de nos apanhar, porque havia chegado atrasado à paragem anterior.

O rapaz era magrinho, pequenito e corria tanto que até parecia o Obikwelu, mas as colegas do rapaz preferiram antes chamá-lo de passarinho : «Olha ele a correr até parece um passarinho...»

O que eu não sabia ainda é que era mesmo a alcunha do rapaz. Ele entrou no autocarro mas a mim pareceu-me mais um rato que um pássaro, dada a rapidez com que entrou para que não lhe pedisse o passe ou o bilhete. As colegas iam-se rindo também elas por eu ter dito que: «mais parece um rato pela rapidez com que foi lá para trás» e lá diziam elas que era mesmo passarinho.

O rapaz lá do fundo do autocarro ouviu a conversa e danado com a situação argumentou: «O que é que se passa meninas? Estou aqui mas estou a ouvir a vossa conversa! Devem gostar muito do passarinho...» e foi o suficiente para os restantes passageiros também sorrirem descontraindo assim um pouco do stress de mais um dia de trabalho.

Amanhã já é 4.ª Feira e para mim é o último dia da semana uma semana que terminará da melhor maneira espero eu, com um serviço na minha carreira preferida - 35.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

5 - Um regresso ás origens, mas com previsão meteorológica

Há muito que não tinha um serviço na carreira 5 e hoje quando peguei na chapa, ainda na estação da Musgueira, lembrei-me por instantes do primeiro dia de trabalho, que foi precisamente nesta carreira. Há colegas que dizem que é chata de se fazer, mas certo é que para mim não é das piores aliás diria mesmo que até gosto do seu percurso que acaba por ser diferente do habitual.

É uma carreira que serve toda a área de escritórios da ANA - Aeroportos de Portugal, ali entre o aeroporto da Portela e o Prior Velho. Portanto é habitual ver por lá passageiros afectos á TAP, á GroundForce, á Caterig Por, ao Instituto de Meteorologia entre outros. E hoje até tive direito a ficar a par das previsões para o resto da semana, tudo graças a um comentário que uma das funcionárias do Instituto de Meteorologia ao entrar no autocarro: «Bolas que frio... Nem a trabalhar aqui no instituto conseguimos afastar o frio (sorrindo)» Aproveitando a simpatia da senhora, lá lhe disse: «essa é que é essa... mas olhe que aqui no autocarro está um pouco melhor.»

Foi o suficiente para um curto diálogo onde a referida senhora me alertou: «Então aproveite enquanto trabalha para se aquecer porque vamos ter frio e chuva o resto da semana, com baixas de temperatura...» e lá se sentou juntamente com a colega que a acompanhava no regresso a casa. Hoje tive ainda direito a ouvir alguns «Boa tarde» e «Boa noite» o que é cada vez mais raro ouvir-se das bocas das pessoas que vão entrando. Mas como há excepções hoje tive a prova disso mesmo.

E assim foi mais um dia de trabalho...

sábado, 13 de dezembro de 2008

Coisas de Crianças: «Oh mãe o papel rasgou-se...»

Cá estou eu de novo passado algum tempo sem actualizar este blog, tudo graças ao péssimo serviço prestado pela Assistência técnica do serviço ON da Vobis. Como sabem, há semanas atrás apanhei um vírus no PC que me danificou a motherboard, desloquei-me á Vobis, puseram uma nova, eleminaram o virus mas danificaram-me o sistema operativo, resultado: constantes quebras do computador e esta semana morreu de vez, e fui la reclamar. Gravaram-me o Backup em DVD's e o PC esse estava na mesma. Tive de o formatar e tudo isto tem impossibilitado o meu acesso á net, pelo que aos leitores assíduos aqui fica um pedido de desculpas.

Já agora aproveito para alertar-vos, para que nunca optem pelo serviço ON da Vobis que acaba por deixar tudo OFF.

Voltando ao Diário do Tripulante, que é a razão da existência deste blog, dizer que o regresso ao trabalho correu bem, depois de dois dias de folga, onde aproveitei para efectuar algumas compras para um Natal que se aproxima. Regressei a uma carreira que já conheço quase como a palma da minha mão - 742 - ou não estive lá pelo menos uma vez por semana.

O serviço, esse correu bem, com 7h30 seguidas numa chapa com uma viagem ao Casalinho da Ajuda e as duas restantes para o Pólo Universitário. A chuva parece que trouxe alguma calma aos passageiros que na semana anterior não aparentaram ter calma nenhuma.

A atenção no regresso, redobrou-se ali para os lados de Xabregas com o espelho da Calçada do Grilo, dada a dificuldade na visibilidade da curva apertada, porque houve algum engraçado ou engraçada que decidiu virar o espelho para o chão, como forma de distracção.

Também um espelho, acabou por «roubar» alguns minutos na ultima viagem para o Pólo Universitário, ali para os lados da Boa Hora, onde me cruzei com um eléctrico da carreira E18. Resultado: Tive de sair do autocarro passados uns 2 minutos a fazer sinal de marcha atrás, para solicitar aos senhores automobilistas da traseira que, recuassem, para que pudesse dar passagem ao eléctrico, porque até então não tinham percebido.

Talvez pensassem que a luz branca na retaguarda do autocarro e um apito sonoro, estive lá apenas por ser natal...

Hoje andei na 36, o que já vem sendo um habitué ao fim-de-semana e tirando a confusão ali para os lados da Baixa tudo correu bem. Os passageiros foram entrando e saindo ao encontro dos seus destinos, assim como aquelas crianças que juntamente com os seus pais entraram nos Restauradores, com um sorriso de orelha a orelha.

Vinham de uma das muitas festas que este fim-de-semana se realizaram no coliseu, no São Jorge, no Politiama, etc... Nas mãos traziam balões e prendas. Tentavam a a todo o custo descobrir o que estava escondido por aquele embrulho de fantasias, mas os pais, esses tentavam que tudo fosse descoberto apenas na noite de 24 de Dezembro como manda a tradição.

Os pais sentaram-se após a segunda porta e os miúdos, esses ficaram na última fila, radiantes com os presentes, com as luzes e com a árvore de Natal da Zon. Quando menos se esperava uma delas diz toda contente: «Mãe já sei o que é a prenda! O papel rasgou-se...»

A mãe responde: «Quem te deu ordem para abrires isso?» e a filha dava continuidade a um diálogo que todos achavam engraçado pelos sorrisos que se ouviam... «Não abri, escapou-me da mão e raspou no ferro do assento...»

É caso para dizer que são pequenos mas já sabem muito! Coisas de crianças...

Amanhã também era para estar na 36, mas um colega pediu-me para trocar e até me dá mais jeito, como tal vou andar num percurso longo, mas entre Santos e a Estação do Oriente, haver vamos o que nos reserva este domingo a Praça do Comércio. O resto da semana também não é mau de todo, com uma visita ás carreiras 5, 106 e terminando com um regresso - finalmente - á carreira 35.


domingo, 7 de dezembro de 2008

36: A maratona e o contra-relógio iluminado...

Mais um dia amigos... E que dia! Domingo, 7 de Dezembro - dia de Maratona em Lisboa, ou seja, o mesmo que dizer, mais um dia de confusão no trânsito da cidade. As pessoas teimam em dar prioridade ao veículo próprio quando já há uma rede de transportes coordenada entre vários tipos de transporte e acessível a todos e a juntar a isto, temos um fim-de-semana com um feriado junto e muitos espanhóis pela cidade.

Andei na carreira 36 e da parte da manhã, a chapa mandava fazer C.SODRÉ - SR.ROUBADO, mas devido á prova desportiva, apenas fui até aos Restauradores na primeira viagem e até á P.Comércio na segunda, depois seguiu-se o almoço. Duas horas de folga que deu para ir almoçar a Alvalade, esticar um pouco as pernas e ver as montras na Avenida da Igreja, recolhendo algumas ideias para as prendas deste Natal 2008.

E sobre a primeira parte, apenas dizer que continuo a não compreender o porquê das pessoas atribuírem as culpas á Carris, sobre estes eventos, sim porque ainda tive direito a ouvir comentários do tipo: «Isto está bom é para estes que fazem o que querem e vão até onde querem...» - apontando para mim. «Eu pago o passe é para andar de autocarro e não para fazerem maratonas»... Meus amigos, os autocarros ainda não têem asas!

Na segunda parte rendi uma chapa da mesma carreira mas com destino C.Sodré - Odivelas. Acabou-se a maratona e começou o contra-relógio. Não não houve ciclismo, e o contra-relógio foi mesmo o de quem andava ao volante com horários para cumprir. Ao Domingo o Terreiro do Paço é das pessoas, insiste a CML, mas que atrasa a vida ás pessoas isso atrasa, sobretudo a quem tem de recorrer a um transporte. A iniciativa é boa mas não nos moldes actuais.

As luzes de natal, essas também voltaram a fazer das suas e, lisboetas e espanhóis juntaram-se numa concentração única de observação ao trabalho pago por patrocinadores que este ano decoraram a cidade de forma diferente.

Em Odivelas recebi uma chamada da central para ir reservado para o C.Sodré dado o atraso. Cheguei a horas de fazer a partida no C.Sodré, mas o pior estava ainda para vir. Demorei 45 minutos a fazer o troço Cais do Sodré - Marquês de Pombal e quando cheguei ao Saldanha já devia estar em Odivelas. Ou seja, o serviço que era para terminar ás 20h14 acabou por volta das 21h00 e o jantar esse também acabou por ser mais tarde.

Amanhã é Feriado e prevê-se mais um dia confuso ali para os lados da baixa pombalina que agora está «pintada» de azul TMN...

Para terminar, apenas agradecer ao visitante Filipe Duarte, a sua contribuição. A foto apresentada neste "post" é da sua autoria e como se refere a um autocarro que costuma andar na carreira 36 durante a semana, aqui fica o agradecimento com a referida publicação. Contudo, hoje por ser fim-de-semana a carreira circulou com autocarros "standart".

sábado, 6 de dezembro de 2008

Todos os dias aprendemos, e é verdade!

Hoje foi dia de regresso a uma carreira que há muito não fazia - a 47. Até correram bem as primeiras viagens da parte da manhã. Há muito que não andava por aqueles lados, mas há sempre um "se"...

A meio da manhã começou a chover e ali na zona de Telheiras, já fora da paragem uns bons 15 metros um passageiro pede-me do lado de fora que lhe abra a porta. Inicialmente disse-lhe, gestualmente claro está, que ali não poderia abrir a porta - como mandam as normas internas. O semáforo encarnado não ajudou e do lado de fora lá ficou ele a dizer que os outros colegas abriam e que podia também abrir etc...

Como a chuva já se fazia sentir, lá o meu subconsciente me disse para fechar um pouco os olhos ás regras e abrir a porta ao senhor e sua neta. Má opção! O cliente começa a insultar-me verbalmente dizendo que e cito «se fosse um preto ou cigano logo abria e não dizia nada!»

Alertei-o de imediato que o racismo era algo que não fazia parte do meu dicionário e que lhe tinha aberto a porta fora da paragem, pelo que não tinha razão para falar daquela maneira. Já bastante exaltado o senhor levanta o tom de voz e os seus nervos já o faziam espumar pela boca, dizendo que me fazia e acontecia e que com ele não fazia farinha, como se fosse eu a insultá-lo.

Para não perder a razão e para não descer ao nível do dito cujo, calei-me e prossegui viagem e também ele prosseguiu até á Pontinha, gritando e insultando-me. Os restantes passageiros, esses apenas uma vez solicitaram que ele se calasse, mas sem êxito. É caso para dizer: SE não tivesse aberto a porta não tinha aturado a sua má disposição.

Depois a juntar a isto houve ainda uma discussão entre duas passageiras por causa de um lugar reservado a pessoas de mobilidade reduzida o qual uma delas apelidou de «lugar dos aleijados».

Para finalizar o post de hoje, deixo-vos o Pensamento do Dia, que foi uma frase dita por uma passageira durante uma das viagens esta tarde e a qual tive oportunidade de escutar: «O tabaco foi feito para os homens e não para as mulheres!»
Foto cedida por: Pedro Almeida

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A codificação do português maltratado

Olá amigos,
O mês do Natal está aí, e em grande! A crise até pode ser grande, mas Natal sem trânsito intenso, e sem sacos atrás de sacos repletos de prendas, não é Natal. Pois bem, basta andar pela cidade para se perceber que o 13.º mês já chegou à conta dos portugueses, que decidem cada vez mais optar pelo carro ao invés de utilizarem os transportes públicos. Resultado: trânsito intenso a causar alguns atrasos a quem tem horários para cumprir.

As conversas, essas também já só se referem ao acto que, por tradição ocorre ás 00H00 do dia 25 de Dezembro, ou seja as trocas de prendas. A juntar a isto tudo, temos o frio e a chuva, o que faz certamente uma ementa apetitosa para esgotar a paciência de qualquer um.

Hoje andei pela 36 e já me estava a esquecer de referir que até o "ELI - o elefante bebé" fez das suas... A peça de teatro que está no Tivoli recebeu, pelo menos hoje, centenas de crianças, que se fizeram transportar em dezenas de autocarros que preencheram o corredor BUS desde os Restauradores.

Tirando todos estes factos, apenas quero registar dois aspectos. O primeiro prende-se com o facto de se ver cada vez mais pessoas com um jornal na mão, ainda que gratuito. Outro aspecto tem haver com o português que muitos utilizam, quando tentam justificar algo.

Cliente A [mostrando o Lisboa Viva]: «Sr.Motorista, não passo na máquina porque o cartão ainda não está codificado...», queria certamente a senhora em questão, dizer que o cartão Lisboa Viva ainda não estava carregado para utilizar na Carris, tendo no entanto a senha actualizada. Mas como nos encontrávamos no Sr.Roubado e como é lá que está uma bola alusiva à SportTV (isso sim, um canal codificado) até me fez lembrar que tinha a factura da tvcabo para pagar, o que fiz mal terminei o serviço.

Um pouco mais tarde, mais uma afirmação com Português mal tratado...

Cliente B [caminhando para o corredor...]: «Boa tarde, tenho aqui o passe e tem o ship partido, mas tenho aqui a correspondência», ora correspondência costuma trazer o carteiro, ou costuma fazer o passageiro entre um e outro transporte. Queria a senhora dizer que tinha o comprovativo. E esta fez-me lembrar um programa que passa na RTP1, no qual já trabalhei nos tempos em que ainda tinha trabalho na televisão, que aconselho a verem e que se chama «Cuidado com a Língua!», apresentado por Diogo Infante.

Amanhã é mais um dia, portanto resta-me desejar boas viagens na companhia da Carris claro!

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

«Olha o motorista Ninja...» Pois mas o frio assim convida!

1 de Dezembro - Feriado, e se é bom trabalhar ao feriado porque há sempre menos confusão e porque se ganha a dobrar, por vezes até sabe bem ficar em casa, sobretudo quando o tempo assim convida, ou quando se tem uma semana daquelas para esquecer.

Assim é. Hoje gozo dia feriado e bem precisava de descanso depois de uma semana que começou, claro está na 742 e que terminou na 793, com um regresso á 794 pelo meio. Os primeiros dias da semana decorreram dentro da normalidade, mas com a chuva a fazer das suas, provocando algum trânsito na cidade.

Esta semana foi de facto para esquecer, porque pelo meio almoçei ali para os lados de Santo Amaro, uns Pasteis de Bacalhau que não me fizeram nada bem. A má disposição levou-me a ficar sem paciência para nada e só mesmo uma mudança de ares levou a que recuperasse um pouco mais de forças.

Mas a mudança de ares até não foi das melhores. Bem pode dizer-se que foi um regresso a uma carreira que há muito não fazia - 794 - o que faz com que as primeiras viagens pareçam novidade. O que não era novidade nenhuma era o horário curto para dar tanta volta para chegar á Gare do Oriente.

O frio lá fora teimava em entrar para dentro do autocarro e até a sofagem liguei para aquecer. E o melhor mesmo foi quando uma senhora entra e diz que nunca tinha visto o motorista com o cachecol. Estranho! Logo lhe disse que devia andar pouco de autocarro, até porque já me tinha cruzado com três ou quatro colegas, também eles protegidos do frio por um cachecol.

Ah e convém dizer que tudo isto é prevenção porque apesar de estarmos dentro do autocarro, o abrir e fechar das portas causa correntes de ar que se tornam inimigas de qualquer um. Mas será que era só eu que tinha frio?

Pelo que observava, muita gente se queixava do frio causado pelas temperaturas baixas, mas até de «Motorista Ninja» me apelidaram, ele há com cada um...

Frio á parte, a semana terminou na 793 com um domingo onde nem a chuva afastou a habitual ida de domingo à Feira do Relógio. Para não bastar, as superfícies comerciais alargaram os horários e há porta do Feira Nova da Bela Vista, eram dezenas as pessoas que aguardavam o autocarro a cada viagem feita.

Ainda tive direito a visita de uns rapazes que decidiram tirar o dia para brincarem com quem andava a trabalhar, ali entre a Madre Deus e Marvila, mas acabaram por ficar a saber que não estava para brincadeiras. Tendo metade ficado na rua e outra metada na paragem mais á frente, dada a hesitação em sairem e entrarem do autocarro em estilo de gozo.

O que valeu foi que o dia até passou rápido porque acabei por encontrar um amigo que foi dar umas voltas de autocarro e que até trocou umas palavras com o motorista. Agora o regresso será quinta-feira, só espero que não seja nem 742, nem 793. Logo se verá...

Translate