sábado, 22 de novembro de 2008

O dia em que fui «marcado» e a baba que marcou o autocarro...

Quem costuma andar de transportes públicos, saberá certamente que há pessoas capazes de tudo, durante uma viagem, que até pode ser bem calma assim como o dia de trabalho. Contudo, há dias menos calmos ou dias que acabam por ficar marcados por este ou por aquele episódio.

Na sexta-feira, toda a cidade andava assustada com o caos que se poderia tornar o simulacro de um Sismo, preparado pela Protecção Civil. Houve zonas que foram mais abrangidas do que outras, mas o que posso dizer é que para mim não passou de uma sexta-feira normal e digo normal porque o trânsito à sexta é caótico, o que já estamos habituados.

Andei pela 708 e se o parque das nações participou no simulacro, como se lia nos jornais, nem dei por isso... O que dei conta, isso sim, foi de um indivíduo que entrou no Terminal do Martim Moniz, sem título de transporte válido, algo que inicialmente não me preocupou, porque sabia que a fiscalização viria a entrar na paragem seguinte e porque o passageiro é o principal responsável por não se munir de título de transporte válido.

Contudo, e para ser sincero, revolta-me ver a quantidade de pessoas que ainda se transportam sem título, ao contrário de outros países onde até para o cão compram meio-bilhete.

A noite estava um pouco fria e enquanto aguardava a hora de partida, o indivíduo, já dentro do autocarro e depois de ter simulado também ele, que se ia sentar, interpela o passageiro que descontraidamente lia as últimas notícias publicadas no «Diário de Notícias» que tinha em sua posse, pedindo-lhe dinheiro, tendo-lhe sido negada qualquer oferta.

Pensando eu que se ia ficar por ali, desviei também eu o meu olhar para o diário gratuito que tinha em minha posse, para que dentro dos possíveis esteja actualizado do que se passa no país e no mundo, porque nem sempre é possível ver o "Jornal da Noite com Rodrigo Guedes de Carvalho" :)

Volto a olhar o espelho e verifico que o indivíduo já estava a incomodar outro passageiro, depois outro, depois outra e á 5.ª vez e já com a minha paciência quase a «explodir», abri a porta de trás e solicitei delicadamente que saísse, uma vez que não tinha título de transporte válido e porque estava a incomodar os restantes passageiros que aproveitavam para descansar um pouco o stress ganho após um dia de trabalho.

O indivíduo respeitou o pedido e saiu, mas não sem antes ameaçar o motorista, claro está. Já do lado de fora do autocarro lá ia ele apontando em minha direcção o dedo indicador e dizendo "põem-te a pau que já estas marcado! Já te marquei e estás tramado comigo..." e por ali ficou.

Já hoje andei pela 36, num regresso ás madrugadas, que há muito não fazia. É bom porque se sai mais cedo, mas é mau porque a cama de manhã sabe bem e com o frio que estava, nem o aquecimento do autocarro foi suficiente para me aquecer.

O dia correu bem mas também ele ficou marcado... E não foi só o dia! Foi o dia que ficou marcado por uma situação, situação esta que acabou por marcar o soalho do autocarro, a banqueta e as moedas...

E foi mesmo esta situação que me levou a pensar se havia de escrever ou não, mas vou arriscar. A certa altura da tarde, estou com destino a Odivelas e no Campo Grande, ali junto à Av.Brasil, um senhor entra algo atrapalhado e pergunta se o autocarro vai para Odivelas e qual o preço do bilhete. Digo-lhe então que sim, vai para Odivelas e que custava 1,40€.

Aparentando ser mais uma vítima da terrível doença de Parkinson, procura no monte de moedas que estavam na palma da sua mão, a quantia certa para adquirir o título de transporte e até aqui tudo bem. O pior mesmo, foi que ao mesmo tempo que o fazia, uma abundante quantidade de baba ia escorrendo da sua boca, atingindo a palma da mão, o casaco, o chão do autocarro e até mesmo a banqueta, através do movimento do braço.

Só visto porque contado nem dá para acreditar. Contei até três, desviei o olhar por instantes e lá esperei que se sentasse. Na entrada a baba lá foi secando e os restantes passageiros lá iam aos poucos tentando esquecer tal situação. Para terminar o serviço, uma manifestação dos trabalhadores dos CTT acabava por criar alguma confusão nos Restauradores e um aglomerado de pessoas na paragem do Rossio, fez com que chegasse um pouco atrasado à rendição.

Amanhã termina a semana e seguem-se dois dias de folga...

4 comentários:

Carlos Correia disse...

Isso do ser marcado normalmente (e ainda bem) é só garganta.
Quanto ao episódio da baba, confesso que me choca bastante o facto de os familiares de pessoas idosas e doentes permitirem que essas mesmas pessoas andem sozinhas pela rua. Mas enfim, são coisas que acontecem.

Cumprimentos e boa continuação

Carlos Correia
element@netcabo.pt

ana disse...

Já vi pessoas a urinar dentro dos transportes, mas baba nunca me calhou - felizmente! Já agora, aproveito para participar que o Diário do Tripulante é o ilustre convidado desta semana no meu blog, http://palavrasdosoutros.blogspot.com/

APS disse...

Caro Rafael
Li hoje com agrado que a Carris colocou em circulação 40 autocarros perfumados. Será que lhe calhou algum?
A predomincão do cheiro é de CANELA.
Cuidado quando se passa no sítio dos PASTEIS DE BELÉM!
Um abraço
APS

Popelina disse...

Boa noite. Esperemos que esta semana comece melhor.

Translate