quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O desejado regresso á 35 e a moral da condescendência

Frase do dia: «Como profissional o senhor tem de ser condescendente...» mas já lá vou á moral...

Hoje regressei á carreira 35 - a minha carreira de eleição. Como tinha referido num post anterior, consegui trocar o serviço com o colega e lá "joguei" em casa, como dizem alguns dos meus colegas - aqueles que sabem onde eu morava anteriormente.

Como a carreira passava á porta de casa, sempre que a fazia, diziam: «Hoje jogas em casa», recentemente mudei de casa mas nem isso fez com que passasse a gostar menos de fazer esta carreira. Gosto do percurso, dos autocarros que lá andam e dos passageiros, apesar de alguns requererem atenção redobrada dada a sua mobilidade.

Para quem não conhece a carreira, parte do Cais do Sodré rumo ao Hospital de Santa Maria, passando por Santa Apolónia, Rua Washignton, Sapadores, Praça Paiva Couçeiro, Praça do Chile, Alameda, Areeiro, Av.Roma, Av.Brasil, e Cidade Universitária. E é sobretudo entre a Praça do Chile e o Cais Sodré que apanha os passageiros que requerem mais atenção, dada a sua idade ou mobilidade. Mas quando se faz o que se gosta até se faz com mais vontade.

Depois é a simpatia dos passageiros, alguns já conhecidos ainda dos tempos em que por ali morava na zona, que lá vão soltando: «Olha o Rafael, tudo bem? Como vai a família?...» Depois há também o factor dos trocos. Sempre que faço a 35 arranjo moedas com fartura, porque a maioria dos clientes levam dinheiro trocado, o que facilita sempre a vida ao motorista.

E são estas pequenas coisas e sobretudo o percurso da carreira que me vão fazendo gostar de a fazer. O que eu não gostei muito foi do trânsito provocado na P.Comércio, pelas obras que aos poucos trazem á normalidade, a Av.Ribeira das Naus. O que estou para entender ainda é o porquê de apróximadamente 15 metros de passeio, junto ao Ministério das Finanças, mas eles lá sabem... Vai na volta, e dadas as finanças do país, estão já a pensar num local para as televisões colocarem as suas carrinhas de exteriores, para os directos a fazer do referido ministério, a quando dos esclarecimentos do sr. ministro.

Como vêem o dia correu muito bem e ainda tive direito a uma moral de condescendência. Para quem conhece a Cidade Universitária, ali junto á cantina da Universidade e com destino ao Hospital S.Maria existe um corredor Bus empedrado onde estão situadas as paragens da Carris e da TST. Pelo meio uma entrada e saída do parque da Cantina. Obviamente que quem sai daquele parque perde a prioridade, não só por sair de um parque como pelo sinal vertical existente.

Eu ia pelo corredor BUS para fazer a paragem e uma senhora que saía do parque no seu pópó, lembrou-se de me Buzinar e fazer sinais de Luzes. Como reparei que estava distraída, apenas lhe apontei para o sinal vertical, mostrando-lhe que não tinha razão alguma para protestar pelo facto de eu ter parado na paragem.

Pensava eu que ficava por ali a questão, mas não... Já perto do terminal a condutora desse mesmo carro leva o carro á rotação máxima da 1.ª velocidade para me ultrapassar e atravessar-se á minha frente, buzinando. Mas como já tinha previsto o que ela pretendia fazer, (porque já são muitos Km's a ver coisas destas...) abrandei e apenas comentei: «Ainda quer ter razão... E com tanta coisa até passou o vermelho e ia atropelando o homem que ia atravessar...»

De imediato, a passageira que se encontrava no banco da frente a observar, comenta: «Realmente não se entede como aquela tipa tem carta de condução, por fazer tantas asneiras de uma assentada só...», e respondi: «É estas situações que ás vezes originam acidentes desnecessários. A sorte foi que já sabia o que ela ia fazer... Assim adivinhasse o Euromilhões.»

Surge então uma outra passageira que se chega á frente propositadamente para dar uma liçãod e moral da condescendência: "O senhor como profissional também tem de ser condescendente com estas situações", como se eu tivesse respondido a algo. E questionei: «Condescendente? Não sei porquê, mas se a senhora andasse aqui o dia inteiro, certamente que não fazia esse comentário...» E para termiar em grande, um casal que também ia a bordo do meu 35 rematou com esta: «Realmente coitados. Andam aqui o dia inteiro a levar com estes tipos que andam na estrada só a arranjar problemas aos outros... Faça boas viagens é o que desejamos...» e lá foram eles visitar o familiar ao hospital de santa maria. A eles também desejo as melhoras para o familiar.

Tirando esta da condescendência, sem dúvida que há muito não tinha um dia calmo como o de hoje, ou não estivesse eu na minha carreira...

5 comentários:

vasco lopes disse...

Ainda mais condescendente do que já são? Eu até acho que vocês facilitam demasiado, mas enfim...
Acabe-se com a condução defensiva e pode ser que certas as pessoas aprendam de vez.
Rafael, um abraço e aperta mas é com eles...lolol

1001 Acessórios disse...

existe pessoal que não devia pegar no carro, mas então...

depois vem sempre os defensores, se a situação fosse com eles é que eu gostava de ver...

bem, ..., é assim ....
bom fim de semana!!!

1001

Carlos Correia disse...

Felizmente ainda vão havendo passageiros que percebem quando o motorista tem razão e o 'defendem' da ira de gente menos iluminada nos momentos essenciais.

Carlos Correia
element@netcabo.pt

Anónimo disse...

35 ? carreira de eleição? quer dizer que sempre que eu tiver 35 e quiser trocar tu trocas certo :-) ?

Rafael Santos disse...

Em resposta ao Anónimo, já vi que também és da Musgueira. Sim quando tiveres a 35 eu troco na boa :) Um abraço

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