sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Mais uma semana e a conversa da fruta...

Sexta-feira!! Finalmente está á porta a merecida folga da semana.

Semana esta que correu muito bem. Foi um pouco cansativa é certo, mas desde que corra tudo bem, o cansaço fica para segundo plano. Foi uma semana de 742, algo que nunca me tinha acontecido e sobretudo no mesmo serviço, algo que me possibilitou ver quais as vantagens e desvantagens de ser "Efectivo de Carreira", porque até então só sabia o que era ser "Supra", que é o que sou ainda dentro da Carris.

Ao segundo dia, começa-se a ver caras repetidas do dia anterior, ao 3.º já dizem boa tarde ou boa noite e ao 4.º até já se sabe quem vai descer na paragem «x» ou na paragem «y». Uns vão para o trabalho, outros regressam dele, ou simplesmente passeiam pela cidade.

Cidade esta que a cada dia que passa vai ganhando cor e luz para um mês que se avizinha. Ao passar S.Sebastião as iluminações natalícias da superfície comercial ali instalada, já acesas, lembram quem por ali passa que é altura de pensar nas prendas. Do outro lado, outras luzes se destacam ao entardecer. São azuladas e alaranjadas em jeito de faíscas... São as soldaduras das obras do metro que continuam a atrasar um pouco a vida de quem por ali passa, não de metro, mas de carro, autocarro ou até mesmo a pé.

Hoje foi o último dia da semana e para casa trago a conversa da fruta. Numas das viagens a meio da manhã, entra na P.Chile uma passageira invisual que já a conheço ali da zona dos Olivais [apanhei-a algumas vezes na carreira 79], entra cumprimenta-me com a sua simpatia característica e senta-se no primeiro lugar, junto á porta da frente.

Pede-me para que a deixe ficar na paragem de Xabregas, junto á frutaria, para ir comprar fruta. Digo-lhe que fique descansada, que logo que chegassemos lá, alertava-lhe para sair. Diz-me então que ia á procura de dióspiros e que só ali está habituada a comprar fruta porque já a conhecem e sabem do que gosta.

«Aqui perto do Alto de São João também já me falaram que há um chinês que vende fruta boa a metade do preço, mas não me entendo com eles... Não percebo o que dizem nem eles percebem o que quero...», diz-me ela com um sorriso e acrescenta que «também é mais complicado porque aqui [A.S.João] tenho de atravessar ruas e ás vezes as pessoas vêem-me quando passam por mim e ninguém é capaz de me ajudar... é sempre a moça do café que me vê e vem a correr para me atravessar...»

É de facto incrível ouvir isto da boca de uma pessoa invisual que como é óbvio necessita da ajuda daqueles que por vezes os desprezam. Há de facto coisas que não se compreendem.

Chegamos então á paragem e lá lhe alerto para sair. Espero que tenha encontrado os dióspiros.

O resto do dia correu dentro da normalidade, mas para vos ser sincero... e depois de uma semana de trabalho na 742, só vos digo: Os autocarros da carris são grandes máquinas porque sofrem imenso nos buracos, nos altos e baixos, nas ruas apertadas ou menos cuidadas. Pobres coitados que todos os dias transportam milhares de pessoas.

Agora vou desfrutar dos três dias de folga e 3.ª feira estou de volta... á 742! ironia não é...
Notas:
A) A foto publicada foi gentilmente cedida por Pedro Almeida.
B) Designação "Efectivo de Carreira" - Motorista com um grupo de carreira(as) fixa(as).
C) Designação "Supra" - Motorista sem carreira fixa que faz todo o serviço respeitantes ás carreiras da estação que está afecto.

2 comentários:

Carlos Correia disse...

Sobre os autocarros serem grandes máquinas, vou aqui recordar um curto episódio passado no dia da 'festinha' que a Carris organizou na Praça do Comércio para apresentação das novas viaturas.
Na presença de vários Citaro G, eu e os meus amigos demos conta de que o 4606 se encontrava aberto ao público, pelo que decidimos entrar. O inspector que estava a bordo parecia tão contente e animado que enquanto os meus amigos viam o autocarro eu dirigi-me lá à frente (onde estava o inspector, um polícia municipal e uma terceira pessoa cuja função ignoro) e, sabendo das desventuras dos Citaro standard, resolvi fazer uma pergunta difícil...
Eu: então, presumo que estes Citaro sejam mais resistentes que os standard que estão na Musgueira.
Inspector: ah, nós esperamos que sim.
Eu: realmente, acho que a Carris deveria pedir uma indemnização à Câmara de Lisboa, uma vez que alguns danos nos autocarros são causados pelo mau estado das ruas da cidade.
Inspector: (riso)
Polícia: pois, realmente não era mal pensado.

E a conversa morreu por ali.
Longe de mim querer armar-me em profeta da desgraça, creio que a Carris irá dar-se mal com os Citaro G. Mas esperemos para ver.

Cumprimentos

Carlos Correia
element@netcabo.pt

Sofia disse...

Excelente ideia para um blog. Ouvi falar deste blog no programa Janela Indiscreta, do Pedro Rolo Duarte e tenho a dizer-lhe que a partir de agora, vai fazer parte das minhas leituras diárias.

Boas viagens!

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