quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Um frio Diabólico de ficar ZON

Não, não estou a fazer publicidade á ZON, mas apenas falar da Árvore de Natal que esta empresa patrocinou no topo do Parque Eduardo VII que tem aumentado o fluxo de trânsito nas artérias adjacentes. Pois como já devem ter reparado comecei mais uma semana na 742.

O frio que se fazia sentir pela manhã era algo que só fazia lembrar o quente que havia deixado para trás em casa. Comecei em grande!! Ainda a proceder ao preenchimento da folha diária no acto da rendição, uma cliente pergunta-me se vou demorar muito e logo percebi que queria apanhar o 12. É caso para dizer que «a fartura é que os estraga...»

Os restantes lá permaneceram sentados, aquecendo-se cada um como podia. Já na parte da tarde, ali bem perto de São Sebastião, uma cliente corre em direcção ao autocarro. Trazia já umas bochechas rosadas do frio, para não dizer mesmo, vermelhas. Agradece-me o facto de ter esperado e diz: «Está um frio diabólico sr.motorista, e nem queria imaginar que perdia este autocarro e ficaria a espera de outro. Muito obrigado.»

Enquanto isto, um pouco mais acima, um jovem casal procura junto ao muro do EPL o melhor plano para fotografar a Árvore ZON, ao que a referida passageira ao observar comenta: «É mesmo um frio de ficar ZON. Gabo a paciêcia...»

E assim foi o primeiro dia de mais uma semana na 742, e hoje com direito a visita do meu inspector acompanhante.

Boas Viagens!
Foto cedida por Marcel Mazoni

sábado, 22 de novembro de 2008

O dia em que fui «marcado» e a baba que marcou o autocarro...

Quem costuma andar de transportes públicos, saberá certamente que há pessoas capazes de tudo, durante uma viagem, que até pode ser bem calma assim como o dia de trabalho. Contudo, há dias menos calmos ou dias que acabam por ficar marcados por este ou por aquele episódio.

Na sexta-feira, toda a cidade andava assustada com o caos que se poderia tornar o simulacro de um Sismo, preparado pela Protecção Civil. Houve zonas que foram mais abrangidas do que outras, mas o que posso dizer é que para mim não passou de uma sexta-feira normal e digo normal porque o trânsito à sexta é caótico, o que já estamos habituados.

Andei pela 708 e se o parque das nações participou no simulacro, como se lia nos jornais, nem dei por isso... O que dei conta, isso sim, foi de um indivíduo que entrou no Terminal do Martim Moniz, sem título de transporte válido, algo que inicialmente não me preocupou, porque sabia que a fiscalização viria a entrar na paragem seguinte e porque o passageiro é o principal responsável por não se munir de título de transporte válido.

Contudo, e para ser sincero, revolta-me ver a quantidade de pessoas que ainda se transportam sem título, ao contrário de outros países onde até para o cão compram meio-bilhete.

A noite estava um pouco fria e enquanto aguardava a hora de partida, o indivíduo, já dentro do autocarro e depois de ter simulado também ele, que se ia sentar, interpela o passageiro que descontraidamente lia as últimas notícias publicadas no «Diário de Notícias» que tinha em sua posse, pedindo-lhe dinheiro, tendo-lhe sido negada qualquer oferta.

Pensando eu que se ia ficar por ali, desviei também eu o meu olhar para o diário gratuito que tinha em minha posse, para que dentro dos possíveis esteja actualizado do que se passa no país e no mundo, porque nem sempre é possível ver o "Jornal da Noite com Rodrigo Guedes de Carvalho" :)

Volto a olhar o espelho e verifico que o indivíduo já estava a incomodar outro passageiro, depois outro, depois outra e á 5.ª vez e já com a minha paciência quase a «explodir», abri a porta de trás e solicitei delicadamente que saísse, uma vez que não tinha título de transporte válido e porque estava a incomodar os restantes passageiros que aproveitavam para descansar um pouco o stress ganho após um dia de trabalho.

O indivíduo respeitou o pedido e saiu, mas não sem antes ameaçar o motorista, claro está. Já do lado de fora do autocarro lá ia ele apontando em minha direcção o dedo indicador e dizendo "põem-te a pau que já estas marcado! Já te marquei e estás tramado comigo..." e por ali ficou.

Já hoje andei pela 36, num regresso ás madrugadas, que há muito não fazia. É bom porque se sai mais cedo, mas é mau porque a cama de manhã sabe bem e com o frio que estava, nem o aquecimento do autocarro foi suficiente para me aquecer.

O dia correu bem mas também ele ficou marcado... E não foi só o dia! Foi o dia que ficou marcado por uma situação, situação esta que acabou por marcar o soalho do autocarro, a banqueta e as moedas...

E foi mesmo esta situação que me levou a pensar se havia de escrever ou não, mas vou arriscar. A certa altura da tarde, estou com destino a Odivelas e no Campo Grande, ali junto à Av.Brasil, um senhor entra algo atrapalhado e pergunta se o autocarro vai para Odivelas e qual o preço do bilhete. Digo-lhe então que sim, vai para Odivelas e que custava 1,40€.

Aparentando ser mais uma vítima da terrível doença de Parkinson, procura no monte de moedas que estavam na palma da sua mão, a quantia certa para adquirir o título de transporte e até aqui tudo bem. O pior mesmo, foi que ao mesmo tempo que o fazia, uma abundante quantidade de baba ia escorrendo da sua boca, atingindo a palma da mão, o casaco, o chão do autocarro e até mesmo a banqueta, através do movimento do braço.

Só visto porque contado nem dá para acreditar. Contei até três, desviei o olhar por instantes e lá esperei que se sentasse. Na entrada a baba lá foi secando e os restantes passageiros lá iam aos poucos tentando esquecer tal situação. Para terminar o serviço, uma manifestação dos trabalhadores dos CTT acabava por criar alguma confusão nos Restauradores e um aglomerado de pessoas na paragem do Rossio, fez com que chegasse um pouco atrasado à rendição.

Amanhã termina a semana e seguem-se dois dias de folga...

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

O desejado regresso á 35 e a moral da condescendência

Frase do dia: «Como profissional o senhor tem de ser condescendente...» mas já lá vou á moral...

Hoje regressei á carreira 35 - a minha carreira de eleição. Como tinha referido num post anterior, consegui trocar o serviço com o colega e lá "joguei" em casa, como dizem alguns dos meus colegas - aqueles que sabem onde eu morava anteriormente.

Como a carreira passava á porta de casa, sempre que a fazia, diziam: «Hoje jogas em casa», recentemente mudei de casa mas nem isso fez com que passasse a gostar menos de fazer esta carreira. Gosto do percurso, dos autocarros que lá andam e dos passageiros, apesar de alguns requererem atenção redobrada dada a sua mobilidade.

Para quem não conhece a carreira, parte do Cais do Sodré rumo ao Hospital de Santa Maria, passando por Santa Apolónia, Rua Washignton, Sapadores, Praça Paiva Couçeiro, Praça do Chile, Alameda, Areeiro, Av.Roma, Av.Brasil, e Cidade Universitária. E é sobretudo entre a Praça do Chile e o Cais Sodré que apanha os passageiros que requerem mais atenção, dada a sua idade ou mobilidade. Mas quando se faz o que se gosta até se faz com mais vontade.

Depois é a simpatia dos passageiros, alguns já conhecidos ainda dos tempos em que por ali morava na zona, que lá vão soltando: «Olha o Rafael, tudo bem? Como vai a família?...» Depois há também o factor dos trocos. Sempre que faço a 35 arranjo moedas com fartura, porque a maioria dos clientes levam dinheiro trocado, o que facilita sempre a vida ao motorista.

E são estas pequenas coisas e sobretudo o percurso da carreira que me vão fazendo gostar de a fazer. O que eu não gostei muito foi do trânsito provocado na P.Comércio, pelas obras que aos poucos trazem á normalidade, a Av.Ribeira das Naus. O que estou para entender ainda é o porquê de apróximadamente 15 metros de passeio, junto ao Ministério das Finanças, mas eles lá sabem... Vai na volta, e dadas as finanças do país, estão já a pensar num local para as televisões colocarem as suas carrinhas de exteriores, para os directos a fazer do referido ministério, a quando dos esclarecimentos do sr. ministro.

Como vêem o dia correu muito bem e ainda tive direito a uma moral de condescendência. Para quem conhece a Cidade Universitária, ali junto á cantina da Universidade e com destino ao Hospital S.Maria existe um corredor Bus empedrado onde estão situadas as paragens da Carris e da TST. Pelo meio uma entrada e saída do parque da Cantina. Obviamente que quem sai daquele parque perde a prioridade, não só por sair de um parque como pelo sinal vertical existente.

Eu ia pelo corredor BUS para fazer a paragem e uma senhora que saía do parque no seu pópó, lembrou-se de me Buzinar e fazer sinais de Luzes. Como reparei que estava distraída, apenas lhe apontei para o sinal vertical, mostrando-lhe que não tinha razão alguma para protestar pelo facto de eu ter parado na paragem.

Pensava eu que ficava por ali a questão, mas não... Já perto do terminal a condutora desse mesmo carro leva o carro á rotação máxima da 1.ª velocidade para me ultrapassar e atravessar-se á minha frente, buzinando. Mas como já tinha previsto o que ela pretendia fazer, (porque já são muitos Km's a ver coisas destas...) abrandei e apenas comentei: «Ainda quer ter razão... E com tanta coisa até passou o vermelho e ia atropelando o homem que ia atravessar...»

De imediato, a passageira que se encontrava no banco da frente a observar, comenta: «Realmente não se entede como aquela tipa tem carta de condução, por fazer tantas asneiras de uma assentada só...», e respondi: «É estas situações que ás vezes originam acidentes desnecessários. A sorte foi que já sabia o que ela ia fazer... Assim adivinhasse o Euromilhões.»

Surge então uma outra passageira que se chega á frente propositadamente para dar uma liçãod e moral da condescendência: "O senhor como profissional também tem de ser condescendente com estas situações", como se eu tivesse respondido a algo. E questionei: «Condescendente? Não sei porquê, mas se a senhora andasse aqui o dia inteiro, certamente que não fazia esse comentário...» E para termiar em grande, um casal que também ia a bordo do meu 35 rematou com esta: «Realmente coitados. Andam aqui o dia inteiro a levar com estes tipos que andam na estrada só a arranjar problemas aos outros... Faça boas viagens é o que desejamos...» e lá foram eles visitar o familiar ao hospital de santa maria. A eles também desejo as melhoras para o familiar.

Tirando esta da condescendência, sem dúvida que há muito não tinha um dia calmo como o de hoje, ou não estivesse eu na minha carreira...

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Os primeiros dados divulgados de 2008

Semana 47 do ano 2008, na terça começei na 742 como não poderia deixar de ser, mas foi sem dúvida um dia diferente na 742, porque nada houve a registar a não ser o facto de grande parte dos passageiros terem-me cumprimentado ao entrar, com um simples "Bom dia" ou "boa tarde", o que é raro nos dias que correm...

Hoje andei pela 36 com os habituais autocarros articulados Volvo B10M, que muitos gostam. Quanto ás chapas, apenas fui uma vez a Odivelas, sendo as restantes viagens para Sr.Roubado.

Amanhã vou regressar á minha carreira preferida - a 35 e muito graças á troca que fiz com um colega. Estava escalado para a 47, mas como era para render no C.Grande e como o colega mora para aqueles lados, pedi a troca e assim saímos os dois a ganhar.

Sexta-feira vou para a 708 que também é uma carreira agradável tirando o facto de ter sido nesta carreira que recentemente encontrei uma prótese dentária. Depois no fim-de-semana, irei passar o sábado ao volante de um dos autocarros da carreira 36 e no Domingo só amanhã irei saber.

O que fiquei hoje a saber, e muito graças á minha paciência e ao Excel do meu computador, foi que o autocarro que mais utilizei em 2008 foi o 4078, que é o que está na foto. Actualizei também os dados referentes ás carreiras e apenas por curiosidade a carreira que fiz mais até á data, em 2008 foi a 742, por estar diversas vezes escalado para esta carreira que é uma das que tem mais chapas na estação da Musgueira e em segundo lugar aparece a 35, muito graças aos serviços extras que marco para lá.

Quanto á semana está a correr muito bem e aqui fica uma palavra para os passageiros da Carris: Não tenham medo de cumprimentar o motorista, porque ele não morde. Pois por vezes nota-se que os utentes dos autocarros entram, vão para saudar, mas lá se devem lembrar... «é o motorista, esquece...»

A todos boas viagens.

Foto cedida por Pedro Almeida

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Á procura de energia para mais uma semana de trabalho


Uma nova semana de trabalho está á porta e nada melhor do que recuperar energias para mais uma semana de trabalho, para que tudo corra ás mil maravilhas. Hoje aproveitei para lavar o carro que já estava a necessitar, depois daqueles bichos irritantes [os pombos], que se tornaram símbolo da cidade em detrimento dos corvos, terem feito das suas, muito embora eu também tivesse culpa porque estacionei o carro de baixo de uma árvore.

E por falar em bichos, foi mesmo no "elefante azul" e passe a publicidade que gastei cerca de 10 minutos para que o carro saísse de lá um brilho. Aproveitei depois o sol radiante que coloria a minha cidade e fui até ao Parque das Nações - Norte, onde normalmente costumo ir, mas na carreira 708, limitando-me assim ao terminal. Hoje como estava de folga, aproveitei para recuperar energias naquela zona, onde a vista sobre o Tejo é magnífica.



Para que a vossa semana também seja do melhor aqui vos deixei estas imagens que captei por lá esta tarde.

A todos boas viagens e boa semana!

sábado, 15 de novembro de 2008

"Janela Indiscreta" descobre diariodotripulante.blogspot.com

A blogosfera tem de facto um poder que é inimaginável, ao qual só nos apercebemos depois de entrarmos nela. A determinada altura do passado mês de Agosto, decidi criar este blog como passatempo, mas também como um arquivo das muitas histórias e episódios que já assisti desde o dia em que tive a sorte de entrar para a Carris.

E digo sorte, porque estou satisfeito com o meu trabalho. Obviamente que podem colocar a questão: "Mas não preferias a televisão?" - Obviamente que sim! Mas sendo no momento impossível de concretizar esse desejo, porque não escolher algo que gostamos também de fazer.

Ironia ou talvez não, recordo um trabalho final do curso de câmara, que tirei na etic. Uma reportagem de 3 minutos sobre os históricos eléctricos da Carris, que na altura me valeu uma boa nota. Quem diria que passados alguns anos estaria eu deste lado?! A vida dá mesmo muitas voltas e muitas voltas também dou eu neste meu dia-a-dia a volante dos autocarros da Carris.

É este movimento constante e o contacto com o público e claro está a história de uma empresa centenária que opera no coração da minha cidade - Lisboa, que me fazem estar satisfeito com o trabalho que tenho actualmente.

Hoje tive conhecimento que o blog foi referido pelo jornalista Pedro Rolo Duarte, no seu programa de entretenimento «Janela Indiscreta» da Antena1, que já o tinha referido no seu blog. Nunca pensei que o blog fosse falado na rádio, nem era esse o objectivo, até porque tudo não passou de uma brincadeira para contar as diversas situações, por vezes engraçadas que vão acontecendo no dia-a-dia de quem trabalha nesta grande empresa.

A curiosidade em ouvir o que foi dito, levou-me ao site da RTP, onde encontrei a página do referido programa, onde a 14-11-2008 foi abordado este blog:

http://ww1.rtp.pt/multimedia/index.php?prog=2361

Ao jornalista Pedro Rolo Duarte, aqui fica o agradecimento pelo seu olhar indiscreto sobre o blog.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Mais uma semana e a conversa da fruta...

Sexta-feira!! Finalmente está á porta a merecida folga da semana.

Semana esta que correu muito bem. Foi um pouco cansativa é certo, mas desde que corra tudo bem, o cansaço fica para segundo plano. Foi uma semana de 742, algo que nunca me tinha acontecido e sobretudo no mesmo serviço, algo que me possibilitou ver quais as vantagens e desvantagens de ser "Efectivo de Carreira", porque até então só sabia o que era ser "Supra", que é o que sou ainda dentro da Carris.

Ao segundo dia, começa-se a ver caras repetidas do dia anterior, ao 3.º já dizem boa tarde ou boa noite e ao 4.º até já se sabe quem vai descer na paragem «x» ou na paragem «y». Uns vão para o trabalho, outros regressam dele, ou simplesmente passeiam pela cidade.

Cidade esta que a cada dia que passa vai ganhando cor e luz para um mês que se avizinha. Ao passar S.Sebastião as iluminações natalícias da superfície comercial ali instalada, já acesas, lembram quem por ali passa que é altura de pensar nas prendas. Do outro lado, outras luzes se destacam ao entardecer. São azuladas e alaranjadas em jeito de faíscas... São as soldaduras das obras do metro que continuam a atrasar um pouco a vida de quem por ali passa, não de metro, mas de carro, autocarro ou até mesmo a pé.

Hoje foi o último dia da semana e para casa trago a conversa da fruta. Numas das viagens a meio da manhã, entra na P.Chile uma passageira invisual que já a conheço ali da zona dos Olivais [apanhei-a algumas vezes na carreira 79], entra cumprimenta-me com a sua simpatia característica e senta-se no primeiro lugar, junto á porta da frente.

Pede-me para que a deixe ficar na paragem de Xabregas, junto á frutaria, para ir comprar fruta. Digo-lhe que fique descansada, que logo que chegassemos lá, alertava-lhe para sair. Diz-me então que ia á procura de dióspiros e que só ali está habituada a comprar fruta porque já a conhecem e sabem do que gosta.

«Aqui perto do Alto de São João também já me falaram que há um chinês que vende fruta boa a metade do preço, mas não me entendo com eles... Não percebo o que dizem nem eles percebem o que quero...», diz-me ela com um sorriso e acrescenta que «também é mais complicado porque aqui [A.S.João] tenho de atravessar ruas e ás vezes as pessoas vêem-me quando passam por mim e ninguém é capaz de me ajudar... é sempre a moça do café que me vê e vem a correr para me atravessar...»

É de facto incrível ouvir isto da boca de uma pessoa invisual que como é óbvio necessita da ajuda daqueles que por vezes os desprezam. Há de facto coisas que não se compreendem.

Chegamos então á paragem e lá lhe alerto para sair. Espero que tenha encontrado os dióspiros.

O resto do dia correu dentro da normalidade, mas para vos ser sincero... e depois de uma semana de trabalho na 742, só vos digo: Os autocarros da carris são grandes máquinas porque sofrem imenso nos buracos, nos altos e baixos, nas ruas apertadas ou menos cuidadas. Pobres coitados que todos os dias transportam milhares de pessoas.

Agora vou desfrutar dos três dias de folga e 3.ª feira estou de volta... á 742! ironia não é...
Notas:
A) A foto publicada foi gentilmente cedida por Pedro Almeida.
B) Designação "Efectivo de Carreira" - Motorista com um grupo de carreira(as) fixa(as).
C) Designação "Supra" - Motorista sem carreira fixa que faz todo o serviço respeitantes ás carreiras da estação que está afecto.

A dita prótese...

E como o prometido é devido,a qui fica a foto da prova para quem ainda não acreditava ou pensava que tudo era ficção...

Aqui está ela...


Entretanto sube que este blog tem andado por aí ser falado noutros blogs. A todos obrigado pelo apoio e pelos comentários...

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Um dia na 708: «A Sony, a Sónia, o desconto e... a prótese dentária»

É sem dúvida uma das carreiras que dá gosto fazer, sobretudo dos Olivais para cima, porque respira-se um bom ar. É uma carreira de extremos. No Martim Moniz, cheiramos o caril e outros aperitivos orientais, já no Parque das Nações respira-se o cheiro dos Pinheiros e da relva acabada de cortar - quando não temos o Tejo a fazer das suas...

O serviço escalado não foi dos melhores, mas até se fez bem. Pelo meio e como não poderia deixar de ser, algumas histórias para contar. Começo seriamente a pensar se anda tudo maluco ou se é efeitos do clima alterado.

Numa das viagens entra um senhor na P.Chile que se senta no lugar perto da porta traseira. Calado, entretido com o percurso e talvez um pouco perdido chega ao Parque das Nações Norte, onde assiste a todos os passageiros a saírem do Autocarro, sendo ele o único resistente. Apercebi-me que estava perdido e disse-lhe que era a paragem terminal da carreira 708.

Começa então o diálogo...

Cliente: «Termina aqui? Mas não passámos a Sony...»
[Pausa]
Cliente: «É que a minha esposa trabalha na discoteca Roma e agora saíram da Av. de Roma e vieram para aqui, mas não sei onde fica...»
Eu: «Mas a Sony fica no Parque das Nações Sul junto ao Casino...»
Cliente: «A Sony? Não... expressei-me mal! Era a minha sobrinha, que é a Sónia, a soninha que mora para lá da ponte e eu pensei que fosse-mos até lá.»
Eu: «Pois a Sónia, não sei, mas como falou em Sony...»
E lá voltou ele comigo para a Praça do Chile, com um ar de quem não tinha conseguido a nova morada da Discoteca Roma.
Na viagem seguinte, e já perto de render para o Almoço, uma senhora, na casa dos seus 70 anos, levanta-se - correndo o risco de cair ali pelo meio das curvas dos Olivais Norte - e questiona-me:

Cliente: «O sr. Sabe informar-me para que serve aquela percentagem de 1.5% que está ali? [apontando para o tablier do Autocarro...]
Eu: «Qual percentagem senhora? Não vejo nada disso...»
Cliente: «Aquela chapa ali ao lado de uma outra que diz Irmãos Mota...»
Eu: «Ahhh, trata-se da altura a que devem estar os faróis de Nevoeiro...Curiosa a senhora.»
Cliente: «Não. Sabe, pensei que fosse algum desconto que tivesse-mos devido à 3.ª idade....»
Digam-me então se acham isto normal?!! Mas o melhor ainda estaria por acontecer...
Na segunda parte do serviço, fui surpreendido a meio, com uma passageira a alertar-me para o facto de estar uma placa no chão... Pensei que fosse alguma das molduras informativas do autocarro, mas a senhora fez questão de me corrigir... «Não, é mesmo uma placa de dentes. Uma prótese que alguém perdeu...»
Nem queria acreditar! E logo me saiu: «Coitada da pessoa. Hoje já não come castanhas.» O autocarro riu-se em peso e lá seguimos viagem com a placa a ser o centro das atenções. Como é possível alguém perder os dentes? É que já vi muita coisa perdida nos autocarros mas dentes nunca tinha visto e há sempre uma primeira vez. Ah e se pensam que estou a inventar... Amanhã quando tiver o meu pc já arranjado, se quiserem coloco uma foto que tirei com o telemóvel. Inédito mesmo!
E assim foi o dia de trabalho, que terminou com uma grande gargalhada no abastecimento, porque ninguém acreditava até ver a placa lá no chão do autocarro...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

742 - Mais do mesmo...

Início de semana depois de três dias de folga e com muito pouca vontade, mas como estar parado também chateia, há que pensar de forma positiva e que até há trabalhos bem piores que o meu...

Estava escalado para a 742 e lá fui eu logo pela manhã, rumo a Alcântara - o local de rendição. Rendi com destino ao B.º Madre Deus e a primeira parte do serviço correu ás mil maravilhas, mas ainda assim, tive de reportar uma avaria na folha azul. A caixa de velocidades do 4061 estava a dar umas pancadas nas passagens e hoje já terá uma olhadela do pessoal das oficinas.

Pausa de 2 horas das 13h50 ás 15h50 e nada melhor que render na P.Chile, que sempre dá para ir até casa, comer em condições e descansar um pouco. Mas o melhor ainda estava para vir...

É caso para dizer que a 742 é pau para toda a colher. Nesta carreira acontece mesmo um pouco de tudo e aparece de tudo. Há sempre episódios para contar e muitos nem dão para acreditar.

Ser motorista de um autocarro é também por vezes, uma prestação de serviço social. Já na segunda parte do serviço, parto da Madre Deus a determinada hora do dia, que já não me recordo, depois de ter visto tantos acidentes pelas ruas de Lisboa, e na Paragem do Alto de São João, entram uma série de pessoas.

Umas dizem boa tarde outras nem olham para mim e alguns até «fogem» para a retaguarda com receio que solicitasse o titulo de transporte. No meio desta confusão toda entra uma velhota e uma rapaz, a velhota senta-se e o rapaz permaneceu junto ao validador da frente.

A viagem foi decorrendo e 3 paragens à frente, o rapaz pergunta-me se vou para a Ajuda. Respondo-lhe que sim!... Mais uma paragem e nova pergunta: "Quando chegar-mos ao Palácio da Ajuda, deixa-me sair pela frente?"

Nem quis acreditar, e logo percebi que ia ter ali aquele rapazito a interferir a minha visibilidade com o espelho direito. Como não gosto de ser indelicado - mas ás vezes tem de ser... - pedi-lhe que pelo menos se chegasse atrás para poder ver o retrovisor.

Entretanto chego a Campolide e como me apercebi que já devia estar um pouco atrasado, dada a quantidade de carros com uma pessoa que insistem em criar filas de trânsito, consultei a chapa do horário e ele observa e questiona: "-Para que é isso aí?" ... entretanto apercebo-me que o rapaz era um pouco atrasado e lá dei um desconto, com a minha dose de paciência e expliquei-lhe que era um horário como ele devia ter na escola.

E de imediato fico a saber parte da vida do rapaz. Já tinha concluído os estudos e estava agora a tirar um curso de carpintaria. E acrescentou... "Pensava que isso aí - a chapa horária - era o Totobola! Tem quadradinhos..."

Estava entretanto desejoso de chegar ao Palácio da Ajuda e já bem perto do seu destino diz-me: " Hoje vou jogar á bola aqui no relvado do Palácio, onde estão os GNR. E ontem marquei um golo que nem sabes como foi... Um golo tabela como ninguém ainda marcou..." e lá sai ele contente da vida por ter dado uns dedos de conversa com o motorista. A velhota, essa, era a sua avó que me pediu desculpas pela chatice do neto.

Termino a Viagem no Casalinho da Ajuda, já atrasado e sigo de imediato para o B.º Madre Deus. Em santo Amaro uma carrinha avaria-se na linha do eléctrico e o caos estava instalado em pleno Calvário...

O suficiente para atrasar de novo a carreira em 10 minutos. Já na Madre Deus a Central Comando de Tráfego, manda-me levar bandeiras de Alto Santo Amaro, pois o atraso já não dava para ir ao Casalinho. E para ajudar e terminar da melhor maneira este dia...

Vou a passar o EPL de Lisboa e nova chamada da Central...

«Sr.Motorista, temos uma interrupção na Rua de Campolide, portanto a seguir à Churrasqueira, em vez de virar á esquerda, siga em frente pelo percurso da 702 e ao fundo vire á esquerda, para ir ter ao Arco do Carvalhão.»

A confusão não podia ser mais. Uma rua que mal suporta a passagem da 702, acabava por ver passar por lá os 742, os 701, os 12.... Ruas apertadas, carros mal estacionados até que se chegou a um ponto que nem para trás nem para a frente...

Foram 20 minutos ali parados á espera que alguém desse mais um jeitinho aqui e outro ali.

Entretanto lá passamos com a ajuda de uns e de outros e até deu para suar um pouco com as manobras apertadas. Cheguei ao Alto de Santo Amaro ainda mais atrasado e rendi em Alcântara. Por hoje chegou. Amanhã espero que seja mais calmo, porque pelo menos a carreira é bem melhor - 708

domingo, 9 de novembro de 2008

A manifestação que entupiu Lisboa

Não é o relato de mais um dia de trabalho, mas sim de mais um dia de folga, onde aproveitei para passear pela minha cidade, não de carro, nem de autocarro, mas a pé como há muito não fazia. Não me recordava da manifestação dos professores, que estava marcada para este sábado e fui surpreendido quando visitei algo que também há muito não visitava - O Castelo de São Jorge - que me fez recordar tempos de infância quando para ali ia de bicicleta ainda sem ter de provar nada a ninguém que era Lisboeta, como agora, para poder entrar gratuitamente.


Enfrentei a fila de estrangeiros que ansiosamente aguardavam o momento de comprarem o dito ingresso...
E do topo da colina ouvia as vozes de protesto dos professores. «Matei» o bicho da fotografia e daí parti para a Baixa onde observei as formas de Luta dos professores. Aqui ficam algumas fotos da manifestação...






Do topo do Castelo podia-se ouvir as vozes de protesto dos professores....








E mesmo quem não esta ali para protestar contra a reforma educativa, acabou por protestar, devido aos transtornos provocados pela manifestação, com os transportes a verem os seus percursos alterados ou encurtados...


E tudo sob o olhar atento dos elementos da PSP que cortaram diversas artérias da capital...
Quanto aos colegas que estiveram de serviço, limitaram-se a cumprir as ordens do pessoal do tráfego que andava espalhado nas ruas, que iam dando indicações à medida que a manifestação ia avançando. É sempre um dia complicado, porque há sempre passageiros que não entendem o porquê dos encurtamentos ou desvios de percursos. Porque há sempre quem pense que um autocarro tem asas, ou que é a má vontade do motorista que impera. Algo para o qual os motoristas e guarda-freios já vão estando vacinados.

sábado, 8 de novembro de 2008

O maldito virus

«Quem não tem cão caça com gato», diz o ditado... e é o que tem acontecido comigo. O meu PC apanhou um daqueles virus que nunca tinha apanhado, tendo afectado o sistema de arranque e agora resta-me aceder aos mails, foruns e blogs através de outro pc. Passada uma semana desde o sucedido, não consegui resolver o problema nem com a ajuda de quem percebe mais do que eu de informática. A solução até poderia ser simples, bastando formatar o disco, o que me causaria uma perda de dados, ficheiros e imagens que não conseguiria obter novamente. Hoje perdi a paciência e levei-o á Vobis para removerem o Virus e recuperar os ficheiros. Aguardo agora anciosamente pelo orçamento...

Entretanto vou gozando três merecidos dias de folga e a recuperar forças e sobretudo as costas para uma segunda-feira de turtura pelas ruas de Lisboa. Exactamente! Isso mesmo, Rua Maria Pia, calçada da Boa Hora, pois claro, 742.

Hoje para compensar o stress que o computador me tem causado, talvez aproveite o facto de ainda não estar a chuver para matar o bichinho da fotografia, passeando pela Capital...

A todos Bom fim-de-semana....

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A chapa retida e o Benfica....

Pois é amigos, na quarta-feira fiquei a saber o resultado final sobre o tal acidente que aqui relatei há tempos da queda de uma idosa na carreira 745. Quando cheguei à Musgueira para levantar a chapa da segunda parte do serviço na 708, a mesma estava retida para poder falar com o inspector que me informou do resultado. O acidente foi para a comissão de risco e não foi descaracterizado, porque uma das testemunhas não respondeu e a que respondeu, disse que eu não reduzi a velocidade na curva, mas que também não era o culpado porque o autocarro devia ter uns braços naquelas cadeiras.

Bem, se não reduzi-se tinha-me matado porque uma curva apertada com um autocarro articulado.... enfim, depois também não podia ir em excesso de velocidade porque tinha acabado de sair da paragem e tinha uma faixa de rodagem contrária para atravessar, para poder entrar na Qta.Morgado. Resultado: Alguém tinha de ser culpado e logo, o motorista está à mão. É caso para dizer que fui o elo mais fraco.
Entretanto soube que atingi as 2.000 horas sem acidentes em Agosto e que este mês vou ser compensado por isso e aguardar que até ás 4.000 não me ocorra mais nenhuma situação para que não seja feito um reset ás contas :)
Já hoje andei pela 701. Uma carreira que até se faz muito bem, com uma hora de percurso aproximadamente e claro está, muito bem frequentada... Faculdade de Farmácia, ISCTE, Hosp.Santa Maria, Torres de Lisboa e Campo de Ourique são alguns dos seus pontos fortes, onde a simpatia e beleza feminina se faz sentir com mais regularidade. Mas no geral os passageiros desta carreira até são simpáticos.

Uma jovem de Aveiro andava perdida por Lisboa e entrou em Sete Rios, pedindo um bilhete para o Pestana Palace, e informei-lhe que estava do outro lado da cidade, mas a rapariga entrava em desespero cada vez que lhe explicava onde estava. Mas depois lá soltou: «Já fico a conhecer um pouco mais de Lisboa...» Entretanto na Quinta do Barros, deixei-a com o colega da 738 e ela lá agradeceu imenso a ajuda, porque no fundo tinha-se enganado a sair do comboio. Devia ter saído em Alcântara e saiu em Sete Rios.
Hoje contudo, foi dia de Benfica na Luz o que acaba sempre por fazer parar o trânsito. A juntar a isto, um acidente no cruzamento da Av.Brasil/C.Grande, acabou por atrasar ainda mais e quando cheguei a C.Ourique, uma fila enorme aguardava aquele autocarro que já estava atrasado 17 minutos.
Era a última viagem para a Charneca e recolhia, mas como o trânsito era intenso, a C.C.T. mandou-me colocar bandeiras de Musgueira e recolher directamente de C.Ourique, pelo percurso da carreira e lá recolhi a horas. Entretanto lá veio o sururuuuu dos passageiros com perguntas a mandar assim para a provocação, do tipo: «Há alguma manifestação sr.motorista? está tudo atrasado hoje....» e lá me saiu a resposta: " É o glorioso minha senhora. Joga o Benfica e o país para...." e ela lá concordou e nada mais disse. O jogo iniciava entretanto e tudo ia atento ao relato que eu estava a ouvir.... O resultado esse é que acabou por não ser o melhor, e quanto á recolha, foi feita a tempo e horas....
Agora três dias de folga para compensar a semana.... Segunda-feira regresso aos comandos e como não poderia deixar de ser, um habitué.... 742.
Bom fim-de-semana amigos.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Uma semana cansativa e os insultos que já se tornam um habitué

Engana-se quem pensa que ser motorista da Carris é pêra doce. Por vezes até é bem amarga porque somos nós que estamos ali a dar a cara. Depois da aventura na 708 que acabou no reboque até á Musgueira, o resto da semana não foi melhor. Na segunda-feira 27 de Outubro fui uma vez mais escalado para a 742 (já sou quase efectivo nesta carreira) e na parte da manhã tinha marcado três horas extra na carreira 35, dado que é das que me dá mais gosto fazer, mas à última da hora trocaram-me para a 56.

Na terça-feira lá fiz as mesmas 3 horas de manhã e aqui sim na 35, num regresso a esta carreira (já não a fazia desde Agosto) e da parte da tarde mais um regresso e desta feita aos Sete Céus.

Não, não fui de férias nem de avião. Fui para a 777 a carreira da Alta de Lisboa que de alta só mesmo a localização geográfica. O serviço até correu bem, tirando o vendaval que se fez sentir que até destruiu algumas paragens. O vento e o frio foi tanto que até a almofada de uma cadeira levaram. Informei a central, dado ser uma carreira certificada e ficaram de me trocar o autocarro, o que não aconteceu até ao final do serviço.

Na quarta-feira terminei a semana na 36 e para quebrar a rotina tudo correu ás mil maravilhas.

Quinta e Sexta folga...

E sábado o início de mais uma semana e em grande... Carreira 15E, transbordo Belém - Algés, devido a Obras que impossibilitam a ida do eléctrico a Algés. Muitos turistas, muitos bilhetes vendidos e a visita de um amigo spotter que acabou por me apanhar enquanto disparava tendo acabado por me oferecer a imagem deste post.

No domingo, um daqueles dias para esquecer... 742 e dia de finados com centenas ou até mesmo milhares de pessoas que se deslocam habitualmente neste dia aos cemitérios. Autocarro sempre cheio, nomeadamente entre P.Chile e Madre Deus. AHHH e ate com flores levei na cara, ainda que sem o querer da própria cliente que dado o aconchego e os apertos no autocarro la se foi chegando até ao ponto que deixei de ver o espelho direito....

Hoje segunda-feira regressei para a 15E e mais um dia cansativo devido a uma avaria no autocarro, tendo de ir trocar o autocarro à Musgueira. Para não bastar ainda tive de levar com algumas más disposições de quem não arranjou melhor forma de começar a semana.

O primeiro foi um passageiro que reclamou comigo por eu estar a chegar a Belém e o eléctrico estar a partir, não permitindo assim o transbordo (como se eu tivesse culpa...). Depois e já bem perto do fim do dia, um senhor com os seus 70 e tais anos, lembrou-se de me insultar.

Faltavam 5 minutos para partir de Algés e como estava frio na rua, abri a porta para que os passageiros entrassem e aguardassem sentados. Maldita a hora que tive esta ideia. O cliente pede para sair desta forma: «Abra a porta, porque quero sair sff. Já que você não sai daqui, saio eu...» e abri.... O tipo sai do autocarro e começa a insultar-me. «Vocês fazem o que querem, são uns Cabrões, sou eu que vos pago o ordenado....» e la foi aos gritos por Algés fora.

Agora digam lá que isto é um mar de rosas e que ser motorista da Carris é só acelerar, travar e abrir portas. Amanhã 708 e depois termino a semana com dois dias na 701.

P.S.: Este post está fora do habitual e mais extenso porque resume uma semana, dado um problema informático (vírus) que me impossibilita de aceder à net todos os dias.

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